estrupiadc:
Se limitou a revirar os olhos quando ouviu que podia visitá-la quando desejasse. Tinha que se lembrar de não deixar o desprezo tão evidente, mas só de se imaginar entrando ali, sentia todo o sentimento de animosidade a preencher-lhe. “Desde que isso inclua seu quarto e sua cama…” — deixou que a frase morresse acompanhada de um sorriso de canto, enquanto se alinhava na moto. Flertar o distraía, especialmente quando começava com os pensamentos destrutivos — afinal, não haveria nada de saudável em meter-se no caminho do Sr. Young. Além disso, ele ainda estava tentando fazer Catarina corar, já que ela parecia tranquila demais com a interrupção em sua noite. “Aquela regata que você roubou?” — a peça ainda não tinha sido devolvida pela morena, porém, esse já era o menor dos problemas de Patch. Não era mais pela roupa que estava atrás dela, mas porque a garota estava o levando ao limite. Ouvira pelos corredores de North Shore que a Young era uma garota doce, porém, não via nada disso enquanto ela estava consigo, vez que somente comentários debochados escapavam da boca alheia. Não que Jones se importasse. Ele considerava divertido vê-la reagindo daquela maneira por coisas que ele dizia, como se fosse capaz de deixá-la mais má, ou de obrigá-la a fazer coisas mais ousadas; estava descobrindo aos poucos do que a outra era capaz, como quando ela chegava perto daquela maneira, correndo os dedos por seu peito despretensiosamente. Os olhos claros se voltaram para as mãos femininas em sua lapela, e então para o rosto da outra, evitando respirar o perfume para que não se sentisse tão afetado. Permaneceu assim por um tempo, até cortar o momento constrangedor com um riso de desdém. “Meu paletó? Só pode estar sonhando se acha que eu vou dar pra você. Ainda não cansou de tentar tirar minhas roupas? Tsc. Quem sabe mais tarde eu deixe, inclusive a calça, se você se comportar” — negou com a cabeça indignado, virando-se para a frente novamente e dando as costas para aquela que seria seu par. Não podia se sensibilizar com alguém que fez o possível para humilhá-lo diante da escola, mesmo que isso significasse fazê-la passar frio. “Sobe logo aí”, ordenou, girando os aceleradores. “Ou eu falo para todo mundo que você implorou para ir comigo ao baile e eu rejeitei” — completou com um sorriso malicioso. “As pessoas acreditam em mim, por incrível que pareça, só pra você ficar sabendo”
⧼ ✢ Imaginava que sua performance estava boa, acreditando que seria capaz de manter aquilo por toda a noite caso ele colaborasse. Mas é claro que ele não o faria. As bochechas queimaram, e sequer precisava se olhar no espelho para saber que estava corada, lhe restando apenas rolar os olhos e empurrar o ombro do moreno sem força. — Minha cama é local proibido para você, Jones. Sinto muito por destruir seus sonhos. — Brincou com rapaz, não deixando de fazer o uso da ironia mesmo quando envergonhada. Talvez aquele fosse um ponto negativo de sua inexperiência e ingenuidade: nem sempre conseguia evitar o constrangimento quando abordavam determinados assuntos. Quando questionada sobre a regata, simplesmente deu de ombros, exibindo um sorriso com seus dentes alinhados. Embora houvesse prometido devolvê-la ao moreno, ainda estava sob sua posse. — Aquela que eu precisei para fugir. — Caçoou, usando o episódio da piscina para alfinetá-lo. Ainda não havia desculpado Heinrich totalmente pelo ocorrido, mas não sentia a mesma raiva de antes do garoto. Na verdade, ousava dizer até mesmo que encarava o fato, agora, como divertido. Além disso, havia planos para fazê-lo pagar por aquilo mais tarde. A proximidade entre eles, os momentos de silêncio e o maldito perfume de Patch fizeram com que qualquer pensamento se anuviasse, porém, a risada alheia fizera com que abandonasse o transe. Piscou pestanas algumas vezes, afastando-se um passo do rapaz antes de realmente prestar atenção no que ele dizia. Patch não podia esperar que ela simplesmente aceitasse aquilo e subisse na moto sem protestos. Estava prestes a argumentar quando, o restante das palavras do moreno, a fizeram sentir novamente as bochechas se aquecerem. — Tudo para você se resume em sexo? — A pergunta escapou de forma automática antes de bufar, juntando o vestido em uma das mãos para que o mesmo não se enroscasse ao subir na motocicleta. Voltar para dentro de casa e encontrar o pai seria mais difícil do que fazer o trajeto na garupa do Jones. Além disso, poderia usar o corpo alheio como proteção. — Eles não acreditariam em você em relação à isso, te garanto. — Murmurou simplesmente, ajeitando-se sobre o banco de couro e finalmente passando as mãos na volta da cintura dele, posicionando os dedos estrategicamente sobre o abdômen do rapaz. A provocação era muito mais fácil quando ele não podia olhar para ela.
Com o vestido abarrotado entre seu corpo e o masculino, a cabeça deitada contra às costas dele e os dedos agarrando-o o mais forte que conseguia, ignorou a brisa gelada durante o percurso até a escola, agradecendo mentalmente quando enfim estacionaram. Apoiou-se no rapaz para que pudesse descer do veículo, devolvendo o capacete à ele antes de alisar o vestido e percorrer os dedos uma vez pelas cumpridas madeixas acastanhadas. — Não sei o que tinha na cabeça quando me convidou, mas sabe que a foto do baile vai para o anuário, certo? — Questionou, deixando implícita a informação de que seriam vistos juntos no anuário escolar devido o pequeno capricho do rapaz, conforme esperava que ele se juntasse à ela. Parando de frente para o outsider, Catarina o analisou, mordiscando o lábio inferior antes de avançar com os dígitos para a gravata alheia, ajeitando-a sem pressa alguma. Ao colocá-la no lugar, exibiu um sorriso contente, piscando ao Jones antes de começar a se mover em direção à entrada. — Agora que está apresentável, já podemos ir.













