Nos últimos dez minutos, Misha tentava se livrar da insistência de um idiota que lhe seguia. O rapaz se aproximou duas vezes com uma tentativa falha de conversa fiada quando tudo o que Misha queria, era continuar tomando seu sorvete em paz. O corpo balançava levemente ao som da música que tocava e os olhos tinham sido fechados, por isso não percebeu a terceira aproximação do imbecil. O corpo do mais alto roçou em suas costas, as mãos dele em seu quadril e essa foi a gota d'água. Comendo o último pedacinho da casquinha, segurou uma das mãos alheias e virou o braço dele com força para as costas, chutando-lhe a parte de trás dos joelhos dele para que o derrubasse no chão. Meio inclinado, levou o pé direito com a bota pesada para ser posto na base da espinha do homem que agora tinha o rosto no chão e reclamava com a dor. ’ ——— Quando alguém disser uma porra de não, você vai embora, seu filho da puta.’ torceu mais os dedos do desconhecido antes de soltá-lo, endireitando postura. Se o outro tinha se deixado levar pela forma como Misha se vestia ali, cometeu um erro imenso. Fazendo apenas nove meses de estar fora do exército, ainda se encontrava com os reflexos apurados. A adrenalina lhe agitava agora e foi só por olhar ao redor que percebeu um rostinho conhecido. ’ ——— Eu deveria só ter chutado ele no saco?’ indagou um tanto sem jeito. ’ ——— Ou foda-se, tinha algum código pra chamar policiais e resolver sem brigas?’
A bem da verdade, Dawn gostava mais de assistir o desfile em um canto mais sossegado, onde podia ver as atrações e se divertir com as apresentações, fantasias e performances. Estava acompanhando tranquilamente um dos trios, sempre na lateral para que ficasse longe da balbúrdia do centro, quando percebeu um padrão estranho - intuição que herdara dos anos no meio militar e que parecia que jamais perderia. Não demorou muito para enxergar o que havia de errado - um rapaz parecia estar seguindo outro, que dançava em meio à multidão. Quando a situação pareceu ultrapassar o limite do aceitável, Dawn caminhou até o local, pronta para intervir, mas o outro homem logo mostrou não precisar de qualquer ajuda para se defender. A ex-fuzileira, então, limitou-se a chamar a atenção de um policial, apontando o assediador para que ele fosse retirado da celebração. Ela sorriu para o rapaz diante da pergunta dele. “Talvez. Seria o certo, mas nem de longe tão prazeroso.” Respondeu. “Há quanto tempo está fora do serviço?” Ela reconhecia um ex-militar quando via um - os movimentos que ele fizera não pareciam ser de alguém que simplesmente tomava aulas de defesa pessoal.









