Uma leve tontura fazia Eunji ter que escorar-se na parede para recobrar o equilíbrio. Antes fosse provinda de um enjoo, não, ela havia arrumado aquele desconforto ao virar um copo grande demais de bebida. Não que fosse fraca para o álcool — ah, ela havia acostumado muito bem seu fígado no período fora —, tomar tudo de uma vez era a fonte do problema. Dispensou ajuda, estava perdendo tempo demais de passeio na casa. Não deixaria uma quantidade ínfima lhe derrubar daquela maneira, não, ela tinha uma reputação a manter. Deixou seus companheiros pra trás, sem saber muito bem por onde se enfiava. Os saltos faziam o chão ranger, um barulho que a menina considerava engraçadinho. Havia se encontrado apenas com as coisas mais genéricas de um halloween, logo, não estava assustada. Continuaria seu caminho dessa forma, se tivesse dobrado à esquerda ao invés de ir pela direita. Maldita direita.
— Filho da puta! — O xingamento saiu naturalmente de seus lábios, seguido por sua mão tentando segurar as palavras. O coração batia forte com o susto imbecil que havia caído e, assim que entendeu de quem se tratava em sua frente, a irritação fez-se presente nas feições da loira. — Puta que pariu, é você, Baek Haneul? — Disse, incrédula, esperando que a mistura de coisas que havia tomado estivesse lhe enganando. Não estava. — Caralho, Hani, eu vou quebrar sua cara, escroto do inferno! Volta para a porra do mar, oferenda do cacete, de onde caralhos você brotou?! Se eu ficar surda eu vou na justiça federal, ‘cê tá me entendendo????? E oi, sumido.
A inconfundível coleção de xingamentos fez Haneul reconhecer sua vítima antes de sequer olhar pra ela, se permitindo algumas boas gargalhadas com a reação alheia antes de de manifestar, uns bons segundos após o fim da sentença alheia. Ele tinha que recuperar o ar antes de respondê-la, afinal. — Você vai chamar a polícia? Mas eu sou a polícia. — A declaração veio acompanhada de um sorriso que denunciava que estava se divertindo além da conta com a própria fantasia e a ironia que esta carregava. Ele era um homem simples, afinal, com um senso de humor ainda mais simples. — Que cabelo é esse? Eu não acredito que você pintou o cabelo só por causa desse evento estúpido. — O cenho franzido denunciava que ele havia literalmente acabado de perceber a mudança, graças a combinação letal do próprio desinteresse com álcool. No entanto, tanto a metamorfose alheia quanto o próprio comentário foram deixados de lado em prol de mais um gole na garrafa que lhe jazia nas mãos, e prontamente esquecidos após o líquido descer pela garganta. — Aqui, toma isso. Vai te deixar mais calma. — O oferecimento veio acompanhado da garrafa sendo empurrada em sua direção, e de um Haneul cambaleando para frente graças a própria falta de equilíbrio.