You can’t understand my nightmares ♦ Nef & Ayla
nefcricn:
Inicialmente, não fez questão alguma de soltá-la. Sim, ele tinha noção de que não era nada certo o que estava fazendo, puxá-la daquela forma, mas ele precisava que ela entendesse tudo que dizia. Não, ele não estava tentando colocá-la como uma dramática qualquer, como o que ela parecia estar insinuando. Respeitava os problemas e a forma de cada um para resolvê-los, ao menos era o que tentava fazer, respeitar. Mas respeitar não significava ignorar tudo e deixar que cada um sofresse isolado, por experiência própria, o isolamento não trazia bons frutos.
— Eu não quero salvar o mundo. Eu quero te ajudar, isso basta pra mim. Eu posso não conseguir, mas quero tentar. — retrucou, em algo e bom tom, enfim, deixando que ela se soltasse. — Deixe-me tentar. — pediu, em um tom de voz bastante mais baixo, não queria entregar aquele seu lado, não sabia se desejava que ela ouvisse seu pedido, ou não. Engoliu em seco, assim que ela confessou o que fizera. Primeiro, franziu o cenho, tentando imaginar como aquela jovem tinha matado alguém, mas logo parou de julgar, afinal, ele não era ninguém para fazer aquilo, julgar não era bem o que ele podia fazer. — Não se trata do que eu queria ouvir, mas do que você queria dizer, desabafar.
Imaginava o quão difícil deveria estar sendo para ela, falar aquelas coisas, contar o que fizera, o motivo de seu sofrimento. — Eu também. Já matei alguém, talvez até mais de uma pessoa… talvez não, com certeza. — se ela já tinha matado alguém, ele também já o fizera. Não estava diminuindo a dor alheia, de forma alguma. — Nunca contaria para ninguém isso. Por acaso eu pareço alguém que sai fofocando essas coisas por ai? Deveria confiar mais em algumas pessoas. — agora ela tinha algo para usar contra o próprio luminoso, estavam quase que equilibrados na balança, esperava que ela o ouvisse mais, a partir daquele momento. — Eu já fui assim. Sofria calado, sozinho. E sabe o que isso me trouxe? Mais e mais sofrimento e cicatrizes. Pode me chamar de monstro ou qualquer outra coisa, mas eu tenho certeza que as pessoas que eu matei não foram as últimas que morreram por minha causa. Carregamos esse fardo conosco, mas não podemos deixar que ele nos carregue por ai.
“Estava impaciente, mal podia sentir o corpo tremer de frio, concentrada demais em conter a enxurrada de lágrimas que parecia estar prestar a voltar a qualquer momento. Podia sentir o estômago embrulhar-se, a medida que tomava consciência do que acabava de dizer em volta alta, em um corredor. Os olhos encaravam o chão, quase em um estado catatônico, aquela altura era difícil ouvir boa parte do que ele dizia. Ela sabia - ou ao menos acreditava - que não podia ser salva por ninguém, afinal, como poderiam tirar aquela culpa que carregava em suas costas? Não parecia haver que pudesse aliviá-la, como se realmente fosse o grande castigo de sua vida.
Os olhos ergueram-se novamente para o mais velho, encarando-o com certa confusão, o cenho franzido. Não sabia ao certo se estava realmente entendendo tudo que ele estava dizendo, os próprios braços envolvendo seu corpo, como se aquilo pudesse amenizar a sensação desagradável que lhe percorria.-Você é diferente.-deu de ombros, tinha certeza de que nada poderia ser pior do que matar o próprio tio, poderia?-Eu não tenho motivos para confiar em algumas pessoas...-murmurou, os olhos cerrando-se por alguns segundos enquanto o ouvia falar de sua própria experiência. E ainda assim não lhe parecia suficiente.-Eu estou fazendo o meu melhor.-deu de ombros, apertando os lábios em uma linha fina, os dedos apertando suavemente os próprios braços.-Deixe-me ir.-pediu, dando um passo frente, em direção ao seu caminho. Se pudesse, teria simplesmente desaparecido.”















