Perdi as contas de quantas vezes ensaiei, diante do espelho ou debaixo do chuveiro, argumentos que poderiam me fazer vitoriosa em uma batalha. Acontece, que a maioria desses diálogos foram ensaiados após sair derrotada de alguma luta. Eu tenho essa mania tola de revisitar lugares que me fazem mal para me punir. Isso tudo porque algo dentro de mim me faz pensar que sou responsável pelo que me fazem, mesmo quando é algo que, humanamente, eu jamais poderia prever.
Talvez você também ensaie diálogos e se martirize por coisas que não estão sob o seu domínio. A forma como as pessoas agem em relação a nós não é algo que possamos controlar, mas a forma como nós decidimos nos acolher após uma decepção, sim. O passado é imutável e por mais que queiramos não há nada que possamos fazer com aquilo que passou. Não temos uma máquina do tempo para corrigirmos erros ou modificar cenários, mas a vida nos concede a oportunidade de retirarmos dos infortúnios da vida aprendizado e amadurecimento.
Não há como negar que o seu “eu de hoje” é o resultado de todas as coisas que lhe aconteceram até aqui. Logo, apagar a nossa história é remover também o que nos faz ser quem somos. Por isso, busque olhar para a vida com um olhar mais resiliente e tente depositar sua energia naquilo que poderá dar fruto. Aceitar que a vida é feita de bons e maus momentos nos permite retirar de nossos ombros pesos desnecessários. Um diálogo em frente ao espelho poderá consolar o seu ego ferido, mas olhar para uma situação e colocá-la em um lugar de insignificância te permitirá seguir sem tropeçar. (Pâmela Marques)










