Estranhou a demora para ser atendida, podia ouvir barulho vindo de dentro do apartamento e julgou que Eros estava em casa. Talvez estivesse ocupado com alguma coisa e demorou para ouvir e se dar conta de que tinha alguém em sua porta. Frida se arrependeu de ter escolhido algo tão pomposo para vestir, uma calça jeans e um casaco seria o suficiente. Não via hora do verão coreano chegar para que pudesse expor mais as pernas e até se bronzear na praia. Era muito menos cruel que o mexicano e o americano, onde se suava parada na sombra e na frente de um condicionador de ar ligado.
A porta se abriu e sorriu para a imagem do moreno, rindo para o honorífico. Sempre pedia para que os coreanos dispensassem o uso de noona e de unnie quando falassem com ela, mas era costume, era maior do que eles. Esperou que ele desligasse o som e então entrou no apartamento, dando um beijo no canto da boca dele antes de dar o primeiro passo para aquele lugar que conhecia tão bem. Sentia o cheiro gostoso da comida dele no ar e gemeu em satisfação. “O que está cozinhando, mi amor? Está cheirando muito bem, sabe que eu adoro quando você cozinha.”
Puxou ele para mais perto e deixou um selinho calmo na boca alheia, sentia saudade do toque alheio. Wasp não era de ter parceiros fixos quando ainda estava na América, mas ali estranhamente revezava entre os mesmos parceiros, quase todos do trabalho. Transar com coreanos aleatórios que conhecia no tinder já era algo que quase nunca fazia, era difícil manter sempre a mesma história de que era mestranda e trabalhava para uma empresa americana ali.
“Está cozinhando alguma coisa? É seu miojo diet?” Perguntou, sentindo o cheiro no ar e tirando seu casaco. “Está bem?” Perguntou, incerta com a resposta que ele lhe daria.
Eros deu um sorriso pequeno em direção a Wasp, uma onda de calor se espalhou pelo peito do rapaz, havia sentido a falta dela e no meio daquele caos era bom ter uma alguém capaz de acalma-lo por perto. O beijo no canto da boca fez com que o corpo de Eros começasse a ficar mais consciente da presença de Wasp no local.
— Ah, eu estou fazendo japchae e também estava pensando em grelhar carne. Decidi me mimar hoje, sabe? — Respondeu antes que Wasp o puxasse para mais perto e te desse um selinho, fazendo com que vários pontos do seu corpo se incendiassem. Eros já estava ansioso para senti-la por completo.
E novamente o sorriso bobo e sincero tomou a face de Eros enquanto olhava para Wasp e acariciava seu rosto. Pouco a pouco se esquecia do que o estava deixando tão aflito durante aquela semana. — É muito bom te ver. Eu- — Eros interrompeu a própria fala ao perceber que a carne e algumas verduras estavam começando a queimar na frigideira, revirou os olhos e apertou a cintura de Wasp antes de se afastar e ir em direção ao fogão.
De maneira ágil, Eros mexeu a frigideira enquanto misturava hondashi e shoyu com a carne, mostrava a habilidade de um chefe. No entanto, não estava gostando de ter que fazer tudo àquilo naquele momento. Mais tempo temperando carne significava menos tempo com Wasp, sem contar que iria ficar com cheiro de tempero e isso não era algo muito excitante para mulheres, pelo menos a seu ver.
Seu miojo diet seria mais leve e rápido do que aquilo. Se Wasp ao menos tivesse avisado que viria ele poderia já estar com o jantar pronto e em maior quantidade. Pensamentos como esse passaram a correr pela mente de Eros, fazendo com que o rapaz de maneira abrupta empurrasse a frigideira sobre o fogão, desligasse o fogo e se afastasse. Sua mente estava perigosamente rápida demais naquela noite.
— É melhor pedirmos alguma coisa pra comer... — Disse enquanto caminhava em direção de Wasp apenas para abraça-la e enterrar seu rosto na curvatura do pescoço da mulher, deixando pequenos e suaves beijos no local. — Eu vou ficar bem, noona. — Respondeu com a boca próxima ao ouvido da mulher.