Minha Infância e o Descobrimento de Mim
Entre Silêncio e Palavras
Entre Cadernos, Padarias e Coragem
Entre Crises, Coragem e Silêncio
Entre Galinhas, Gritos e Gente
Um Quadro em Branco nas Mãos de Deus
A Verdade, a Morte e o Caminho
Resposta de Deus em Seus Momentos Difíceis
Introdução
Este livro é uma travessia. Uma jornada íntima que começa na infância e se estende até o presente, costurando memórias, sonhos, alucinações e realidades com fios de dor, descoberta e espiritualidade. Ao longo das páginas, a autora compartilha sua experiência como mulher autista em um mundo que insiste em rotular, silenciar e excluir. Mas este não é apenas um relato de sofrimento — é também um manifesto de resistência, uma busca por sentido, uma conversa com Deus e consigo mesma. A narrativa mistura fragmentos poéticos, reflexões filosóficas, episódios oníricos e momentos de lucidez cortante. É um livro que desafia a linearidade, que abraça o caos e transforma vulnerabilidade em força. Aqui, o leitor encontrará não apenas uma história, mas uma alma em movimento. Um convite para olhar o mundo com outros olhos — mais sensíveis, mais atentos, mais humanos.
Encachando me no mundo
Minhas primeiras lembranças são de quando eu tinha seis anos. Havia uma festa, presentes, muita gente. No quartinho pequeno, com uma cama de casal e um guarda-roupa ao lado, estava uma mulher. Sentada, fumando, enquanto eu permanecia ao seu lado, olhando para a câmera. Foi ali que tiraram minha primeira foto de infância.
Aqueles momentos pareciam um sonho passageiro — um sonho que nunca mais voltaria, mas que deixou em mim a sensação de que algo sempre falta por dentro.
Não tenho muitas lembranças daquela mulher. Ela vivia entre o álcool e o cigarro. Lembro que, quando eu ainda era pequena, saíamos com meu pai e minha irmã para visitar a casa da vó patena. Ela nunca parava de beber, nem de fumar.
Mas, ao mesmo tempo em que se perdia na bebida e no cigarro, no dia seguinte ela acordava bem cedinho, se arrumava e ia trabalhar. Dava tudo de si para trazer alimento para nossa casa.
Eu não reclamo dos dias em que ela bebia e fumava, nem dos dias em que trabalhava de manhã até anoitecer. O que me faz falta são lembranças felizes com ela — momentos que me fizessem rir. Não me lembro de nenhum. Só me vem à mente a imagem de uma mulher sentada, olhando para frente, como na foto.
Uma das lembranças que tenho é de quando brincava no meu quintal — um mundo de imaginação que crescia como uma explosão. Ali, eu viajava pelo céu, navegava pelo mar. Não havia vilão que pudesse me derrotar naquele lugar. Meu mundinho desapareceu no momento em que tijolos, vidros e teto tomaram conta daquele espaço. O lugar que agora só posso visitar através das minhas lembranças.
Minha imaginação então se voltou para os desenhos e novelas que eu via na TV. Os lápis de cor, para mim, eram personagens que ganhavam vida. Era o meu novo mundo — aquele que me permitia expressar o que eu não conseguia dizer para quem só me via como uma criança malcriada.
Um pedaço de mim ficou para trás. Era a época em que minha irmã fugia da nossa avó para não apanhar. Nem sempre suas fugas davam certo — às vezes ela era pega e apanhava com vara.
Lembro de ver minha avó se escondendo atrás da porta do banheiro, me olhando e dizendo: “Se você falar algo...” Eu me calei na hora. Minha irmã entrou no banheiro, e logo minha avó fechou a porta. As últimas palavras que ouvi foram o choro dela.
Minha vida passou diante dos meus olhos como uma perda de memória. Vi lembranças cortadas ao meio, confusas e misturadas com novelas e desenhos infantis. Entre essas memórias, eu me identificava com Carinha de Anjo — uma criança que perdeu a mãe e não tinha a presença do pai.
Hoje, nem sei mais quais lembranças eram minhas e quais eram da Carinha de Anjo. Ah, se eu pudesse colar minhas verdadeiras lembranças no lugar certo... Como um quebra-cabeça, preciso encontrar as peças certas e encaixá-las onde pertencem.
“Vó, vamos morar naquela casa.” Era o que eu sempre dizia, enquanto ela me levava para a escola — às vezes no colo, às vezes pela mão. A casa era pequena, com um jardim na frente. Era o lar que eu sonhava ter. Hoje, não a vejo mais. O sonho ficou no sonho.Na escola, os nomes me escapavam. Não lembrava dos colegas, nem dos professores. Mas via os outros se entrosarem, e desejava ser como eles. Eu não sabia me comunicar como a maioria. Alguns falavam comigo, às vezes brincávamos. Mas quem eram meus verdadeiros amigos? Talvez nenhum.
O problema era eu. Me afastava, me escondia. Minha mente sempre cheia, irritada, triste, com raiva por qualquer coisa.
Brincava sozinha, ia da escola pra casa, da casa pra escola. Às vezes, encontrava alguém na rua que brincava comigo. Mas sem motivo, eu me afastava. O sorriso no rosto — às vezes sincero, outras vezes forçado.
Mesmo crescida, minhas atitudes eram de criança. Pensava como criança, queria brinquedos, sentia ciúmes das que ganhavam presentes e tinham amigos. Enquanto elas cresciam — viravam bailarinas, médicas, professoras — eu permanecia em pensamentos infantis, ingênua.
Pareço normal. Estudei, trabalhei, quase namorei... Mas por dentro, sou uma criança brincando no mundo adulto. Finjo ser adulta para agradar os mais velhos.
Odeio a escola. Os professores só enxergam o lado dos outros. O meu lado, seus olhos não veem. Hoje, na igreja, as gêmeas disseram que sou falsa. Que finjo ser santa. Mas eu não sou assim. Isso me magoou.
Eu sou o que sou. Uma criança como qualquer outra. Odeio essas pessoas. Meu coração sangra. Minha mente some. E nela, vejo o mundo que queria viver.
As vezes não sei como me comportar, tem momentos que fico como criança sem querer e outra sou um adulto.
Minhas atitudes não são como o de meu pensar. Tem momentos que não sei como me expressar, necessito de tempo para por meus pensamentos em ordem.
Entende eu mesma antes de decidir quem realmente devo me mostrar, sou fácil em acreditar e confiar nos outros.
Mais aprendi da forma mais difícil que nem todos devo confiar. Mas sempre me esqueço que nem todos merecem minha confiança.
Pode parece uma tolice minha, mas gosto de tratar as pessoas do jeito que eu gosto de ser tratada.
Acho que são esses pensamentos que me fazem ser uma tola ingênua que sempre é enganada e influenciada pelos os outros.
Aí se pudesse voltar ao tempo e mudar minhas escolhas e mudasse minha história? Talvez...., quem sabe talvez meu destino seria mudado?
Como se diz o ditado: não adianta chorar pelo leite derramado!
Seguir em frente e o único caminho que tenho. Uma vez uma garota disse que se sentia desconfortável vendo o por do sol. Então disse que o por dentro sol pode significa o fim de um dia. Ou como a morte. Pois não saberíamos se haveria um novo dia.
Minhas palavras a surpreendeu, fazendo ela entender seu próprio sentimento.
As vezes estamos tão focado no umbigo que não percebemos a resposta escondido no óbvio.
É uma crítica? Pode ser, mais o mundo em se tem seu próprio significado para entendemos.
Não sou burra e nem retardada, só sou uma mulher que tem suas próprias limitações.
Limitações que nem mesmo compreendo. Que estar dentro de uma gaiola com a porta aberta, mas não sabe com sair mesmo que me lhe mostrem como sair.
Sinto que toda vezes que tento sair, acabou dentro da gaiola.
Ai, como queria mostrar meu verdadeiro eu para outras pessoas, mostrar minha inteligência e minha criança ingênua sem alguém dizendo que devo crescer, sem dizendo que não devo voar alto, pois não sou capaz, que não consigo derrubar meus próprios muros.
Meu coração sempre anda nas batidas das músicas, fazendo uma história na minha mente, me confundindo com a realidade. Onde adultos são crianças e crianças são adultos.
Gigantes que são carregados por pequenos anões.
Onde o tempo para alguns são devagar e para outros são rápido.
Que o tempo acaba para alguns e recomeça para outros. Uma ampulheta que não se sabe o que e em cima ou em baixo. O símbolo de um infinito que nunca acaba. Uma promessa que não pode se romper.
Sou como uma lua que é iluminada pelo sol, que brilha para os outros verem, mais sem ela não sou capaz de brilha.
Me perdendo na escuridão, sem ser notada, mesmo que esteja bem na sua frente.
O sol que busco é um sol que mesmo que ninguém olhe ou o ignorar, ele continua lá brilhando. Pois ele não depende de nós, mais nós dependemos dele.
Que ao estar junto dele nos tornamos um só, como eclipse. Um eclipse que não importa quanto tempo se passa, nunca esquecerei de estar com ele
As borboletas voam para viver o máximo que podem, eu vivo para voar o máximo que posso. Mais o que temos de semelhança e que morremos conseguindo ou não nossos desejos. Uma asa quebrada não pode ser remendada, assim como o tempo não pode volta. Mais posso continuar olhando para o presente. Uma borboleta não pode mais voar, mais posso recomeçar de novo, tendo erros e acertos desde que eu não pare de respirar.
Eu sou como uma porcelana que com qualquer queda acabo rachando, a água entra e vaza, aos pouco a pressão aumenta mais minha rachadura pois não aguenta mais a pressão que antes aguentava. É como as vezes fico, tento remenda com sorriso e risadas para não deixar minhas emoções saírem, mas as vezes desejo que ele se quebre de uma vez.
Eu..., não... Posso desisti, só mais uma vez, não devo desisti! Então sorrio, digo a mim mesma que estou bem, que posso ir em frente.. chorei mais não desistir, gritei, mais não cair. Soquei mais não me perdi.
Pus todos seus sentimentos em um papel e rasgue, deixe o vento levar tudo que sentir e ande em frente.
Agora estou calma, o coração querendo chorar, minha voz se alterou, meu desespero quis sair.
Só mais um pouco, preciso de um tempo para não gritar, não chorar e me debate, ah....
Deus...? Eu tenho culpa? Não queria que fosse assim, sinto... Que vou desabar, não foi grande coisa, mais sinto.... Que tudo tá pesado para mim. Minhas lágrimas é meu único refúgio e minhas calmaria. Faz meu cérebro organizar os sentimentos que faz sentir me afoga. Me ensinaram não levar por coração, mas cara, isso é difícil de fazer.
Minha mente sempre está em pensamentos em que me pergunto o significado do céu e da terra. O que um inferno é? E o paraíso se torna. Vejo minha vida como uma ampulheta que está deitada, sem acabar com meu tempo, e seu terminar com ele. Sempre com a aparência de um infinito que não acaba. Um caminho que faço todos os dias, seguindo o mesmo padrão, até que de repente começo a reparar em pequenos detalhes que antes não reparei.
Uma senhora com flores na mãos, uma loja nova, árvores agora cortadas, um chão agora com buraco.
Tudo isso me faz refletir na vida, entende meu modo de ser, entender as pessoas.
Já passou na minha mente várias vezes por quer eu ainda existo. Ouve tantos momentos em quer quis desaparecer, mas mesmo assim não desisti da minha vida
Palavras para alguns não significa nada, mais para mim é como uma faca afiada me perfurando fundo. Minha mente se torna um castelo de areia que custei a construir e de repente tudo desabar de uma vez. Isso acaba comigo, minha ansiedade me sufoca, meu coração acere-la, o desespero me consumia.
Ao ponto que nem sei mais o que fazer, além de cair no abismo. Tento me erguer, refazer esse castelo de areia como se nada tivesse acontecido, as lágrimas aliviando meu coração, molhando a areia seca que acabar de ser destruída, se tornando uma areia molhada e formando um novo castelo até o momento dele desmoronar de novo.
Não sei quando acontecerá, só sei que devo aguentar firme.
O que é paz? O que é guerra?
A guerra é mais Recente do que a paz? Por quer procuro pela a guerra se nela só a morte e destruição.
A paz nós meus olhos é algo que a humanidade criou, onde alegria e felicidade sempre está em nossa volta, mesmo que a realidade é nua e crua.
Algo que não gostamos de ver, mais na guerra fazemos questão de olhar
Eu busco uma verdade que pode me surpreender, me fazer ficar em choque, mais que na verdade quebra aquilo que sozinha não consigo.
O tempo não para e nem volta por passado. O corpo envelhece deixando marcas de um corpo desgastados, marcas de pequenas cicatrizes, cabelos brancos, cansaço por um dia exausto, e um sono que não foi o suficiente.. Estou cansada, com sonho, desejando dormir profundamente, descansa sem um sonho bagunçado ou um corpo dolorido pela idade.
Eu ando no mundo das nuvens, vendo imagens de uma fantasia em qualquer mancha. Desenhos em teto, paredes, chão ou nas estrelas e céu.
Me faz criar situações que normalmente não faria, brigas e discussão que não teria coragem de falar pessoalmente com pessoas que não sou íntima.
Fala com alguns familiares as vezes consigo, mas um estranho teria dificuldade.
Não é que eu seja barraqueira, é só meu modo de pensar é assim, corajosa mentalmente, mas fracote pessoalmente.
Expressar meus pensamentos para pessoas que não se importa, para mim e como meter a cara na parede e me machucar, enquanto para ele não foi nada.
Ai como doer, eu prefiro ficar em silêncio do quer contar meus pensamentos, as vezes é até mesmo para falar com meus parentes.
Então só digo coisa que não me machucar tanto. Confiança é algo que se adquira com esforço, e quando percebo que posso falar o que penso, isso me alivia da sensação de que irei me machucar.
Eu nunca me apaixonei, o amor para mim sempre era algo fantasioso que só se via em tvs e livros.
Na vida real não era nada interessante, sem graça e choco. Onde fica todo o romance e as serenatas?
Hoje em dia compreendo que o romance vem em conhecer e se aproximar das pessoas. Não é de primeira que nós apaixonaremos.
Leva tem e esforço, atenção, interesse e confiança na pessoa que estamos dispostos a colocar na nossa vida.
Já se ouviu as batidas do coração quando estamos perto de quem gostamos? Quando diz que gosta de seu cabelo ou quando diz que está linda.
Sua voz que derrete meu coração, faz meu corpo estremece e tudo se torna um conto de fadas.
Ah...., como gosto de te ouvi, ouvi suas voz dizendo: TE AMOR!
Quando estou em pressão tento não chorar, pois posso preocupar minha família.
Mais tem momentos em que meu coração está tão pesados que até mesmo já tentei desisti de mim.
Mais quando derramo uma lágrima, a pressão já diminui. Consigo respira um pouco, aguenta mais um dia difícil. Já se sentiram como que o dia esta perfeito, não possui nada de ruim, mas dentro de você esta tudo bagunçado?
É assim que me sinto, sou como um mar poluído, que na beira da praia e belo e encantador, dando um belo espetáculo para quem ver, mas por dentro estou destruído com a poluição, que esta destruindo cada vida dentro de mim.
Chorar faz parte para me aliviar esse sentimento, tem momentos que consigo chorar e outros não. É como não saber quando a chuva vem, olho por céu, em o tempo tá doido, parece que vai chover mais nenhum gota cai. E assim fica por dias, ate que de repente começa a cair as gotas de chuvas.
Ouve um momento que tive um colapso, eu não conhecia minha família, e nem minha casa. Eu acha que tinha sido sequestrada de minha família, foi um momento difícil para mim e minha família.
Também já fiquem com medo de pessoas que se aproximando de mim, seja elas parente ou não. Ficando o maior parte do tempo pressa dentro do quarto, e só saia quando não via ninguém.
Lembro disso como pequeno fragmentos que não esta em ordem.
As lembranças misturadas como um quebra cabeça espalhados na mesa, não sabendo onde ela deve ficar. Tentando encachar cada uma delas na ordem certa.
A momentos que estou bem, mais de repente não estou mais.
Estou o tempo todo lutando comigo mesma, para sobreviver mais um dia.
Me tranco em meu quarto e fujo do mundo vendo desenhos e lendo livros, ou ouvindo musicas. Parece birra, mais para mim é um momento para organizar minha mente e meus sentimentos.
O tempo não passa só para deixar marcas, ele também cria raízes para que nada me derruba em meio de tempestade.
Minha Infância e o Descobrimento de Mim
Minha infância não foi tão difícil quanto a de muitas outras crianças. Naquela época, eu não enxergava complicações — talvez porque, do meu ponto de vista, tudo o que vivi era algo que eu realmente podia suportar.
Não nego que, quando criança, eu era agressiva. Mas sempre procurava lugares onde pudesse me refugiar, algo que me distraísse. Era — e ainda é — um espaço só meu. As pessoas dificilmente entendem meu modo de ver o mundo, a forma como lido com minhas crises.
Mesmo sem saber que era autista até os 26 anos, eu já enfrentava essas crises. E lidar com elas não significava ser violenta, mas sim vencer minhas raivas e aprender a controlá-las para que não me dominassem. Quando criança, eu não conseguia me controlar. Mas, à medida que fui crescendo, isso se tornou mais fácil. Aprendi a me acalmar.
Lembro de um episódio marcante no ensino fundamental. Um dos meus professores disse que eu não merecia ir à excursão da escola por tirar notas ruins em sua aula. Me senti envergonhada e com raiva. No dia seguinte, decidi estudar um pouco mais nas aulas dele. Aos poucos, comecei a tirar boas notas — e isso o surpreendeu.
Entre Silêncios e Palavras
Foi de uma hora para outra que comecei a tirar boas notas. O professor que antes disse que eu não merecia ir à excursão nunca me pediu desculpas, mas passou a me tratar melhor.
Ainda assim, nunca confiei em professores. Poucos realmente me cativaram — posso contar nos dedos. Para mim, muitos deles eram falsos e injustos. Me criticavam, me julgavam, sem sequer tentarem me conhecer. Quando sofria bullying dos colegas e tentava me defender, os professores mandavam que eu calasse a boca e me puniam. Aquilo foi me fazendo sentir raiva, até mesmo ódio. Foi difícil. Mas no ensino fundamental, comecei a mostrar que não deixaria nenhum professor me tratar mal.
Com o tempo, percebi que nem todos eram iguais. A maioria dos professores passou a agir de forma diferente. Mesmo quando eu não entendia algo, eles não me tratavam com desprezo. Isso fez diferença.
Eu ainda não me envolvia muito com outras pessoas, mas o bullying já não era como antes. No ensino médio, a situação se manteve. Eu gostava de passar meu tempo na biblioteca. Às vezes, conversava com a bibliotecária — eram momentos de respiro.
Foi nessa época que enfrentei minha primeira depressão. Comecei a ter dificuldade para me comunicar com as pessoas, inclusive com minha família.
Não demonstrava sinais claros. Nem eu mesma percebia — achava que era normal. Lidava com isso me escondendo na TV, nos livros, ou em lugares onde ninguém pudesse me ver.
Quando era pequena, esse lugar era o quintal de casa. Mas minha tia construiu uma casa lá, e perdi meu refúgio.
Então comecei a escrever um livro. Isso me ajudou muito. Eu não tinha computador, nem celular. Comprei um caderno e comecei a escrever. Colocava meus sentimentos ali, disfarçados em histórias que não pareciam falar de mim — mas falavam.
Entre Cadernos, Padarias e Coragem
Meu primeiro notebook — presente de uma das minhas irmãs, como forma de agradecimento por ajudá-la a cuidar do filho — me deixou animada. Levei o notebook para a casa dela e decidi começar a passar o livro para o digital.
Por descuido meu, a tela quebrou. E, ao voltar para casa, perdi a história no caminho. Já não estava com a mesma depressão de antes, mas tentei reescrever. Não era a mesma coisa. Faltava o sentimento que me guiava quando escrevi pela primeira vez.
Meu primeiro emprego foi numa padaria. Eu tinha 23 anos e estava empolgada. O dono só perguntou se eu tinha disponibilidade de horário e se poderia começar no dia seguinte. Eu disse que sim. Gostei do trabalho. Tinha um bom relacionamento com o gerente e com alguns colegas. Havia quem não ajudasse, mas isso não me incomodava. Fazia tudo como o gerente me ensinou, e até sugeria melhorias. Se algum cliente reclamava, eu avisava ao gerente.
Os padeiros faziam brincadeiras que eu não entendia. Mandavam que eu comprasse “vapor colorido” ou “martelo para desentortar vidro”. Foi minha outra gerente quem me explicou que estavam me zoando.
Fiquei nessa empresa por seis meses. Foi um lugar bom. Depois, o mesmo chefe me contratou para uma loja diferente — uma lanchonete. No início, tudo correu bem. Mas quando mudei de horário, as funcionárias começaram a fazer bullying comigo.
Tudo porque eu ajudava a menina do caixa. Um dia, enquanto atendia um cliente, fui puxada pelo braço e forçada a ficar no caixa, mesmo sem saber operá-lo. Conversei com o gerente, mas elas agiram como se a culpa fosse minha. Disseram que eu me afastava delas, que as ignorava.
Decidi sair. A depressão estava voltando. Fiquei um tempo em casa antes de encontrar outro emprego.
O segundo trabalho me animou. Parecia que ia durar mais. No começo, não percebi o que o gerente fazia. Mas logo ele começou a ser abusivo. Queria que fizéssemos hora extra e, no dia seguinte, chegássemos bem cedo, mesmo...
Entre Crises, Coragem e Silêncios
No trabalho, éramos obrigadas a ficar até onze da noite, perdendo o ônibus de volta para casa. Mal conseguíamos almoçar, pois precisávamos interromper a refeição para atender clientes. E mesmo sem receber no dia certo, o gerente queria que eu assinasse o comprovante de pagamento.
O pior foi presenciar o racismo dele contra uma amiga minha. Ele chegou a me perguntar se eu concordava com o que dizia. Eu disse que não. Quando minha amiga entrou com um processo contra ele, eu a apoiei. Por causa disso, ele começou a fazer bullying comigo. Eu já estava em depressão, e aquilo só piorou. Tentei pedir demissão, mas minha irmã me aconselhou a levar o caso à justiça. E levamos. Ganhei a causa. Mas até para assinar minha carteira de demissão, ele fazia hora comigo. Só depois que minha advogada interveio, ele assinou.
Depois disso, não procurei mais emprego. Não queria sair do quarto. Comia apenas quando queria dormir. Se alguém falava comigo, eu brigava, xingava.
Foi então que tive meu primeiro surto. Minha irmã me levou a um hospital psiquiátrico. Lá, o médico disse que eu era autista.
Comecei a tomar medicamentos. Não digo quais, pois cada pessoa reage de forma diferente. Mas os que tomei me causaram problemas na tireoide e ganho de peso. E já não controlavam minhas crises.
Passei por outro médico, que ajustou os remédios. Quando fiquei estável, voltei a trabalhar. Era época de epidemia, com poucos clientes. As colegas me tratavam bem. Mas, com o aumento do movimento, as crises voltaram. Comecei a pegar atestados e saía mais cedo para fazer terapia.
Notei que uma das meninas começou a perder a paciência comigo. Um dia, vi que ela zombava de mim por causa dos atestados. Conversei com minha irmã, que sugeriu falar com a gerente. Foi meu maior erro.Pedi à gerente que conversasse com a funcionária, pedindo mais paciência. No dia seguinte, todas começaram a fazer bullying comigo. Falavam com raiva, deixavam claro que não queriam minha presença. Fiquei tão magoada que nem conseguia comer.
Minha irmã tentou conversar com a gerente, mas ela disse que não podia fazer nada. Então pedi demissão. Curiosamente, no dia em que saí, elas me trataram bem, como se nada tivesse acontecido. Isso me confundiu.
Voltei a trabalhar em outra empresa. O ambiente era bom, as pessoas gentis. Mas não consegui lidar com o movimento intenso. Tive muitas crises e pedi demissão.
Foi nessa época que tive minhas primeiras alucinações. Achei que estava endemoniada. Fiquei três dias sem dormir, tentando expulsar os demônios de casa. Minha irmã me encontrou de madrugada, deitada na calçada. Os vizinhos haviam me visto ali.
No dia seguinte, colocaram uma nova fechadura no portão e o trancaram com cadeado. Minha irmã tentou me levar a uma clínica psiquiátrica, mas recusaram meu caso.
Voltamos para casa. As alucinações se intensificaram. Já não sabia o que era real. Fugi duas vezes. Na primeira, fui para longe e voltei no carro da polícia. Na segunda, fui parar numa faculdade. Um vendedor de pizza foi gentil, me deu comida e ligou para minha irmã, que foi me buscar.
Voltamos para casa. Peguei uma galinha e coloquei na bolsa sem que minhas irmãs soubessem. Era do meu sobrinho, que ia cozinhá-la. Mas eu a levei comigo.
Minhas irmãs só descobriram quando me levaram ao hospital. Não lembro muito bem, só sei que, quando tentaram pegar minha bolsa, fiz de tudo para que não tirassem ela de mim.
Entre Galinhas, Gritos e Gente
Quando descobriram a galinha na minha bolsa, foi o caos. Tentaram tirá-la de mim, entrei em desespero. Os enfermeiros me prenderam numa cama. Foi minha primeira internação. Eu estava na defensiva, recusava tratamento, recusava comida. Achava que queriam me matar — ou fazer algo pior.
Na primeira visita, minha irmã apareceu. Chorei muito, dizendo tudo o que acreditava que estavam tentando fazer comigo. Ela foi embora, e eu fiquei ainda mais chateada.
Na segunda visita, implorei à minha outra irmã que me tirasse dali. Chorei, dizendo que haviam me abandonado. Foi difícil entender o que estava acontecendo. Levou tempo até eu me acostumar. Quando fui para o segundo andar, comecei a cooperar. Estava mais calma. Participava dos exercícios, tomava os remédios.
Fiz amizades. Tinha gente que me ouvia, que conversava comigo. Eu até cantava pelos corredores. No pátio, via os miquinhos pulando de árvore em árvore. Fiquei internada por um mês e algumas semanas. Era junho. Minha irmã estava planejando nossa festa de aniversário com tema de festa junina. Me empolguei. Queria comprar ou alugar um vestido.
Mas tive uma nova crise. Rejeitei os remédios novamente, alguns meses antes da festa. Voltei ao hospital. Recomecei o tratamento. Dessa vez, foi menos difícil. Depois de algumas semanas, voltei para casa. Continuei com as consultas e me mantive no tratamento. Esse foi um resumo de tudo que passei.
Se eu te contasse essa história debaixo de um pé de amora... você até chorava!Brincadeira.
Olhando para o meu passado, percebi algo curioso: conheci muitos tipos de pessoas. Diferentes, mas parecidas. E pensei: “Ué... eles não são como nós?”
Ouvi tanta gente dizendo que o autismo era uma doença que precisava de cura.
Mas vi que muitos deles eram tão autistas quanto nós. Tinham manias, preferências, crises. Só comiam o que queriam. Gostavam de silêncio. Sofriam de ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizado.
Então por que tanto preconceito?
Será que eles enxergam em nós o que não gostam neles mesmos? Talvez. Nem todo mundo agrada. E tudo bem. Não sou obrigada a sorrir para todos. Isso é escolha. Mas existe uma palavra que muitos ainda não conhecem: respeito. Respeito ao outro. Respeito a si mesmo.
Não precisamos entender o outro por completo. Nem sempre saberemos como ajudar. Às vezes, achamos que estamos ajudando e só cavamos mais fundo o buraco da pessoa. Você sabe como alguém pensa? Um autista? Uma mãe? Um pai? Alguém com transtorno mental?
Ninguém sabe. E não é fácil. Convencer um filho a comer, levá-lo ao médico, ensinar lições da escola... é difícil. E para mães de crianças com deficiência, é tudo isso em dobro.
Médicos nem sempre estão disponíveis. O governo nem sempre dá os direitos que promete. A escola exclui. E os filhos dos outros têm tudo — porque são “normais”.Mas se uma criança “normal” tem aula de reforço por dificuldade de aprendizado, ela recebe ajuda. E nós? Temos que nos forçar a caber numa sociedade que não quer se encaixar em nós.
Somos iguais. Lutamos por nossos direitos. Buscamos felicidade. E isso nos torna vencedores. Sabe aquela frase que dizem com um sorriso torto?— Você é autista? Nem parece. Minha vontade é responder:— Você é normal? Nem parece.
Mas sou educada. Infelizmente. Se não, daria um giro de 360 graus e faria uma cena! Confesso que seria divertido — se ele não fosse mais louco que eu.
Aí eu fujo e finjo que não é comigo. No fim, todos temos um pouco de loucura. Só esperando para sair. Quem nunca quis gritar com todos os pulmões num momento de estresse? Ou gastar dinheiro que não tem só para se mimar? Esse é meu sonho até hoje.
Muita gente vai te julgar sem te conhecer. Vai te odiar sem motivo. Olha meu caso: trabalhei como uma pessoa “normal” e como autista. E em ambos sofri bullying.
Alguns fazem isso para se sentir superiores. Outros porque te veem feliz — e isso os incomoda. Porque eles não têm motivo para sorrir. Então querem destruir o seu.
Mesmo com depressão, decidi seguir em frente. Com apoio da minha família. Não estou sozinha. Nunca estive. Sempre tive quem me apoiasse, mesmo sem me conhecer direito.
Essas pessoas enxergam o que você não vê em si. Te ouvem. Te incentivam. Mesmo quando você não tem confiança.A humanidade não é só arrogância. Há quem te escute. E às vezes, só dizer o que você pensa já muda uma vida — a sua e a de outra pessoa.
Quando penso nos trabalhos que tive, percebo o quanto fui tóxica comigo mesma. Não o trabalho. Eu. Por permitir que me tratassem daquele jeito.
Ser tóxico não é só o que os outros fazem. É o quanto você se permite ser intoxicado. Isso afeta até seu jeito de viver.
Quando você percebe que aquele lugar te faz mal, precisa agir. Sem medo. Larga. É melhor ficar sem emprego do que sem saúde mental.
Emprego você consegue. Saúde mental... talvez nunca volte a ser como antes.
E isso vale para tudo: namoro, amizade, casamento. Pense em você. Não se destrua tentando agradar os outros.
Foi difícil no começo. Minha mente estava tão afetada que quis me afastar da minha família. Não os reconhecia. Chorava querendo ir para casa — mesmo estando em casa.
Eu me sentia tóxica. Me destruindo por dentro. Sem conseguir pensar com clareza. Precisei de tempo para voltar ao normal.
Causei sofrimento à minha família. Como eles também me causaram. Mas, diferente de mim, que não consegui sair daquele lugar, minha família buscou tratamento. Lutou por mim. E isso... isso é amor.
A Morte, a Fé e o Recomeço
Naquela época, eu não entendia o que era a morte. Sabia apenas que era algo assustador, como nos filmes de terror — onde os mortos se levantam dos túmulos ou suas almas assombram os vivos.
Minhas irmãs queriam fazer o velório em casa. Na minha cabeça infantil, isso significava enterrar minha mãe no quintal. Entrei em desespero, tentei dizer que não queria, mas ninguém me entendeu. Eu ainda não falava direito.
Por sorte, o velório foi no cemitério. Isso me apavorou ainda mais, mas acabou sendo tranquilo. Brinquei com minha irmã entre os túmulos, até que a outra nos repreendeu. Aquela foi a última vez que vi minha mãe. Não tive coragem de olhar para ela no caixão. Guardei as lembranças de quando ela ainda estava viva.
Hoje, lembro pouco. A única foto que tenho com ela foi num aniversário que fiz com minha avó. Estávamos no quarto, ela sentada, fumando. Aquela imagem é tudo o que sobrou.
Minha mãe faleceu aos 39 anos. Trabalhadora, esforçada, acordava cedo todos os dias para vender seus produtos como camelô, junto com meu pai. Num dia comum, teve um derrame cerebral e morreu ali mesmo, no trabalho, enquanto descansava.
Ninguém sabia que aquele seria seu último dia de trabalho. É triste? Não. Foi o seu momento. Deus a quis. E por isso, não fico triste. Fico feliz, porque no dia em que eu também for, vou encontrá-la e contar tudo o que vivi.
Somos Sete Irmãos
Somos sete irmãos. A mais velha tem 45 anos, depois vêm 43, 41, 38, 35, 32... e eu, com 31. Engraçado: quando era pequena, achava que era a mais velha por ter nascido por último. Na minha imaginação, ser jovem era ser mais velha.
Na infância, eu era distraída. Batia em postes, paredes, portas. Caí de escadas, caí dentro de lixeiras. Confundia minha sala na escola e só percebia quando chamavam meu nome. Esquecia minhas coisas na quadra e corria para buscar.
Rasgava calças quase todo dia. Comprava uma nova e logo rasgava outra.
Talvez o tecido fosse ruim, ou talvez eu fosse mesmo desastrada. Gastei mais com calças escolares do que você pode imaginar.
Meu primeiro celular foi um Motorola antigo, presente de uma amiga na Páscoa. Depois, com meu primeiro emprego, comprei um Moto G.
Na vida, busco caminhos diferentes. Caminhos que me permitam crescer, me desenvolver, me tornar quem sou. Quando olho para o passado, agradeço a Deus pelas dificuldades. Pelos obstáculos que precisei pular. Pelos caminhos que precisei voltar para recomeçar.
Foi difícil começar do zero? Sim. Mas isso nunca me impediu de seguir em frente. Dei uma volta de 360°, me joguei de corpo e alma nesse caminho.
A vida é feita de passos. Um de cada vez. E precisamos abandonar o que não nos serve mais, porque o futuro sempre traz o que realmente precisamos.
Quando comecei a ler a Bíblia, minha intenção era conhecer a Deus de verdade. Não queria agir com hipocrisia e depois ser rejeitada por Ele.
Meu maior medo era ouvir de Jesus: “Quem és tu, que não te conheço?”
Achava que não o amava de verdade. Que só imitava os irmãos da igreja. Que só o adorava porque foi assim que me ensinaram. Então decidi conhecer a Deus com sinceridade. Dar minha verdadeira adoração. Colocar meu amor por Ele em prática.
Comecei a ler a Bíblia desde o início. Procurava perguntas e respostas que poucos se fazem. Por exemplo: “Por que Deus colocou uma fruta proibida no jardim?”
Alguns dizem: “Ah, era para testar a fidelidade de Adão e Eva.” Outros: “Deus sabe o que faz.”
Mas eu entendi que Deus queria que Adão e Eva fossem como Ele — não deuses, mas conhecedores do certo e do errado. Que soubessem passar esse conhecimento adiante. Que compreendessem o que se deve ou não fazer.
Deus ensina que tudo é permitido, mas nem tudo convém. Esses são os ensinamentos que Ele quis deixar para as gerações. Me envolvi na igreja achando que assim conheceria mais a Deus.
Mas percebi que a forma como as pessoas o adoravam não era a que eu buscava. Na hora do dízimo, eu não tinha dinheiro. Então ofereci a mim mesma como oferta. E ofereci minha família também. Pedi que
Deus fizesse de nós o que achasse melhor.
Foi aí que comecei a notar mudanças. Meu coração ficou mais leve. Minha forma de pensar mudou.
Antes, eu só orava em casa. Hoje, não oro mais — eu converso com Deus. Todos os dias. Digo que o amo. Faço perguntas. Rio com Ele. Me divirto.
Quando faço uma pergunta, Ele não responde na hora. Me faz refletir. E quando descubro a resposta, fico admirada.
Uma das histórias que mais me intrigou foi a do homem endemoniado que se ajoelha diante de Jesus ao atravessar o mar. Jesus expulsa os demônios, que entram nos porcos — e os porcos se jogam do penhasco.
Essa história me fez pensar: até os porcos sabiam que não podiam viver com aquilo dentro deles.
Um Quadro em Branco nas Mãos de Deus
A primeira reação das pessoas daquele lugar foi mandar Jesus embora. E o que vejo nessa cena é que Deus, muitas vezes, tira o que não precisamos para nos dar a chance de aceitá-lo em nossas vidas.
Assim como o homem possuído que aceitou Jesus, houve aqueles que o rejeitaram por causa de meros porcos. Porcos sem valor.
E assim somos nós no cotidiano: Deus tira o que não nos serve — às vezes até nossa saúde — nos deixando feridos, cansados, fracos... para que o busquemos. E quando o fazemos, Ele nos acolhe com braços abertos, dizendo: “Comigo, o resto não importa.”
Começamos a melhorar. A nos fortalecer. A superar dificuldades que antes pareciam impossíveis.
Os ensinamentos de Deus têm significados profundos, que nem sempre conseguimos perceber. Mas como descobrir esses significados? Quais são os ensinamentos que realmente carregam verdades?
É difícil. Talvez nunca descubramos todos. Mas não é impossível. Às vezes, refletindo sobre nossa infância, encontramos algo que está na Bíblia — e que só agora faz sentido.
Uma das coisas que descobri é que a presença de Deus está em todos os lugares. Mas permitir que ela entre em nossas vidas... isso depende de nós.
Quando aceitamos Deus de verdade, nenhum demônio se aproxima. Nenhum demônio enfrenta Deus. Eles o temem. Mesmo os que o abandonaram e foram ao inferno, ainda respeitam Sua autoridade. Sabem do que Ele é capaz.
Mas quem não permite a presença de Deus em sua vida abre espaço para que o mal entre. Não adianta buscar Deus sem aceitá-lo de verdade.
Aceite Deus no seu caminho, no seu destino. Porque mesmo que o mundo desabe diante de você, com Ele você se sentirá leve, como se estivesse nas nuvens.
Hoje, quando falo com Deus, digo que o amo. Antes, eu só repetia o que os outros diziam. Não sabia se amava mesmo. Mas agora, amo de verdade. Não porque Ele me dá alívio ou faz milagres — mas porque amo Sua voz, Sua gentileza, tudo o que Ele é.
Converso com Ele todos os dias. Brinco, peço coisas, me divirto. É leve estar com Deus. É como se meu coração fosse um quadro em branco, e Ele, com Seu pincel, me pintasse da forma que deseja. E quando terminar, serei uma obra de arte valiosa. E todos dirão: “Essa sim é de Deus.” Então seja um quadro em branco. Deixe Deus te pintar.
A Verdade, a Morte e o Caminho
Já ouviu quando Jesus disse: “Deixe que os mortos enterrem seus mortos”? Tentei entender. E a resposta que encontrei foi que, quando alguém morre, não é para ser lamentado — é porque Deus o levou. E isso é bom.
Mas o sentimento humano acha injusto. “Foi cedo demais.” “Não deu tempo de pedir perdão.” “Não deu tempo de mostrar amor.” Mas um corpo morto não se importa com nossas lamentações. Deus decide quando levar uma vida — não nós.
O que devemos fazer é seguir em frente. Agradecer pela vida que foi levada. Sentir saudade, sim. Mas lembrar com alegria, não com tristeza.
Quem chora por um corpo vazio por dias e dias ainda não entendeu o que é a vida. Porque a vida continua — mesmo depois da morte. Aquele que venceu a morte mostrou que há um caminho. E Deus estará lá para guiar.
Você sabe o que é o inferno? Eu não sei. Mas sei que não é como os humanos imaginam. Assim como os anjos e os demônios também não são como pensamos. Acredito que, quando estamos perto de Deus, os anjos nos cercam e cuidam de nós. Mas quando nos afastamos, eles se tornam demônios — não para nos destruir, mas para nos fazer voltar. Eles amam tanto o Pai que fariam qualquer coisa para nos trazer de volta. Até se tornarem demônios.
Eles sabem o que é certo e errado. E usam até o erro para nos levar ao caminho certo. Não têm medo de errar. Não ligam para o inferno. Porque conhecem a verdade — e por isso, só temem o Pai.
Você conhece a verdade? Busca por ela? E se ouvir a verdade... vai aceitá-la?
Aceitar a verdade é quebrar doutrinas, crenças, e abraçar o que antes você rejeitava. O inferno, para mim, é como uma porta estreita. Cada passo dentro dela é mais difícil. Vemos coisas que não gostamos. Queremos sair, mas não há saída. Então enfrentamos. Usamos salmos. Repreendemos em nome de Deus.
E a cada minuto ali, ficamos mais fortes. Porque Deus nunca dá um fardo que você não possa carregar.
Não me considero religiosa. Já fui. Hoje, não sigo uma religião — sigo o caminho que Deus me mostra.
Estou errada? Não. Sou ateia? Também não. Uma igreja ou religião não definem minha fidelidade a Deus. Nem minha salvação.
“Ah, mas você tem que ser batizada para ser salva!” — Não. O que define salvação é aceitar Deus na sua vida. Torná-lo parte do seu dia a dia. Quando você está tão próximo de Deus, nem a salvação importa. Só Ele importa.
Uma vez sonhei que estava numa cachoeira, banhando-me em águas tranquilas. Ao meu lado, estava Deus. Foi a primeira vez que senti paz. Desde então, busco essa paz.
Quanto mais busco, mais deixo a presença de Deus entrar. Uma das experiências mais marcantes foi quando, deitada para dormir, senti uma presença forte atrás de mim. Sabia que era Deus. Contei à minha família, mas ninguém acreditou. Disseram que era sonho. Mas não me importei. Um dia, eles também passarão por isso.
É uma sensação sobrenatural. Como sair do inferno e ir direto ao céu.
Um Coração Que Move Montanhas
Você sabe o que é um coração ansioso? Ele acelera. Parece que vamos morrer. Vamos ao médico, e ele diz: “É só ansiedade.” Mas para nós, é o fim.
Ninguém entende nossos sentimentos. Mas com Deus, é só momentâneo. Ele acalma nosso coração. Faz a ansiedade parecer insignificante.
Problemas que antes me causavam raiva, hoje mal me afetam. Às vezes, até me fazem rir.
Meu coração não é feito de papel, ouro, prata ou pedra. É feito de sentimentos que movem montanhas.
Deixe que Deus transforme seu coração em sentimentos que moverão montanhas por você.
Me chamo... bem, não importa. Daqui em diante, vou dizer tudo que penso e vejo.
Estou deitada como um feto dentro da barriga de uma mãe. Tudo é escuro. Sinto meus dedos, mas não os vejo. Danço na escuridão e percebo alguém me olhar. É a única coisa que realmente vejo — mas não sei o que é.
Mesmo sem dizer nada, ele me mostra tudo. Logo me chama de Babel. Me ensina o que é um homem e o que é uma mulher, mesmo eu não sabendo qual é o meu sexo.
Contava histórias que, na minha imaginação, se formavam: uma arca, um dilúvio, animais de todos os tipos. Cada história era diferente da outra, mas todas tinham significados espalhados como um quebra-cabeça — precisando ser montado com paciência e calma.
Mas isso agora não importa. Eu perguntava sobre ele: quem era, o que fazia, o que planejava com todas aquelas histórias. E tudo que eu pensava, ele fazia acontecer.
Não sabia quanto tempo havia passado, até que, pela primeira vez, ele disse:— Luz...!
Tudo clareou. Pela primeira vez, pude ver minhas mãos e pés. Olhei para ele e vi sua verdadeira forma: dourada, com aparência humana. Seus olhos revelavam segredos e falavam, mesmo que sua boca não se mexesse. Eu o ouvia em pensamentos, ao mesmo tempo que parecia estar em silêncio.— Você se chama Deus? Fez tudo isso? Posso ajudar também? Me chamo Babel... você sabe disso? Como? Foi você que me deu esse nome? Você que me criou? Mas... quem te criou?
“Sou Deus do impossível, capaz de criar e existir mesmo que não possua lógica!”
Sua voz era alta e um pouco rouca. Fazia meu coração acelerar. Eu não sabia se fugia ou corria para ele. Mas não negava: amava sua voz. Desejava ouvi-la de novo.
Ele, porém, não falou mais — e isso me frustrou. Mesmo ouvindo sua voz nos pensamentos, não era a mesma coisa. Ainda assim, não desistia de ouvi-la novamente.
Ele me mostrou a criação do mundo. Adão e Eva. Era incrível. Ele os guiava com seu espírito, conversava com eles. Mostrou o destino de ambos, o caminho que seus filhos escolheram. Gerações começaram e terminaram com eles.
Deus não explicava nada. Apenas fazia. Eu via o tempo voar. As perguntas surgiam, mas não havia respostas. Então comecei a criar várias respostas, mesmo que não fossem as certas.E perguntei a Deus:
— Onde Adão estava quando Eva comeu o fruto proibido? Ela o encontrou rapidamente antes de morrer? E se, ao comer o fruto, ela já tivesse se tornado imortal? E quando encontrou Adão, sua voz era como a de Deus — firme, sedutora, atraente?
Imagina como Adão se sentiu? Se eu, ao ouvir Deus, fiquei louca... imagina Adão?
Eva seria sedutora para Adão, mas ele não teria pensamentos errados sobre ela. Assim, ele comeu o fruto e se tornou semelhante a Deus, fazendo Eva se sentir atraída por ele.
Antes, Eva não via atração em Adão, pois ele era humano. Mas ao se tornarem como Deus, ambos se sentiram atraídos um pelo outro. Já com a sabedoria divina, decidiram se vestir com folhas. E ao sentir o espírito de Deus se aproximando, se esconderam.
Nunca tinha falado tanto. Mas isso não o fez falar em voz alta. Ainda assim, fazia sentido o motivo de Adão ter comido o fruto proibido.
Também pensei que o motivo de eles não serem deuses era porque comeram o fruto da vida — o que os tornou humanos novamente, mas com envelhecimento lento.
Penso assim: o fruto proibido torna as pessoas iguais a Deus, fazendo com que se tornem parte Dele. Seus corpos desapareceriam, e ambos se tornariam deuses. Mas o fruto da vida regride esse efeito, fazendo seus corpos envelhecerem devagar, permitindo que vivam por mais tempo.
O pecado deles foi comer o fruto proibido. E Deus lhes deu o fruto da vida. Esse fruto foi sua segunda chance.Mas cada ato tem uma reação. O salário do pecado é a morte. E por pecarem, correntes foram criadas — pesando seus corações e almas.
Eles perderam a verdadeira chave que poderia libertá-los.
A CHAVE PODE ESTAR NA SUA FRENTE, MAS VOCÊ NUNCA A ENXERGARÁ, POIS NÃO SABE COMO ELA É.
Compreender o início é só uma forma de entender como as pessoas se afastaram de Deus. Mas vamos falar disso depois.Agora percebo que não conheço Deus como pensava. Estou tão obcecada com suas criações que não percebi que, além de sua voz, não sei mais nada sobre Ele.
O que Ele quer, Ele planeja. Tudo que vi até agora me faz pensar: quando foi que saí de uma comunhão com Deus para uma doutrina cega?
Fiquei presa num mundo onde pessoas perseguem umas às outras, desejando ser poderosas e eternas, deixar suas marcas na história e serem lembradas como Deus.
O desejo humano nunca se desfez: querer tudo, na hora que quiser — mesmo que isso signifique deitar-se com suas próprias filhas e filhos.
A humanidade não tinha limites. Até que, entre eles, Deus viu bondade em alguns homens — homens que vinham das gerações de Sete, o terceiro filho de Adão e Eva.
Se quiserem saber, Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel. Caim cuidava das plantações, e Abel dos rebanhos. Ambos foram ensinados por Deus, mas eram diferentes. Enquanto Caim apenas seguia o que lhe foi ensinado, Abel dava o seu melhor.
O contato de Caim com Deus era diferente do de Abel. O quanto você deseja conhecer a Deus é o que revela o que Ele realmente quer de você.Ao oferecerem sacrifícios, ambos receberam respostas diferentes de Deus. Não foi porque os sacrifícios eram distintos — mas porque seus corações eram.
Abel estava mais disposto a entregar seu coração a Deus. Caim, por outro lado, fazia por obrigação. Percebi que a história de Caim e Abel não é apenas um relato de um acontecimento, mas um espelho de como interagimos com Deus.
Na narrativa, diz-se que Caim matou Abel e depois se afastou da presença de Deus. Mas me pergunto: se Deus está em todos os lugares, como alguém pode sair de Sua presença?
Minha resposta é: Caim fechou o coração para Deus. Quando seguimos uma doutrina, ainda estamos dispostos a receber Deus. Mas quando abandonamos tudo que envolve Ele — por ciúmes, inveja, raiva ou ódio — acabamos nos afastando. Porque não somos capazes de perdoar ou pedir perdão com sinceridade.
Deus deu a Adão e Eva outro filho: Sete. E das descendências de Sete vieram os filhos de Deus.
Mas a terra estava contaminada pela maldade do homem. Então Deus escolheu Noé e o guiou para construir uma arca. Ele e sua família entrariam nela com os animais escolhidos por Deus.
A arca é uma forma de Deus nos mostrar que, enquanto as maldades ao nosso redor destroem as pessoas, Ele está nos ensinando — com calma e paciência — a construir uma arca em nossos corações.
Para colocar vidas dentro de nós. Para que, quando o momento do dilúvio chegar, toda maldade seja destruída. E possamos recomeçar nossas vidas em terras férteis, fazendo com que nossas gerações encontrem seus destinos.
Deus usa a própria vida da humanidade para ensinar que Ele nunca deixa de nos observar de perto. Mesmo que você não perceba, mesmo que ache que ninguém está te vendo — Deus está ali, ao seu lado, te usando.
Assim como usou Noé e seus descendentes para chegar até você .E não foi só uma ou duas vezes — foram várias formas: um castigo, uma traição, uma parábola, uma fé, um milagre. Se você observar, todas têm semelhanças. Têm estruturas. Têm uma resposta para suas dúvidas.
UMA PESSOA SÓ É CAPAZ DE ENCONTRAR O QUE PROCURA QUANDO PARA DE PENSAR SOZINHA E BUSCA UNIR SEUS PENSAMENTOS AOS DE DEUS, TORNANDO-SE UM SÓ COM ELE.
Eu estava tão envolvida com a história que, em meu sonho, disse a Deus: queria ser como Ele, ser sua amiga. E mesmo que um dia eu me tornasse maior que Deus, ainda assim ficaria abaixo Dele.
Senti como se estivesse sendo repreendida pelas minhas palavras e tentei me corrigir. Ser maior que Deus, nunca serei.
Mas dizia que queria ser sua amiga, ouvir seus segredos, ser seu ombro nos momentos tristes e felizes, ser sua espada e escudo.
Pode parecer engraçado, mas é assim que penso. Minha mente se envolve numa imaginação sem fim, onde tudo que vejo ou ouço é real para mim. Não há separação entre o real e o imaginário — tudo é um único mundo.
Sempre acreditei em Deus. Mesmo naquela escuridão, eu já sabia que Ele existia. Só não o conhecia direito. Eu o temia, mesmo sem Ele nunca ter se enfurecido comigo. Sabia o quanto Ele amava a nossa vida.
Eu era uma ninguém entre muitos, e ficava chamando por Deus o tempo todo, esperando que Ele me notasse. Enquanto os últimos eram os primeiros e os primeiros eram os últimos, eu ficava bem no meio, gritando:— Me escolhe! Eu! Me escolhe!
Deus me olhou. E olhou para os outros. Eu queria que Ele me deixasse levar o destino que ninguém queria ter. Ninguém queria o destino que Deus escolheu — mas eu sabia que era o meu.Por fim, Ele me entregou o destino. Me deu a vida que eu queria. Eu teria dificuldades, não teria amigos, mas seria feliz com as poucas coisas que Ele me daria. Bênçãos que eu poderia compartilhar com as pessoas.
Minha mente sempre estaria no mundo da imaginação, mesmo já sendo adulta. Cresceria, mas sempre seria uma criança vivendo no mundo dos adultos.
Eu parecia diferente dos outros. Haveria aqueles que gostariam de mim e cuidariam de mim, e aqueles que me tratariam com ignorância e preconceito.
Eu não agradaria a todos, mas não entendia por que me faziam mal, sendo que nunca lhes fiz algum mal.
Ouvi muito da minha família que isso não acontecia só comigo. Mas eu… eu não conseguia entender.
Na minha mente, não entrava o significado desse “todo”. Para mim, o todo não me incluía. Não fazia sentido.
Por que deveria ser como todos, se esse todo não quer ser como eu?
Minhas diferenças me fizeram crescer diferente desse “todos”. Suportar o que eles chamavam de frescura. Sorrir quando era ignorada. Chorar sozinha quando todos me sufocavam com palavras que diziam que eu tinha que ficar bem para que todos ficassem bem.
Parecia muito pesado para mim. Mas Deus me dizia:— Aguente um pouco mais. Está quase acabando. Pude suportar tudo porque Ele estava comigo. Conversava comigo. Dizia que me amava. Isso me deu forças. Acalmava minha alma e mostrava como superar batalhas que pareciam pesadelos.
Hoje percebo que fiz a escolha certa. Superei batalhas que antes acreditava que nunca superaria sozinha. Senti o gosto do mel, e agora corro atrás desse delicioso néctar.
Uma das primeiras coisas que aprendi foram os ensinamentos de Jesus: amar o próximo e até os inimigos, perdoando pelo mal que fizessem.
Entendi que até Lúcifer merecia perdão.Lembrei da história de Lúcifer, que desejou a glória de Deus. E me perguntei: o que é a glória de Deus? Um trono? Riquezas? Terras? O poder de Deus?
Já se perguntaram o que significa glória? O que Lúcifer viu que o fez desejar algo que o levou ao inferno? Que Deus o castigou dessa maneira?
Eu acredito que a glória de Deus é o livre arbítrio.Deus não estava preso em crenças, nem em algemas que o impediam de viver como queria. Mesmo que tenhamos livre arbítrio, estamos algemados por algo chamado doutrina — regras, leis, medo do que pode acontecer.
Lúcifer queria ser amado por Deus. Mas Deus amava a todos por igual. Dava à humanidade o que ela precisava.
O desejo de Lúcifer era ser o único que Deus amava. Então decidiu roubar sua liberdade, acreditando que, ao prender Deus a ele, conseguiria seu amor.
Assim, recebeu o castigo de Deus — que só poderia ser quebrado quando ele aprendesse a compartilhar o amor com o próximo.
Esse foi o ensinamento que aprendi:
O AMOR DE DEUS QUEBRA TODAS AS CORRENTES — ATÉ MESMO AS QUE ESTÃO EM SEU CORAÇÃO, E ATÉ MESMO AS DOS SEUS INIMIGOS.
Resposta de Deus em Seus Momentos Difíceis
O Direito de Vive, eu não entendia o motivo de Deus ter dado seu único Filho para morrer na cruz por nós. Qual era o sentido de Ele ter feito tudo isso, se nós não o valorizamos como Ele nos valorizou?
Talvez a única razão para esse sacrifício tenha sido o simples fato de ainda estarmos respirando. Lutando para viver. Mesmo que, às vezes, essa luta nos leve a tirar uma vida.
Lembro que o mandamento “não matarás” é mais do que uma regra. É uma forma de Deus dizer que a vida — o sopro, o tempo, o coração — só Ele tem o direito de tirar.
A nós, foi dado o direito de viver. De fazer o que quisermos com a vida. Mas tirar... nunca.
A cruz não foi apenas um símbolo de dor. Foi um lembrete de que, mesmo quando não merecemos, Deus escolheu nos dar valor. Mesmo quando erramos,
Ele escolheu nos dar tempo. Mesmo quando destruímos, Ele escolheu nos ensinar a reconstruir.
Nota da Autora
Este livro nasceu das minhas dificuldades de viver num mundo onde, se você não se encaixa, parece que não pode existir.
Durante muito tempo, tentei caber em espaços que não foram feitos para mim — e isso me machucou, me silenciou, me fez duvidar do meu valor.
Mas eu quebrei essas correntes. E ainda estou quebrando.Cada página escrita é uma prova de que eu também posso viver. Que minha voz merece ser ouvida. Que minha história importa.
Não escrevi para ser perfeita. Escrevi para ser verdadeira. E se você, em algum momento, também se sentiu fora do lugar, espero que este livro te abrace e te lembre: você não precisa se encaixar para existir. Você só precisa ser.
Com carinho, Magda
Agradeço, antes de tudo, a Deus — por me sustentar nos dias em que eu não conseguia me sustentar sozinha. Pela força que veio quando tudo parecia desabar, e pela paz que chegou quando eu menos esperava.
À minha família, especialmente minhas irmãs, que mesmo sem entender tudo o que eu sentia, estiveram presentes. Obrigada por não desistirem de mim, por me levarem ao hospital quando eu não sabia mais quem eu era, e por me amarem mesmo nos meus momentos mais difíceis.
Aos amigos que me ouviram, que me respeitaram, que me fizeram rir quando eu só queria chorar. Vocês talvez não saibam, mas foram luz em dias escuros.
Aos profissionais que me ajudaram — médicos, psicólogos, terapeutas — que me trataram com humanidade e paciência. Vocês foram instrumentos de cura.
A todos que me julgaram, que me excluíram, que fizeram bullying comigo: obrigada também. Vocês me ensinaram a lutar, a me posicionar, a reconhecer meu valor.
E a você, leitor, que chegou até aqui: obrigada por me permitir compartilhar minha história. Que ela te inspire a viver com coragem, a buscar ajuda quando precisar, e a nunca esquecer que existe beleza — mesmo nas cicatrizes.
Magda nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e desde cedo aprendeu a transformar silêncio em palavra. Sua trajetória é marcada por desafios, descobertas e uma fé que a sustentou nos momentos mais difíceis.
Aos 26 anos, recebeu o diagnóstico de autismo — uma revelação que não a definiu, mas a libertou para compreender melhor suas emoções, crises e singularidades.
Autodidata, observadora e profundamente espiritual, Magda encontrou na escrita um refúgio e uma forma de se encaixar no mundo sem precisar se moldar a ele.
Este livro é o reflexo de sua jornada: fragmentada, colorida, intensa — e, acima de tudo, verdadeira. Ela escreve para quem já se sentiu fora do lugar, para quem busca sentido nas rachaduras, e para quem acredita que a beleza está justamente naquilo que não se encaixa.