depois de anos acostumado à cura solitária, chega o momento da cura coletiva.
entre conversas e cotidianos vividos, me dei conta de que pessoas também nos curam. e precisamos permitir isso.
sou uma pessoa acostumada à não compartilhar questões, vulnerabilidades e dificuldades em minha vida, embora tenha melhorado bastante nisso. e perceber que preciso permitir que o amor das pessoas me cure, me assusta. me coloca num lugar muito passivo, me faz perder o controle. me faz questionar se sou capaz de permitir que o amor dos outros me cure.
sempre precisei do meu tempo e do meu espaço para lidar com minhas questões internas. é importante pra mim. embora houvessem pessoas que queriam compartilhar disso comigo, sempre fiz questão de ser algo só meu. e acho que é isso que me assusta.
eu preciso de algo que seja somente meu, sabe? que seja tão meu que ninguém tenha acesso. para que eu tenha a leveza de respirar e saber que aquilo me pertence. se eu compartilhar, deixa de ser meu e se torna nosso. será que eu preciso aprender a soltar as coisas e entender que tem coisas que de fato são mais fáceis quando compartilhadas?
eu tenho dificuldade de admitir minhas fraquezas, minhas necessidades e vulnerabilidades até pra mim mesmo, quem dirá para o outro. isso é um problema, eu sei. tenho me escancarado para o mundo, aberto meu coração, mesmo depois de tantas frustrações, e está me fazendo muito bem. porém, ainda tenho medo. eu tenho medo de terem paciência para lidar comigo, me entenderem, me acolherem, me abraçarem. medo de ouvir que está tudo bem, e que independente das coisas permanecerão comigo. tenho medo de ser ruim, ser insensível, grosso, escroto, duro com as palavras e mesmo assim alguém ainda ficar. tenho medo que as coisas deem certo. tenho medo que tudo fique bem no fim. tenho medo de me verem como sou por inteiro. com tantas falhas, acertos, choros presos, emoções reprimidas. verem como sou humano. eu não sei lidar com isso. esses dias um amigo meu me descreveu como um "porco espinho"... eu nunca me vi dessa forma. mesmo inconscientemente, com todas as minhas evoluções, eu ainda sou a pessoa que tem medo de ser vista por dentro.
o que acontece quando se é visto? é estranho eu perguntar isso, porque eu sou visto o tempo inteiro. inclusive por esse amigo. e tantos outros. e eles continuam aqui. as pessoas me leem assim como eu as leio. eu acho que em muitos momentos eu me preocupo em ter o controle de como as pessoas me veem. sobre o que pensam de mim. e eu sempre achei muito fácil conquistar e agradar as pessoas, acho que aprendi a fazer isso muito bem.
sempre precisei ter o controle das coisas. eu preciso saber como as coisas vão acontecer. sinto que preciso largar o controle. preciso agarrar a coragem de não ter mais o controle. preciso me permitir ser tudo que eu sou. mesmo ruim. mesmo porco espinho.
acho que só assim eu serei amado de fato. não pelos outros, mas por mim mesmo. eu me amo, mas preciso me amar com mais honestidade. sempre acolhi minha luz, mas preciso acolher minhas trevas. só assim o eclipse acontecerá.
por isso que é um fenônemo da natureza.



















