5 formas para se hospedar de graça em todo o mundo
1. Comunidades de hospedagem
São comunidades de troca de hospitalidade. Couchsurfing é sem dúvida minha comunidade de hospedagem preferida. Não é o mais velho nem o único, mas é o que mais tem pessoas no mundo. Quando eu começo a falar sobre esses grupos para quem não conhece, a reação é geralmente no mínimo uma sobrancelha arqueada de surpresa ou mesmo receio. Quem já usa com frequência e entende como funciona, sabe que não há motivos para medo ou apreensão.Confira aqui as melhores dicas para você aproveitar ao máximo essa comunidade!
Hospitality Club: Com uma interface mais simples, vi muita gente migrando para cá, decepcionadas quando o fundador do couchsurfing o transformou em corporação. O único problema aqui ainda é o alcance de lugares e número de pessoas inscritas no mundo. Não quer dizer necessariamente que seja mais difícil encontrar anfitriões, talvez seja ainda mais fácil nas cidades maiores.
Servas: Servas é um grupo mais exclusivo e fechado, mas para quem tem preocupação excessiva com a segurança talvez seja a melhor opção. Aqui da Tailândia onde estou no momento escrevi um e-mail para o responsável na minha região no Brasil e o desafio começou porque eu já não moro mais lá. Ainda assim fiz contato com o responsável em Minas Gerais onde meus pais moram e fui informado que é necessário agendar uma entrevista e ela é obrigatório para todos os membros. Enquanto não volto para o Brasil não posso contar com essa opção. É um pouco mais complicado, mas é uma opção a mais. Por você não ter um perfil on-line como no couchsurfing acho que deve ser interessante ter o elemento surpresa de como vai ser seu anfitrião. Alguém aqui já usou o servas? Escreva nos comentários sua experiência!
Global FreeLoaders: Quando eu vi esse nome pela primeira vez achei estranho. Freeloaders traduzindo significa algo como “aproveitador sangue-suga”, exatamente o tipo de gente que a maioria tenta evitar quando hospeda alguém. Se você tem preguiça de procurar um amigo e realmente só quer um lugar de graça para passar a noite, talvez essa seja sua melhor opção. Apesar do nome, no site eles se descrevem de uma forma mais amigável: “GlobalFreeloaders.com é uma comunidade on-line, reunindo pessoas para te oferecer alojamento grátis em todo o mundo. Economize dinheiro e faça novos amigos, enquanto vê o mundo a partir da perspectiva de um local!”
Warm Showers: Uma opção para quem curte ciclismo.
Não espere muita privacidade na hora do banho!
Acampar nem sempre é uma opção gratuita, aliás, geralmente pode ser mais caro do que se hospedar em uma pousada como verifiquei recentemente no litoral da Bahia. Se você tiver paciência para procurar, muitas vezes dá para achar lugares incríveis para você se hospedar. Você não paga nada e pode ter uma paisagem que poderia custar algumas centenas de reais se fosse em um hotel. Pense numa praia deserta ou uma fazenda por exemplo. Acampar é mais divertido com amigos ou com uma parceira ou parceiro. Não subestime o tempo de panejamento e seja criativo na hora de pensar em banho, cozinha e banheiro.
[...] Geralmente nos EUA é proibido acampar nas praias, mas se não tiver nada escrito, não acho que você vai ter problema. Quando a placa existe e você não vê, aí sim o problema é garantido. [...] Não conte com a sorte, certifique-se de que você pode acampar onde deseja e nunca deixe de procurar e pedir para a dono da terra (se é que tem um).
Você já imaginou poder viajar para vários países do mundo, principalmente os mais ricos e ao invés de pagar fortunas em hotéis, ter a sua disposição todo o conforto e a privacidade da casa de alguém que mora no local, enquanto o próprio dono viaja? Imagine se você pudesse tomar emprestado a perspectiva de um local por algumas semanas ou meses, se sentir parte da vizinhança e da dinâmica de um bairro e de uma cultura diferente da sua, sem pagar nada! Foi assim que me hospedei de graça por um mês na França. Confira aqui todas as minhas dicas para você também conseguir uma oportunidade assim!
Como no Couchsurfing, quanto mais referências você colecionar, maiores suas chances de ficar num lugar bacana. Tem gente que vive fazendo isso e viaja dessa forma pelo mundo todo, como o casal Darlene e Peter Heck. Eles inclusive escreveram um livro (em inglês) ensinando a viajar dessa maneira. No blog deles, da pra encontrar muitas dicas úteis se não tiver afim de comprar o livro. Outra fonte boa de informação é o blog The Professional Hobo. Quem o escreve é Nora Dunn que desde 2007 está também vivendo viajando pelo mundo.
Pelo que tenho visto, geralmente a única coisa a pagar é a taxa anual que varia entre U$20 e U$60 para o site que te conecta com os donos de casa. Alguns deles:
Trusted House Sitters: (Esse é o meu preferido e se você assinar usando esse link você ganha um desconto de 15%)
Ainda uma outra opção seria trocar sua casa com alguém durante suas férias. Como não tenho uma casa ainda, nunca tentei. Tenho uma amiga em Los Angeles que em todos os anos ela fica em algum lugar no mundo na casa de alguém enquanto esse alguém fica na casa dela. Até o carro eles deixam a disposição! Não sei como isso funcionaria no Brasil e tenho curiosidade em saber se alguém já fez ou conhece alguém que participa desses programas.
Tem que ter um pouco de coragem de deixar sua casa e todos os seus pertences nas mãos de alguém estranho, mas lembre-se que é você que vai tomar conta da casa da pessoa que está ficando na sua. É uma via de mão dupla e a confiança tem que ser mútua. Uma boa fonte de informação: Esse artigo escrito pela vagamunda Nora Dunn.
Monastério? Isso mesmo! Você não precisa ser religioso para aproveitar a tranquilidade e paz de um monastério. Seja budista, católico, ortodoxo, existem diversos monastérios no mundo e muitos deles para minha surpresa te hospedam de graça ou por uma doação se quiser.
Eu só me dei conta dessa possibilidade quando recentemente fiz um retiro dosilêncio por 10 dias em um monastério budista na Tailândia. Embora eu tenha pago um pouco mais de R$100 para 10 dias de estadia, incluindo alimentação, hospedagem e o curso de meditação, antes de começar o retiro eu pude ficar de graça no alojamento coletivo do monastério. Está aberto a todos e você não tem que pagar nada, nem participar de curso nenhum. E pode ficar quanto tempo quiser. A acomodação é muito simples e a refeição (R$2) é bem deliciosa e nutritiva (vegetariana). Para quem se interessar, entre no site [...].
Essa é apenas uma opção na Tailândia. Procure no google por Monastery Stay e você vai encontrar um mundo de opções. No excelente blog do Nomadic Matt encontrei alguns links que podem te ajudar se estiver interessado (todos em inglês):
Como se hospedar em um monastério
15 excelentes estadias em monastérios
Artigo na CNN sobre estadia em monastérios
5. O mais antigo deles: Bata na porta (ou mande e-mail):
Se você for viajar e parecer que os métodos acima falharam, não esqueça desse, afinal é o mais antigo de todos e antes mesmo de existir hotéis e albergues, os peregrinos só tinham essa forma para encontrar um lugar para passar a noite. Muitas culturas se orgulhavam de sua hospitalidade (e ainda orgulham) e um exemplo radical está no livro Tuareg, que eu recomendo a ler. Aproveite a tecnologia e se possível, em vez de bater na porta, mande e-mails ou mesmo telefone.
Procure na internet atividades ou grupos que te interesse no seu destino. Comunique-se, deixe claro suas intenções (fazer amizade, conhecer pessoas que fazem alguma coisa que você admira) e então aproveite e peça um lugar para dormir! Tem que ser um pouco cara de pau, mas quando você envia um e-mail, não tem necessidade de sentir tanta vergonha assim. Quando eu fiz pela primeira vez, eu era muito tímido mas foi assim que garanti minha hospedagem sem pagar nada e conheci os primeiros locais.
Quando embarquei pela primeira vez para fora do país eu nunca tinha escutado de couchsurfing ou de nenhum outro programa de hospedagem gratuita. Procurei na internet e hospedar barato sempre vinha acompanhado da palavrahostel, que então descobri, significava albergue. Era o final de 2007 e eu estava indo para Seattle, no canto noroeste dos EUA para trabalhar em uma estação de esqui, sendo o programa Work & Travel a única alternativa financeiramente viável na minha cabeça para eu realizar meu sonho de viajar para fora do país (um engano). Já que parte do dinheiro era emprestado (no banco e com meu avô), eu tinha uma pressão muito grande de devolver rapidamente aquela quantia e fui para os EUA com a mão mais fechada possível. (Uma na frente e outra atrás na verdade).
Um albergue em Seattle, custava aproximadamente U$30/noite e como eu teria que ficar alguns dias lá até chegar o dia de subir a montanha com o ônibus da estação de esqui, eu me preocupei. 60 Reais era muito dinheiro para mim e eu não conseguia parar de pensar que somente com hospedagem para 5 dias eu gastaria todo meu salário de um mês trabalhando em uma corretora de seguros no ensino médio. Ou pior ainda, um dia de estadia significaria vender 300 bombons no colégio, como eu fazia!
Comecei a fuçar a internet e tive a “ideia” mais primitiva possível: Pedir abrigo. Não tive que bater em nenhuma porta, com a internet, tive que apenas mandar alguns e-mails.
Como ser piloto de parapente ainda era um sonho, procurei na internet pelas escolas de parapente perto de Seattle e mandei e-mails me apresentando, mostrando que eu queria muito aprender a voar de parapente, conhecer pilotos na região e… que eu procurava um sofá para passar algumas noites. A resposta não demorou a chegar e um dono de uma escola de parapente me pôs em contato com seu aluno que morava no centro de Seattle, que me garantiu que eu seria bem-vindo à sua casa!
Como todo vagamundo de primeira viagem, não nego que minha apreensão era enorme. Sem falar inglês direito, e pela primeira vez colocando os pés em um país diferente eu me surpreendi aprendendo o que realmente significava hospitalidade. Meus anfitriões tiveram toda a atenção e paciência comigo. Me deixaram dormir no quarto de seu filho, que já não morava lá, quando eu na verdade esperava apenas um sofá. Me levaram para jantar, me mostraram a vizinhança e me deram a chave da casa para eu sair enquanto eles trabalhavam durante o dia. Minha anfitriã era médica e por isso me deu o número de telefone de seu consultório e pediu para eu me identificar como Doutor com sua secretária, para que eu fosse atendido na mesma hora, se precisasse. Me deram informações de ônibus, o que e como ver na cidade, e graças a eles aproveitei bastante aqueles dias.
Quando bater na porta (literalmente) é a única opção:
No ano seguinte, na minha primeira viagem pela América do Sul, eu e um amigo resolvemos escalar um vulcão de quase 6 mil metros de altura, no Peru. No caminho de volta nos perdemos e chegamos no vilarejo mais próximo tarde na noite e o ônibus que poderíamos pegar para voltar para a cidade de Arequipa passaria apenas no dia seguinte.
Na base de um vulcão, Cachamarca é um vilarejo no meio do nada e hotel seria a última coisa disponível naquele lugar. Energia elétrica, por exemplo, era um luxo que tinha chegado por lá recentemente. Muito cansados, batemos na porta de um casal de senhores que conhecemos na ida ao vulcão e eu nunca vou esquecer o carinho e atenção com que nos receberam. Elza, a senhorinha, tomou conta da gente como se fôssemos o filho que tinha retornado à casa depois de muito tempo distante. Eles moravam em uma casa muito simples de um cômodo só, construída com pedras vulcânicas, e chão de terra batida. Em uma cabana eles guardavam as colheitas e as ferramentas de plantio. Ali mesmo, com peles de alpaca, eles prepararam no chão para a gente a “cama” onde passaríamos a noite. Cansados como estávamos, aquilo pareceu a cama mais confortável do mundo. Fizeram questão de nos preparar sopa e chá e garantiram que não passaríamos frio num lugar onde a temperatura cai facilmente para menos de zero durante a madrugada.
Em todos esses casos é importante mostrar sua gratidão. Quando você sentir que as palavras não são suficientes, talvez um presente ou se oferecer para ajudar em alguma coisa pode ser uma alternativa, mas foi difícil convencer aquelas pessoas a aceitarem a minha lanterna de presente. Quando finalmente aceitaram e nos despedimos, eu senti um entalo na garganta. Eu não sabia que uma despedida após uma convivência tão breve poderia ser tão difícil, ainda mais sabendo que nesse caso, não existia a possibilidade de um telefonema e muito menos um e-mail para matar a saudade depois.
O senhor que nos hospedou em um vilarejo isolado, no pé de um vulcão, no Peru.
Hoje em dia nas minhas viagens, hotel é a minha última opção. Não só porque eu quero economizar dinheiro mas porque eu conheço opções muito mais divertidas.
Agora que você também já sabe, lembre-se que a próxima vez que você “reservar” uma acomodação de graça vai vir incluso a possibilidade de amizades e experiências marcantes.
Fonte: http://www.vagamundagem.com/formas-para-se-hospedar-de-graca-em-todo-o-mundo/