Emeio a papéis genéricos, alfarrábios e objetos tecnológicos de técnica, jazia a franzina e tacanha fisionomia feminina, visivelmente inserta longe da exoneração geral de tarefas que aquele evento providenciava. No entanto, Sunah não correspondia a nenhum dos polos atmosféricos de divergência que as obrigações oficiais e as festivas dispunham – era apenas um ponto cabalístico ao ócio e fadiga, que a consumiam em nacadas; ora através dos devaneios ocasionados pelo enigma continuo dos quais influiam boa parte de sua rotina atualmente – por vezes este era tal como uma ânsia crônica – ora pela ânsia propriamente dita que impulsionava a racionalidade caráter de seu encéfalo à verdade de sua naturalização, produto da verdade genealógica que condenava situação de oscilação, reconhecendo que este estado de espírito era estorvo a uma personalidade de fato plena e úbere.
Enquanto o nada discorria em sua mente, houve estrépito inerente que a apartou de tal estado de letargia, fazendo-na pular do móvel e tão prontamente quanto os pés alcançaram o chão, dirigir-se ao cômodo que subdividia o exterior do interior do apartamento. A mente ainda tão vazia quanto anteriormente, no entanto, tardou a compreender a situação mesmo que a face a sua frente dispunha de feições e manifestações de extrema peculiaridade. Instintivamente, um sorriso que principiou a expressão de sobressalto delineou seu semblante. — Huh… ye?
Não era costumeiro de HyonWu permanecer no ócio e longe das atividades festivas que feriados como o do dia em que se encontrava proporcionavam. Tal afirmação se dá não por conta de uma possível natureza festiva do garoto, que existia ainda que não tão proeminente quanto ele se fazia acreditar, mas sim pela óbvia possibilidade de distância do âmbito familiar que ela causava. A verdade é que qualquer oportunidade de se ver distante de seus progenitores era agarrada com afinco pelo rapaz com cada vez mais intensidade com o passar dos anos, muitas vezes usando delas como desculpa para não voltar para casa por noites e mais noites. Dessa vez, no entanto, as coisas eram um tanto diferentes. Já não se encontrava na convivência dos pais, o que tornava a imprescindibilidade da distância obsoleta e fazia com que, pela primeira vez em muitos anos, ele se sentisse confortável o suficiente para passar uma dessas ocasiões em casa.
A posição em que se encontrava no sofá fora estrategicamente elaborada para que ficasse em uma posição cômoda que ao mesmo tempo maximizasse o alcance da internet sem-fio ao seu celular, já que o roteador encontrava-se um tanto distante da posição em que se encontrava. Entretido com a música provinda de ambos os lados de seu fone de ouvido, só notou que alguém batia na porta quando o vulto saltitante de sua prima passou pela sala. Tirou o fone de um de seus ouvidos apenas o suficiente para que fosse possível ter conhecimento de quem encontrava-se ali, já presumindo ser uma criança em busca de doces que ele tinha certeza de que não tinham na casa. Para seu engano e contentamento, a voz que veio do lado de fora da residência lhe era extremamente familiar. Olhando para o celular, só que dessa vez com a intenção de pausar a melodia que escutava, deu uma curta risada das palavras proferidas pela mais nova e fez um sinal de hangloose. — E aí, Eunji. Quer dizer que as duas crianças vão sair? É bom que tome conta da minha prima, garota.
A intimidade já estava tão estabelecida que Eunji não hesitou em dar um beijinho na bochecha de Sunah antes de entrar no apartamento, largando a mochila em uma das cadeiras disponíveis. — Isso mesmo que você ouviu, estou vindo resgatar você desse marasmo. Você realmente achou que eu ia te deixar em casa num dia como esse? É meu primeiro halloween desde que eu volto de viagem, não, vamos sair. — As mãos da loira se movimentavam com destreza para tirar todos aqueles itens da mochila. Planejava deixar a mesma ali ou em seu apartamento, não iria se preocupar com aquilo agora. Só precisava deixar tudo pronto para eles começarem a farra. — Sim, as crianças vão sair. As três. Se você achava que sua bunda ia ficar no sofá o dia inteiro e você não ia rebolar ela com a gente, ‘cê ‘tava completamente enganado. — Eunji só retribuiu o hangloose quando tirou boa parte das vestimentas da mochila, largando algumas sacolas no chão e outras ao redor. Antes de mostrar o que havia trazido, andou até o sofá para bagunçar o cabelo de Hyon, para cumprimentá-lo direito. Gostava muito de tirar onda dele e passar a festividade com ambos seria, no mínimo, muito divertido.
— Levanta daí, Hyon, trouxe uma fantasia pra você e pra Sunah. — Eunji voltou para o seu posto, tirando os saltos da mochila e uma única garrafa de soju que havia comprado antes. — Então, peguei algumas coisas que estavam sobrando da minha aula de teatro da faculdade, arrumei o que estava faltando e voilà, temos um set de três fantasias muito bem pensadas e originais, ou seja: seremos o único trio arrasando nesse halloween. É pra zerar a festa, entenderam? — Não podia deixar de fazer um pequeno suspense antes de revelar o tema icônico da tríplice. — Como uma heroína que veio para salvar o halloween de vocês, nada mais justo do que ficarmos à caráter. Alguma sugestão do que pode ser? — Eunji esperou, abrindo um sorriso de vitória antes de anunciar o que era. Revelando o seu vestido azul liso, a garota estava radiante. — Nós vamos apenas como as melhores heroínas da história da televisão, as powerpuff girls. Eu estou até loira para isso, vocês tem noção de como isso vai ser icônico?!