talvez não seja uma linguagem universal, não quando se existem tantas tribos, mas música, em primeira instância, parece sempre uma boa primeira cartada. e é pela música que ruk ih para e volta.
ou melhor, pela cantoria. se há algum instrumento acompanhando a voz, ruk ih pouco presta atenção. como se seu elemento tivesse vida própria, e como se em sincronia de seu desejo inconsciente, o vento sopra e faz ficar mais alto. ruk ih é silencioso e lento quando recua os passos e termina frente à porta. a janelinha é tudo o que tem para mostrar o dono da voz.
reconhecer, ou melhor, acha que reconhece a cabeleira mesmo de costas - dono de uma boa memória fotográfica -, é o que o faz adentrar a sala de música. é silencioso como a brisa, e no silêncio se encosta, esconde as mãos nos bolsos da calça e o assiste. mas é pela intriga e curiosidade, bem como descoberta, que ruk ih, lembrando das aulas de física, tenta comprovar que o que aconteceu foi real - o vento lhe soprou as ondas sonoras e o que era distante, parece perto; mais alto.
é com a destra que ele tenta. um movimento um pouco mais brusco como de quem tentar pegar algo no ar e trazer para si. como se pudesse pegar o ar e trazer para si. é possível que até mesmo @hofn-jihoon perceba como a voz soe mais alta agora? ruk ih tem um meio sorriso na cara, contrariando o cenho franzido e admirado de quem havia encontrado uma parte, no mínimo, incrível pra caralho de si.
se tinha uma coisa a qual fazia jihoon se sentir bem era música e ele não entendia muito bem o porquê, só acontecia e apesar de não saber muito sobre instrumentos ou coisa parecida. ele usava a voz, ele cantava. naquele dia em questão ele se sentia até mesmo nervoso. uma sensação de algo errado batendo sobre si e ele não sabia dizer o que era.
por isso que tinha feito questão de ir até a sala da orquestra para treinar um pouco ou até mesmo acalmar os ânimos. era bom. era uma sensação boa porque assim se sentia mais livre de tudo e todos. apesar de tantos anos ali dentro, era como se nada fosse capaz de lhe fazer bem, de lhe deixar bem. ou era o que gostava de acreditar.
jihoon estava concentrado em cantar qualquer música aleatória que lhe vinha a mente, percebendo que no fim estava cantando uma canção de ninar antiga que sua mãe havia lhe passado. aquilo lhe fez lembrar de casa, quase sentir saudades dela, mas recordando-se de que tudo havia sido deixado para trás a partir do momento em que se tornou vampiro. de repente sua voz se fez mais alta e ele se questionou se tinha ido tão alto assim.
olhou ao redor antes de ver ruk ih ali e arquear a sobrancelha. “o que acha que tá fazendo?” questionou apontando para o rapaz antes de observar que haviam iniciais em sua mão, uma marca nova ali. a atenção que estava no outro passou para sua mão e então retornou ao mais novo novamente. “por que fez isso na minha mão?”