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@eu-queimo-blog
eles não me deixaram cortar o cabelo e tatuar um dragão nas costas. porque era alternativo demais ou forçado demais. tiraram os livros da minha mão e me falaram sobre números. mas eu não uso números pra fazer poesia ou escrever cartas. me roubaram as notas musicais e me falaram qualquer coisa sobre um caminho a seguir. sobre usar blusas de manga comprida e agradecer por qualquer coisa. eu achava que agradecer era só quando faziam algo bom pra gente. mas eles me ensinaram que não. não me deixaram comer chocolate nem jujubas, só melão e carne branca. churrasco não é de deus. e carboidrato não pode depois das 22h. aprendi a fazer fotossíntese. aprendi a esconder o sorriso e as lágrimas. aprendi a ficar mais ou menos. aprendi a não viver mesmo estando viva. tudo isso pra ganhar uma casa com varanda e um jardim de grama verde em torno dos 40 anos.
Colocar a culpa no mapa astral é sempre valido, e eu tenho feito isso ultimamente como qualquer pisciana que se preze. Como amante de signos, você deve suspeitar que o sol em peixes viaja mais do que o normal, eu saio do meu corpo e volto. Eu imagino e sinto coisas e depois eu volto ao meu corpo, volto a minha realidade. Minha alma não consegue mais vomitar tudo o que sente, não consigo escrever tudo que desejo. Eu sinto fogo no meu coração, a vênus em aries faz isso comigo. Ela judia de mim dizendo que não terei sentimentos e serei difícil de me apegar mas em contrapartida eu queimo por dentro e me afogo em chamas, me afogo em chamas que eu sonhei com meu sol em peixes. Tem um buraco no meu peito e ele me impede de rir, só me faz pensar na pessoa que eu queria perto de mim e penso em ver aquele sorriso. Algo impossível sempre me chama mais atenção, algo distante sempre me excita mais, como posso dizer que uma força do além me disse que alguém precisava muito dessas palavras e que por isso estou aqui escrevendo? Não consigo não acreditar nessa voz, ela me aconchega e me faz pensar em tudo que eu estaria perdendo e o bem que eu não estaria fazendo se corresse atrás do que eu imagino. Não pode ser só imaginação. Isso tudo está muito perto, eu sinto ela pousar em cima de mim e me fazer sentir um lixo, me fazer sentir vazia e como se a culpa do mundo fosse minha. A culpa de eu estar sozinha, a culpa dos cientistas não fabricarem matéria escura é minha, a culpa da cura do Alzheimer não ter sido descoberta é minha, se eu não escrevesse isso, a culpa de nossas bocas um dia poderem se encostar realmente seria minha. Eu saio do meu corpo e imagino como você está. Não se pergunte como estou escrevendo isso, eu também não sei, não sei o que sinto, eu sou uma confusão e pessoas lúcidas não gostam de ter caos em sua vida. Pessoas de terra não gostam, pessoas de fogo gostam. Olha, há tempos eu não conseguia escrever realmente como eu me sentia, esse fogo dentro de mim não me deixava escrever, eu não deveria estar escrevendo isso, as pessoas não gostam de quem fala demais e demonstra demais. Mas não da pra controlar, não sei fazer isso, eu não sei fazer nada.
Júlia Pedroti (via @eu-queimo)
Isso não significa nada, a menos que você queira fazer isso significar alguma coisa.
Charles Bukowski. (via folheatura)
Me sentia errado por estar com alguém e manter olhares a uma mulher que não sabia o nome e tinha tirado minhas noites de sono. Percebi que o amor se faz por conta do mistério e do risco, o amor não é feito de segurança. O amor é feito de imprevisto. Me vi dependente de algo que eu não conhecia, de águas nunca antes navegadas e isso me dava ânsia de saber por quais caminhos eu deveria seguir para ter a audácia de descobrir o nome daquela moça. Me sentia medíocre, como alguém que sempre quis coisas seguras de repente queria sair da rotina, machucar sua família e agir como se fosse um jovem sem juízo. Mais uma vez conclui, o amor é coisa de jovem sem juízo, o amor é feito de imprevistos. Me vi pedindo conselho a qualquer pessoa na rua e eu ouvia que era uma fase ruim no casamento, era falta de olhar meus filhos com outros olhos. Ai de mim que passei a vida achando que estava ao lado do amor da minha vida e me descubro em olhos que o que mais me chamavam atenção era não saber nada sobre eles. Me sentia como uma agulha no palheiro, a peça do quebra-cabeça que não estava encaixada, nada estava como antes e eu sabia que isso não iria mudar, mas decidi esquecer o tal do amor misterioso e cair na rotina novamente. Sou pouco corajoso para amar novamente.
Júlia Pedroti (via @eu-queimo)
te mostro só uma partezinha da minha imensidão pra você ficar querendo ver [e ter] mais e mais.
não importa se tu és cacto ou flor o que importa é que sou jardineiro e estou pronto pra cuidar de ti
Até minha poesia sente falta de nós