「 — △ ❛ Desde criança fora incentivado pelos progenitores a investir nas causas em que acreditava. Fosse um investimento monetário, visto que recebia certa quantia mensalmente para uso individual, ou um investimento de si mesmo, de seu tempo. Sendo assim, sempre o fizera, expressando sua opinião sobre assuntos decisivos desde cedo e investindo como podia em tudo aquilo que acreditava ser certo. Talvez, por ser assim, o povo acreditava que seria um bom monarca quando assumisse a posição que lhe era de direito. E por ser como era, não demorou para buscar uma solução quando notou a injustiça que era feita com as proles de vilões. Eles não tinham culpa do passado dos pais, afinal. Antes de tomar qualquer decisão, porém, trocou cartas com a mãe, pessoa à qual sempre buscava para lhe aconselhar, e a resposta fora algo corriqueiro da rainha, com certo que de pedido. "Faça o que o seu coração mandar, visto que eu e seu pai, graças ao peso da coroa sobre nossas cabeças, não fomos capazes de fazer isso." Motivado, portanto, pela resposta e súplica implícita na resposta da rainha, não demorou para traçar um plano, que fora compartilhado com a irmã e logo alcançou todos aqueles que se diziam fiéis a causa também. Encontrar um navio que os levaria até Forsaken não foi um problema quando informou a quantia pela qual estava disposto a pagar. Porém, estrategista e cauteloso como era, talvez até um pouco controlador visto que considerava todos os possíveis imprevistos, informou que pagaria metade antes da viagem e metade após o regresso à Ethereal, e como os mercenários não tinham como argumentar, o acordo fora aceito. Sendo assim, ao calar da noite, eles partiram, visando chegar à Forsaken ao amanhecer. A viagem pelas águas fora de um calmo balançar, a brisa marítima o deixando com mais frio do que o habitual, tal como a sensação incômoda que o preenchia fazia com seu ser. Parecia um aviso para se manter longe, mas era ignorado por Zephyr a cada nova ajeitada do casaco sobre os ombros, ou esfregar das mãos. O ponto alto da navegação fora quando descobrirá Rowenna em meio a tripulação. O frio que parecia sentir até o momento sendo substituído subitamente pelo calor, pela ira. Havia sido específico ao deixar a garotinha sob responsabilidade do Dalgaard, e mesmo a conhecendo, conversaria com o garoto após regresso. Ao acalmar-se, não que houvesse ficado tempo demais irritado com Dolores afinal não conseguia, ordenou então que ela ficasse ao seu lado a todo momento. Mas ele a conhecia como um pai conhece a cria, e bastou que o navio ancorasse na ilha para o entusiasmo da criança guia-lá para fora dele, consequentemente para longe de Zephyr. Ao notar tal fato, porem, o docente se colocou atras dela, mas o corpo miúdo a favorecia no desviar da multidão, enquanto seu corpo, coberto pelo grosso casaco, levava mais tempo para esquivar-se dos que caminhavam para dentro do navio. — Snowflake, pare! — A voz soava mais como um pedido do que uma ordem enquanto acompanhava com o olhar a garotinha adentrar cada vez mais a ilha. O coração martelava impiedosamente contra o peito, preocupação visível em íris azuis. Os cabelos finos e avermelhados da criança esvoaçavam enquanto ela corria dele, e Zephyr poderia dizer que ela estava rindo, mas sequer tal suposição o fazia relaxar. — Rowenna Dolores Fitzherbert, pare agora mesmo ou ficará de castigo! — A voz soou mais dura, porem, ainda sim era carinhosa. Poderia não ser a garotinha sangue de seu sangue, mas era cuidado como tal, sendo assim, ele já havia a colocado de castigo algumas vezes e não via o porque de não o fazer novamente se necessário. A curiosidade da criança parecendo sempre a colocar em encrencas. Esgueirou-se de outro corpo, estando à poucos metros dela. Se apressasse um pouco mais o passo seria capaz de tocar-lhe o ombro e então, fazê-la voltar para o barco de onde não deveria ter saído. Braço esquerdo esticou-se, encontrando-se a poucos centímetros da mais nova quando, abruptamente, fora retirado do encalço de Rowenna sem entender nada. Havia sido puxado, surpreendido por um par de mãos que lhe tampavam os lábios. Reação instintiva de Zephyr o fizera elevar as mãos aos pulsos alheios, fechando-se na volta da derme que não lhe pertencia com força, a fumaça esbranquiçada como a névoa escapando do espaço quase inexistente entre as dermes. O gelo estava sendo criado ali. Contudo, bastou que olhos de ficassem na figura que lhe rendia, tal como reconhecer a voz da aluna, que afastou as mãos imediatamente, implorando para que o contato houvesse sido pouco demais para causar algum dano à morena. Esperou que ela retirasse as mãos da frente de seus lábios, possibilitando a saída de sua fala, porem, antes de se fazer ouvir, respirou fundo. — Me perdoe, mas porque me abordou assim? — A dúvida beirava a irritação, o olhar sendo direcionado ao espaço pelo qual outrora seguia Rowenna, que já deveria estar longe aquele momento. Voltou íris para a Madhami, os olhos emanando uma frieza raramente exibida pelo Frost. — Viemos resgata-los antes que o mal aqui existente os consuma por dentro. — Sentença beirava a indireta, encontrando-se o docente levemente irritadiço por ter perdido a filha das vistas. Suspirou, olhos novamente recorrendo ao corredor onde se encontrava antes de ser abordado daquela forma por Naseem. — A Rowenna, por favor. Ela entrou para Forsaken, ela... Me ajude a encontra-la, por favor... 」