O olhar não tocou.
Mas ela sentiu mesmo assim.
O elevador estava cheio o suficiente para ser ignorado.
Rotina. Silêncio. Distância.
Era assim que Julia sempre funcionou.
Ela sentiu antes de entender.
Não invasivo.
Não bruto.
Só… presente.
Os números subiam devagar demais.
E, junto com eles, algo dentro dela também.
O corpo reagiu primeiro.
Sempre reage.
Postura ajustada.
Respiração um pouco mais lenta.
Um deslocamento mínimo de peso.
O tecido da blusa roçava na pele com uma consciência nova.
Não como exposição.
Algo que ninguém tinha certeza…
mas podia perceber.
E talvez fosse isso que fazia o ar parecer mais denso.
“Você tá imaginando coisas.”
O reflexo no metal entregava fragmentos.
Suficientes.
O velho hábito… ou a escolha.
Pela primeira vez, deixou o corpo ocupar o espaço que sempre foi dele.
Ajustou a bolsa.
Ergueu levemente o queixo.
Ela saiu sem olhar para trás.
Mas levou com ela uma certeza nova:
não era mais invisível.
e não queria voltar a ser.
Luz suave (ou natural, fim de tarde)
Uma taça de vinho tinto ou espumante
Leia prestando atenção no próprio corpo
Esse capítulo não acontece só com a Julia.
Acontece com quem sente.
Continue O Despertar de Julia com a trilha.
Porque agora… não dá mais pra voltar atrás.