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Well, para mim você parecia exaltado o suficiente para estourar uma veia, ou como você mesmo colocou, e eu cito, usaria o brinquedo para quebrar seu próprio crânio. – Usou uma imitação claramente exagerada do tom de voz do mais velho apenas para provar seu ponto, ele logo se pegou tentando esconder o riso atrás da mão ao relembrar a cena do homem encarando o brinquedo como se fosse uma arma nuclear. Pigarreou em uma tentativa de se controlar, odiaria que seu humor fosse levado como zombaria, se sua querida mãe pressentisse que ele estava faltando o respeito com os outros, ela jogaria o chinelo com tanta força lá de Chicago que provavelmente o acertaria em São Francisco. – Com estômago vazio faz efeito mais rápido. Sou um millennial, eu anseio a morte mesmo. Mas, wow! Você é médico? – Moveu a cabeça em admiração. – Achei que médicos fossem criaturas mitológicas, nunca vi um. Healthcare é tão caro que evito até passar perto de hospitais, vai que eles me mandam uma conta por respirar. – Parou quando chegou perto do fim da sessão de vinhos, seu lugar favorito, onde os mais baratos ficavam. – Faço comunicação, com alguma matérias extras de estudo de gênero. – Escolheu um tinto suave, não tinha estômago para os outros, a real era que ele sempre gostou de suco de uva, o álcool foi só um bônus que chegou com a maioridade. – Nada prestigioso como medicina, para a total desgraça da minha família asiática.
“O que você acredita ser exaltação, eu vejo como rotina. Infelizmente tendo a ficar um pouco dramático quando estressado.” Explicou. Limitou-se a erguer uma sobrancelha diante da imitação, deixando escapar um som de desagrado, embora estivesse longe de estar ofendido. “Seria mais fácil se jogar na frente de um carro. E bem, sou médico de formação e ex legista. Atualmente trabalho como agente funerário.” Explicou. Sentia um pequeno orgulho de si mesmo quando falava sobre ter conseguido sobreviver à faculdade, mas o sentimento ia embora assim que se lembrava da atual situação, sem poder exercer o que amava. “Sou obrigado a concordar, mas não faço muitos comentários sobre isso. Outro dia me chamaram de comunista. Acho que foi culpa da barba...” Ou da polarização espalhando-se pelo mundo. Ou simplesmente porque algumas pessoas amavam classificar latinos desse jeito. Ezequiel balançou a cabeça para se livrar de pensamentos desagradáveis, direcionando o olhar para a garrafa escolhida por Jun. “Estudo de gênero? Parece interessante. Eu não sabia que já tinham incluído no currículo universitário. Como está sendo até agora?” Comentou. Ele provavelmente teria maior curiosidade para estudar sobre se fosse mais jovem, mas Ezequiel acabava não tendo tanto tempo livre nos dias atuais, ainda mais pela dificuldade em sair de casa durante horários socialmente funcionais. “Medicina é overrated pra caralho. É só um curso.” Deu de ombros. Era difícil, sim, porque envolvia cuidar da saúde de outro ser vivo e alguns materiais caros demais, mas não era razão para retirar o valor de outras carreiras igualmente importantes para a sociedade. “Não me diga que eles queriam que você cursasse medicina ou direito... Não sei, mas não consigo te imaginar no meio de uma família tão tradicional.”











