let's play a love game; do you want love or you want fame?
Não foram mais de cinquenta segundos até ouvir o seu telefone tremer na sua barriga, seguido de um barulho agudo e alto de carne sendo cortada. Não estava com um sorriso provocante dessa vez, apenas uma expressão séria e olhos atentos para ler a mensagem que recebera. Suspirou, e começou a digitar.
[TEXTO - 21:23]
jack? quem seria jack? é aquele cara de óculos que vivia tentando dar em cima de você quando eu não tava por perto? mas que menina safada, mal um ano e já tá de escravo novo! ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Mas ele não poderia negar que estava com ciumes. Se mordendo, basicamente, mas felizmente Hope não podia ver. Era um mestre nas mentiras, e mentir pelo celular era muito mais fácil! Dedos rápidos tocavam no mini-teclado, formando outra mensagem e mandando-a rapidamente.
[TEXTO - 21:24]
é que eu sou muito bom em tudo, que as vezes me esqueço que eu sou só um humano patético como todo mundo! e eu sei que você gosta da jaqueta, nunca destruiria uma coisa que lembraria a mim.
Ela, que ainda mantinha o celular em suas mãos enquanto tentava se recuperar do susto que fora encontrar aquela mensagem, deixou-o cair ao senti-lo tremer.
Rapidamente, Hope jogou-se para frente para apanhar o aparelho. Depois de jogar travesseiros para os lados e desarrumar a colcha inteirinha, segurou-o na frente dos olhos e leu.
Ao terminar, tinha um sorriso enorme no rosto. Não era uma mentira, nem uma piada de mal gosto de seu melhor amigo. Aquele texto era definitivamente obra de Kamon. Só podia ser.
Limpando um rastro de lágrima que ousava descer pela sua bochecha, ela digitou uma resposta. Aparentemente, ela tinha mal-entendidos para esclarecer.
[RE:TEXTO - 21:25] fico feliz que se lembre do jack, já que foi ele que me ajudou a te procurar por quase um ano. E ele é apenas meu melhor amigo, idiota.
Hope riu um pouco ao passar para a segunda mensagem. Era engraçado; só percebera realmente o quanto sentia falta dele quando tinha finalmente o encontrado, agora.
Será que tinha mudado muito? Um ano não era quase nada, mas ela mesma tivera um ano conturbado quando saíra do Queens Valley.
Queria vê-lo o mais rápido possível.
[RE:TEXTO - 21:26] ok, kamon, fale o que quiser, mas é melhor vir para londres o mais cedo possível se quer ver sua jaqueta intacta. Não me subestime.
[ TEXTO - 19:11 ] eu não vou escrever um texto enorme e dramático sabe! porque a unica coisa que eu quero te desejar é felicidade e um feliz ano. que você seja feliz, mesmo que não seja comigo como nós pensavamos no vale... uhm. eu te amo. é isso. tchau... eu acho. um dia a gente se vê por aí (e eu quero essa bundinha linda de novo!)
[ RE: TEXTO - 21:15 ] ... se isso for alguma brincadeira de mal gosto sua, jack, eu vou te matar. Mas se for você mesmo, eu só queria dizer que você não faz ideia de quanto tempo eu passei te procurando e logo agora quando eu tinha acabado de desistir você me acha primeiro????? kamon seu idiota eu juro que se você ousar desaparecer outra vez eu destruo essa sua jaqueta estúpida, ouviu???
Ou, era o que parecia ser, pelo lago gigante à sua frente.
Hope segurou seu rifle mais para perto, arrependida de ter se arriscado a ir tão longe. Ela tinha prometido à si mesma voltar para aquele lugar tão bonito, em que as estrelas eram perfeitamente vistas.
Mas... Era longe. E ela estava com uma sensação ruim.
Lá também tinha uma árvore. Como estivera de passagem, não vira como ela era de perto. Mas, agora, quando tinha tempo disso... Aproximou-se do objeto, tocando seu tronco. O sentimento que teve foi triste, sem vida.
"Essa árvore... É falsa?" - Murmurou para si mesma. Mesmo assim, parecia ter algo ali... Vivo.
Tão concentrada em sua reflexão, não percebeu que algo mais, coisas a mais, aproximavam-se dela silenciosamente.
De repente, uma voz.
"Hope."
Reconheceu-a imediatamente.
Como esqueceria dela? Afinal, era seu...
Ela virou-se, e viu um fantasma. Mas não era qualquer fantasma... Tinha forma de alguém muito importante para ela. Arregalou os olhos, chegando para trás.
"L-lucian? O que..." Percebeu o truque barato, e apontou seu rifle naquela direção. "Quem você pensa que é?! Saia da forma do meu irmão, AGORA!"
"Como assim, Hope?" O fantasma sorriu. "Eu sou seu irmão. Sou o Lucian."
"Não brinque com a minha cara." Ela estreitou os olhos. "Meu irmão está em casa, com meus tios. Estão conversando como sempre, comendo a comida da minha tia,e preocupados comigo. Agora saia já da forma do meu irmão se não quer ser morto."
"Como assim, Hope?" O fantasma riu. "Eu já estou morto."
Ela tremeu um pouco, mas manteve sua posição.
"Ah, não tente se enganar." Ele se aproximou mais. "Eu estou morto, Hope. Lucian... Está morto."
"Não." Ela respondeu.
"Não minta para si mesma." Ele falou, e ela pôde jurar que mais vozes falaram também. "Só se lembre. Se lembre de como chegou aqui...."
Ela arregalou os olhos. Algo parecia estar quebrando em sua cabeça, algum tipo de proteção.
A tinta branca que cobria suas lembranças se dissipou.
As memórias turvas tornaram-se visíveis, ao mesmo tempo que os espíritos da melancolia do lago uniam-se para rir junto da garota. O que tanto queria esquecer... estava lá para assombrá-la.
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"Lucian, já disse que não vou." Uma Hope emburrada, em seu quarto, sussurrou para o meio irmão que infiltrara lá.
"Ah, vamos!" - Ele insistiu. "Dissemos que iríamos uma última vez caçar na floresta antes de nos mudarmos para Londres, lembra?"
"Eu sei, mas..." Ela suspirou. "Nossa viagem é amanhã bem cedo, garoto. E já são quase duas da manhã! Vai dormir logo e me deixa em paz!"
"Não!" - Ele pegou-a pela mão, já equipado com suas pistolas. "Agarre seu rifle e vamos nessa!"
"Já disse que não!"
"Só por uns minutinhos, vai?"
"..."
"Por mim?"
Ela o encarou. "Tá, tudo bem."
--- x ---
Estavam a algum tempo vagando pela floresta e se divertindo, quando Hope avistou alguma coisa.
"L-lucian, o que é aquilo?" - A garota chamou a atenção dele para algo estranho na floresta. Uma coisa... de tentáculos. Tentáculos brancos. Ela apertou forte a jaqueta dele, o medo tomando conta de si.
Ele também se assustou, e fez sinal para ela ficar calada. Os dois observaram a criatura se mover pelas árvores, usando um terno e muito, mas muito grande. Ainda em silêncio, ele apontou uma da suas armas.
"O que está fazendo, seu louco?!" Ela o reprimiu. "V-vamos, vamos sair daqui antes de que nos veja!"
"Tá de brincadeira, Hope?" Ele deu um sorriso de lado. "Se eu derrotar aquele monstro, vai ser a melhor coisa que eu já fiz na vida."
"E se não derrotar, nós dois morremos!" Ela retrucou.
"Nah!" - Ele bagunçou os cabelos da irmã mais velha, sorrindo. "Deixa comgo. Será a maior aventura de nossas vidas!"
---x---
Sangue.
Sangue por todos os lados, sangue nas árvores, no chão, na própria Hope...
Seu irmão jazia à sua frente, um último sorriso no rosto e sua cabeça ensanguentada. Um de seus braços tinha sido arrancado, seus óculos quebrados no chão.
Morto. Lucian estava morto.
O quão idiota eles eram? Para lutar com uma criatura assim, era óbvio que iam morrer! Mesmo assim, ela... Lucian pulara na sua frente para salvá-la. Ele tinha morrido, quando era para ser ela.
Isso não podia estar acontecendo. Ela acordaria em segundos, embarcaria num avião e chegaria em Londres depois de uma hora, feliz e começando uma vida nova. Sentiria falta dos tios, mas sobreviveria...
Mas ele tinha morrido. Mas ela iria morrer. Quando todos aqueles sonhos tinham virado cinzas?
Hope fitou a criatura mais uma vez, os tentáculos pintados de vermelho enquanto avançavam em sua direção. Não podia ver seu rosto, mas tivera a sensação de que estava rindo.
Os dentes trincaram, e ela sentiu a necessidade de fazer algo idiota.
Sua mente virou um turbilhão, e começou a atirar descontroladamente. Desviou de alguns tentáculos, foi atingida por outros, mas não via mais nada além dele, não ouvia nada além de "mate-o, mate-o!".
Lembrava-se vagamente que gritara xingamentos também, que tacara galhos, tudo, em cima do monstro estranho que levara embora sua luz.
Enquanto isso,o Operador ficou impressionado com a audácia da garota. Uma menina assim...bom, seria uma peça interessante, não seria? Pegou-a por um de seus tentáculos, e jogou-a contra a parede.
Ela desmaiou, mas sua feição ainda era de extrema raiva. A criatura pegou-a, observando o sangue descendo de sua boca. Sim, ela seria perfeita. O jogo ficaria maravilhoso com ela lá. A daria poderes interessantes...
Mas, suas memórias... As apagaria. Se não, qual a graça de ver alguém perder a esperança antes mesmo da diversão começar?
---x---
"N-não..." Ela murmurou, largando o rifle no chão. "Não, n-não pode ser... I-isso tudo é obra sua!" Encarou o fantasma à sua frente, pronto para esmagá-lo curvando o espaço.
Mas as memórias estavam lá. Ela não podia dizer que não, vendo-as tão claramente assim. Era isso que não lembrava.
Seu irmão ia para Londres com ela. Seu irmão. Lucian...
"N-não... Lucian, não..." Continuou a murmurar, colocando as mãos na cabeça. As lágrimas do rosto desciam em ritmo acelerado, e ela não sabia mais o que pensar.
"ELE ESTÁ MORTO, HOPE!" O fantasma riu, junto de outros. "ESTÁ MORTO! ELE, SUA FAMÍLIA, A CIDADE! MORTO, MORTO, MORTO!!" Uma onda de risos macabros infestou o melancólico lago.
As estrelas brilhavam intensamente no céu, enquanto Hope pairava sobre o chão. Era uma noite linda, de fato. Se fosse qualquer outra hora, ela ficaria feliz de poder controlar tanto seu vôo.
Mas não estava com isso na mente, no momento. Nada estava. Hope não sabia mais o que estava fazendo, o que estava controlando e o que não.
Fora aquilo fogo que ela acabara de invocar? Não sabia. Era um meteoro vindo em encontro do lago? Não fazia ideia. Aumentara a gravidade à sua volta ao ponto de atrair milhares de árvores para fora do chão? Quem se importa!
Só um pensamento rondava sua cabeça no momento.
"MATE-O HOPE, MATE-O!" Os fantasmas gritaram em uníssono, o barulho unindo-se à risadas malévolas que ecoavam por toda extensão do lago.
Abaixou a cabeça, sua franja cobrindo um de seus olhos.
“Ah, tudo bem… Pelo menos voce vai lá e me diz o que quer…!” Jack sorriu um pouco mais, e aí se levantou. Abriu a porta do quarto para poder sair, e tremeu um pouco pelo choque termico da diferenca de temperaturas. “Vamos lá, entao?”
"Ok!" Levantou também, ajeitando um pouco o pijama de mangas compridas que teimava em cair por um de seus ombros. Bocejou, ainda com frio, e resolveu enrolar o cobertor da cama em si mesma para se aquecer um pouquinho.
“Tem certeza? Nao tem problema, eu posso trazer tudo!” Jack insistiu, com uma voz mais leve, arrastada. “Ta frio la fora, fica deitada que eu vou pegar!”
“Tem sim! Pelo menos, foi o que eu vi.” Sorriu. Ainda não entendera como exatamente essas lanchonetes funcionavam, só que pareciam bem confortáveis de se passar o tempo. “Então, vamos?”
O trajeto não foi tão longa assim; logo estavam na frente de um café um pouco peculiar, ninguém dentro mas com comida nas prateleiras. Hope espiou pela janela gigante de vidro, curiosa.
"Tem sim! Pelo menos, foi o que eu vi." Sorriu. Ainda não entendera como exatamente essas lanchonetes funcionavam, só que pareciam bem confortáveis de se passar o tempo. "Então, vamos?"
Jack riu um pouco mais, ao ver o sorriso que Hope tinha no rosto. Sentia falta de vê-lo. “Não quer que eu prepare pra você? Eu boto um café ou algo do tipo… trago algo quente pra a gente comer…”
"Ah... Bom..." Tombou a cabeça para o lado. Sentira sim falta das comidas preparadas por ele, mas... Seria certo, deixá-lo fazer aquilo sendo ela a anfitriã? Decidiu deixar isso de lado pelo simples fato de que ele era seu melhor amigo e isso não importava mais.
"Pode ser! Mas eu te ajudarei a trazer as coisas." Ofereceu. A cozinha não era tão longe assim, mas ainda tinha alguns andares de descida. Ela preferiu ir junto, caso ele precisasse de ajuda lá em baixo.
"Está combinado então!" Juntou as mãos, alegre. Depois, começou a pensar no que fariam.
"Vamos ver... Parece que existem algumas lanchonetes por aqui. Poderíamos parar em uma, ficar conversando por lá, e depois tenho que te fazer provar um sabor diferente de bolo na confeitaria!"
Sim, o plano era perfeito. Conversa, doces e uma noite entre amigas. O que poderia ser melhor que isso?
“Sim. Ainda bem, né?” Caso Hope tocasse a pele do antebraço esquerdo, ela poderia perceber que o osso era bem mais rígido e duro que o osso do braço, da parte de cima. Mas Jack não ligava, estava bom demais daquele jeito. “Pelo menos, meu problema já tá resolvido, né…?”
"Sim, está." Assegurou-o, sorrindo.Estava realmente feliz por ele. "Mas, enfim..." Hope teve o tempo de espreguiçar, agora notando que a manhã, mesmo ensolarada, estava bem fria. "Acho que vou comer algo lá em baixo na cozinha... Quer ir também?"
"Ela vai estar, eu sei disso." Concordou com a cabeça. A ursa polar era forte, e Hope sabia que voltaria. Naga não deixaria sua dona e melhor amiga assim tão fácil... Era o que a garota esperava ser verdade, pelo menos.
"Mas... então, que tal fazer algo para comemorar nosso reencontro?" Mudou de assunto, voltando a sorrir. Não queria ficar triste daquele jeito logo depois de rever a amiga.
Acho que também enlouqueceria se ficasse aqui, quis concordar, mas não desejava que Shikha soubesse de seu encontro com o Operador ainda. Preferiu apenas assentir, um sorriso curto nos lábios.
"Ela sumiu?" Desmanchou o sorriso, os olhos com um traço de preocupação. "Ah... Ela deve estar por aí, não se preocupe...! Qualquer coisa, te ajudo a procurá-la depois."
Reece quase caiu da cama, devido ao impulso que teve de rolar enquanto ria ao ver a reação de Hope quanto ao braço dele. Na verdade, a esquerda estava toda normal, como a de um humano comum. O direito que estava metálico: Jack havia criado um tipo de pele que cobria o antebraço esquerdo e disfarçava um pouco.
“Foi Canon que fez! Não é o máximo!? Ela broca!” Respondeu, sorrindo. “Estava me sentindo lesado, só com metade de um braço. E essas próteses são resistentes! Aguentam chuva, pancada… tudo!
"É...incrível!" tocou o braço mecânico primeiro, e arriscou também a tocar a prótese do outro braço. "E-ele parece novo outra vez..." A pele não real, Hope podia sentir a diferença; mas estava tão bem feito que só conseguia ver que era falsa assim, de perto.
"A Canon é mesmo ótima nisso..." Sim, tinha de agradecê-la. E Jack parecia tão feliz agora...