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casey deidrick for terroir magazine
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ not-lilyevans .
⊰ ─── ❄ A princesa inclinou a cabeça para o lado observando o rapaz a sua frente por um momento, mordendo o canto interno da bochecha, prestando atenção no que ele dizia, para logo em seguida revirar os olhos. - “O que você tem contra festas exatamente? Porque eles são ótimas para se esquecer das coisas e só se divertir um pouco. Você precisa relaxar” - comentou respirando fundo, e olhou em volta procurando por alguém que estivesse andando servindo bebidas ou algo do tipo, logo tirando uma cerveja das mãos de uma pessoa qualquer que passava por ali. - “Obrigada.” - disse sorrindo de canto, ignorando completamente a expressão do terceiro. - “Eu tenho muitas ideias do que a gente pode fazer agora, mas como você está parecendo um velho emburrado, não tenho certeza se conseguiria me acompanhar,” -
Era sua postura que denunciava o desgosto em festas, tendo Sersak se limitado a encará-la com uma expressão de que nada podia fazer quanto àquilo. ‘ Estou aqui, não estou? Isso já é muito ’ meneou a cabeça, não concordando sobre a parte de esquecer das coisas e se divertir. Agora, sobre relaxar... ‘ Essa parte é verdade ’ disse como quem não queria nada, acompanhando com os olhos enquanto ela retirava a cerveja das mãos de um dos aprendizes sem pedir. Supôs que esse fosse um comportamento comum para os membros da realeza, um que ele costumava criticar no passado, mas que agora parecia irrelevante. Especialmente quando desceu uma mão até a garrafa, envolvendo-a como se pedisse permissão para beber da mesma, e usando disso para dar um passo mais na direção da morena. ‘ Um velho emburrado, really? É esse tipo de coisa que você pensa de mim? ’ arqueou uma das sobrancelhas, encarando-a de cima, instando-a a responder. ‘ Garanto que posso te acompanhar no que for. Duvido que dessa sua cabeça saia algo realmente desafiador ’ provocou, sem se importar onde estava se metendo.
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ grimmauldyn .
grimm não iria concordar, mas considerando tudo que havia acontecido com seus pais, e também sua própria vida amorosa, se é que podia chamar daquela forma, ele também não estava sendo o maior defensor do romance. “verdade.” respondeu, bebendo mais do seu copo. já havia bebido tanto que estava um pouquinho tonto, e rindo mais que o normal. “quem pensou nessa festa foi um gênio, se pensar por esse lado.” concordou ainda mais. “mas acho que não tem outro lado para pensar de qualquer forma.” se virou para encarar o outro, sorrindo. “outras possibilidades?” perguntou, sem entender muito bem ao que estava se referindo. “por exemplo? oh, você está falando de feitiços?” se animou, nada o animava como a possibilidade de usar suas habilidades mágicas. “ou do oposto de romance?” perguntou, sem saber muito bem o que aquilo seria. “me diz quais outras possibilidades!”
Sua parte mais curiosa se perguntava o motivo para que Grimm concordasse, exceto que a maioria ali concordaria com o que Sersak estava falando, sentindo-se, decerto, jovens demais para se prender a alguém; esperando o momento em que seriam atrelados a um companheiro por força de um conto. Teve de franzir o cenho quando o loiro começou a tagarelar, percebendo que aquele que trazia em mãos não devia ser seu primeiro copo. ‘ Outras possibilidades ’ reforçou, vago, olhando de solsaio. Não sabia se isso incluía o que Karou tinha sugerido; não sabia se era tão curioso, portanto, deixou que Grimm especulasse. Que ele estivesse animado com feitiços era algo que fazia com que Andries imediatamente recrutá-lo para seus estudos. Agora que tinha iniciado com a magia maléfica, era como se estivesse viciado em prosseguir, e um dia sem usar era o equivalente ao sofrimento de uma semana. Se perguntava o que o filho de Merlin pensaria a respeito ou mesmo se o delataria. Ao mesmo tempo, também queria o oposto de romance, sim. ‘ Para hoje? Acho que a segunda opção está de bom tamanho ’ admitiu, para estancar as perguntas. ‘ Cuidado com os feitiços, Grimm... Pode acabar ficando obcecado ’ insinuou, como uma piada interna.
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ celcsth .
não detestava o dia de são valentim como parte dos alunos parecia o fazer. para a princesa, em verdade, havia muito pouco que incomodasse-a grandemente e o afeto dos outros não era um desses. celeste, portanto, encaixava-se no grupo que não se importava o suficiente para odiar, mas que preferia não fazer parte. relacionamentos exigiam, no fim, energias demais. “ a última coisa que precisamos ou que você precisa? ” não era por ser defensora vocal da data que o perguntava, mas por mera provocação — e a menor das curiosidades. “ decepção amorosa, sersak? ou amor acabou por te entediar? ” a última palavra fora frisada intencionalmente. não conhecia-o muito, mas sua abordagem certamente seria indicativo de quem considerava romance tedioso. a sugestão seguinte, por sua vez, arrancara-lhe uma risada espirituosa, daquelas que soava como aviso. a hearts não era das piores, mas certamente não era a das melhores para direcionar insinuações. o anilense deveria saber. “ oh, é bom te ver inovar. ” apontou, estreitando as sobrancelhas teatralmente. “ e que possibilidades seriam essas? ”
A filha da Rainha de Copas ia direto na ferida, como de costume. Sersak queria ser capaz de repreendê-la, mas limitou-se a soltar riso de escárnio para desfazer do comentário alheio. ‘ O que eu preciso é de mais uma dose de uísque. O resto não importa ’ ter de recorrer ao álcool era vergonhoso, mas não seria o primeiro a fazê-lo. ‘ E não fale como se todos vocês ’ gesticulou em torno do salão, para abranger os aprendizes que ali estavam ‘ fossem bem resolvidos. Inclusive você, Celeste ’ mexeu o conteúdo do próprio copo, deixando escapar o que pensava dela. Em dias normais e longe dos efeitos colaterais do uso dos poderes, mantinha-se polido e reservado. Agora, no entanto, não tinha motivos para se conter. ‘ Foi o que aconteceu com você? ’ devolveu, esboçando sorriso provocativo. ‘ Não é da sua conta ’ disse de maneira pouco educada, mas de um jeito que duvidava que fosse atingir a morena. Ela até tinha o direito de devolver na mesma moeda. Além disso, não poderia responder sinceramente quando não tinha certeza se se tratava de decepção amorosa ou tédio, a essa altura. ‘ Assim faz parecer que estou sempre na mesma ’ elevou as sobrancelhas, surpreso com a acusação. ‘ As possibilidades que estiverem dispostos a me abrir ’
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ clvrgirl .
De certo modo era um tanto frustrante para Lyla que todos os rapazes que ela achava interessantes se mostrassem completamente escrotos – não havia palavra melhor para descrever. – Njord podia ser um tanto irritante com seus comentários com teor sexual, mas a loira já estava acostumada a driblar o nível de escrotidão apresentada pelo outro, mas Sersak, ele era outra coisa. Ela conseguia ver com clareza que aquele não era o rapaz que tinha conhecido em Neverland ou nos estábulos, ele estava diferente. Seus olhos se estreitaram e ela respirou fundo tentando captar qualquer sinal que a embriaguez pudesse estar fazendo com que ele agisse daquela forma, mas não a encontrou, concluirá que era apenas a verdadeira faceta de um filho de vilão. Lançou um olhar desafiador para ele e empertigou um pouco seu rosto, já que ele havia feito com que ela retrocedesse ao ponto anterior. ‘ talvez eu queira, já ouvi muitas versões desse tipo de distração, vamos ver se a sua é melhor ou pior que as demais. ’ o desafiou, cruzando os braços na frente do corpo, mas sem soltar a taça que carregava em sua mão. Suspirou pesadamente com o comentário convencido, ponderando se passaria um dia em sua vida sem ouvir comentários convencidos de um homem. Seu orgulho protestou silenciosamente, mas precisava assumir que se não fosse os primeiros socorros prestados pelo rapaz, seu pulso teria demorado a se recuperar. ‘ tem razão, agradeço a você pelos serviços prestados. ’ assumiu com um sorrisinho sem dentes e beirando ao sarcasmo.
Uma parte de seu cérebro dizia que era completamente ridículo colocar-se como o salvador da pátria, quando não tinha feito muito mais do que acompanhar Lyla até o castelo. Outra só queria que ela reconhecesse o quão bom ele poderia ser. Essa era uma necessidade constante da parte de Sersak, aliás; uma que ele mantinha enclausurada no fundo de seu ser, dando pequenas demonstrações de que precisava disso. Fazia parte de quem havia se tornado, a fim de se desvencilhar da Rainha Má. Ficou surpreso, no entanto, por Delilah não se afastar imediatamente, permanecendo em seu lugar, desafiando-o com o queixo erguido. O bruxo a encarou do alto de seus um e noventa e cinco, erguendo o canto da boca diante da pergunta. Teve de se inclinar para alcançar o ouvido alheio, não se apressando enquanto sentia o perfume feminino, contendo o impulso de experimentar a maciez da pele do rosto com os dedos escuros. ‘ Você quer ouvir ou quer que eu te mostre? ’ tinha plena noção de que o hálito quente alcançava o lóbulo da Holmes enquanto ele falava, não se aproximando mais apenas porque ela tinha cruzado os braços a frente do corpo. Não era do tipo invasivo, mas não queria decepcioná-la dentro do próprio desafio. ‘ Só precisa dizer ’ não sabia que podia ser depravado até que fosse corrompido pelo próprio poder. E por que seria diferente? ‘ A questão é: você conseguiria me acompanhar? ’ afastou-se, então, afastando o agradecimento com um movimento de mãos, como se considerasse que ela estava falando a sério.
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ littlekarou .
❛ Minha mãe fala isso quando eu não posso sair. E diz que se todo mundo cair no buraco, eu vou querer cair também? ❜ Soltou o ar vagarosamente, pensando que Sersak estava em um daqueles momentos. Depois de ouvir sobre curandeiros e saúde mental, considerava que talvez a ajuda que o príncipe precisava não era apenas presentes ou boa vontade, mas especialistas — e ela não era uma. ❛ É! Ele é um cara que eu conheço… ❜ Por um momento, ficou em silêncio olhando para o outro, pensando no que essa “outra” possibilidade poderia significar. ❛ Eu pensei que você tivesse se cansado de sofrer por amor e agora queria ficar sem se apegar. “Outras possibilidades” se encaixa no fato de que você sempre se relaciona com mulheres. Não seria a primeira pessoa a descobrir que na verdade gosta de meninos e meninas. Eu descobri tem uns anos, mas tive certeza depois que a Bri me beijou e eu beijei ela e uma menina que dancei. Não lembro o nome dela… ❜ péssimas com nomes, principalmente em situações como aquelas, não se esforçou muito para se lembrar. ❛ Eu tenho vinte anos e faço vinte e um mês que vem! Eu posso beijar na boca! Todo mundo pode, na verdade, basta querer e eu quero… Por quê? Tenho cara de que não beijo na boca? Será que é por isso que a Bri me ignora? ❜
Sersak não conteve o sorriso ao ouvir o relato, concordando com a fala da mãe de Karou. ‘ Bom, errada ela não está. Vou falar a mesma coisa se tiver filhos ’ admitiu, no momento, contudo, achando graça dessa situação hipotética e remota. Afinal, como havia dito Calypso certa vez, ele nem mesmo tinha sido capaz de arranjar uma mãe para as crianças. ‘ Sei ’ respondeu, com olhar de desconfiança, quando ela soltou a informação vaga. Muitos subestimavam Karou, mas na verdade a garota era bastante observadora, ou o conhecia muito bem. Nem mesmo o próprio Sersak tinha percebido que estava sofrendo por amor — parecia algo impensável — e a agora Bredenberg o analisava como se o visse por dentro. Fato que o bruxo não podia negar que estava desanimado e ainda experimentando um gosto amargo na boca, então, não se focou nessa parte da conversa. ‘ Desacelera, Karou ’ pediu, achando graça. ‘ Vamos suavizar nas possibilidades ’ não que se sentisse muito confortável em ter aquela conversa com Karou. ‘ Até agora não tive nenhuma epifania nesse sentido ’ brincou, franzindo o cenho ao pensar que ela estava beijando Bri. Não devia estar tão surpreso, no fim. ‘ Bree das poções? ’ esboçou sua surpresa. O Sersak de sempre a tranquilizaria, mas esse, afetada pela magia negra, não se importava de deixar a amiga preocupada, embora em seu íntimo julgasse estar fazendo espécie de favor. ‘ Salta fora logo, antes que ela brinque com você. Se está te ignorando é porque arranjou outra pessoa pra beijar. Ela é assim, intempestiva, você sabe ’ deu de ombros, com um breve revirar de olhos. ‘ Não que eu seja especialista. Não dá pra saber o que as pessoas querem na maior parte do tempo ’
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ( anti-baile ) ╱ feiurinhc .
Não conseguiu evitar o rolar de olhos diante a indagação do amigo, apenas meneando levemente a cabeça para os lados, à medida em que um sorriso aparecia no canto de sua boca. Gostava da dinâmica entre eles, e de como um sempre estava certo sobre o outro, porém, ainda havia algo ali que a intrigava: porque estava irado? Diferente dela, Sersak nunca havia dado importância à data, e enquanto a patinha esperava por diversas serenatas e demonstrações daqueles que atraía, o amigo parecia indiferente até mesmo aos suspiros que arrancava das mais novas. Ele sempre notara eles, provocando o moreno com aquilo. Aconchegou-se no ombro alheio, deixando que um riso curto escapasse ao vê-lo replicar seu movimento, e então os olhos focaram-se nas próprias mãos, a medida que os dedos passaram a desenhar círculos aleatórios na calça masculina. ❝ —— Na verdade, eu sou bem mais criativa, my little apple. Mas não sei se está preparado para saber tudo o que se passa aqui. ❞ Tocou a própria cabeça com a mão livre, buscando os olhos dele outra vez. Os flertes eram frequentes, principalmente quando vindos dela, mas agora era diferente. Embora mentisse com maestria, sabia que devia contar tudo ao filho da vilã, era justo. ❝ —— Ou podemos encontrar um lugar onde os dois possam entrar. ❞ Sugeriu com um leve dar de ombros, desejando que aquilo não soasse que estava se jogando nos braços dele tanto quanto parecia. Só precisava ficar à sós com van Schlecht para informá-lo dos últimos acontecimentos. Rendendo-se a ideia, ela levantou-se, oferecendo a destra à ele. ❝ —— Vamos? ❞
Não que ele se importasse com demonstrações de afeto. Não tinha experimentado o suficiente disso para que agora as quisesse, porém, tal como na noite em que se deixaram levar, era como se Sofia identificasse sua carência afetiva e se mostrasse disposta a suprir. Resistir a isso era o mais difícil para alguém que estava evitando envolver-se com quem quer que fosse. Ele também não queria que as coisas ficassem constrangedoras para valer. Estava grato, aliás, que a amiga não estivesse fazendo daquilo um grande caso, de modo que o vínculo de amizade parecia intacto. Óbvio, no entanto, que a Mirrors continuaria flertando, apenas porque essa era ela. Um rosnado de desaprovação, seguido de um sorriso, escapou dos lábios de Sersak ao ouvir a insinuação, e ele teve de olhar para cima, como se buscasse auxílio do Narrador naquela tarefa árdua. ‘ Acho que já deu para ter uma vaga ideia do que se passa aí, patinha ’ apontou, os olhos faiscando por um segundo. Não tinha apreciado o apelido, especialmente porque remetia a Grimhilde, mas não repreenderia Sofia por isso. Ela sabia que incomodava; era só por isso que o usava. Ao ouvir a sugestão seguinte, o Van Schlecht olhou de esguelha para a amiga, temendo onde aquilo poderia levá-los. Ainda assim, não negou. Pelo contrário, assentiu, se levantando, preferindo colocar um braço sobre os ombros alheios do que pegar a mão estendida que encarou por um segundo. ‘ Você faz parecer fácil ’ riu brevemente, enquanto caminhava. ‘ E a menos que a Diegese tenha desaparecido magicamente, vamos ter trabalho ’
devlishsmile .
O único amor verdadeiro que Araminta sentia era por suas botas vermelhas de verniz e sorvete sabor chocomenta. Ela não era uma amargurada ou reprimida, apenas acreditava que apaixonar-se era um risco aos seus planos, então escolhia não fazer isso. Contudo, os sentimentos alheios eram um bom entretenimento, especialmente quando envolviam uma dose extra de drama. “Eu não acho. O castelo está de cabeça para baixo, as pessoas precisam se distrair com alguma coisa, e o que é uma distração melhor do que romance?” Ela se virou para lançar-lhe um sorriso, antes de voltar a atenção para o restante da festa. “Então se divirta com as outras possibilidades. Esta é a festa dos solitários e carentes, com certeza vai encontrar alguma.”
Em dias normais, não estaria conversando com Araminta — uma conhecida aprendiz de Jafar — simplesmente por acreditar que havia pouco, ou quase nada, em comum entre eles, especialmente considerando que o Van Schlecht esforçava-se para se afastar da matriz vilanesca. Contudo, as coisas pareciam mudar de figura em uma festa e com o bruxo sobre influência da magia maléfica. ‘ Então é do tipo romântica? Se me perguntassem isso de você, não arriscaria nessa direção ’ elevou uma das sobrancelhas, minimamente surpreso, mas ao mesmo tempo repreendendo-se por não ter imaginado algo que agora ficava evidente. Também podia ser porque a outra tinha uma ideia diversa da dele sobre o que era romance. ‘ Não estou atrás de pessoas solitárias e carentes. Disso já estou saturado por ter de olhar pra mim mesmo todos os dias, mas quem se importa? ’ riu-se, porque essa era a verdade, assim como também era verdade que ele precisava de alguém bem resolvido.
clvrgirl .
Os olhos da loira se estreitaram de pronto quando Sersak lhe respondeu. Toda a imagem que tinha construído do rapaz no pouco tempo que tinham passado juntos parecia se fragmentar a sua frente e apenas com uma frase, junto de um dar de ombros. Concluirá naquele momento que nunca conseguiriam ser amigos. O mais alto parecia mudar de personalidade conforme a ocasião e isto não devia incomodá-la, mas incomodava. ‘ muitas coisas. ’ respondeu de modo monossilábico, como fazia anteriormente ao encontro dos dois nos estábulos. Um longo olhar fora lançado ao moreno, procurando algo que pudesse lhe explicar tal comportamento, mas nada foi encontrado, aparentemente era o mesmo Sersak de antes, apenas com uma postura bem mais descontraída. ‘ perfeito. ’ respondeu, apanhando a bebida com o pulso que tinha sido torcido no outro dia e pronta para afastar-se.
Nem mesmo se dava conta de que agia completamente diferente da última vez que abordara a loira. Na oportunidade, tinha mostrado sua melhor faceta, aquilo que gostaria de ser, longe da influência de Evil Queen. Por óbvio, para tanto, tinha de fazer um esforço tremendo. ‘ Se sabe que significa muitas coisas não deveria estar me perguntando. Ou quer que eu diga com todas as letras o tipo de distração que procuro? ’ provocou, mesmo que soubesse que, agora que ela tinha voltado a responder-lhe de forma indiferente e monossilábica, seria impossível arrancar respostas completas e satisfatórias. Esse era um ponto frustrante sobre Lyla, ele tinha de reconhecer, e não era apreciado pelo bruxo. Justo quando pensou que era ele a muralha intransponível e antissocial, aparecia a loira para tomar-lhe o posto. A forma como disse “perfeito” mais parecia uma maldição, e Sersak elevou ambas as sobrancelhas, contendo o riso de canto. ‘ Bom pra você... Quer dizer, graças a mim ’
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ╱ liddelzinha .
(tw: umas nojeira com machucado i guess)
deixou escapar um suspiro, indicativo da própria decepção com a falta de relevância do ferimento. ─── que chato. qual a graça de um machucado se ele é só uma coisinha? ─── reclamou, ao esboçar uma expressão que se sustentava pelos próprios trejeitos, decepcionada. ─── e qual a graça de ter um machucado e simplesmente tratá-lo? ─── questionou, ao erguer a cabeça para encará-lo nos olhos. a tom cinzento dos seus próprios refletiam a apatia, o que era incomum já que se tratava de alguém com emoções afloradas e desorganizadas. suas análises rápidas podiam ou não equivocar-se, contudo, não esperava necessariamente que houvesse qualquer reação grandiosa por parte de sersak diante do ato impulsivo de levar os dedos ao corte, mas ainda podia ter de terceiros. desse modo, foi explorando as beiradas com as unhas desreguladas, violentamente, até que a queimação fosse o suficiente para seus reflexos biológicos a pararem com um pedido de socorro que indicava lesão, os olhos chegaram a ficar úmidos. agora, tinha dígitos pintados de vermelho. ─── eu gosto de chamar atenção. ─── deu de ombros, limpando as mãos na mesma blusa que reclamou de ter sujado. ─── uma característica infeliz, mas sem validação eu não sou ninguém.
Franziu o cenho, estranhando a reação alheia e quase recuando. Não conhecia ninguém, até então, que estivesse decepcionado ao descobrir a pouca extensão dos ferimentos. ‘ Você é masoquista? ’ deixou escapar, apenas porque estava curioso por entender o que ela queria dizer com aquilo. Se a outra estivesse se machucando de propósito, então era obrigação do bruxo alertar a Direção de Aether sobre sua situação. Não conhecia as motivações alheias, tampouco procurava entender, mas aquilo era perturbador em algum nível. ‘ Eu só pensei que não fosse querer ficar com a blusa manchada de sangue, e correndo o risco de isso se tornar mais grave por algum descuido ’ argumentou, ainda encarando a mais baixa. Na verdade, era estranho como parecia estar se desculpando por ter prestado ajuda, e por um momento pensou que estivesse sendo influenciado pela loucura de Anette. Foi com o repentino surto da Lidell, contudo, que ele ficou alarmado, observando de olhos arregalados enquanto a loira explorava a ferida sem piedade, como se fosse incapaz de experimentar a dor. Antes que se desse conta, ele estava puxando o pulso da garota para longe, antes que ela abrisse ainda mais o corte. Era incrível como, mesmo com os olhos marejados, a outra persistisse em apertar a ferida. ‘ Está louca? Não é assim que você verifica um ferimento ’ disse, agora um tanto mau humorado enquanto a conduzia em direção à enfermaria sem perguntar. Era um tanto invasivo de sua parte, mas não seria conivente com a irresponsabilidade. ‘ Não importa se você gosta de chamar a atenção. Encontre outra forma de fazer isso ’
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ╱ clvrgirl .
Ainda que Sersak não fosse do tipo cuidadoso, seu modo bruto serviu para ajudar a mobilizar o pulso de Lyla com o casaco. Ela achou aquilo um tanto exagerado, mas não protestou, já que não queria que seu pulso piorasse apenas por sua teimosia. Soltou um riso diante do argumento alheio e lançou a ele um olhar sarcástico. ‘ na verdade foi uma direta. ’ assumiu com um sorrisinho no canto dos lábios que significava que aquilo não passava de uma brincadeira, cabia a ele não se ofender como tinha feito anteriormente. A fala seguinte levantou uma dúvida na mente da loira, uma duvida que fez a mente alheia começara a trabalhar rapidamente. Todas as informações que coletou a faziam supor tal coisa, mas não queria ser pretensiosa de lançar tal questão sem ter completa certeza, ainda que apenas Sersak pudesse confirmar o que ela supunha. Porém, ele havia lhe dado uma oportunidade de questioná-lo, da mesma forma que ela havia feito e ela não perderia tal chance. ‘ então, uma maldição ? ’ questionou, lançando um olhar cuidadoso sobre ele. Talvez não fosse um assunto que o rapaz gostasse de tratar e saber levá-lo com cuidado era o mais adequado no momento. Então, ela assentiu diante do primeiro questionamento, já imaginando o que veria a seguir, acertando em cheio. Sersak parecia incomodado com seu comportamento em Neverland desde o primeiro encontro dos dois e já tinha deixado isto claro em mais de uma fala sua, Lyla precisou esconder o sorriso satisfeito que tinha surgido em seus lábios, por já supor que seria este o motivo da conversa. ‘ sua companhia não me incomoda e eu nem estava irritada no dia, o problema na verdade, residiu em sua atitude, como se eu não pudesse me virar sozinha, não gosto quando me reduzem a simples dama indefesa. ’ explicou, esperando que ele compreendesse que o problema nunca foi a presença, mas o modo como agiu com ela.
É, ela era bem direta, se fosse pensar, de modo que não era surpreendente que admitisse de pronto. Sersak sorriu minimamente, já que o mesmo poderia ser dito dele, e talvez Lyla não encarasse suas perguntas como invasivas quando fazia exatamente o mesmo. Por outro lado, já tinha ouvido a respeito de pessoas que não se suportavam apenas por serem muito parecidas, e não podia prever como a dinâmica de ambos se desenrolaria — apenas o tempo diria. Fato era que arranjava cada vez mais motivos para se aproximar da loira e já não podia dizer que era uma completa desconhecida. Da observação, ele já podia apontar vários traços da mais nova, talvez mais traços do que poderia apontar em pessoas que conhecia durante anos dentro de Aether. ‘ Exatamente ’ admitiu, devagar, olhando a outra de esguelha por um momento. Não queria assustar-lhe, mas se ela havia perguntado e não mostrava alarme, era porque aquilo não lhe causava pânico. ‘ Deve ser difícil para você... Compreender, quero dizer ’ não queria supor fatos e desencadear a irritação da Holmes, tendo de se mostrar cuidadoso. ‘ Considerando que isso não existe no seu mundo, ou ao menos eu acho que não existe ’ concluiu, pensando no que mais poderia dizer se que aquilo soasse insano demais. ‘ Algumas maldições impedem você de viver, mas esta apenas me impossibilita de mentir. Hoje já não parece tão terrível como parecia há dez anos ’ admitiu, uma vez que com o amadurecimento tinha encontrado algumas vantagens em ser aquele que só dizia a verdade. Ao mesmo tempo, esperava comportamento igual de seus pares, e nem sempre recebia o esperado. Daquela vez, todavia, Delilah lhe entregava o que parecia ser a verdade sobre a reação em Neverland, clareando a visão de Sersak sobre ela, de modo que o bruxo assentiu algumas vezes enquanto escutava, sem tentar justificar suas ações dessa vez. Era evidente que tinha agido mal. ‘ Não posso dizer que não vai se repetir ’ conhecia muito bem a si mesmo e a como reagia, sendo incapaz de prometer algo como aquilo. ‘ Mas vou me esforçar para não fazer mais isso, Lyla ’
𝙛𝙡𝙖𝙨𝙝𝙗𝙖𝙘𝙠 ╱ aliolindo .
❛ —— Eles estão aparecendo no nosso salão comum. ❜ O príncipe relatou de imediato, sentindo uma certa confusão pela resposta de Sersak ao comentário anterior. Não eram todas as casas que estavam recebendo um tratamento como aquele? ❛ —— Por que eles não estão na Anilen? ❜ A pergunta pareceu um compartilhamento de seus pensamentos. No entanto, o moreno terminou por racionar, antes mesmo que pudesse escutar o restante. Já tinha ouvido diversos boatos sobre os anilenses precisarem subir em bambus para chegarem em seus quartos. Deveria ser esse o motivo para que os guardiões não estivessem subindo para lá, é claro! ❛ —— Se bem que deve ser mesmo trabalhoso ficar subindo nos bambus para chegar na Anilen, hein? Eu não sei como vocês conseguem! Acho que eu também ficaria lá embaixo. Sinto muito que vocês tenham que passar por isso diariamente. ❜ Comentou logo em seguida, direcionando um olhar quase penoso para o outro enquanto oferecia-lhe um sorriso de consolo.
Muitos poderiam dizer que não era problema dele se estivessem invadindo o salão comum da Ralien. A questão era que Sersak sempre imaginava que poderia ser o próximo, que seus amigos mais próximos poderiam ser os próximos, e situações como aquela acabavam despertando nele alguma preocupação. ‘ A arquitetura deve estar dificultando ’ abriu um sorriso mínimo, satisfeito por Morgana ter tido uma ideia tão original para a moradia de seus aprendizes. Desconfiada como era, a bruxa já devia ter previsto uma situação como aquela, e não queria que seus protegidos estivessem expostos como os demais, que viviam em Dillamond. O desconhecimento alheio da sistemática da Casa da Árvore apenas reforçava como o ingresso para estranhos era dificultoso. ‘ São cipós, não bambus, e eles são parte da floresta. Acho que o correto é dizer que são meramente decorativos ’ riu-se brevemente frente a indignação alheia. ‘ Não servem como forma de entrar. Se bem que seria um exercício e tanto... ’
littlekarou .
❛ Mas por que não precisamos de romance? Eu quero romance! Todo mundo quer romance! ❜ Mesmo que tivesse perdido Mae de vista em algum tempo e tivesse encontrado seu ex idiota sendo um idiota, nada tirava sua crença no romance. ❛ Que possibilidades? ❜ Por um momento, em silêncio, tentou entender o que aquilo significava, assumindo, por fim, o óbvio: Sersak também era do vale! ❛ Uh-uh! Você quer que eu arrume um encontro para você na festa com o Astro? Ele é idiota, mas beija bem. ❜
‘ Eu não sou todo mundo ’ retrucou de imediato, para que ela não insistisse, ao menos em se tratando dele. Sersak não seria incluído nas aventuras de Karou dessa vez, já que a garota parecia ter sempre algo em mente para qualquer situação — o Dia de São Valentim não passaria batido para alguém como ela. A velocidade dos pensamentos alheios era algo que o bruxo era incapaz de acompanhar, mais ainda com a mente anuviada pelo álcool, e teve de franzir o cenho ao ouvir a sugestão que veio em seguida. ‘ Encontro? Quem é Astro? ’ que ela parecia estar se referindo a um garoto era o menor dos problemas. ‘ Você ao menos ouviu quando eu disse que não estou interessado em nada disso? ’ bem, talvez não devesse ter tocado no assunto diante de Karou. ‘ Quem vê cara não vê coração, não é mesmo, Karou? Não sabia que andava beijando garotos por aí ’
clvrgirl .
O modo como Sersak se portava estava diferente, Lyla não podia afirmar com precisão o quanto, mas desde o último encontro entre os dois ele tinha mudado. Achava que o rapaz estava apaixonado por Eartha, então ouvir ele dizer que romance era a última coisa que precisavam era bastante estranho, tal como a postura e o seu tom de voz. Não tinha se aproximado dele de propósito, apenas estava no caminho de apanhar uma bebida quando o ouviu, arqueando as sobrancelhas e lançando a ele um olhar descrente. ‘ olá para você também. ’ o cumprimentou. ‘ o que quer dizer com isto ? ’ ela não era ingênua, apenas não esperava ouvir isso dos lábios de Sersak.
Ele tinha a impressão de que sempre estava sendo julgado por Lyla, em tudo o que fazia, em tudo o que dizia... Se tivesse percebido que era ela aquela que cruzava do seu lado, certamente teria segurado a língua — ou assim imaginava, já que não era possível saber como as coisas funcionavam agora que um comichão fazia com que se contivesse menos. ‘ O que isso costuma significar? ’ perguntou, como se fosse óbvio, dando de ombros enquanto falava, numa pose descontraída — nem mesmo corava enquanto o fazia, mostrando uma versão de si mesmo pouco vista. As mãos ainda estavam metidas nos bolsos a fim de esconder as machas negras, uma vez que a loira era mais perspicaz que a maior parte dos aprendizes. ‘ E o seu pulso? Melhor? ’ agora, contudo, já não mostrava o mesmo interesse de outrora pela saúde alheia.
feiurinhc .
Controladora como era, bastou que se atrasasse um único dia para que ficasse paranoica, e três dias depois, viera a confirmação de que havia sido tola à ponto de arruinar sua própria vida. Estava acostumada, no entanto, com a auto sabotagem, mas daquela vez havia passado do limite. Nenhum conto que conhecia, contava a trajetória de uma garoa que engravidara cedo demais, e os dias que passou trancada em seu quarto, alegando estar com uma virose, foram necessários para que tentasse aceitar que havia encontrado seu fim sem sequer ter começado algo. Sozinha, no entanto, fora capaz de render-se às contas, e tudo ficou ainda pior quando @evilprrnce entrou na equação. Se pudesse voltar no tempo e mudar um único momento, teria evitado o calor dos braços do amigo, ainda que vez ou outra se pegasse pensando na cama que dividiram. A possibilidade, no entanto, do filho da Bruxa Má estar diretamente ligado à sua nova condição, fora o suficiente para que Sofia o evitasse por alguns dias — negaria, no entanto, se ele lhe questionasse sobre aquilo. Diferente do amigo, era capaz de mentir, e podia dizer que era boa naquilo.
Sabia, contudo, que era incapaz de esconder-se dele, ou de qualquer outro, por muito mais tempo — sempre gostara de ser vista, de toda forma, e sua reclusão não levou mais do que sete dias, arrumando-se como se nada tivesse acontecido, quando o sol surgiu na janela de seu dormitório pela oitava vez. Tinha assuntos pendentes, e para resolvê-los precisava de seus Louboutin pretos, calçados cuidadosamente antes que fizesse do jardim sua passarela. Preferia o som que os saltos emitiam quando em contato com uma superfície mais firme do que a grama, mas sabia que o feiticeiro estava ali naquele horário, afinal, sua grade indicava reunião do clube de caça; independente do que aquilo significasse. ❝ —— Então é você que está acabando com os coelhinhos daqui? ❞ Indagou ao aproximar-se do mais alto, ficando na ponta dos pés para que plantasse um beijo em seu maxilar, sorriso sendo exibido ao moreno. ❝ —— Se meus parentes começarem à desaparecer, darei queixa. ❞ Declarou, divertida, em uma clara menção aos patos que frequentavam o lago próximo dali.
Fazia um tempo que não via Sofia, ainda que os boatos fossem de que estivesse doente. O bruxo estranhou a ocorrência de suposta doença, especialmente porque se estivesse mesmo nessas condições a Haenning poderia recorrer a ele e suas poções. Entretanto, não tinha forma de verificar como ela estava além de mensagens, uma vez que não tinha autorização para ingressar na Imre, mesmo na qualidade de filho de uma vilã notória. Por um lado, sabia que seria melhor se se mantivessem afastados por um tempo depois daquela fatídica noite, visto que agora não tinha certeza sobre como as coisas estavam entre os dois — de qualquer forma, uma amizade de anos não poderia ser abalada por um deslize, certo? Ou ao menos era o que o Van Schlecht pensava. Demorou uma semana inteira para que ele tivesse notícias da melhor amiga, sendo pego de surpresa na reunião do clube de caça, que já se desfazia. Guardava as armas cuidadosamente na bolsa quando a filha do Patinho Feio surgiu de repente, irreverente como de costume. O bruxo não podia deixar de pensar, aliás, que aqueles saltos não combinavam em nada com o gramado e o chão terroso, tão apreciado pelos caçadores. Mesmo nos saltos, Sofia teve de se inclinar para depositar um beijo em seu rosto, e por um momento Sersak congelou, sem saber como reagir. A postura tensa logo se desfez, contudo — tinha de agir como de costume com a morena, já que ela mostrava-se natural com ele, sem forçar situações. Parecia até mesmo de bom humor. ‘ Coelhos não são meus alvos preferidos ’ respondeu, só porque ela estava puxando o assunto, mesmo que a vontade fosse perguntar sobre a última vez em que tinham se visto. ‘ E a maioria não gosta da carne ’ era esse o objetivo da caça, afinal; não dissimularia dizendo que se preocupava com os animais como ela gostaria que ele fizesse, mas mantinha um sorriso zombeteiro no rosto. ‘ Agora, carne de pato? Ouvi dizer que é dura demais, embora não possa dar um parecer sem experimentar ’ deu de ombros, sem descartar a possibilidade, ainda que sua expressão jocosa desse indícios de que ele não estava levando a sério, enquanto se aproximava e vistoriava o rosto alheio em busca de sinais de cansaço. ‘ Você sumiu ’
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Com pouca classe deixou que o corpo escorregasse sobre o assento vazio, de modo que a cabeça apoiou-se no ombro dele calmamente. O que sua mãe diria ao vê-la sentada daquela forma? Os orbes esverdeados foram direcionados aos do mais velho, sustentando o olhar com intensidade, quase como se pudessem conversar sem a necessidade de palavras. Eles tinham aquela conexão, afinal, eram anos de amizade, e muitas vezes um simples suspiro dizia mais do que muitas palavras. ❝ —— Não sei porquê está com raiva disso. ❞ Comentou, um bocejo escapando de seus lábios. Não deveria ter ido até ali, deveria ter se sentido muito satisfeita com a ida ao baile, mas não era como se pudesse fazer aquela desfeita com seus fãs. Mas lá estava ela, com sono, sem poder ingerir bebida alcoólica e sobretudo, mentindo para o garoto ao seu lado. Estava começando a se sentir culpada. ❝ —— Me levar para dormir seria outra possibilidade? ❞
‘ Parece que estou com raiva? ’ perguntou de súbito, virando o rosto para olhar para baixo, porém, sem sorrir, já que tinha sido pego no flagra. Sofia o conhecia bem demais para que ele pudesse simplesmente fingir algo. Não podia mentir, mas podia deixar de responder, ocultando informações, ou mesmo usar palavras dúbias e perguntas para que não tivesse de responder a nada, para que não precisasse contar a verdade. E a verdade era que ele nunca tinha pensado que o Dia dos Namorados poderia ser um problema, mas agora era. Permitindo que a cabeça feminina repousasse em seu ombro, Sersak se recostou ainda mais no sofá às suas costas, com um suspiro escapando dos lábios; também se sentia cansado o suficiente para pensar em dormir, e ver o bocejo fez com que reprisasse o mesmo. ‘ Essa é a sua melhor ideia para essa noite? ’ flertou, contendo-se depois de um momento, por lembrar de para onde aquilo o tinha os levado da última vez. ‘ Eles não costumam me deixar entrar na Imre, mas acho que não faz mal te levar até a porta ’
not-lilyevans .
⊰ ─── ❄ Olhos fechados. Copo de bebida em mãos. Corpo movendo no ritmo da música. Lily se sentia completamente livre naquele noite, sem se preocupar com qualquer mínima coisa. Uma festa era exatamente o que a princesa precisava, se desligar de tudo a sua volta, e aproveitar o álcool disponível. A morena se virou na direção de Sersak assim que ouviu a voz do garoto perto de si. - “Realmente foi uma ótima ideia.” - assentiu dando um sorriso de canto e um último gole na bebida em seu copo. - “Interessante. E que possibilidades seriam essas?” -
Sersak desconfiava que Lilian nem mesmo estava ouvindo o que ele estava falando, tão alheia que estava; era a primeira vez, aliás, que a via bebendo e se divertindo, ainda que, em todas as vezes que tivessem se encontrado, a morena não tivesse se mostrado menos que divertida com ele, contrariando o que pensava a respeito de princesas em geral. ‘ Não que eu fizesse questão de mais festas. Nem sei por que estou aqui ’ revirou os olhos consigo mesmo, repreendendo a atitude. Devia estar dormindo, para não correr o risco de ser pego pelos Guardiões. Se fosse pego, não seria tão fácil provar inocência. A fala seguinte, entretanto, fez com que ele voltasse os olhos sonolentos para a Arendelle, mordendo o lábio inferior. ‘ O que vocês, jovens, costumam fazer mesmo? ’ brincou, mas o tom era um tanto mais rouco que o normal.