* take your broken heart, make it into art.
“Do you mind if I sing?” Adeline questionou, avoadamente, concentrando-se entre as linhas que traçava sem muita precisão. Não era uma grande pintora; para ser sincera, nunca sequer tentara a sorte com os pincéis e tintas, apenas alguns rabiscos em caneta de cor azul. Mas realmente estava se esforçando, tentando entregar um resultado interessante para aquela que parecia tão disposta a ajudar.
Miss Baby era uma senhora agradável, apesar de certas controvérsias. Muito séria, muito chique, e certamente exigente -- mas nunca seria capaz de machucar uma só mosca. Vivia no mesmo bloco de apartamentos de Adeline, um andar abaixo, e somente depois de alguns meses depois da partida de Henry realmente se apresentou. You’re such a beautiful lady, a senhora repreendera, aparecendo do nada enquanto Adeline subia as escadas concentrada em uma correspondência, only if you fixed your posture...
Mais tarde naquele ano, depois de algumas conversas com a vizinha, Adeline descobriu que em um passado distante, a mesma havia sido dona de uma grandiosa academia de dança. Desde então, Berthie nunca deixou de lado a missão de tentar convencer a mais nova a se juntar a um grupo de dança, mas também nunca teve sucesso. Apesar de tudo, inclusive da diferença etária, tornaram-se boas amigas; compartilhavam interesses e principalmente conversas profundamente gratificantes. E naquele momento da vida de Ada, alguém com quem conversar era mais do que bem-vindo.
“Well, I most certainly don’t if you happen to be a good singer, dear.” a senhora respondera prontamente, sem mover a pose rebuscada em que se encontrava. Mais cedo naquele dia, havia requisitado a presença de Adeline em sua casa para que pintasse um retrato seu, já que descobrira alguns rabiscos decentes entre os livros de história da moça. Ela, por sua vez, não teve como negar.
Riu minimamente, uma resposta sutil ao comentário alheio. Passou a cantarolar uma música que preenchia sua mente há alguns dias -- doce, romântica, e um pouco melancólica. Vários minutos se passaram, e depois de algum tempo, simplesmente não tinha mais consciência do que cantarolava. Somente com uma intervenção, acabou se livrando do distraído vórtex de melodias e traços delicados.
“Such melancholic songs... sounds like someone’s a bit of a crestfallen to me.” Berthie comentou, movendo minimamente os lábios. Não pôde deixar de arrancar um sorriso singelo de Adeline, como se a garota estivesse envergonhada por ter sido tão óbvio adivinhar.
“That’s ‘cause I’m one, Miss Baby, I am.”
“Oh, that’s not good, no. We need something to drink... I’ll make ourselves some tea.” a senhora rapidamente anunciou, realmente um tanto alarmada com a resposta. Sumiu pela porta antes que Adeline pudesse argumentar, e só voltou depois de alguns minutos com uma bandeja, um jogo de chá delicadíssimo e uma expressão preocupada no rosto. “Just take a break from your art, here.”
Adeline deixou o pincel de lado, arrumou o cabelo que até então permanecia preso por um lenço e seguiu até o sofá cor-de-rosa. “My... fiancé. The one from all the pictures you saw the other day. He left.” comentou, tomando um breve gole de sua bebida quente, respirando com certo tremor. “Not as it seems. He’s-- at war now.”
Miss Baby proferiu um ruído no fundo de sua garganta, quase um engasgo, e tomou um longo gole de chá antes de responder. “Warren’s been to war, as well. A different war... but it seems to me it’s just the same pain.” expressou, um olhar cabisbaixo e sem muita empolgação. Adeline havia ouvido outras partes da história de Berthie com o tal Warren, único companheiro de uma vida inteira, agora já falecido.
“How did you handle it? I just wake up every morning and go to sleep every night worried of getting the call, the one with bad news. Everytime the phone rings, I literally feel like I’m about to throw up. I’m tired of not having him around, Berthie.” a mais nova respondera, uma parcela incômoda de dor em sua voz.
“I didn’t--- handle it. I don’t think anybody does, honestly. You can’t handle something like war, you just... deal with it. You get used to the agony, to the pain, to the constant feeling of missing someone. And when you least expect... it’s over.”
“And when it’s over... does it erase all the pain? Does it take all the agony away?” uma esperançosa Adeline indagou, apoiando a xícara em seu próprio colo.
“I wish I had a different answer, Adeline...” com aquilo, não houve necessidade de uma resposta legítima. Em suas meias palavras, em seus olhos, Miss Baby deixava claro o quanto uma guerra poderia deixar marcas que não possuem qualquer cura. “You see, when he came back, a few years later... he had lost a leg. He’d say it was just bothering but I knew it hurt. For years, it’d still hurt and I’d still have nothing to do about it. Just... be there for him.”
“But you were. I’m sure that’s all he could have asked for. Having you by his side gave him strenght, I’m plenty sure.” Adeline assegurou, momentaneamente ignorando tudo em que aquilo poderia acabar refletindo em sua própria narrativa.
“I was. And you will be as well, dear, that I can say. Your dearest fiancé will be back and trust me when I say he will. You’ll be there and be his strenght.” Miss Baby respondeu, tomando o último gole de sua bebida. “And you’ll bring him here, too. Must be the prettiest of boys to be so worthy of your pain, young lady.”
Adeline riu, deixando de lado a xícara de chá e levantando-se com cuidado. Ele é mais que um garoto bonito, quis contar, lembro de cada detalhe. E lembrava mesmo. Não precisava de fotos ou retratos, simplesmente lembrava de cada parte daquele rosto, daquele corpo, cada canto e detalhe. Se começasse a falar, nunca pararia.
“That’s right, return to your spot. You have a masterpiece to finish, dear.” Miss Baby completou, retomando sua pose artística e esperando que a outra voltasse a pintar seu retrato. Adeline o fez, um sorriso no rosto, rapidamente voltando a perder-se entre traços e cores alegres. Voltou a cantar, também. Mas agora, cantava apenas sobre coisas boas.











