gustave moreau’s pietà // keanu reeves and river phoenix photographed by bruce weber // jean broc’s the death of hyacinthos.
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he wasn't even looking at me and he found me
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gustave moreau’s pietà // keanu reeves and river phoenix photographed by bruce weber // jean broc’s the death of hyacinthos.
me embala no teu quadro e no teu giz
Eu me curvo e me escondo ante o que escrevi ao me entregar totalmente a esta obsessão. E sinto inclusive o infeliz medo da tua leitura mas fico subitamente feliz porque percebo que deste medo posso fazer outros textos que tematizem o medo e depois falem do texto que escrevi para aplacar o medo e dos outros textos que escrevi para aplacar os primeiros textos.
- Ana Cristina Cesar
Recebo a inesperada visita das tuas garras com um sorriso. Sei sorrir. Sorrir sem infâmia, pretendendo apenas dizer que espero. Falar das tuas garras pode ser um trabalho a que eu me dedique horas a fio. Falar delas é uma modalidade do meu sorrir. Recebê-las sem amparo.
- Ana Cristina Cesar
Fostes como um meteoro vindo em direção ao pequeno planeta Eu. tudo o que você era em brilho, força e terror na plena potencialidade de se colidir com, tal qual Plutão, meu pequeno planeta ameaçado, gélido e distante. Assim, chegastes sem aviso prévio, sem anunciações místicas ou declarações científicas. Apenas despontastes no meu céu com a mesma casualidade profana que despontastes naquela esquina no primeiro dia em que pus os olhos em ti. Inevitável... [continua]
No desvio de algum rincão do universo inundado pelo fogo de inumeráveis sistemas solares, houve uma vez um planeta no qual os animais inteligentes inventaram o conhecimento. Este foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da história universal, mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram de morrer.
— Friedrich Nietzsche
““ […] No livro da vida não se volta, quando se quer, à página já lida, para melhor entendê-la; nem pode-se fazer a pausa necessária à reflexão. Os acontecimentos nos tomam e nos arrebatam às vezes tão rapidamente que nem deixam volver um olhar ao caminho percorrido.””
— - José de Alencar, Lucíola
“e nem por isso
desistir
de ser completo
mistério
eu quero
ser o janeiro
a chegar
em fevereiro
fazendo o frevo
que eu quero
chegar na frente
em primeiro”
Toda Poesia - Paulo Leminski
“Toda alma livre é imperatriz”
“[..] tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar enquanto meus dentes penetrando nas veias de tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente…”
[…] tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo […]
“Eu me sentia sonhando acordado: bastava vê-la para mergulhar numa série quase infinita de fantasias, do grego ao gótico, do vulgar ao divino.”
A História Secreta- Donna Tartt
[…] e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui.
- Caio Fernando Abreu
#mood #darkacademia
Sei que este vento há de soprar até depois do depois. E os rios e as ondas que se quebram brutalmente contra rochas que sempre estiveram lá, continuarão lá, mesmo depois do depois. E mesmo quanto todo átomo que me foste dado voltar pra tudo que novamente à algo será dado, o rio ainda há de correr, brutalmente. Oh selvagem vida, contínuamente constante! que eu exista com toda a minha potencialidade de ser, e que depois disso, tudo o que há de vir exista com toda a sua potencialidade de ser, constantemente contínua. Cada átomo do meu corpo, que veio do sempre e durará pra sempre, deseja ser no agora tudo o que já foi e tudo o que será. Há beleza e vida em tudo, descontroladamente.