Andava pela casa tão focada no telefone em suas mãos que quase não reparou no jovem que se aproximara, arregalando os olhos levemente em surpresa. De forma automática, tirou os óculos de leitura que lamentavelmente precisava usar para enxergar alguma coisa naquela telinha e sorriu para ele. “Bonsoir, querido!”, cumprimentou, depositando um beijo em cada bochecha. “Ele contou sim! Such a delight. Ele soa como uma pessoa incrível, gostaria de também ter tido a oportunidade de conversar com o responsável pela criação de um rapaz tão gentil. E não se preocupe, tenho certeza que terão outra oportunidade”, apesar de nada teoricamente impedir que aquilo acontecesse, a Lefèvre não conseguiu evitar a sensação de que o que dizia não seria possível, embora não soubesse muito bem o porquê. Tentar entender lhe rendeu um calafrio, então resolveu mudar um pouco o rumo da conversa. “Ah, eu queria agradecer de novo pelo presente de natal, foi muito atencioso de sua parte. Você tem muito talento”, elogiou de forma sincera. Por ser alguém que também trabalhava com arte, Annelise entendia mais que ninguém que arte era muito além de talento, e Miller era realmente bom no que fazia. “Which reminds me...”, começou, vasculhando a sala com os olhos a fim de lembrar onde deixara o objeto, “Valentin também me contou que hoje é o seu aniversário! E achei justo retribuir o presente”, sorriu, encontrando o caderno em cima da cristaleira. Tinha que parar de largar as coisas pelos lugares enquanto estava distraída, pensou, se repreendendo mentalmente. “Sei que parece um pouco velho... porque é”, riu sem jeito, passando os dedos pelas bordas surradas do caderno, “mas é um sketchbook antigo meu. O Valentin rabiscou por cima de alguns dos desenhos – não que tenha sido o único em que ele fez isso”, explicou, sem conter a risada de deleite e automaticamente se sentindo aquecida pela memória. “A maioria das páginas ainda está em branco. Você pode acrescentar seus desenhos, também, se quiser. Espero que goste!”