Local: jardins do crepúsculo eterno.
Caminhando pelo jardim, percebo que o baile foi há algum tempo e que bom, a melhor escolha foi não participar. Como sempre, Arcanjo Gabriel não veio receber seus fiéis. Nunca me senti tão feliz por perder uma oportunidade de ficar entre tantas bruxas e outros seres. É sabido que, por meu lugar no conselho, as bruxas mais velhas não são presidentes do meu fã-clube. Não sei se por minha excentricidade ou apenas pela idade, mas isso não faz com que eu defenda menos seus interesses e nem assim, elas gostam de mim.
Encontro um banco para me sentar, próximo a um ramo de flores fechados. Sempre achei estranho como as flores só aparecem à noite, mas não é a única coisa estranha nessa idade. Desde que estou aqui, ou seja, desde o dia do meu nascimento, a cidade sempre teve suas próprias manias. Como se tivesse vida própria.
Atrás de mim, sinto uma figura parar e não dizer nada. Me viro e com um sorriso, cumprimento quem está parado: "Você não sabe que é feio parar atrás das pessoas?" Volto a aproveitar o resquício do sol nesse eterno outono.