Sentia-se estúpida demais por chorar, aquela era uma fraqueza da qual ela sempre exercera certo controle sobre, recusou-se a derramar uma lágrima sequer até quando fora praticamente expulsa da mansão em que vivia. E queria mais do que tudo fazer parar, mas as palavras alheias eram um gatilho para que continuasse e Hector não parecia estar disposto a parar. “Que grande importância essa que faz você me trocar em um piscar de olhos por alguém que não significa nada. E não pense que dói menos por dizer isso, você tinha a mim e mesmo assim decidiu transar com uma qualquer.” Meneou a cabeça, ainda tentava processar tudo o que ele dizia, mesmo que cada palavrasse soasse absurda demais. Qualquer razão que ele tivesse para fazer aquilo desapareceu no momento em que ela o flagrara, não haviam desculpas que concertariam o que havia acabado de acontecer. E por mais doloroso que fosse pensar nisso, Barbara sabia que havia acabado. As mãos dele em seu rosto não aliviaram a dor de seu coração partido, pelo contrário, a fizeram paralisar enquanto se encolhia, sem saber exatamente o que fazer, como há momentos atrás. O toque em sua pele parecia arder e ela queria mais que tudo ter força para desvencilhar-se dele. Mas fez o que fora pedido e o escutou. Várias sensações vinham a tona a medida em que ele falava; raiva, dor, desespero, tristeza, vazio, não conseguia sentir outra coisa além disso, por mais que parte sua tentasse apelar para o fato de que ainda gostava dele, mas não era o suficiente para perdoa-lo. Não quando ele estragara tudo da pior maneira possível. “Então isso tudo foi de propósito? Foi porque estávamos indo bem demais? Não, Hector. Se você precisou transar com outra pessoa pra saber que não quer me perder então é porque não gosta o suficiente de mim e nem se atreva a dizer o contrário. Eu estava aqui por você, sempre estive. Poderia ter me dito… Me dito que estava tendo problemas e eu- Eu teria estado aqui. Não, não faça promessas que você não pode ou vai cumprir. Você diz que precisa de mim e depois vai e me derruba. Você diz que sente muito, mas é tarde demais pra se desculpar.” Mal conseguia ouvir o que dizia, afinal, sua voz estava embargada pelo choro mais uma vez. Não queria ir embora pra sempre, não queria perdê-lo daquele jeito, mas era o que precisava fazer. Ao contrário do que ele pensava, não havia conserto, seu relacionamento estava quebrado para sempre. “Como? Me diz como podemos consertar isso? Deus, eu não consigo nem olhar pra você! Eu não- Eu não posso, Hector, não posso ser a pessoa que fica esperando você mudar. Só para de tentar se enganar, nós dois sabemos que não gosta de mim, se não nunca teria feito nada disso. Só me deixe ir… você tem que me deixar ir.” Levou ambas as mãos para onde ele segurava seu rosto, afastando-as de si como se seu toque fosse envenenado. Acabou por empurrá-lo, descarregando parte da raiva que estava acumulando dentro de si. “Não tem conserto. Acabou.”
"Eu não te troquei, eu só-" Deixou as palavras se desfazerem sem saber como continuar com a sentença, a verdade é que realmente não tinha como justificar o que fizera, apesar de estar tentando o fazer para impedir que a namorada saísse pela porta. Ainda era sua namorada? Ele duvidava. Com a proximidade de ter o rosto dela entre suas mãos, podia perceber as lágrimas com mais detalhe, a dor e raiva tão expressivo naqueles olhos que o observavam e amaldiçoou-o por lidar com as coisas daquela forma. Escutou as palavras ao máximo tentando não a interromper para se explicar, até porque era difícil para o homem dizer realmente o que sentia, incerto se estava conseguindo se expressar bem ali e sabendo que era bem mais que somente a culpa da bebida ingerida. "Porra, Barbara, o que queria que eu dissesse? Que eu estava me sentindo confuso com o relacionamento? Que eu tinha dúvidas? O que eu ia dizer se nem sabia mais o que queria? Eu sei que você tá dizendo isso agora de tá do meu lado, mas não me diz que ia entender se eu te dissesse essas coisas porque você sabe que não ia, provavelmente ia achar essas mesmas coisas que tá falando, que eu não te quero, que não gosto de você... Eu sei que ferrei, mas sou apenas humano, não pode ver? Eu cometi um erro, isso não quer dizer que eu não goste de você, se eu não gostasse nunca teria ficado com você por tanto tempo, eu..." Ao terminar a frase não soube como continuar, ele o que? Ele a amava? Por que não conseguia dizer aquelas palavras? Talvez amor fosse algo forte demais e o amedrontava, talvez tivesse medo de ser amado ou até de amar. Pareceu bobagem dizer aquilo em voz alta, mesmo que fosse para não a perder, então apenas acrescentou. "Acha que eu não queria ser diferente? Ou que queria te ver magoada?" Decidiu questionar, engolindo seco ao escutar ela negando que não podia continuar com aquilo, podia perceber que ela não iria o perdoar, talvez já soubesse, mas era errado tentar inverter a situação? Assim que ela tirou as mãos de face, era muito fácil entender aquilo racionalmente - que ele havia feito merda e ela não o queria mais - do que entender emocionalmente - afinal, não queria a deixar ir embora. Então Hector tentou mais uma vez se aproximar e a trazer para perto, como se assim pudesse fazer ela lembrar de antes do acontecido, mas Baby o empurrou e ele entendeu com desagrado o pedido silencioso desta, mantendo-se então afastado para acrescentar.
"Eu sei que não tenho direito de pedir isso, mas por favor, pensa direito nisso, Barbara, pelo menos diz que vai pensar em me dar uma chance..." Abriu a boca para continuar mas fechou ao escutar ela afirmar que havia acabado, em uma resposta defensiva pousou a mão na maçaneta, como se o simples ato iria a impedir de seguir em frente com o que dissera, por mais que o olhar dela para ele, como se queria que o mesmo desaparecesse de sua frente, ele continuou com a insistência. "Me perdoa, eu posso ser um idiota, mas to te implorando... Não vai embora, você sabe que se sair não vai voltar mais."