“Eu não sei de onde veio essa força”, olhou para os braços pensativo, até que uma explicação estranha e engraçada passou pela sua cabeça e ele acabou a falando enquanto segurava o riso, “Acho que só fiz isso porque estava tentando te impressionar, quem diria que uma motivação dessas ajudaria. Devia ter te conhecido a mais tempo, eu seria um atleta profissional agora e provavelmente estaria treinando para as Olimpíadas”, riu soprado por algum tempo, mas logo se virou para o jogo e escolheu seus personagens. Seu cérebro logo tentou relembrar alguns movimento que conhecia de versões mais antigas do jogo, mas já que passara muito tempo sem praticar, acabara se confundindo e logo foi vencido pela habilidade súbita de Ailey dada pela típica sorte de principiante. “Só perguntando: se eu tivesse agora um jeito de nos teletransportar para Las Vegas e de nos tornar maiores de idade, você casaria comigo? Juro que eu pago por um Elvis dos bons que sabe tocar todos os clássicos”, passou os braços pela cintura da garota e se ajeitou para que pudesse abraçá-la por trás e lhe dar um beijo estralado na bochecha. Ele adorava quando Ailey provava que ele estava errado naturalmente, ela o fazia se sentir como um garoto normal e isso era maravilhoso. Teria ficado ali por mais tempo caso o jogo não tivesse iniciado outra batalha, e agora seria Ailey contra o sistema. “Como eu acabei de perder feio, vou ver se consigo ser útil ali, ok?”, apontou para o jogo de basquete a menos de dois brinquedos de distância, “Be right back”, deu beijo rápido no vão do pescoço da namorada e correu até o outro brinquedo.
Ter a sensação da bola de basquete contra suas mãos o fez ficar lento e nostálgico, então não conseguira outro feito surpreendente, mas sorrira com o seu desempenho. Entraria no time de basquete da escola caso ainda tivesse, mas sua única escolha era se contentar com a possibilidade que, talvez, pudesse fazer algo assim na faculdade. Seu celular vibrou antes que o jogo acabasse, mas como se não importava exatamente com o que estivesse fazendo ali, logo o atendeu e começou a andar em direção a Ailey. “Sim, noona, estou no fliperama”, passou a mão pelos cabelos e se encostou no jogo logo ao lado de Ailey, “Eu não preciso dos meus… Não, não aconteceu nada porque eu deixei meus óculos em casa”, bufou já entediado com a conversa, “Eu já consertei a máquina de qualquer jeito, trazer meus óculos não vai mudar isso”, enfiou a mão livre no casaco, “Eu fui liberado da aula de física”, ele olhou para Ailey e mordeu o lábio inferior aparentando estar nevoso. “Glass bead, você se importa se a minha versão maluca e sem noção de Aelin vier aqui? Não dá para impedir que ela venha a essa altura do campeonato, mas… ”, ele se virou para o telefone, já que o tom de voz da prima havia se elevado, “For fuck’s sake, dá para parar de surtar só porque a Ailey está aqui? Se vai vir, venha logo”.
Digory desligou o telefone e respirou tentando se acalmar. Antes, ele não acreditava no que se dizia sobre ter irmãs mais velhas, mas JinJu parecia se encaixar em todas as descrições mais estereotipas. Logo percebera que ainda nõa havia falado sobre JinJu para namorada e logo seus olhos se arregalaram. “Meus avós maternos e uma prima minha estão morando lá em casa agora. A JinJu noona é, basicamente, como minha irmã mais velha agora. Convivência demais piorou tudo, e o harabeoji meio que nos fez virar os guarda-costas um do outro. Ela é bem legal, só é meio maluca; é da mesma espécie da minha omma, basicamente. Eu acabei contando para ela sobre nós dois e agora ela está correndo até aqui porque ela quer te conhecer. Juro que eu só contei para ela porque, bem, sério, ela é a minha versão de Aelin agora. Desculpa por não ter falado sobre isso antes, é que muita coisa aconteceu de uma vez só desde aquele dia”, coçou a nuca nervosamente, mas logo se pôs a segurar a mão na namorada e fazer um pequeno carinho ali, “Me desculpa por não ter te contado antes”.
Ela havia pegado o ônibus, apressada, para que chegasse lá e Digory ainda estivesse com Ailey. Não que ela adorasse estragar encontros, mas era sua chance de conhecer a tão famosa Ailey que conseguia mudar corações, então ela se permitiu ser egoísta apenas por aquela vez. E bem, Digory precisava dos óculos, e ela tinha certeza disso. Ou pelo menos se convencia por si só.
Desceu no ponto mais perto do fliperama, rumando até lá mais calmamente do que seu estado de espírito anterior. Não queria deixá-lo com vergonha ou coisa do tipo. Talvez só um pouquinho, mas não queria necessariamente passar vergonha pra isso. Encontrou-os não muito tempo depois, e Jinju não conseguiu segurar um sorriso largo para o casal. Finalmente, “o casal”. Um risinho soou baixo, como se fosse o ser mais diabólico da face da Terra.
“Ei, pombinhos! Yoohoo! Olha quem chegou.” Deu um oizinho, balançando o óculos do rapaz na outra mão. “Eu trouxe os óculos do Digory pra ele olhar pra essa carinha e poder acertar a sua boca na hora do beijo!” A diversão estava só começando.