02/05/22
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@fromlovetolustt
02/05/22
Do que eu fui
Do que eu já não sei mais se sou
São epifanias, são pequenos momentos que a gente enxerga a si mesmo. E daí tudo muda. Claramente eu falo de uma mudança interna, quase nunca física. Mas eu comecei a pautar minhas mudanças internas de forma mais firme. Quase sempre depois de um lapso desses eu corto meu cabelo. Quero me respeitar mais. Acredito que hoje eu já faça isso com mais frequência. Mas como é duro sustentar que do nada eu fico diferente. E fico mesmo. Mudo meu tom de voz. Mudo minhas decisões. Cesso choros.
E no fundo eu só espero que meu coração aguente quem eu sou, quem eu tento ser, quem eu amo, quem eu deixo chegar por aqui. No final eu só espero que ele entenda que eu sempre procuro dar o meu melhor e que se eu não sinto o retorno, nós precisamos lutar pra nos reconstruirmos e seguirmos por um novo caminho. Algumas vezes completamente novo, outras apenas com uma nova versão minha. Uma versão que não entende tudo, mas que já entende que tem coisas que são absurdamente necessárias pra mim. Atitudes importantes. Palavras que não me deixem na corda bamba comigo mesma. Que entende que o equilíbrio é extremamente importante. Que tá tudo bem um milhão de coisas, mas que outras não tem como aceitar.
Cansada
Do teu amor
Que me abraça sempre
Onde eu sinto que poderia ficar, onde eu não abro os olhos desesperada pelo fim, onde eu encontro o que eu sempre quis, onde encontro calma, onde eu não saberia explicar o que tu trouxe.
Obrigada pelas gargalhadas absurdas, pelo banho tranquilo de quem se conhece e não tem nada pra esconder, do beijo de amor de quem sabe que a felicidade tá ali.
Obrigada pelo olhar, que me incendeia, que me acalma, que me faz feliz. Pelo abraço que conforta. Por ensaiar a melhor posição pra dormir. Por ter me aceitado tantas vezes, mesmo depois de tanto tempo.
Da calma que eu nem sempre lembro que tenho.
Existem duas versões minhas muito distinguíveis. A calma, e a preocupadíssima (digamos assim na ausência de um adjetivo melhor). Quem me conhece sabe que minhas versões são perceptíveis. O sorriso largo de quem jamais teve a paz perturbada, e o surto de quem tem todos os problemas do mundo, mesmo que tem me conhece sabe que na maioria das vezes é tempestade no copo d’agua. Eu demorei pra perceber que a minha versão preocupada me atrapalhou inúmeras vezes. Eu demorei pra perceber que é possível ser a versão mais calma na grande parte das vezes.
Mas quem já passou pelas preocupações que eu crio consegue entender que quase tudo vem do jeito que me criaram. E admitir isso não é algo que a gente consegue de um dia pro outro. Demorou tanto tempo pra eu perceber que não preciso atingir as expectativas de ninguém além de mim. Demorou pra eu entender que tá tudo certo estar feliz enquanto outras pessoas não estão. Que tá tudo certo eu sentir absurdamente mais do que os outros. Sentir mais ou ter a necessidade de expressar isso? Eu não guardo mais meus ressentimentos. Eu falo sobre eles pra que assim eu consiga me livrar o mais rápido possível do que me incomoda. Eu gosto das coisas resolvidas. Eu gosto da clareza. Eu gosto de olhar no olho quando converso com alguém. Porque assim eu posso sentir as intenções.
Eu demorei pra perceber que minha intuição não costuma falhar. Quem me conhece sabe que ler alguém é muito fácil pra mim. Que eu sinto na voz, na linguagem corporal. no ar quando tem algo errado. Água não se represa, ela sempre precisa de um escape. E assim tem sido.
E ás vezes jogada no meio do oceano que me puxa pra baixo, eu levanto e saio caminhando com a calma que só alguém que entende que transbordar é essencial consegue. Eu tenho ficado menos tempo me afogando, finalmente.
Sobre urgências que eu carrego em mim
Tudo precisa ser pra agora, se eu quero preciso sair pra jantar hoje, conversar hoje, amar hoje. A espera me desgasta. A incerteza. A insegurança. O pensar e repensar. O ter a chance de desistir. É como se sempre fosse injetado em mim uma dose de paixão. Arrebatadora. E se eu não cuido os meus sentimentos vem assim. Em enxurradas. Prontos pra me levar.
Me fita que eu gosto de me enxergar por dentro do seu olho, é tão bonito de lá.
Anavitoria. (via esgotada)