O objeto favorito da vítima foi escondido em um lugar de difícil acesso.
Sarang não era muito apegada à objetos; apesar de entender o valor que coisas físicas poderiam ter para as pessoas, ela não acreditava que momentos e pessoas ficavam guardados em objetos, e sim em seu coração. Porém, havia uma exceção para essa regra; o lenço de sua mãe biológica.
Era um longo lenço na cor branca, de material resistente o suficiente para sobreviver vinte e tantos anos. A idade dele estava clara em sua aparência desgastada, mas Sarang não se importava; destacado de sua memória não tão boa, estavam os momentos em que sua mãe fazia penteados em seus cabelos usando aquele mesmo lenço. Sarang não possuía quase nada daquela época de sua vida, mas aquele objeto ficou; e ficou até hoje, presente em frequentes e variados penteados que fazia em seu cabelo.
Apesar de sua natureza distraída e avoada fazer com que perdesse as coisas com frequência, o lenço nunca havia sido vítima disso; desde que a menina foi adotada, ele ficava bem guardadinho em uma caixinha do lado de sua cama. Porém, naquele dia - que não parecia tão diferente dos outros - ela foi surpreendida quando abriu a caixa e não o encontrou. Os olhos se arregalaram e as mãos foram nos cabelos, querendo saber se ele estava com ela e ela só não se lembrava - mas não, não estava.
Por alguns minutos, ela apenas ficou ali, parada; é claro que talvez ele estivesse em outro lugar, mas simplesmente não fazia sentido. Uma de suas mãos foi no cabelo novamente, apenas para colocá-lo atrás da orelha; então, começou a vasculhar seu quarto. Olhou embaixo de sua cama, embaixo de sua mesinha, da penteadeira... Em todos os lugares possíveis, e nada.
Saiu de seu quarto e foi em silêncio até a sala. Apesar de ser uma pessoa emocional, não era particularmente expressiva - e, mesmo assim, sua irmã notou seu estresse no momento em que a viu; quando ela a perguntou o que tinha acontecido, Sarang a fitou. — Eu... Eu não consigo encontrar meu lenço... — Não havia necessidade de explicar qual era; dada a proximidade das duas, Alice sabia da importância que aquele simples objeto tinha para a sua irmã, e começou a ajudar na busca.
Talvez horas tivessem se passado; horas em que elas, e um pouco depois seus pais, buscaram incessantemente. Houve um momento onde a garota apenas parou, se comunicando em um tom mais alto que o normal para que eles conseguissem a ouvir. — Papais, Lice... Eu agradeço pelos seus esforços, mas por favor, descansem agora. — Ela respirou fundo antes de se dirigir para os fundos da casa; sempre gostava de relaxar lá, cercada pelas plantinhas e pelo ar-livre.
Alguns minutos na área exterior, no entanto, lhe revelaram a localização do que tanto estava procurando; reconheceria a pontinha de seu lenço em qualquer lugar, mesmo em uma telha. Arregalou os olhos, sentindo alívio e confusão preenchendo seu corpo; torcia para que ele não estivesse danificado de nenhuma forma. — Papais, Lice! Eu encontrei! — Ela falou em um tom mais alto, comunicando sua descoberta.