fuck that little mouse with @gcn-seojun
parecia ser mais um daqueles dias tranquilos na casa Go. passavam das cinco da tarde, e determinada a fazer um prato tradicional para orgulhar a avó (e fazê-la parar de reclamar da comida) Hope decidiu fazer a janta umas horinhas mais cedo, porque tinha certeza de que teria imprevistos. a velhinha com seus oitenta anos, bordava na varanda, parecia um grande vaso de flores, as linhas coloridas preenchiam aos pouquinhos o tecido branco, sem pressa alguma. Hope não lhe disse nada, apenas foi para a cozinha até porque se a avó lhe acompanhasse, em meia hora perderiam a razão sobre a quantidade de pimenta a ser colocada. não quis atrapalhar o sossego das suas, era melhor daquele jeito.
colocou praticamente todos os utensílios necessários e desnecessários no balcão de madeira maciça e a água para ferver, mesmo sem ter muita ideia do que iria fazer. pegou por fim o celular, buscando alguma receita na internet, que travava vez ou outra a navegação. bufou, largando o telefone ali em cima enquanto a página carregava. “provavelmente vou ter que usar tomates, pimentão talvez?” falou sozinha, debatendo o plano em sua cabeça. a gaveta de vegetais lhe obrigava a agachar, os olhos estavam focados nas verduras e legumes coloridos, até um pequeno vulto passar pela direita. por deus, americanos deveriam estar acostumados com aquilo, por mais que o apartamento numa área de classe média lá em são francisco sempre estivesse sendo dedetizado graças ao landlord. Hope paralisou, e então a cabeça se moveu lentamente. a visão confirmou o pior. o pequeno camundongo, provavelmente vindo do mato, lhe encarava de volta, só faltando acenar, dar uma boa final de tarde. nos segundos seguintes, o caos se instaurou. o grito lhe trouxe de volta aos oito anos, a avó deu um pulo da cadeira e foi parar lá na rua, apertando a pequena agulha com tanta força como se fosse espada de samurai. não demorou para que a neta se juntasse ao seu lado, correndo descalça pela grama e terra, dando pulinhos de tanto horror “TEM UM RATO ANORME NA COZINHA!” exagerou. até pensou que a avó tomaria tomaria partido, mas a velhinha só lhe deu um tapa estralado em um dos braços “E daí? se livra dele, se bobear matou o bicho de susto, menina!” outro tapa foi desferido, fazendo a garota se afastar encolhida. se algo fosse depender de hope go-lott, já estavam alugando um apartamento no centro, porque não entraria naquela casa enquanto não tivesse a certeza de que o rato havia ido embora. a loira olhou ao seu redor, desesperada em busca de alguma alma que pudesse lhe ajudar, até mesmo o druida servia naquele momento. foi então que aquele homem surgiu em seu campo de visão, e hope pode ter certeza que asas brancas e uma aura brilhante lhe acompanhava. não perdeu tempo e correu até ele “oi, oppa, por favor…” a respiração era ofegante entre as palavras e reverências infinitas que parecia fazer “você pode me ajudar? por favor, por favorzinho…” juntou as mãos, suplicando.
❝⠀⠀ ⋆ / ⠀⠀ O primeiro caso de um buraco negro no planeta Terra poderia ser registrado a qualquer momento caso Seojun não conseguisse encontrar o celular em uma das três sacolas de compras. A ideia de ir ao mercado depois da típica corrida no final da tarde tinha suas chances de dar errado; Seojun sempre ficava distraído demais depois de gastar energia. A memória fraca também não ajudava nesses momentos – ou em outros –, deixando suas compras em risco.
Para piorar, três fatores foram adicionados para a lista: esqueceu onde estava o celular, lembrou sobre a falta do queijo em casa e teve seu raciocínio interrompido ao parar para procurar o aparelho móvel dentro de uma das sacolas.
Com a aproximação, o desespero da mulher apenas transparecia em suas feições, pois a voz calma e com não-tanto-desespero-assim apenas denunciava certo… Medo? Seojun juntou as sobrancelhas, abrindo a boca e fechando logo em seguida. Como explicar para uma desconhecida que ele não podia ajudar porque precisava voltar no mercado para pegar queijo e o celular perdido?
— Claro. – A palavra traiu as verdadeiras intenções, e, caso possível, Seojun teria batido na própria testa. — O que aconteceu?
As compras passaram de um braço para o outro, deixando todo o peso com o lado esquerdo do corpo e automaticamente o inclinando alguns centímetros. A mão livre evitou a direção da testa para pegar na própria nuca, apertando o local na tentativa de manter a atenção no presente, e na situação em que acabou se metendo sem querer.













