Já era esperado que WOLFGANG LANCASTER, viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ele é um NOBRE vindo da ESPANHA. Não que seja elegante perguntar, mas sei que ele já conta com seus TRINTA E NOVE ANOS, e não esconde a fama de CÉTICO, mas é sabido que seu lado AUTODISCIPLINADO compensa. Se não tivesse sangue azul, eu diria que é um descendente direto de THEO JAMES, porque não poderiam ser mais idênticos!
❛ ៹ — HEADCANONS
Há muito tempo atrás, uma família azul foi interceptada durante o trajeto de carruagem. O plano traçado meses antes para melhor aproveitamento dos envolvidos e do dinheiro prometido. Uma mensagem para o mundo, esperavam passar... Mas o silêncio da tragédia acabou transformando tudo numa fuga desesperada sob o choro insistente de uma criança jovem demais para entender o que acontecia.
Wolfgang foi o nome dado assim que a criança parou de chorar, batizando pelo alemão responsável pelo 'plano de escape'. E, infelizmente, foi o único que se sentiu na obrigação de explicar o que aconteceu quando este tivesse maturidade para entender. Nenhum dos vermelhos queria a criança azul no bando, mas nada podiam fazer. A família chorava pelos mortos e caçava-os em nome da vingança.
"Você é um deles, garoto. Não sangre." O alemão sussurrava no ouvido do garoto com insistência crescente, o aniversário de 11 anos ali na esquina. "Cabeça baixa e cuidado." Desde cedo ensinado a respeitar e obedecer, não reclamar contra aqueles que lhe deram roupa limpa e teto sobre a cabeça. E para quem não tinha nenhum outro exemplo de vida, aquela verdade bastava.
Porém... A felicidade crescente do alemão na progressão dos dias estouro de forma dramática no quinto ano após 'a revelação'. Wolfgang tinha 16 anos e nenhum sinal de habilidade à vista. Tão saudável e firme quanto um touro, ainda mais vigoroso do que aquele bando em seu auge. Chegava até a se convencer de que não era azul, só um defeito no sangue com aquelas proteínas e vitaminas que não tinha acesso. Mas veio...
O automóvel de fuga capotou no meio da estrada e os jogou para fora da rodovia. Metal rangendo, vidro estilhaçando, atrito lançando fagulhas em roupas inflamáveis. Quando o mundo respirou pela primeira vez, o cheiro de sangue era nauseante. O alemão viu seus companheiros mortos, pendurados e espalhados pela área onde tinham parado. E ele viu... Wolfgang arrastando para fora coberto de cortes, roupas ensopadas de sangue, um braço pendente e um talho na batata da perna esquerda. Viu o rosto contorcido de dor ao se levantar e viu quando tudo começou a remendar sozinho. O estalo do osso assustou aos dois e ele, coração não aguentando dentro do peito, conseguiu exprimir uma palavra: esconda, antes de sucumbir ao ataque cardíaco fulminante.
Wolfgang não era mais integrante de um bando de vermelhos bandidos. Não era mais aquele moleque que ninguém queria por perto. Num piscar de olhos ele precisou virar alguém e nunca foi tão assustador decidir tudo na meia hora que as autoridades chegaram para entender o que tinha acontecido.
Ah, sequestro malsucedido. A história saiu atropelada e confusa, uma miscelânia de conversar internas com a pressa de juntar todas as pérolas de conhecimento numa linha do tempo plausível. Os homens entenderam como estresse extremo e confusão pelo trauma, mais preocupados com o sucesso de capturar o bando procurado do que dar um fim ao azul confuso. Wolfgang seguiu sem questionar, caindo por entre as frestas do sistema com a habilidade adquirida nos tempos de bandidagem.
O porte atlético com o rostinho bonitinho atraiu a bondade das mulheres mais velhas. Viúvas com muito tempo livre e muito amor para dar. Afinal, quem não queria ter um garotão desses sob sua responsabilidade? Wolfgang ganhou nome, ganhou história. Um sobrenome, um futuro para qual almejar; com o mesmo baixar de cabeça manso e determinação voluntariosa. Ele seguiu o fluxo, dançou conforme a música, interpretou o papel direitinho.
Mas...
Após uma viuvez difícil de explicar e uma mudança repentina de 'ares', Wolfgang se vê em mais um desafio complicado de escapar: Althara.
❛ ៹ — PODERES (para azuis por enquanto)
Fisiologia curativa: o corpo de Wolfgang é o santo Graal para cientistas e pesquisadores. Isso é, se soubesse da sua existência. As doenças não duram muito tempo, repetição das mesmas ficando cada vez mais curtas (ao ponto de nem encostarem). Nenhum olho roxo, arranhão que somem com o bater da poeira ou um banho caprichado. Por muitos anos, ele acreditou ter uma saúde ímpar. Ou ossos flexíveis demais. Ou uma maldita sorte. Contudo, a extensão das suas habilidades (e existência da mesma) apareceu quando deu para explicar. A habilidade o protege de tudo, adaptando-se a cada ameaça com a facilidade de quem pisca os olhos. Sem contar com um rostinho etéreo (leia-se conservado). Discretamente vem testando outros limites, juntando mais algumas peças, e percebeu que essa habilidade também afeta os outros. Através da intenção, através do contato, através do sangue... Ainda está explorando, trabalhando na resistência para sustentar a energia cobrada em preço, mas... Para todos, as mãos cobertas com luvas mascaram o dom divino no trágico toque amaldiçoado.








