TEMPOS RUINS
Eu ainda me lembro de como o verão pareceu passar tão lentamente. Das manhãs ensolaradas, onde a luz atravessava a janela e provocava algum brilho inócuo no meu profundo olhar vazio. Eu sentava em frente ao computador e silenciosamente sentia o conforto das canções melancólicas e inflexíveis encurralando o meu peito, imaginando que, em qualquer outro lugar do mundo, haveria alguma pessoa passando exatamente pela mesma situação que eu.
E lá estávamos nós, em cada extremidade, compartilhando do mesmo sentimento, tentando se manter fixamente bem, mesmo que, em nossa consciência estivesse acarretando o fato de que, em nossa volta, tudo parece estar indo de mal a pior.
Talvez para os outros eu soasse como uma pessoa feliz. Mas quando me permito ser sincera comigo mesma, é inevitável eu desacreditar que dias melhores virão. Não há realmente muitas esperanças dentro de mim.
Só fico aliviada por saber que ainda estou sobrevivendo. Sobrevivo pelos muitos que não suportaram e já partiram, lamentosamente. Também não os julgo... Sequer houve um tempo, século ou período que parecesse bom saber que fosse necessário viver.
Enquanto a ganância prevalece, a violência se expande e a ignorância fere. Não há amor, nem carinho que recompense a dor do mundo.
O que Deus deseja nos mostrar, eu ainda me pergunto, pois mesmo depois de tantas palavras e pensamentos nocivos, ainda carrego em mim um pouco de fé. Só é irônico saber que mesmo após tantos anos, nada ou pouca coisa mudou. A covardia preenche o coração de muitos e as almas sujas são as que dominam a raça humana.
Algo está perdido e parece que o pouco tempo que nos resta está acabando. Não sinto medo, pois, sei que se há um castigo esperando por mim, os motivos foram porque eu mereci, e o melhor, a arrogância da humanidade sofrerá juntamente comigo, talvez até um pouco pior e isso basta para me confortar.









