A surpresa veio assim que ela deu sua resposta. Ana nem podia acreditar, afinal pensava que ela se fecharia e talvez até risse da situação a qual a ruiva se submeteu. Nada de bom vinha de demonstrar fraqueza, tinha pensado enquanto fazia seu pequeno discurso, mas o risco era pequeno já que já estava morta mesmo. Com apenas cinco perguntas devia escolher as certas, afinal precisava de ajuda para… Sobreviver? Não, para seguir naquele lugar sem grandes traumas. Só que tinha muita coisa que queria saber tanto sobre a vida da mulher que estava ali quanto sobre o local curioso em que se encontrava. Sendo assim, separar o útil da curiosidade era um trabalho para Holmes. A ruiva mordeu o lábio incerta, por um momento achou engraçado sentir alguma necessidade após a morte. “Você esta aqui há muito tempo. Ouvi dizer que é a mais antiga. No entanto, duvido que tenha sido a primeira pessoa a ser condenada. Não, muitos devem ter vindo antes assim como muitos virão depois. O que quer dizer que tem quem saiu daqui, vamos dividir estas pessoas em dois grupos: os que subiram e os que desceram.” Ela sabia que sempre existem apenas duas opções, melhorar ou piorar. “Eu poderia gastar duas perguntas com os dois grupos, poderia gastar até mais, porém apenas uma se livra da minha curiosidade e se torna útil para o meu futuro póstumo. Não existe a morte após a morte posso supor, mas existe algo. Então, como se é condenado a local inferior?” Tinha muitas outras que queria saber como o que a esperava no caso de ser condenada, mas quando se esta em um campo minado é melhor saber onde não pisar do que saber o que acontece se pisar. Podia também perguntar sobre o paraíso, mas idéias como tais serviriam apenas para alimentar devaneios. “As memórias.” Falou de súbito o assunto de seu próximo questionamento. “Eu de certo tenho curiosidade sobre as suas, mas temo que falar sobre a sua vida passada não a deixe feliz. Vejo que as lembranças trazem um semblante triste e creio que também trariam a mim se eu recuperasse o que me pertence. Sendo assim, não tenho grandes intenções de correr atrás delas, mas se eu tivesse… O que eu deveria fazer?”Ana sabia que se perguntasse a antiga história da outra faria com que ela se fechasse novamente, talvez não de imediato, mas acabaria o fazendo. Ella carregava muita dor. “Este local, não me aprece muito calmo. Afinal, duvido que o castigo dos pecadores seja viver em uma casa meio caída, então devo supor que existem perigos e você que se encontra aqui há tanto tempo já os encontrou. Como venceu os desafios?” Quase perguntou quais foram, mas mordeu a língua e fez a pergunta certa. Poderia ter sido Hércules na outra vida, mas não saberia formar um ataque sem as memórias. Sendo assim, era melhor saber como ela fez assim saberia as fraquezas de cada um e talvez não fosse tudo, mas era algo.
Três perguntas já tinham ido e faltavam apenas duas. Com cuidado tentava separar o útil do interessante. Sem falar que algumas perguntas levariam a respostas que ela conhecia e apenas não queria admitir por não serem agradáveis. Sentiu a mão queimar e notou que a marca negra que a decorava era idêntica a de Ella. Tinha em sua memória que outras pessoas carregavam a mesma ou diferentes. Se tinha quem carregasse uma que não parecia com a sua então é porque não era um modo de marcar os condenados e se tinha quem usasse a mesma era porque possuía utilidade. Talvez a entrada a algum lugar ou alguma habilidade, com cuidado formou a próxima pergunta. “A marca. O desenho que temos na mão, como você usa?” Teve cuidado, afinal se perguntasse de onde ele saiu ou para que servia saberia mais sobre ele, mas não saberia como tirar algum proveito. No caso de ser apenas uma tatuagem antiga ou algum modo de agrupar almas perderia uma pergunta, mas neste caso arriscaria. “Por fim, vejo que sobra apenas uma pergunta e sendo assim não posso evitar. O contato com o mundo dos vivos já foi feito daqui?”
A garota realmente havia levado a sério o que a mulata havia dito, observou a incerteza no olhar enquanto ela pensava e raciocinava no que ela iria perguntar. Ella quando chegou havia passado por algo semelhante, mas suas perguntas não foram tão bem formuladas como fora da garota. “Pecando é óbvio, você não era católica? Nunca leu os mandamentos da bíblia?” respondeu, enquanto cruzava os braços. “Se arriscar, suas memórias estão fora dos limites seguros da cidade. Só se arriscando encontrará resposta.” disse enquanto levantava dois dedos. “Lutando, não apenas fisicamente” respondeu levantando o terceiro dedo. “Não uso a marca para nada” pensou enquanto observava que a pergunta fora mal formulada. O quarto dedo foi levantando. A última pergunta trouxe risadas para a mulher, dando risadas altas, porém sem humor. “É óbvio que não, você é retardada?” falou ríspida, enquanto levantava o último dedo e se virava para longe da ruiva. Observando que ela havia desperdiçado duas perguntas, porém trato era trato e quem perdeu fora ela.










