Ela voltou com as suas histórias sobre a chuva. As gotas pequeninas, quase como orvalho, que se prendem no cabelo, e deixam a impressão de humidade. Então ela falou sobre dançar. A sensualidade de dois corpos que se sincronizam na emoção, em cada respirar. Que vivem cada gesto, cada movimento, como as ondas do mar.
Ela deu voltas e voltas, no fogo e no gelo. Parou finalmente de se justificar. Correu no impulso, fez o que quis, sem dever nada a ninguém. E quando veio a ternura? Suficientemente meigo para confundir, enquanto caiu um balde de água fria, no meio da timidez, dispersando possibilidades.
Bagunçou ainda mais. Até que ela disse:
Ela viveu um ano dentro de um mês, uma semana, um dia.
Ela vive numa montanha russa, porque precisa de estímulo e paz - precisa de tudo ao mesmo tempo. Vive os altos e baixos da música de olhos fechados, para sentir o som vibrar dentro do corpo. Voa dentro do mundo dos sonhos, trocando entre as cassetes do futuro, presente, passado. Decide de forma pragmática, organizando listas e planos para depois deixar fluir. E no silêncio, ela pensa sobre tudo. Sente tudo. Sem deixar transparecer. Porque se habitou desde pequenina a ser Lua, em Peixes.
Ela parece tão confortável na sua própria pele. Sem filtro. Honesta. Nua. Segura. Crua. Intensa. Sensível. De repente, um furacão que leva tudo à frente. De repente, chora na solidão da sua ambiguidade, sem ninguém ver, sem ninguém ouvir, sem ninguém saber. E quer tanto ser vista…?
Trocamos os sonhos que outrora nos serviram, pela maturidade e responsabilidade de ser adulto. Enquanto fugimos de consequências e fomos ambivalentes com outras decisões, outras emoções. Mas ela ficou lá sempre. Tentando gritar e espernear para ser vista. E ninguém a via. Até que se fez espaço.
Ela voltou com as suas histórias sobre a chuva, porque falaram sobre ela. Ela voltou com as suas histórias sobre a dança, porque a vida lhe devolveu o palco. Ela voltou como um furacão, porque assim tinha de ser. Ela voltou com verdade, porque a pureza corre no sangue.
⁃ Respira… Que não precisas de fazer sentido. Eu para ti, e tu para mim. Assimila. E prometo-te que tudo vai dar certo.