evilprrnce:
Não que ele se importasse com demonstrações de afeto. Não tinha experimentado o suficiente disso para que agora as quisesse, porém, tal como na noite em que se deixaram levar, era como se Sofia identificasse sua carência afetiva e se mostrasse disposta a suprir. Resistir a isso era o mais difícil para alguém que estava evitando envolver-se com quem quer que fosse. Ele também não queria que as coisas ficassem constrangedoras para valer. Estava grato, aliás, que a amiga não estivesse fazendo daquilo um grande caso, de modo que o vínculo de amizade parecia intacto. Óbvio, no entanto, que a Mirrors continuaria flertando, apenas porque essa era ela. Um rosnado de desaprovação, seguido de um sorriso, escapou dos lábios de Sersak ao ouvir a insinuação, e ele teve de olhar para cima, como se buscasse auxílio do Narrador naquela tarefa árdua. ‘ Acho que já deu para ter uma vaga ideia do que se passa aí, patinha ’ apontou, os olhos faiscando por um segundo. Não tinha apreciado o apelido, especialmente porque remetia a Grimhilde, mas não repreenderia Sofia por isso. Ela sabia que incomodava; era só por isso que o usava. Ao ouvir a sugestão seguinte, o Van Schlecht olhou de esguelha para a amiga, temendo onde aquilo poderia levá-los. Ainda assim, não negou. Pelo contrário, assentiu, se levantando, preferindo colocar um braço sobre os ombros alheios do que pegar a mão estendida que encarou por um segundo. ‘ Você faz parecer fácil ’ riu brevemente, enquanto caminhava. ‘ E a menos que a Diegese tenha desaparecido magicamente, vamos ter trabalho ’
—— 𝐅𝐋𝐀𝐒𝐇𝐁𝐀𝐂𝐊 (anti-baile)
Poucos tinham o privilégio de receber algum afeto de Hænning, e Sersak era um dentre esse grupo seleto de pessoas, por isso, nem mesmo os últimos encontros entre eles a impediam de ser carinhosa. Era um alívio, ainda, que o mais velho se mostrasse tão receptivo — nunca precisaram de uma cena, afinal. Devido a proximidade, no entanto, o arrepio fora inevitável ao ouvir o rosnado, grave, o ar quente em contato com sua pele fazendo-na encolher sutilmente o pescoço. Era fácil entender porque haviam acabado se deixando levar. ❝ —— Vou levar isso como um elogio. ❞ Declarou, com suavidade, conforme o acompanhava, a diferença de altura fazendo-na passar um braço pela cintura alheia. Talvez ali não fosse o momento ideal para contar à ele que seria pai, mas era o momento ideal segundo a sua coragem. Se deixasse para depois, acabaria deixando a mentira se arrastar por sabe-se lá quanto tempo! ❝ —— Não tivemos problemas em encontrar um lugar da última vez. ❞ Apontou, cessando os passos ao encontrar-se em um lugar mais privado, e esperando que ele fizesse o mesmo. Suas mãos suavam, e por isso a patinha desvincilhou-se dele, secando-as no próprio vestido antes de erguer os olhos para o outro. ❝ —— Sers... ❞ O nome do amigo não chegou a ser terminado, a suavidade deixando o apelido no ar como um engasgo que demonstrava o quanto tudo aquilo estava a afetando. Ela não queria chorar, entretanto, era quase impossível de evitar que as emoções se acumulassem em seu peito, quase como um leão enjaulado tentando incansavelmente se libertar com garras e rugidos que ficavam presos na garganta de Sofia. Tinha de falar de uma vez. ❝ —— Eu até procurei no meu transmissor a melhor maneira de falar isso, mas acredite se quiser, não existe nenhum manual. ❞ Ela brincou, um riso nervoso lhe escapando, conforme se aproximava mais da parede, preocupada com mais alguém ouvir aquilo, mesmo que o som abafasse a conversa. ❝ —— Eu estou grávida, e para que a conclusão seja mais rápida, você é o pai. ❞ Despejou, respirando aliviada ao, finalmente, compartilhar da informação com ele.












