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@frasear1
Eu amo tudo o que foi Tudo o que já não é A dor que já me não dói A antiga e errônea fé O ontem que a dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? E agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho. Já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode. A noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
Carlos Drummond de Andrade. (via s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r)
Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas. Quando empedernir, esquecido de toda a humanidade da vida, ficará entre as loiças, como inútil souvenir ou peça de mesa para uma festa que nunca acontecerá. Terei sempre pena dele. Estará como um animal antigo que perdeu a qualidade dos novos dias. Sem visitas. Será apenas a humilhação entristecedora de todos os afetos. Poderei, nas arrumações, preparando alguma partida, aligeirando os fardos, deixá-lo no lixo para que a natureza o recicle com as suas ganas aturadas de recomeçar tudo. Até lá, a minha coragem assume apenas a evidência de que somos matéria morrendo. Começarem morrendo pelo coração. Gostarei sempre dele, como se gosta do que está extinto, sejam os dragões, os anjos ou as distâncias. Histórias de coisas que não voltam. O meu coração sem visitas perderá a memória e, quando nos separarmos de vez, certamente será mais feliz. Se me perguntarem, direi que nasci sem ele. Jurarei e mentirei sempre. Talvez, depois de esquecido, sirva de ocarina e possa com ele tocar canções. Um coração por ocarina faria todo o sentido do mundo. Pudesse esse ser o destino de cada um, amadurecer assim o coração. De percussão a instrumento de sopro. Ensaiar uma melodia até o fim. Ter uma melodia por identidade e deixá-la a alguém que a aprendesse. Quando não existíssemos, estaríamos suficientemente no som. Bastaria o som para impedir que a morte fosse tão exagerada. Talvez quem aprendesse a canção pudesse também guardar-nos as paixões. Pousá-las ao pé de si. Dizer: esta ocarina é bonita. A morte seria só bonita. Uma coisa de ouvir, contra o silêncio insuportável.
Valter Hugo Mãe - "A Desumanização" (via cinzentos)
Mesmo que a prosa tenha transmutado poesia ou o amor se tornado melancolia, o mundo não parou. Mesmo que a plantação tenha secado ou meu pileque acabado, o fim não chegou. Mesmo que eu tenha ido embora ou o dentro virado fora, o dia anoiteceu. Por fim, nada importa, pois a vida é essa estrada torta, onde toda multidão um dia já se perdeu.
Não é o fim do mundo (ainda). (via livreria)
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo.
O Teatro Mágico (via amarelices)
Desculpe Estou um pouco atrasado Mas espero que ainda dê tempo De dizer que andei Errado e eu entendo.
Nando Reis (via invirbus)
o telefone continuava tocando. atendi. “alô?” “EU TE AMO!”, ela disse. “obrigado”, eu disse. “é tudo o que você tem pra me dizer?” “sim.” “vá à merda!” ela disse e desligou. o amor se esgota, pensei…
Bukowski
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles (via penejar)
Não sei por que, sorri de repente, e um gosto de estrela me veio na boca. Eu penso em ti, em Deus, nas voltas inumeráveis que fazem os caminhos… Em Deus, em ti, de novo… Tua ternura tão simples. Eu queria, não sei por que, sair correndo descalço pela noite imensa.
Mário Quintana (via cirandices)
"You can't really escape from yourself."