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Ruby a bela, Ruby a dedicada, Ruby a bruxa, Ruby a filha ingrata que se recusou a ajudar a mãe a se vingar daqueles que mataram seu pai. De personalidade fria como gelo, e ainda assim brilhante e sábia como o sol, ela foi mantida em uma redoma de vidro por toda a sua vida, lendo, estudando aprendendo, o tipo de vida vida que ninguém queria ter. Mas ela gostava. E agora que estava em frente a casa de sua infância, na cidade que ela nasceu, onde devia ter sido seu lar cinco anos depois. Era um misto de sentimentos que ela não sabia explicar. Ela pretendia entrar no casarão e se perder nos livros, alguns eram edições raras e aprender o que ela não tinha conseguido ate seus quinze anos. E, infelizmente, era uma coisa que Gregor não permitiria. O homem era orgulhoso demais para se entocar em casa, queria mostrar que estava de volta, e ela não sabia o que ele pretendia com isso e nem sabia se queria entender.
Ele desfilou pelas ruas com todos os ares de uma senhor, um duque, um rei mesmo, de cabeça erguida, ombros para trás e passos confiantes longos arrastando Ruby como se fosse um trófeu para ele. Durante o dia, ela estava livre para fazer o que quisesse, e hoje agradava-lhe rever a cidade e fazer umas compras, e se encantou por uma escova de cabelo antiga que achou na loja de antiguidades da cidade.
Talvez um espelho de mão seria bom também. Ela estudou os espelhos à venda, com alças de madeira e prata, alguns incrustado com contas brilhantes, e alguns pintados. A que ela escolheu tinha um cabo de madeira de cerejeira, incrustada com um revestimento de prata na parte de trás. Prata. Isso sempre a fazia lembrar. A menina admirava a si mesma. Seu cabelo escuro, seu elegante pescoço e ombros expostos. Um sorriso, enquanto olhava seus olhos. Ela gostava de seus olhos,eram como os dele, a fazia lembrar o motivo para que existia, proteger as pessoas e mesmo que não fosse uma caçadora poderia ajudar. Não eram as bruxas as melhores amigas de um caçador? Agora ela sabia o que precisava fazer na pequena cidade novamente. Só precisava ser esperta e achar um caçador. Com os itens em mãos ela se dirigiu para pagar os objetos prateados, sempre sentiu uma grande fascinação pela prata, talvez fosse seu subconsciente lhe dizendo o que precisava fazer, vingar a morte do pai, do jeito certo, ela descobrira o responsável e mesmo que não terminasse com ele, ela arranjaria um caçador que o fizesse só teria que esperar um passo em falso de uma matilha desregulada e isso ela tinha certeza que ali em Beaufort não faltava. “Desculpe-me”, ela começou, a voz baixa e suave como sempre, interpelou uma pessoa próxima. “Você é x vendedorx?”Uma espécie preguiçosa de meio sorriso enfeitou a face da mulher.
Tinha quase certeza que alguém havia entrado em sua casa, não só pelo fato da sensação do ambiente ter mudado, mas também para tamanha bagunça que a casa estava. Haviam alguns móveis quebrados, coisas reviradas e alguns objetos mágicos faltando. Deu um suspiro fraco, principalmente por algumas dessas coisas serem de conteúdo sentimental do que tudo. Ia procurar o responsável, certamente, mas não precisava de muito para saber de que se tratava de um vampiro. O ambiente deu um calafrio, o mesmo que sentira depois de cair na real que Arthur havia matado a sua família, era como se estivessem repetindo a cena como em um filme.
Foi até uma loja de antiguidades, pois o dono era um conhecido seu então só precisaria falar o que acontecera e ele providenciaria as coisas necessárias para evitar outro encontro com os sanguessugas. Estava achando estranha a demora para ser atendida, porém o dono da loja era um senhor velho, então provavelmente deveria estar fazendo alguma outra coisa e o seu ajudante já teria ido para casa. Era normal, certo? Notou que outra pessoa havia entrado na loja, teve até uma sensação boa e conhecida, como uma velha amiga que não se viam há muito tempo, mesmo que não reconhecesse a morena, um tanto mais baixa do que ela, de rosto. Tratava-se de uma bruxa, podia sentir isso. Era uma aura conhecida e pura. Deu um sorriso fraco, mas ficara na sua.
“Oh, não.” Emeraude deu uma risada, balançando os ombros fracamente, quando a menina se aproximara e questionara se ela era uma vendedora. “Eu não sei o que aconteceu. Era para alguém já ter vindo nos atender.” Franziu o cenho, claramente a demora era anormal. Portanto, não havia nada de ruim caso elas fossem até lá saber o que acontecia, pois o senhorzinho poderia ter se machucado pegando algum produto e precisasse de ajuda imediada. “Talvez tenha acontecido alguma coisa!” Exasperou-se, andando até uma fresta que levava aos fundos.
















