d’orleans, l.
Não se lembrava de já ter estado tão nervosa e sem saber ao certo o que fazer antes, em todos aqueles anos de vida sempre fora muito determinada e destemida, talvez tenha ficado nervosa na primeira vez em um palanque, na sua primeira vez com Dean, mas nenhuma dessas vezes chegava perto do que estava sentindo naquele momento. Seu coração batia tão forte e rápida que poderia acreditar que ele pularia para fora e cairia em cima do balcão a qualquer momento. Suas bochechas não paravam de doer do tanto que sorria, sentia-se feliz de uma forma única, Nicolas não era o motivo principal do sentimento, mas era uma parte importante dele. Também sentia-se grata de várias formas, o sentimento de gratidão não era algo comum a si, não foi criada para agradecer e sim dar ordens, a seleção a transformou e muito daquilo foi devido ao príncipe suíço (que provavelmente não fazia ideia de tal coisa).
Percebeu a falha no sorriso dele quando a reconheceu, poderia jurar ter sentido o corpo estremecer quando seus olhos encontram-se brevemente antes dele virar-se. Será que ele iria ignorá-la? A pontada de decepção foi inevitável, mesmo que não estivesse esperando uma recepção calorosa… Na verdade nunca soube o que esperar realmente, Nic sempre fora uma incógnita para si, jamais conseguiu prever qualquer reação dele, mesmo quando se esforçou para pedir desculpas e até mesmo lhe revelou que sentia a falta dele. As reações dele na época a deixaram mais confusa e com raiva, por um tempo pensou em desistir dele completamente, era difícil dizer o que realmente a levou até ali, o que a fez ir atrás dele, depois de tantos… problemas. Talvez ela só quisesse provar a ele que era diferente, que estava diferente. Nem mesmo Léonie saberia dizer, ela apena sentia que devia algo a ele, uma explicação, uma declaração… Talvez estivesse sendo teimosa por ele ter partido quando ela o quis tão profundamente que quase a destruiu. Sentia que devia a si e a ele uma tentativa, não poderia dizer uma segunda chance, porque ele poderia simplesmente não querer.
Se perdeu em pensamentos no pequeno instante que achou estar sendo ignorada, piscou breve em confusão quando ouviu a voz dele. O sorriso era o mesmo, mas podia ver algo diferente ali, então percebeu uma coisa que a fez baixar os olhos e rir fraco. Ele estava mesmo fingindo que não a conhecia quando esteve claro instantes atrás em seu olhar que ele a reconheceu? “Cocktail, por favor” Respondeu debruçando-se no balcão, sem tirar os olhos dele, observando todo os seus movimentos, não apenas por estar curiosa, Nicolas sempre foi alguém interessante e… bom de se olhar, não que ela tenha admitido isso rapidamente para si própria, demorou uma eternidade. Ele continuava belo como sempre, sexy com sua forma espontânea de se expressar, ainda que percebesse algo diferente, como se o suíço estivesse se contendo.
Não explicaria que já fazia muito tempo desde a última vez que tinha bebido de verdade, a ponto de temer e praticamente ter certeza que sua resistência ao álcool estava beeem fraca. Durante todo aquele tempo fez de tudo para agilizar o quanto antes toda a reforma política francesa, também fez terapia e tratou de alguma coisas que precisava, precisou tomar remédios que não podiam ser misturados com bebidas alcoólicas e aos poucos fora perdendo o hábito.
Alguém esbarrou em si enquanto esperava a bebida, espalmou as mãos no balcão para impedir o tropeço dos pés e logo sentiu uma mão em seu ombro. Ao virar a face notou um rapaz com sorrindo presunçoso. “Pois não?” Inclinou levemente a cabeça para o lado, questionando-o com o olhar, quase como se o desafiasse. “Você é tão linda que poderia ser a minha rainha”. O centro de suas sobrancelhas se enrugou, estava quase incrédula, ele não parecia tão bêbado. “Eu sou a minha própria rainha, não tenho interesse em ser a de alguém”. Respondeu com diversão, voltando-se novamente para o balcão, tinha acabado de apoiar os antebraços quando sentiu a mão do homem quase na sua. Agora ela estava começando a ficar irritada. Retirou o braço fazendo o outro se desequilibrar. “Não estou interessada”. Sua voz agora era mais firme, seria pedir muito uma noite sem confusão?
Ainda estava bem incrédulo que a princesa da França encontrava-se ali, naquele bar, em Budapeste, sem nenhum tipo de segurança. A cabeça de Nicolas estava a mil com a razão pela qual ela estava ali e, não queria ser presunçoso, mas de todos os bares em Budapeste, não tinha outra razão para ela estar naquele bar especificamente se não fosse ele. Não que ela tivesse dito algo, mas até mesmo ele gostando de destinos e conspirações, aquilo era coincidência demais. Ele achou que tinha sido claro quando deixou a França ─ não queria saber de Leónie. Ele não tinha necessariamente falado aquilo com todas as letras, mas sair do país parecia um anúncio suficiente. Além disse, ele havia dito para ela que não iria ficar em segundo lugar pela coroa, certo? Nem mesmo pelo coroa. Ela deveria saber suficiente agora para saber que Nicolas estava cansado de ser a segunda opção atrás de ser princesa ou rainha. Foi por isso que ele saiu dessa vida de realeza, para ter alguém que se importasse com ele, e preferia ficar sozinho do que continuar em segundo plano.
Além disso, fazia um ano. Mesmo se antes pudessem ter assuntos inacabados, o tempo havia passado e Nicolas certamente havia deixado as feridas se curarem ─ algumas vezes com um ou dois ajudantes durante a noite. Ele não conseguia ver uma boa razão para reviverem tudo aquilo, todas as dores. Ele certamente não queria abrir as feridas antigas que para ele eram profundas demais. Nicolas especialmente tinha feito questão de se distanciar. Ele não conseguia ver uma forma que ela pudesse falar ou explicar que o fizesse se sentir melhor. O problema era que bastou ele olhar novamente para ela para entender que o nó ainda permanecia em sua garganta, sua mão ainda suava levemente e seu coração parecia bater mais forte. Ele ainda estava apaixonado, só preferia não admitir.
Dean havia respeitado seus desejos ─ ele não falava de Leónie. Sua família era mais teimosa, o que rendia Nicolas desligando várias vezes no meio da ligação com sua mãe. Mas era inevitável ─ uma hora ou outra eles iriam se encontrar. Nicolas só esperava que fosse alguns bons anos depois que ele estivesse casado (talvez).
Baixou o olhar como se não pudesse mantê-lo por muito tempo ao dela e começou a juntar os ingredientes para que pudesse fazer o pedido dela, antes de se dirigir novamente, “──algum pedido especial?” Continuou, como se nada tivesse acontecido e virou-se para pegar algumas garrafas.
Apesar de estar de costas para fazer o drink dela, Nicolas conseguia escutar tudo. Ele teria preferido sair de sintonia, esquecer que ela estava ali ─ se pudesse, teria saído correndo em geral. Mas ele tinha uma responsabilidade com seu emprego, com as pessoas que estavam ali, então tudo que podia fazer era fingir que não a via (ou não conhecia) e fingir que não conhecia aquela conversa.
Ao menos ele nunca tinha usado uma cantada tão grotesca.
Nic colocou o copo na frente de Leonie e, com sua mão livre, ele segurou a mão do homem que aproximava tentadoramente da dela, “──ela disse que não está interessada,” falou, começando a torcer a mão do homem para fora, “então eu acho que está na hora de você ir embora.” Ele nunca foi de arrumar confusão (bem, confusão normalmente encontrava ele), mas ele não iria admitir o assédio junto dele, nem mesmo quando ele queria ignorá-la. Aquela não seria a primeira vez que ele expulsaria alguém do bar por está sendo inconveniente com alguma mulher. Não que ele fosse completamente inocente, provavelmente já tendo sido incrivelmente inconveniente, mas quando ele notava, ou podia, certamente ele ajudava com que elas se sentisse ao menos um pouco confortável. E não era como se ele tivesse gostado de ver alguém dando em cima dela. Ao menos ela mesma tinha falado não, então ele não precisava se sentir um idiota de não querer que ninguém se arriscasse com a princesa, quando ele queria fazer de conta que ela não existia ─ e refletindo com ele mesmo, ele entendia exatamente porque Viktoria o chamava de infantil ou idiota. Que bom que ela não estava ali para ver quão patético ele estava sendo, mas ela poderia chegar a qualquer momento. Ele empurrou o drink mais próximo, “aqui está.”











