O puxão foi inesperado, mas Margot não se assustou. Seu corpo se moveu com a naturalidade de quem já esperava por algo assim, afinal, caminhava com falsa despretensão por aquele andar na expectativa de que um dos funcionários a puxasse para a sala com algum convidado misterioso. Parece que um convidado foi mais rápido, mas ela não ficou nem um pouco insatisfeita com a atitude. Quando a porta se fechou atrás deles, tudo o que fez foi erguer o olhar, avaliando o homem que a puxara para dentro da sala. — Não era um jogo. Eu sou difícil. — Margot ergueu uma sobrancelha, um sorriso enviesado se formando em seus lábios. Sua voz saiu baixa, carregada com a mesma provocação que ele parecia gostar de distribuir. Sustentou o olhar, sentindo a tensão silenciosa se espalhar pelo espaço estreito entre os dois. — Tão cavalheiro. — O sarcasmo era evidente, mas havia diversão em sua voz. Margot não se movia para longe nem para perto — deixava que a hesitação fosse parte do jogo. "Se isso significar que você não vai fugir desta vez." Aquilo a fez rir, um som baixo e curto. — Não fugi. — Por que fugiria de um homem tão lindo e cheio de atitude? Sua mão deslizou pela lateral dos braços dele, tateando e conhecendo-o um pouco, até parar em seus ombros e repousar os braços ali, um gesto despreocupado enquanto explicava. — Era parte do desafio das máscaras. Encontrar alguém, compartilhar um momento de dança e ir embora sem um nome ou uma palavra. — Fez uma pausa, deixando que ele absorvesse a informação antes de continuar, um brilho travesso nos olhos e um sorriso curioso. — Mas, se está aqui agora… Acho que significa que deixei alguma marca. E quer saber um segredo? — Ficou na ponta dos pés, levando os lábios vermelhos até o ouvido do homem. — Você também deixou. E uma muito positiva. — Afastou o corpo para fitá-lo e ler sua reação.
Os lábios de Theon se curvaram em um sorriso lento e malicioso, o tipo de sorriso que carregava promessas silenciosas. Havia algo deliciosamente instigante naquela resposta sarcástica — e ele adorava ser desafiado. Por mais que gostasse de manter o controle, havia um prazer especial em lidar com alguém que o obrigava a disputá-lo. O poder, afinal, tinha outro gosto quando precisava ser conquistado. "Perdão" começou, a voz arrastada e carregada de ironia "mas sair às pressas sem uma palavra e desaparecer na multidão soa, ao meu ver, bastante similar à fuga." Acompanhou o riso dela com um breve sorriso de canto, balançando a cabeça em um gesto de condescendência teatral quando ela mencionou o tal desafio das máscaras. Como se dissesse silenciosamente: tudo bem, você ganhou essa. Mas por trás daquele olhar leve, seus pensamentos rodavam em torno da conexão instintiva que haviam compartilhado na pista. Aquela dança silenciosa, aquele toque contido… era o tipo de coisa que deixava marcas invisíveis. E agora, ele se perguntava: teria deixado nela o mesmo rastro que ela deixara nele?
Seus olhos desviaram-se brevemente para as mãos que percorriam seus ombros com familiaridade, como se o estivessem reconhecendo através do toque, antes de retornar ao rosto dela. Então, quando ela se aproximou e sussurrou aquele segredo em seu ouvido, ele baixou levemente a cabeça, quase como se oferecesse a ela o espaço para sussurrar mais. Mas o que ouviu já bastava para incendiar sua imaginação. Seu sorriso se alargou, agora mais escancarado, e ao erguer novamente o rosto para encarar Margot, havia um brilho intenso em seus olhos. Ergueu a mão direita devagar, com uma intenção clara, e pousou os dedos com suavidade contra o rosto dela. Seu polegar roçou de leve o lábio inferior, num gesto que era ao mesmo tempo curioso e provocativo, como se testasse sua própria força de vontade. A carícia seguiu para o maxilar e, depois, para a nuca, onde seus dedos começaram a brincar distraidamente com os fios de cabelo, explorando-os sem pressa.
"Fico feliz em saber que causei algum impacto." disse com um tom leve. Seus lábios se aproximaram mais dos dela, tão próximos que seus hálitos já se misturavam, e ele deixou que os símiles se tocassem, apenas o suficiente para provocar. "E eu posso deixar outros" completou, com um sussurro carregado de malícia "se você me permitir, é claro." Complementou. Sem pressa, depositou um beijo casto, porém intencional, no canto da boca dela. Não havia urgência em seu gesto. Sua outra mão, firme mas gentil, pousou na parte baixa das costas dela, não com força, mas com a sutileza de alguém que queria mantê-la exatamente onde estava, sem dar margem para o afastamento. Os olhos de Theon mantinham-se fixos nos dela, esperando — não por permissão, mas por resposta, uma vez que seu olhar deixava claro sua vontade de sentir o sabor dos lábios alheios contra os próprios.














