A energia do Yuta
O Jaeuck nesse filme tá tão delicioso afffffff
Amo quarentões
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A energia do Yuta
O Jaeuck nesse filme tá tão delicioso afffffff
Amo quarentões
o jeito que ele está exalando MUITO superman aqui após você retirar os óculos de nerdola dele e tipo assim vocês começam a se pegar MUITO PESADO, ao ponto do topete dele ficar desarrumado e ele começar a ficar maluquinho do tipo apertar os olhos pra ti, te pegando pela cintura, te jogando contra o colo dele, te esfregando contra ele enquanto te beija (devora) e começa a gemer rouco e manhoso contra sua boca, isso até te levar para qualquer canto onde poderá sentar e tirar as roupas todo esbaforido e te comer bem gostoso, lento, fazendo você sentir toda superdotação na sua buceta molhadinha – pois ele é um super-homem né??? – e ficar te olhando com os olhos mais pidões e gentis do mundo, mesmo te rasgando por dentro, sorrindo ladinho, com essa covinha sacana na bochecha sussurrando:
"—Tu gosta é disso né? Sentir meu pau te arrombando...", te beijando ternamente na boca mesmo tempo travando com as mãos só para meter com mais força te enlouquecendo e te preenchendo, pois ali é uma mistura do Clark Kent todo bobinho e babão por ti com o Super-Homem cheio de atrevimento e coragem.
É isso.
eu me tornaria uma surtada namorando esse homem 🙏
mais prints pq meu pinterest alimenta minha imaginação KKKKKKKK
tumblraholic
all eyes on s.coups - his met gala debut with boss.
oii vega
você poderia fazer alguma coisa o renjun? quase não encontro conteúdo dele aqui 😭 amo sua escrita!
olá, meu amor! primeiramente muito obrigada! ❤️ e em segundo, eu ando super apaixonada pelo renjun kdbsj que ódio
ESPECIAL DE CARNAVAL — huang renjun
⚠️: excibiscionismo, handjob, pegação de leves com o injunnie peter pan.
Ele te puxava pela mão entre todas aquelas pessoas. O cheiro de vodka com energético barato, e cigarros não era lá tão insuportável assim. Sua saia de tulê já estava molhada, seu copo com gin havia derramado, mas mesmo assim Renjun, um amigo, seguia te puxando empolgado. Claro que ele estava empolgado, você havia cedido aos seus flertes e decidido ficar com ele.
Parando atrás de alguns carros que estavam estacionados próximo ao bloquinho, o menino fantasiado com um gorrinho de Peter Pan te empurrou contra o muro mais próximo. Os lábios macios e bonitinhos não tardaram a se chocar contra o seu em um beijo afobado, e meio desajeitado. Aprecia o gostinho de halls de morango na boca dele. O beijo é gostoso, a pegada também é. As mãos não tão grandes dele acariciam sua cintura nua com força, e meio envergonhado, desce as mãos até sua bunda, onde aperta com fervor. Aproxima seu quadril do próximo, onde faz você sentir de leve a ereção recém formada no short levinho verde. Ele murmura algo incompreensível entre um gemido fraco, e estoca levemente com o quadril, quase sem perceber. Você bagunça o cabelinho liso, puxa com carinho ao não conseguir segurar o tesão. Estavam no meio da rua, no meio de um bloco, aquilo não deveria exceder limites da maneira que estava excedendo.
— Meu Deus, eu 'tô... Sabe? Todo coisado. — ele murmura contra seus lábios, respira fundo, meio desesperado, todo bonitinho.
— Eu também, Injunnie. O que a gente faz?
— E-eu não sei, eu... — sua mente acende em uma ideia perigosa.
Com um sorriso libidinoso, você o puxa para perto de uma árvore, um canto mais escurinho da rua. Sem pestanejar, abaixa o suficiente do short dele, apenas para que o pau pulasse para fora, mais precisamente em sua mão. Ele te olha quase em desespero, observa a rua em um todo, afim de captar qualquer movimento suspeito que indicasse a presença de um terceiro naquela cena. Mas mal consegue manter os olhinhos abertos quando você passa a punhetá-lo rápido. Captura os lábios macios novamente em um beijo quente, enquanto te agrada sentir as veias do comprimento pulsarem levemente.
As mãos do garoto tremem de leve em sua cintura, e gemidinhos manhosos sobem pela garganta dele a cada movimento feito com precisão. Na realidade, vocês mal tinham tempo, então, Renjun se deixou levar pelo clima gostoso, e pelo tesão, e não demorou a gozar gostosinho em sua mão, te sujando inteira.
— Desculpa, eu nem avisei. — ele murmura contra seus lábios, ainda lerdinho pelo orgasmo.
— Não tem problema. — sorri com quase todos os dentes aparentes, ele era tão fofo! — Quer voltar lá 'pro pessoal?
— Não. — geme com dengo — Quero ficar aqui com você.
Você coloca o pau já meia bomba pra dentro do short de novo, e sacode as mãos afim de se limpar como pode. Foi para o Carnaval afim de golpe, e acabou golpeada.
carnavrau
boa noite, cheguei depois de um dia longo
SEMANA DE RECESSOOOOOOOO ESTOU LIVRE POSSO SER UMA VAGABUNDA EM PAZZZZ 🥳🥳🥳🥳🥳😭😭😭💥💥💢🤎❤️🔥🩷🙌🏽🙌🏽👏👏👏👏👏👏🫦🫦🫦🫦🫦🫦⁉️⁉️⁉️❗️❗️
Fear
Capítulo 7:I am dangerous, so unyielding
O duque, sempre impecável em sua postura e aparência, parou em pleno corredor ao vê-la surgir, como se o mundo tivesse silenciado por um instante para contemplá-la. Mirian avançava com passos leves, mas determinados, o vestido fluindo ao seu redor como um rio de pétalas, cada movimento dela parecia uma coreografia própria.
Seus olhos percorreram o traje com admiração – o tom rosa suave contrastando de maneira perfeita com a pele dela, iluminada pela luz suave que atravessava os vitrais do corredor. Ela parecia uma visão encantada, envolta em do tecido que parecia ter sido tecido pelas mãos das estrelas. O rosa suave da seda, com sutis graduações de tonalidade, destacava-se como o brilho do amanhecer. A parte superior, estruturada como um corset delicado, moldava seu corpo como se fosse feito sob medida para a perfeição, enquanto os ombros despidos conferiam uma leveza quase etérea.
Um detalhe chamava ainda mais atenção: a rosa presa na lateral, como se simbolizasse o florescer de sua própria beleza. A fenda ousada na saia deixava à mostra suas pernas longas e elegantes, dando movimento ao andar, enquanto o tecido fluido caía como um véu de pétalas cintilantes ao redor de seus pés. As sandálias, enfeitadas com detalhes sutis, completavam o visual como uma moldura perfeita para uma obra de arte.
Cada curva, cada linha desse vestido parecia ter sido desenhada para exaltar sua graça natural. Era impossível desviar o olhar – ela era uma combinação de delicadeza e força, uma flor desabrochando à luz do luar. Ele sorriu, discreto e cheio de intenções, sabendo que ela vestia o traje que ele mesmo escolhera.
Era como se ela estivesse carregando uma parte de seu desejo silencioso, uma marca invisível de que era sua.
"Minha Lady," ele cumprimentou com uma reverência elegante, os olhos brilhando de orgulho e algo mais profundo. "O vestido... ele não poderia encontrar uma musa melhor."
Mirian arqueou uma sobrancelha, ainda caminhando em direção à sala de dança, tentando conter um sorriso. "Uma musa para o vestido ou para quem o escolheu, Duque?"
Ele acompanhou seu ritmo, mantendo-se ao lado dela, cada passo cuidadosamente sincronizado ao dela, como se já estivessem dançando. "Ambos, é claro. Uma obra-prima só se completa quando encontra o quadro certo para ser exposta. Hoje, minha rainha, você é essa obra."
Ela riu baixinho, mas não de forma afetuosa, e sim em uma mistura de ironia e charme. "Sempre com palavras bonitas na ponta da língua, não é? "
Ele inclinou levemente a cabeça, o sorriso não desaparecendo. "A inspiração faz isso com os homens, minha querida. E devo confessar, não esperava ser tão facilmente dominado por ela hoje."
O corredor os levou até a porta da sala de dança, onde o som abafado de música ecoava levemente. Antes que ela pudesse entrar, ele segurou sua mão, firmemente, mas sem força, apenas o suficiente para que ela o encarasse.
"Mirian," ele começou, a voz baixa e carregada de significado. "Se hoje eu insistir em assistir sua aula, não é apenas para admirar sua dança ou o talento do professor. É porque, quando você dança, é como se o mundo ao seu redor desaparecesse, deixando apenas a beleza de quem você é."
Ela se soltou delicadamente, um leve rubor colorindo suas bochechas, embora ela se esforçasse para esconder o efeito que suas palavras causavam. "Se continuar com esse discurso, Duque, vou acabar achando que deveria me preocupar menos com a dança e mais em fugir de seus elogios."
Ele riu, um som profundo e genuíno que ecoou pelo espaço ao redor deles.
"Fugir seria inútil. Minhas palavras sempre a alcançam."
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Mirian suspirou enquanto caminhava ao lado do duque, o braço dele oferecendo uma segurança que, naquele momento, ela não queria recusa. "Minha irmã não saiu do quarto hoje pela manhã. Alegou uma forte dor de cabeça, mas não disse mais nada. Estou preocupado... Não é do feitio dela agir assim."
O duque inclinou a cabeça para olhar para ela, sua expressão suavizando. " A senhorita Liriel é forte. Talvez apenas preciso de um momento de descanso. Contudo, se isso é tão preocupante, posso pedir que um médico a visite discretamente, para ter certeza de que não seja nada sério."
A irmã ponderou por um momento, antes de sentir levemente. "Obrigada, mas deixe-me decidir isso mais tarde. Talvez ela só precise de um pouco de espaço."
Joshua a observou com atenção enquanto ela compartilhava sua preocupação com a irmã. Sua expressão suavizou-se, e ele tocou levemente o braço dela em um gesto de conforto.
Assim que cruzaram a porta, seus olhos captaram a figura graciosa de Minghao, o professor de dança, que no momento que seus olhos pousaram na jovem, ele abriu os braços num gesto quase teatral.
"Mirian!" exclamou ele com entusiasmo.
Sem pensar duas vezes, ela soltou o braço do duque e correu até Minghao, jogando-se em seus braços com a alegria despreocupada de uma criança. O professor a segurou facilmente, girando-a no ar como se ela não pesasse nada.
"Olhe só você!" disse Minghao, rindo enquanto girava. "Parece que veio dançar com o vento hoje, minha cara."
"Se isso for um elogio, eu aceito!" respondeu a morena entre gargalhadas, sentindo um calor borbulhante crescer dentro de si – algo que não sentia havia muito tempo.
"Minha estrela, sempre cheia de energia!"
O duque permaneceu na entrada, as mãos fechadas em punhos discretos, mas firmes, enquanto observava a cena. Minghao já a colocava de volta ao chão, mas sem perder o ritmo, segurou suas mãos e a puxou para uma dança espontânea e repleta de rodopios.
"Vamos, então! Quero ver o quanto você praticou desde a última aula."
Ele a girou novamente, conduzindo-a em movimentos fluidos e cheios de energia. Ela rio alto, o som ecoando pelas paredes do salão. Ela sentia como se estivesse flutuando, cada giro e rodopio alimentando uma alegria pura e incontrolável.
"Você vai me fazer destruição de felicidade, Minghao!" ela exclamou, respirando fundo entre uma risada e outra.
"É esse o objetivo, minha senhora. Nada menos que isso!" respondeu ele com um sorriso travesso, inclinando-se suavemente para fazer uma reverência exagerada antes de puxá-la para mais uma série de movimentos intricados.
Mirian gargalhava, o som cristalino enchendo o salão e refletindo nas paredes como um feitiço de pura alegria. Cada giro parecia mais ousado que o anterior, os pés leves de Minghao guiando-a com destreza.
"Eu vou cair, Minghao!" ela disse, entre risos.
"Não enquanto eu estiver aqui," ele respondeu, firme, mas com um sorriso que iluminava o rosto dele.
Ela se sentia tão leve, tão livre, que acreditava que poderia flutuar. O calor que explodia dentro dela era como um sol que nascia em seu peito, irradiando felicidade por cada poro. Ela se permitiu ser apenas Mirian, sem preocupações, sem etiquetas, apenas uma jovem rindo e dançando com alguém que confiava. O Duque, ainda parado na entrada, mantinha um sorriso discreto no rosto, mas os olhos traiam um incômodo que ele não conseguia esconder completamente. Aquela gargalhada não era para ele. Aquele brilho, aquele calor, eram todos para o professor de dança, e isso o fazia questionar algo dentro de si mesmo.
Quando a música cessou, ela ofegava de tanto rir e dançar, apoiando-se nos braços de Minghao, que ainda sorria.
"Você é terrível, ! Terrivelmente maravilhoso!" ela disse, tentando recuperar o fôlego.
O Duque finalmente caminhou para mais perto, cada passo cuidadoso, como se tentasse recuperar sua compostura.
"Se eu soubesse que minha presença seria ignorada tão rapidamente, talvez não tivesse acompanhado você até aqui," ele comentou, a voz polida, mas carregada de um tom ácido que ela percebeu de imediato.
Ela se voltou para ele, ainda sorrindo, mas com as sobrancelhas arqueadas.
Minghao, sempre impecável e encantador, começou a conduzia Mirian por passos que ela nunca havia experimentado antes.
"Hoje", começou ele, sua voz baixa e suave como um sussurro, "quero tentar algo diferente. Algo mais... íntimo. É uma dança que exige confiança mútua e conexão."
A jovem hesitou, mas confiava nele. "Se você acredita que eu consigo, estou disposto a tentar."
Minghao convidou. "Você sempre consegue."
Ele a guiou para mais perto, suas mãos apoiadas com leveza na cintura dela enquanto ela mantinha as mãos em seus ombros. Os movimentos eram lentos, fluidos, mas carregados de uma energia que fazia os corações baterem mais rápido. Eles giraram, seus rostos tão próximos que a jovem sentiu a respiração dele em sua pele. O brilho nos olhos de Minghao era intenso, mas não invasivo; ele estava completamente imerso na dança, respeitando o espaço dela, mesmo enquanto as distâncias diminuíam. Do outro lado da sala, o Duque observava. Para ele, a cena era quase insuportável. Cada gesto de Minghao parecia um desafio, cada risada de Mirian, uma afronta pessoal. Quando ela se inclinou a cabeça prosseguida, rindo com leveza após um passo mais ousado, Joshua viu algo que ninguém mais viu: a possibilidade de um beijo.
Em um movimento que parecia ser guiado por pura possessão, ele atravessou o salão como uma tempestade. Antes que Mirian pudesse notar, ela sentiu os dedos firmes do Duque em seus pulsos, puxando-a com força para longe de Minghao.
"Já chega!" ele rosnou, sua voz cortando o ar como uma lâmina.
Minghao piscou surpreso, soltando a dama imediatamente. "Vossa Graça? O que houve?"
"Você acha que pode rir e dançar nos braços de outro sem consequências?" ele rosnou, a voz baixa e transmitida de raiva.
“Joshua!” Mirian falou, tentando se soltar, mas a força dele era implacável. "Você está me machucando!" ela protestou, a voz embargada pelo choque e pela dor.
Ele não respondeu. Como um demônio possuído , ele começou a arrastá-la para fora do salão, ignorando os protestos de Minghao e os gritos da jovem. Ela lutava, as lágrimas começando a cair enquanto implorava, uma palavra que nunca pensou que diria. "Por favor... me solte! Você está me machucando!"
Ele segurava ambos os pulsos dela com uma mão só, arrastando-a pelos corredores do castelo como se ela fosse uma prisioneira. "Você acha que pode rir e brincar com ele desse jeito? Exibir-se assim?"
"Você perdeu o juízo! Me solte!" implorava, suas palavras agora entrecortadas por lágrimas e soluções.
Quando finalmente pararam, estavam em um corredor isolado, longe de qualquer olhar. Joshua a empurrou contra a parede, não com violência, mas com uma intensidade avassaladora. Ele segurou seus pulsos acima da cabeça, prendendo-a como uma presa encurralada; "Você está se entregando a ele? É isso?". Seus olhos, antes calmos, agora estavam dilacerados por uma raiva misturada com algo mais sombrio: ciúmes e dor.
"Você está tendo um caso com ele, não está?" ele cuspiu como palavras, o rosto a centímetros dela. "Fala! Eu quero ouvir da sua boca!"
Ela estava ofegante, o rosto molhado pelas lágrimas, o corpo tremendo, tentou responder, mas não conseguiu; a intensidade dele a deixava sem palavras. Ele se inclinou ainda mais, o suficiente para que seus lábios quase se tocassem, mas então...
Ele viu.
As lágrimas dela. Não apenas lágrimas de raiva, mas de puro medo. Mirian estava apavorada, tão vulnerável que ele sentiu o peso esmagador do que havia feito. Joshua retornou abruptamente, como se tivesse sido queimado. Ele soltou os pulsos dela, vendo as marcas vermelhas começarem a surgir, e sua expressão mudou de raiva para arrependimento absoluto.
"Mirian..." ele começou, com voz quebrada. Ele caiu de joelhos diante dela, suas mãos tremendas enquanto tentava alcançár as delas. "Eu... eu não queria... por favor, me perdoe."
Ela ficou parada por um momento, olhando para ele com uma mistura de mágoa e descrição. Então, sem aviso, ela estende a mão e deu uma tapa firme no rosto dele.
A sala ecoou com o som, mas ele não reagiu. Não tentei se defender, não desviei o olhar. Apenas apareceu ali, joelhado, enquanto Mirian, ainda tremendo, virou-se e saiu correndo sem dizer uma palavra.
Joshua ficou ali, sozinho no corredor vazio, sentindo a dor ardente do tapa e o peso ainda mais profundo das lágrimas dela em sua alma.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Os corredores pareciam intermináveis enquanto Mirian corria, os passos ecoando como marteladas contra o chão de pedra fria. A cada tropeço, o tecido do vestido se prendia sob seus pés ou nos ornamentos das paredes, rasgando-se mais e mais. O som do tecido cedendo não era nada comparado ao ruído sufocante de seus soluços, que preenchia o silêncio ao seu redor. O rosto dela estava molhado pelas lágrimas incessantes, a pele avermelhada e ardente, enquanto o mundo à sua volta se desfocava. As lágrimas turvavam sua visão, e ela mal conseguia distinguir os corredores que conhecia tão bem. O peito queimava, como se um ferro em brasa tivesse sido cravado ali, espalhando uma dor que não era física, mas devastadora.
A humilhação fervia dentro de si como um fogo incontrolável. Era como se todas as partes dela – sua dignidade, sua força, sua confiança – estivessem sendo esmagadas pelo peso das palavras e ações de alguém em quem ela acreditava poder confiar. Ela tropeçou novamente, caindo de joelhos no chão frio, o impacto reverberando por todo o corpo. Mas ela não sentiu a dor física; a dor emocional era insuportavelmente maior. Quando os guardas finalmente a avistaram, seus rostos passaram de surpresa a preocupação em segundos. Eles tentaram falar, perguntar o que havia acontecido, mas Mirian não conseguia formar palavras. Tudo o que ela podia fazer era balançar a cabeça freneticamente, como se até mesmo pensar no que havia acontecido fosse demais para suportar. Antes que pudessem se aproximar, ela disparou pelo corredor novamente, ignorando as súplicas preocupadas atrás de si.
Chegando ao quarto, ela praticamente se jogou contra a porta, abrindo-a com força suficiente para fazer o som ecoar pelas paredes. Liriel, que estava deitada na cama, levantou o rosto alarmada, os olhos piscando para ajustar-se à luz "Miri?" ela começou, mas antes que pudesse dizer mais, a mais nova já estava correndo para ela.
Ela se lançou sobre a irmã, os braços envolvendo Liriel como uma âncora em meio ao caos. O corpo dela tremia tanto que a loira podia sentir cada espasmo de sua dor. O choro era alto, desesperado, vindo do fundo da alma. Soluçava tanto que mal conseguia respirar, agarrando-se à irmã como se estivesse se afogando.
"Mirian, o que houve? Quem fez isso com você?" perguntou, alarmada, acariciando os cabelos desalinhados da irmã. Mas Mirian não conseguia responder. Ela apenas balançava a cabeça contra o peito da irmã, murmurando entre soluços: "Eu não consigo... Eu não consigo... Não posso fazer isso mais..."
Cada palavra era sufocada por mais lágrimas, o rosto dela enterrado contra o ombro da irmã. Ela se sentia uma casca vazia, esmagada pelo peso do que havia acontecido. A força que sempre tentou mostrar estava completamente quebrada.
A mais velha apertou a irmã em seus braços, a raiva crescendo em seu peito como um vulcão prestes a explodir. Mas, por enquanto, ela segurava sua própria dor e indignação. Porque Mirian precisava dela, precisava de alguém que pudesse ser a fortaleza que ela não conseguia ser naquele momento.
"Eu estou aqui," sussurrou suavemente, beijando o topo da cabeça da irmã. "Eu vou cuidar de você. Vai ficar tudo bem. Eu prometo."
Mas no fundo, ela não conseguia acreditar.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
O aposento parecia suspenso no tempo, um casulo isolado de tudo e todos. O sol já estava alto, mas suas luzes mal penetravam as cortinas pesadas. O ar ali era abafado, carregado de choro e sussurros quebrados. As gêmeas estavam deitadas na cama, os corpos entrelaçados como se fossem uma única entidade, buscando na outra o consolo que o mundo lá fora lhes negava. Os olhos de ambas estavam inchados, com veias vermelhas desenhando um mapa de mágoa em seus rostos. As bochechas estavam úmidas, a pele marcada pelo rastro salgado das lágrimas que não haviam cessado. O cabelo de Mirian estava completamente desarrumado, as mechas caindo de forma caótica ao redor de seu rosto. Liriel muito melhor; seu cabelo agora estava preso de qualquer jeito, um reflexo do abandono que ambas sentiam.
Entre soluços, elas haviam compartilhado suas histórias. Mirian estendeu os pulsos, a pele delicada manchada por hematomas que iam do tom arroxeado profundo até amarelos mais claros, sinal de impactos recentes e antigos. Liriel fez o mesmo, revelando marcas semelhantes nos ombros e antebraços. Ambas sabiam exatamente o que aquelas cores significavam. Já haviam visto aquilo antes. Já haviam sentido aquilo antes.
"É como se estivéssemos de volta àquele inferno," Liriel murmurou, sua voz rouca de tanto chorar. Ela apertou a irmã mais contra si, como se pudesse protegê-la do mundo, ainda que fosse impotente para proteger a si mesma. "Só que agora, o inferno é bonito. Tem joias, vestidos e um teto alto... mas é frio. É vazio."
´´Fui estúpida..." Sua voz tremia, e ela mal conseguia pronunciar as palavras. "Eu pensei... eu pensei que ele poderia ser diferente, que eu finalmente podia confiar em alguém... Mas tudo o que ele fez foi me esmagar. Como o papai. Ele só queria me controlar. Me fazer pequena novamente."
Liriel segurou o rosto da irmã, obrigando-a a olhá-la, embora as lágrimas nos olhos delas tornassem difícil enxergar qualquer coisa com clareza. "Não foi sua culpa. Você não é estúpida. Você só... queria acreditar que poderia ser feliz. Que alguém poderia te tratar como você merece. Isso não é fraqueza. Isso é ser humana."
Mirian fechou os olhos com força, novas lágrimas escorrendo pelo rosto. "Mas eu sou uma tola. Porque no fundo eu sabia. Sempre soube. Pessoas como nós... nós não temos o direito de sonhar com coisas assim."
"Não diga isso," sussurrou, a voz firme mesmo que sua própria dor estivesse evidente em cada palavra. "Nós sobrevivemos ao nosso pai. Vamos sobreviver a isso também. Mas... eu não vou deixar que nos quebrem de novo. Se tentarem..." Ela engoliu em seco, o queixo tremendo. "Se tentarem, eu juro que não vou hesitar. Seja Rei, Duque ou qualquer um. Não importa."
As duas ficaram em silêncio por um longo momento, o som de suas respirações entrecortadas preenchendo o quarto. Era um silêncio pesado, cheio de pensamentos não ditos e medos não confessados.
"Eu não quero viver assim de novo," a morena disse finalmente, quase num sussurro. "Presas. Assustadas. Como se a qualquer momento alguém pudesse nos destruir."
"Nem eu," Liriel respondeu, a mão deslizando pelos cabelos da irmã num gesto de conforto. "Mas, por enquanto, ficamos juntas. Como sempre. Eu sou sua fortaleza, e você é a minha."
Mirian apertou os olhos, lágrimas caindo novamente. Ela não sabia se era possível acreditar nas palavras da irmã, mas por agora, elas eram tudo o que ela tinha.
Elas passaram o dia assim, abraçadas, as roupas amassadas e as faces marcadas pelas emoções da noite anterior. Não abriram a porta para os guardas, não responderam às batidas insistentes. Não queriam lidar com nada além de si mesmas, suas dores e a pequena bolha de segurança que haviam conseguido criar dentro daquele quarto.
Mas mesmo ali, na proteção frágil do quarto, o medo pairava. O que aconteceria quando saíssem? Quando fossem obrigadas a encarar novamente aqueles que haviam deixado marcas invisíveis em suas almas e visíveis em seus corpos? Por ora, elas afastaram esses pensamentos, afundando ainda mais no conforto dos braços uma da outra. Se o mundo queria quebrá-las novamente, ele teria que passar pelas duas juntas.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
O silêncio opressor do quarto foi quebrado de repente pelo estrondo da porta se escancarando. Mirian e Liriel acordaram sobressaltadas, os corações disparados, a respiração presa como se fossem duas presas encurraladas. Dongkyeom tentou bloquear a entrada, o corpo posicionado como um escudo diante da porta.
"Por favor, senhor, eu recebi ordens expressas de minhas Senhoras para que ninguém... absolutamente ninguém... adentrasse este quarto!" ele insistiu, a voz baixa mas firme, um apelo ao bom senso.
Joshua, no entanto, não o ouviu. Ele entrou com passos determinados, os olhos baixos e sombrios fixos em Mirian, que, ao vê-lo, recuou automaticamente contra a cabeceira da cama, soltando um soluço que pareceu rasgar o ar. Seu rosto ficou pálido, e as lágrimas começaram a cair antes mesmo que ela pudesse dizer qualquer palavra.
"Meu bem..." Joshua começou, a voz embargada de desespero, os olhos refletindo um abismo de arrependimento. Ele ergueu as mãos como se estivesse se rendendo, mas cada movimento dele só fazia a jovem tremer ainda mais. "Eu... eu estou aqui para pedir perdão. Eu não... eu nunca quis machucá-la. Eu nunca quis—"
"Não diga mais nada!" Liriel rugiu, erguendo-se da cama como um furacão, o corpo posicionado entre os dois, os olhos faiscando de raiva. Ela parecia uma leoa protegendo seu filhote, e não havia resquício de medo em sua postura. "Você ousa vir aqui, depois do que fez?! Você ousa entrar nesse quarto e achar que palavras vazias vão consertar o estrago que deixou?"
Joshua parou no meio do quarto, os olhos implorando. Ele estende as mãos, como se tentasse alcançar algo intangível.
"Amor, por favor... eu... eu sinto muito.."
"Você não sabe o que aconteceu com você?" ela cuspiu como palavras como lâminas afiadas. "Eu sei o que aconteceu! Você mostrou sua verdadeira face, Joshua! E adivinha? Ela é tão feia quanto eu imaginava."
Joshua tentou avançar, a mão estendida como se pudesse alcançar a irmã mais nova, mas a loira deu um passo à frente, seu olhar incendiado de fúria.
"Não toque nela!" cuspiu as palavras como veneno. Ela virou para o lado, pegando a espada reserva que Dongkyeom as dará. Com um movimento fluido e sem hesitação, apontou a lâmina diretamente para Joshua, os olhos cravados nele com uma determinação que fez o duque congelar.
"Se der mais um passo, eu juro pela última estrela do céu que o próximo golpe será na sua garganta!" gritou, a voz trêmula, mas cheia de autoridade.
Joshua parou, a respiração presa, enquanto o olhar dele oscilava entre a lâmina e os olhos ardentes da gêmea. Por um momento, ele não parecia mais um duque, nem um lorde, mas um homem despido de qualquer poder, desolado, subjugado pela dor e pela culpa.
Mirian, ainda agarrada ao cobertor, ergueu os olhos marejados e falou num sussurro que mal passou de um fio de voz. "Saia... apenas... saia daqui..."
Mas Joshua não se moveu, como se a própria culpa o tivesse pregado ao chão. Ele tentou novamente, as palavras saindo quase num soluço. "Eu sei que fui um monstro, mas me deixe—"
"SAIA DAQUI!" Liriel berrou novamente, avançando um passo com a espada, fazendo um corte superficial na camisa dele. "Eu não vou repetir, Joshua. Deixe minha irmã em paz, ou eu terminarei o que comecei."
Joshua recuou instintivamente, mas seus olhos estavam fixos na morena, que desviou o olhar com lágrimas escorrendo livremente.
"Dongkyeom!" Mirian disse de repente, sua voz ganhando força mesmo enquanto tremia. "Eu imploro... não, eu ordeno. Tire-o daqui. Cumpra seu juramento." Ela olhou para o guarda com uma súplica desesperada em seus olhos. "Faça o que for necessário, mas tire-o daqui. Agora!"
Dongkyeom hesitou por um momento, olhando para Joshua como se pedisse desculpas silenciosas antes de se mover. "Minhas ordens são claras, senhor. Eu sirvo apenas à elas."
Ele se aproximou de Joshua e o imobilizou com um movimento rápido e eficiente, torcendo o braço do duque para trás. Joshua não resistiu, deixando-se ser conduzido como se todo o peso do mundo estivesse sobre ele.
"Eu sinto muito... Mirian..." ele murmurou, os olhos fixos nela enquanto Dongkyeom o arrastava para fora do quarto. A voz dele, cheia de dor, ecoava mesmo depois de a porta ter sido fechada com força.
Dentro do quarto, o silêncio voltou, mas era um silêncio pesado, esmagador. El largou a espada com um som metálico, quebrou o silêncio e caiu de joelhos ao lado da cama, puxando a irmã para um abraço apertado.
"Eu prometo," ela sussurrou, a voz embargada. "Eu prometo que ninguém nunca mais vai te fazer sentir assim. Nem ele. Nem ninguém."
Mirian apenas chorou, seus soluços abafados no ombro da irmã. A humilhação, o medo, e a dor eram como um nó apertado em seu peito. Ela mal podia respirar, mas naquele momento, o abraço da irmã era tudo o que ela precisava para se manter inteira.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Liriel caminhava pelos corredores como uma sombra, os pés descalços quase não faziam barulho contra o mármore gelado. A barra de seu roupão de tecido fino e pesado arrastava-se pelo chão, sussurrando com o movimento. A cabeça latejava, consequência de tantas lágrimas derramadas. Seu rosto estava inchado, as pálpebras pesadas e os lábios trêmulos.
Quando parou ao lado da cama, olhou para Mirian. A irmã parecia tão frágil, tão pequena. Seus traços, geralmente plenos de uma força vibrante, estavam agora macilentos, como se a dor tivesse roubado sua essência. Ela sentiu um nó apertar em sua garganta. Mirian sempre fora sua metade, sua companheira, e agora estava quebrada. E, de certa forma, ela sabia que também estava.
Liriel deslizou para fora do quarto, fechando a porta com o maior cuidado. Os corredores estavam mergulhados na escuridão e silêncio, exceto pelo som distante de uma corrente de ar gelado que ecoava pelas paredes. Seus dedos, quase dormentes, agarraram as laterais do roupão enquanto ela seguia pelo castelo, guiada por um instinto que nem ela mesma compreendia. Quando chegou à varanda, o frio da noite a envolveu como uma lâmina. O vento cortante atravessava a fina camada de tecido, arrepiando sua pele, mas ela não se importou. A brisa carregava consigo uma sensação de realidade, um peso que ela precisava enfrentar.
A loira inclinou-se sobre o parapeito, sentindo a superfície áspera da pedra fria contra as mãos. O céu acima estava claro, incrivelmente claro, como um oceano profundo salpicado de estrelas. A visão deveria ser reconfortante, mas só amplificava o vazio dentro dela.
As primeiras lágrimas escorreram silenciosas, traçando caminhos por seu rosto já marcado pela dor. Ela mordeu o lábio, tentando segurá-las, mas era inútil. O peito começou a subir e descer com soluços contidos, e logo ela estava chorando abertamente, os ombros sacudindo com a força do lamento.
"O que estamos fazendo aqui?" sussurrou para o vento, sua voz engasgada.
Cada pensamento parecia um golpe. O castelo, que de início parecia um refúgio, agora era uma jaula dourada. Cada sorriso ou promessa que acreditaram ser sincera agora parecia um veneno lento, corroendo suas almas.
Ela apertou os olhos, deixando as lágrimas caírem livremente. A lembrança do rosto de Seungcheol, das marcas nos pulsos da irmã, tudo girava em sua mente como um pesadelo interminável. Ela sentia ódio deles, mas também sentia ódio de si mesma por não ter visto isso antes.
"Eu deveria protegê-la," murmurou, a voz quebrada. "Eu deveria protegê-la de tudo... mas eu falhei. Como sempre."
O ar frio enchia seus pulmões, mas não trazia alívio. A sensação era sufocante, como se a dor fosse uma presença física, algo que a agarrava e apertava.
Quando finalmente se endireitou, olhou para o céu mais uma vez. As estrelas continuavam brilhando indiferentes, e, por um momento, ela desejou ser tão distante quanto elas. Desejou poder se desprender daquela realidade, daquela dor. Mas, ao mesmo tempo, sabia que não podia. Porque, por mais perdida que estivesse, ela ainda tinha a irmã.
Liriel enxugou o rosto com as mangas do roupão, embora o gesto fosse inútil. As lágrimas continuavam caindo, além do vazio esmagador em seu peito, ela começou a sentir algo mais. Uma dor surda começava a irradiar por seus ombros e antebraços. O incômodo tornou-se impossível de ignorar.
Relutante, seus dedos hesitantes afastaram a gola de seu roupão, revelando a pele marcada. As sombras da noite não escondiam os contornos nítidos, quase perfeitos, dos dedos de Seungcheol. A pele sensível estava levemente arroxeada, como se seu corpo quisesse eternizar o momento de dor. Ao ver aquelas marcas, algo dentro dela rompeu.
Um tremor percorreu seu corpo. Primeiro, pequeno, uma vibração sutil em suas mãos. Mas rapidamente, espalhou-se por seus braços e pernas, até que parecia que ela estava sendo sacudida de dentro para fora. O ar ficou subitamente mais pesado, sufocante. Seus pulmões pareciam incapazes de puxar oxigênio suficiente.
"Eu não consigo... eu não consigo respirar," ela sussurrou para si mesma, desesperada, enquanto suas mãos buscavam apoio na pedra fria do parapeito. O mundo ao seu redor começou a encolher. A vastidão do céu estrelado, que antes parecia indiferente, agora a esmagava como um peso invisível.
Cada detalhe do momento com Seungcheol voltou à sua mente com uma clareza aterradora. O aperto em seus braços. A força bruta que a deixou impotente. A proximidade do rosto dele, o olhar ardente e possessivo. A voz dele, grave, acusadora, cheia de um ódio que ela não conseguia compreender.
"Por quê? Por que ele fez isso?" A pergunta ecoava em sua mente, mas a resposta nunca vinha. Ela sentiu o pânico crescer como uma maré alta, engolindo cada pensamento racional. Sua respiração era rápida, superficial, como se seus pulmões estivessem fechando.
Liriel caiu de joelhos na varanda, as palmas das mãos pressionadas contra o chão frio. Suas unhas arranhavam a pedra, enquanto seus olhos arregalados buscavam um ponto de foco. O frio, que antes era um alívio, agora parecia uma lâmina contra sua pele.
O ódio e a repugnância borbulhavam dentro dela, misturados com medo e vulnerabilidade. O simples fato de ter permitido que ele se aproximasse ao ponto de feri-la fazia seu estômago revirar. Ela queria gritar, mas a garganta parecia apertada demais.
"Eu sou tão estúpida," ela murmurou entre soluços, os punhos fechados. "Como eu pude pensar... Como eu pude acreditar que ele era diferente?"
A respiração curta tornava-se ofegante, e seu coração batia com tanta força que parecia querer sair do peito. O som pulsava em seus ouvidos como um tambor enlouquecido.
O pânico continuou a crescer, apertando seu peito como um laço invisível. Ela tentou se levantar, mas suas pernas fraquejaram, e ela caiu novamente, dessa vez com o rosto quase colado ao chão. Cada músculo de seu corpo parecia se contrair ao mesmo tempo, uma sensação que a deixou paralisada. Ela agarrou o roupão como se fosse um escudo, apertando o tecido contra o corpo, tentando encontrar algum conforto em meio ao caos interno. Mas não havia conforto. Apenas a dor, a humilhação e a lembrança constante da força brutal de Seungcheol. O ar parecia ainda mais rarefeito, e ela começou a se debater, como se estivesse tentando escapar de uma prisão invisível. As marcas em seus braços ardiam como um lembrete cruel do poder dele, do quanto ela estava vulnerável. Finalmente, um grito escapou de seus lábios, rasgando o silêncio da noite. Era um som cheio de desespero, dor e fúria. Um grito que ecoou pelo castelo, mas não trouxe alívio, a jovem permaneceu ali, encolhida contra o chão frio da varanda, com o rosto pressionado entre as mãos e as lágrimas caindo sem controle. O pânico a consumiu por mais alguns minutos até que, lentamente, o corpo cedeu à exaustão.
Ela ficou ali, deitada no chão, os olhos fixos nas estrelas acima. O céu estava inalterado, belo e sereno. Uma ironia cruel, pois dentro dela tudo estava desmoronando.
O som das botas ecoando pelo corredor gelado fez Lriel erguer a cabeça lentamente, ainda tremendo e com o rosto molhado pelas lágrimas. Sua visão estava turva, mas ela reconheceria aquela figura imponente em qualquer lugar. Mingyu, alto e sólido como uma montanha, estava parado à sua frente. Seus olhos, geralmente tão calmos e gentis, agora brilhavam com preocupação genuína, quase desesperada.
Ele não disse nada de imediato. Apenas observou-a, como se ele tivesse causado tamanha dor. Aquele olhar de um cachorro perdido, cheio de impotência e preocupação, perfurou o coração dela de uma forma que inesperada. Ele se ajoelhou diante dela, tão lentamente, como se tivesse medo de assustá-la ainda mais.
"Senhorita... o que aconteceu?" A voz de Mingyu era grave, mas tão suave quanto um sussurro, como se ele estivesse falando com um ser delicado que poderia se quebrar ao menor toque. Ele estendeu as mãos hesitantes, parando no meio do caminho, sem saber se podia tocá-la.
Liriel não conseguiu responder de imediato. O nó na garganta era sufocante, as lágrimas ainda escorriam silenciosas por seu rosto. Ela tentou se afastar, arrastando o corpo pelo chão frio, mas suas forças a abandonaram, e ela mal conseguiu se mover.
Mingyu finalmente se aproximou mais, ignorando o frio que cortava a pele e o desconforto de estar ajoelhado sobre a pedra dura. Suas grandes mãos, calejadas, mas incrivelmente gentis, seguraram os ombros dela com delicadeza. Ele a olhou como se ela fosse feita de vidro fino, com tanto cuidado que parecia temer até mesmo respirar perto dela.
"Está tudo bem," ele disse, embora a preocupação em sua voz traísse suas palavras. "Estou aqui agora."
O calor de suas mãos, mesmo através do tecido do roupão dela, era reconfortante. Liriel sentiu um soluço escapar de sua garganta, um som tão pequeno e frágil que fez Mingyu apertar os lábios, como se estivesse tentando conter sua própria dor por vê-la daquele jeito.
Quando ele tentou ajudá-la a se levantar, ela se encolheu instintivamente. "Não... não me toque," murmurou, a voz falhando. Mas não havia firmeza em suas palavras, apenas o eco de sua vulnerabilidade.
Mingyu recuou imediatamente, abaixando as mãos, mas sem desviar o olhar dela. "Tudo bem. Eu não vou te tocar se você não quiser," ele disse, mantendo-se próximo o suficiente para ampará-la se fosse necessário.
Ele observou os joelhos dela, vermelhos e arranhados pelo chão frio, e os ombros que tremiam sob o tecido fino. Ela parecia tão pequena, tão frágil, tão perdida. Como um floco de neve prestes a derreter no calor da dor.
"Senhora, por favor... me deixe ajudá-la," ele implorou, sua voz agora carregada de desespero. "Você não precisa carregar isso sozinha. Me diga o que fazer, como posso aliviar essa dor?"
Ela finalmente levantou os olhos para ele, e Mingyu sentiu o coração apertar ao ver o estado dela. O rosto pálido, os olhos inchados, o corpo trêmulo. Ela parecia uma sombra da mulher que ele conhecia.
"Você não pode," ela respondeu, a voz tão baixa que ele teve que se inclinar para ouvir. "Ninguém pode."
Mingyu fechou os olhos por um instante, como se aquelas palavras fossem um golpe direto em sua alma. Ele respirou fundo e disse: "Então eu ficarei aqui. Não vou sair do seu lado, nem que eu precise passar a noite inteira sentado no chão ao seu lado."
Ela sentiu um novo nó se formar em sua garganta. Mingyu não estava mentindo. A determinação em seus olhos era genuína, inabalável. Ele realmente ficaria ali, com ela, enfrentando o frio e o silêncio, apenas para garantir que ela não estivesse sozinha.
Ao seu lado, Mingyu permanece quieto, atento a cada pequeno tremor do corpo dela. Não disse nada. Apenas estava ali, uma presença sólida contra o peso do mundo que parecia esmagá-la.
Foi então que passos se aproximaram.
Seungcheol surgiu da escuridão, hesitante ao ver Liriel no chão. Seu olhar percorreu a cena—o corpo frágil e encolhido dela, a postura alerta de Mingyu. Algo em seu peito se abriu, mas ele deu mais um passo, sem perceber os sintomas que tomaram conta do ar. Liriel virou o rosto na direção do som e, ao reconhecê-lo, recuou de imediato. Seus olhos, antes cheios só de dor, agora estavam com acessos de medo e ódio. Sua respiração ficou presa na garganta, e seus dedos se fecharam ao redor do tecido de seu roupão, como se pudessem se proteger de um fantasma que nunca deveria ter voltado.
Seungcheol parou, confuso.
— Liriel...?
Mingyu se moveu depressivo, posicionando-se entre os dois como um muro. Seu olhar fez uma advertência.
— Fique onde está.
O rei franziu a testa, sentindo uma inquietação crescente se espalhar em seu peito. Ele olhou para Liriel novamente e então viu.
Marcas de dedos em seus ombros, lágrimas nítidas de uma violência. Seu coração parou por um instante, depois caiu em um abismo de entendimento brutal.
Foi ele.
Foi ele quem fez isso.
Seungcheol cambaleou para trás, como se tivesse levado a um golpe invisível. Sua boca aberta e fechada, buscando palavras que não existiam. Seu rosto se contorceu em horror, em culpa, em algo que queimou fundo, mas não poderia ser apagado.
— Eu... Eu não...
Ele quis se ajoelhar, pedir perdão, rasgar-se em desculpas que jamais seriam suficientes. Mas sabia. Via nos olhos dela. Não havia espaço para redenção ali. Apenas o medo, apenas a cicatriz invisível que ele havia deixado.
Mingyu não hesitou. Seu punho se fechou e o soco veio com a força de toda a raiva contida. O impacto fez Seungcheol cair ao chão, o gosto metálico do sangue invadindo sua boca. Ele não reagiu. Não tinha esse direito. Merecia.
Mingyu se inclinou sobre ele, a voz baixa e firme como um trovão distante.
— Saia daqui. Agora.
Seungcheol ficou ali por um segundo, encarando a poeira no chão, o peso de seu próprio erro esmagando seu peito. Então, sem uma palavra, ele se declarou e partiu, levando consigo o frio da noite e o peso de algo que nunca mais poderia desfazer.
Assim que os passos de Seungcheol desapareceram na escuridão, Liriel sentiu suas forças se esvaírem. O ar parece pesado, impossível de respirar. Seus joelhos fraquejaram, os soluços, antes contidos, romperam-se em ondas desesperadas, rasgando sua garganta como vidro. Suas mãos tremiam, apertando-se contra o próprio peito, como se o segurasse.
Ela finalmente deixou que ele a ajudasse a se sentar novamente. Mingyu puxou seu casaco mais firmemente sobre os ombros dela e se sentou ao lado, grande e sólido, como um escudo contra o mundo. "Você não é um floco de neve," ele disse depois de um longo silêncio. "Você é muito mais forte do que isso. Só precisa lembrar de novo."
E ali, sob as estrelas, eles ficaram.
𝘁𝗵𝗲 𝗯𝗲𝘀𝘁 𝗺𝗼𝗿𝗻𝗶𝗻𝗴 | j.ww
a/n: so ! don't question where this came from LMAO. serena ( @gotta-winwin ) please accept this as an apology for the wonwoo angst u read before this and the one you will read afterwards. i love you i promise 💗 also this is just really badly written smut i apologise i just went with the vibes. shoutout to june ( @junkissed ) for helping me find pics for the banner!
word count: 1.6k contents: NSFW content , wonwoo x afab!reader , established relationship , morning cuddles , nsfw warnings below the cut!
nsfw warnings: mdni! 18+ , unprotected sex , thigh riding , breast play , creampie , cockwarming , nicknames (f. princess, baby)
one thing you can say about yourself is that you are a morning person. you’ve always enjoyed waking up to see the first rays of light streaking across the dark sky. the sounds of birds chirping, the cool breeze, and the soft glow of the sun in the early hours of the dawn always manages to put you in a good mood for the rest of the day.
you can’t say the same about your boyfriend.
wonwoo, a self-declared ‘anti-morning person,’ is the complete opposite. he sleeps at an ungodly hour of the night and doesn’t leave bed till noon. thankfully, his work schedule allows him the leeway to sleep in that late, or else he'd be having some serious issues with his boss.
so, here lies the issue.
it’s 6:15 in the morning. the sun is barely out, but you’re already awake. it wasn’t your alarm that woke you up, but the restless feeling in your stomach. at first, you woke up thinking that maybe last night’s ramen didn’t digest well, but when you turned to look at your boyfriend sleeping next to you, hair messy and torso bare, you recognized the feeling in your stomach all too well.
you’re horny. at 6:15 in the morning. the sun is barely out.
“what the fuck,” you mutter to yourself, trying to close your eyes and force your brain to shut down, but it seems like all the energy in your body has been diverted to your core.
the visual of wonwoo in front of you doesn’t do too much to help your situation. neither does his morning wood, which is currently pressed against your hip.
“fuck me,” you whisper to yourself, lamenting this stupid situation you’ve gotten yourself into, when you get the scare of your life.
“this early in the morning?” a groggy voice chuckles, and it takes you a few moments to realize that it was wonwoo speaking.
wait, wonwoo?
“how are you awake this early?” you gasp, mortified that your boyfriend has woken up six hours too early and heard you spiraling into a horny mess.
“i was asleep, but i woke up because i could feel how needy you’re being now,” wonwoo explains, voice still raspy from just waking up.
you’re about to argue and tell wonwoo that it’s his arousal that you can feel very clearly, but wonwoo seems to predict your next move, because he decides to throw you off with his next words.
“you’re dripping with need, baby,” he mutters. “you’ve soaked through your panties. i could feel it on my leg.”
you belatedly realize that at some point during the night, wonwoo’s thigh got wedged between both your legs, which explains how your arousal seeped into his sweatpants, leaving a dark patch on the grey fabric.
“oh god,” you wince, embarrassment coloring your cheeks red. “wonwoo, i’m so sorry, i didn’t mean for that to happen. you can go back to sleep, yeah? i’ll take care of it-”
“why do it yourself when you have me?” wonwoo cuts you off. “you really think your own fingers are enough to make you cum?”
you know that wonwoo already knows the answer to that question. ever since you started dating wonwoo four years ago, you’ve been unable to give yourself an orgasm with just your own fingers or toys. only wonwoo’s touch helps you reach that climax, and he often calls you his ‘spoiled princess’ for it.
“no,” you mutter. “need your help, wons.”
“i’ve got you, baby,” wonwoo smiles, pressing a kiss to your forehead before grabbing your hips and pulling your body closer, his thigh still wedged between your legs.
“i want you to ride my thigh first,” wonwoo whispers in your ear, his hands slowly guiding your hips in a back and forth motion. “i want you to show me just how desperate you are for me. can you do that, love?”
you nod immediately. the friction that his muscled thigh is creating against your clit has already rendered you speechless, and soon, you’re rocking your hips against wonwoo’s thigh without his hands needing to guide you. you bring your hands up to clutch at his shoulders as you quicken the pace, chasing your release.
wonwoo helps by slipping his cold hands under your shirt, gently squeezing your breasts. the action makes you moan, and you arch your chest into his touch. “more, wonwoo, please,” you request, your voice strangled with pleasure.
“i’ve got you, baby,” wonwoo complies. he’s quick in tugging your shirt off all together, groaning slightly as he gets a full view of your bare chest. one hand goes to the back of your neck to pull you into a dizzying kiss, while the other massages your breast, squeezing harshly than before. he tugs and pinches at your nipples too, making you whine into his mouth.
“wons, it’s not enough,” you cry against his lips. “need your cock in me, please.”
and who is he to refuse you?
“turn over to your other side for me, princess,” wonwoo says, his voice deep and raspy. with the way the bulge in his sweatpants has grown bigger, you can tell he’s just as affected as you are. while wonwoo is taking his sweatpants off, you quickly flip onto your other side, your back coming in contact with wonwoo’s chest.
it’s like your usual spooning position, except for wonwoo lifting your leg and hooking it around his hip. the feeling of his tip nudging against your aching core is enough to make you go crazy, and you rut your hips onto his length, craving for more.
“aren’t you impatient today?” wonwoo chuckles into your ear. one hand is splayed across your abdomen, while the other nudges the fabric of your ruined panties to the side to finally slide his cock into you. as he slowly fills you up completely, the both of you let out similar groans of pleasure.
“fuck, feel so full,” you gasp. “wonwoo, move now, please. i can take it.”
wonwoo doesn’t need much more of a signal to start finally thrusting into you. you know that he’s just as desperate for release as you are because of the relentless pace he’s picked. you feel the breath get knocked out of your lungs as wonwoo snaps his hips into in fast and hard movements.
“you’re so tight around me, princess,” wonwoo rasps, his hand moving from your stomach to your breast, cupping and kneading the soft flesh. “can you feel how tight you’re clenching around me right now?”
“‘m close, so close,” you pant. “faster, wons, please.” you don’t pay any mind to how desperate your pleading sounds, not when all rational thoughts have completely left your mind with how good wonwoo is fucking into you as he leaves bruises on your neck and shoulder with his teeth.
the pressure in your core is rising rapidly, and somewhere between wonwoo’s fingers rubbing at your clit and his cock hitting your most sensitive spot, your climax hits you out of nowhere. you feel your walls gripping onto him as you’re finally pushed off the edge. wonwoo’s release follows soon after, his cum painting your insides white.
when you’ve both caught your breath, wonwoo releases the hold he has on your leg, and you wince at the soreness in your lower back. his hands go back to being wrapped around your waist, and he nuzzles his cold nose into the back of your neck, the action lodging him deeper inside you.
“do you wanna go shower now?” wonwoo whispers, and you shake your head.
“can we stay like this for a while?” you ask, basking in wonwoo’s warmth. “it feels really nice like this.”
“don’t have to tell me twice,” wonwoo agrees with no hesitation, and you laugh. in retaliation, he playfully pinches your hip. “hey, you were the one who woke me up six hours before i actually wake up.”
“at least this way you’ll see the sunrise for once,” you bite back, and wonwoo looks outside the window, his face lighting up when he sees the streaks of orange in the sky.
“it’s really pretty,” he admits, and you rest your hands on top of his, loosely lacing your fingers together. “but i’m still really sleepy. can i go back to sleeping now? you kinda interrupted my really awesome dream.”
you can’t help but snort at how groggy his voice sounds from the lack of sleep. “what was the dream about? one of your video games?”
even though you’re not facing him now, you can tell he’s smiling from the way his lips press into your skin. “nope, i was having an epic dream in which you and i save the world from jelly monsters.”
“that’s too bizarre for me to even analyze,” you sigh. “just go back to sleep, baby. i’ll wake you up in a bit.”
just as you make a move to slowly slip out of bed, wonwoo’s arms around you tighten. “no,” he mutters, now sounding even sleepier. “sleep in today, i know you don’t have any work.”
“just say you need your personal heater next to you,” you roll your eyes affectionately but don’t protest any further. you snuggle back into wonwoo’s chest, and the comfortable heat the closeness of your bodies brings you is enough to lull you back to sleep.
wonwoo stays awake for a little longer, memorizing how the emerging sun slowly covers you with its golden glow.
as he falls asleep, he finds that he wasn’t too upset about being woken up early in the morning, because mornings are the best when they’re spent with you.
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FINALLY FINISHED WITH ALL MY EXAM NOW ITS TIME TO FEED YOU ALL ENJOY MY FELLOW ADVENTURERS
I had to get Devil’s minion lesbians out of my system.
Fear
Capitulo 4: But i still can' t let go
Os três cavaleiros se curvaram de maneira impecável, sincronizados como se tivessem ensaiado aquele movimento durante horas. Seus corpos permaneciam rígidos, mas seus rostos traziam uma certa timidez, como se estivessem um pouco inseguros sobre como interagir com as duas mulheres à sua frente.
"A seu serviço, senhoritas," disseram em uníssono, suas vozes firmes e cheias de determinação, formando um coro harmonioso. Liriel, por um breve momento, piscou surpresa, enquanto Mirian imediatamente arqueou uma sobrancelha, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. "A nosso serviço, é?" ela repetiu, o tom levemente provocativo, cruzou os braços, os olhos de sua irmã cintilaram com humor. "Então... roubamos o rei, fomos sequestradas, torturadas com exercícios insanos e agora temos guardas pessoais para nos ajudar... a fugir?"
A morena riu, batendo nas costas da mais velha de leve. "Isso, irmã! Precisamos de um plano de fuga à altura. E, pelo visto, esses três estão à disposição para ajudar."
Dokyeom, o mais descontraído dos guardas, soltou uma risada abafada, rapidamente cobrindo a boca ao perceber que talvez não fosse apropriado. Hoshi manteve sua postura impecável, mas um leve sorriso ameaçou escapar.
"Com todo o respeito, senhoritas," Seungkwan começou, a voz um pouco preocupada, "nosso trabalho é garantir que vocês estejam seguras, não participarmos de... fugas imaginárias."
Liriel balançou a cabeça dramaticamente. "Ah, é sempre assim, não é? Todo mundo fica do lado do rei. E nós aqui, pobres almas indefesas, apenas tentamos sobreviver."
Mirian suspirou, fingindo resignação. "Bem, pelo menos vocês têm rostos bonitos. Acho que isso ajuda."
Dokyeom finalmente deixou escapar uma risada completa, enquanto Hoshi corava visivelmente. Seungkwan pigarreou, segurando um apavoro, tentando trazer alguma formalidade de volta à situação.
"Senhoritas," disse ele, "nos fomos designado o dever de protegê-las. Qualquer fuga—hipotética ou não—não está nos planos."
El colocou uma mão no peito, fingindo estar profundamente ofendida. "Mas e se precisarmos de ajuda para fugir da próxima rodada de exercícios do senhor tirano ali?" Ela apontou para Joshua, que observava a cena com os braços cruzados e uma expressão divertida.
"Continuem, por favor," ele disse, finalmente entrando na conversa. "É fascinante ver até onde vai a criatividade de vocês para escapar de um simples treino."
"Simples?" Mirian exclamou, girando nos calcanhares para encará-lo. "Isso é tortura, Joshua. Tortura glamorosa, mas ainda assim, tortura."
Os três guardas pareceram ainda mais desconcertados com o comentário, mas a morena rapidamente voltou sua atenção para eles.
"Bem, senhores, espero que estejam prontos para uma vida cheia de aventuras... e reclamações, porque vamos tornar o trabalho de vocês muito interessante."
Hoshi sorriu abertamente.
"Acredito que isso já esteja acontecendo."
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
As jovens estavam focadas, ou pelo menos tentando estar, na série de agachamentos que Joshua havia ordenado. As reclamações ecoavam pelo amplo pátio de treino, misturando-se ao som dos pesos sendo levantados e ao leve farfalhar das roupas de couro que usavam.
"Por que precisamos disso mesmo?" A mais nova perguntou, fazendo uma careta enquanto equilibrava o peso nas costas. "Não é como se fôssemos guerreiras de verdade," resmungou, a voz carregada de sarcasmo enquanto ajustava a posição do peso nas costas. "Eu nem sei quem inventou agachamentos, mas ele devia ser preso."
Liriel, ao lado dela, ofegava suavemente, tentando manter o ritmo. "Eu já disse, irmã, eles querem nos moldar em perfeitas damas... ou talvez em escravas reais altamente treinadas."
Os guardas, posicionados nas proximidades para supervisionar, abafavam risadas enquanto as observavam. Mesmo em meio ao cansaço, as irmãs mantinham um humor ácido, algo que parecia contagiar quem estivesse por perto.
"Isso tudo seria mais tolerável se tivéssemos pelo menos um banquete esperando no final," Mirian continuou, erguendo-se de mais um agachamento. "Mas não, só suor e dor!"
Foi então que Liriel sentiu. Um calafrio subiu pela espinha, não causado pelo frio do ar ou pelo esforço físico, mas por algo diferente.
Uma sensação de ser observada. Algo que fazia a pele formigar.
Ela parou por um momento, ainda com o peso equilibrado, os sentidos alertas. De costas para a porta do pátio, ela não viu a figura imponente que havia acabado de entrar, mas sentia o olhar queimando. Pesado. Intrusivo. Quase possessivo.
Mirian, ainda distraída com suas próprias queixas, não percebeu o súbito silêncio que se instalou ao redor delas. Os guardas ficaram rígidos, e até Joshua endireitou a postura, seus olhos desviando para a entrada.
"Mais foco, senhoritas," ele ordenou, mas sua voz estava tensa, e um leve sorriso puxava os cantos de sua boca. Foi então que ela, ainda com o peso nos ombros, finalmente cedeu à curiosidade. Virou levemente o rosto, os cabelos em rabo de cavalo balançando. E lá estava ele.
Seungcheol.
Encostado casualmente na porta do pátio, os braços cruzados sobre o peito largo. Mas seu olhar... Seu olhar não era nada casual. Ele estava fixo nela, nos movimentos que fazia, na forma como a roupa de couro moldava cada curva de seu corpo. Por um instante, ela ficou paralisada. Não sabia se era raiva, embaraço ou algo mais que subia pelo peito. Mas, sem pensar, largou o peso de qualquer jeito no chão, fazendo um estrondo que ecoou pelo pátio.
"Você!" ela exclamou, girando para encará-lo, o rosto vermelho, seja pelo esforço ou pela fúria.
Mirian, percebendo a mudança no tom, seguiu o olhar da irmã e arregalou os olhos ao ver o rei.
"Ah, claro. Agora temos audiência real."
Seungcheol arqueou uma sobrancelha, um leve sorriso curvando seus lábios. "Interessante treino, senhoritas. Parece que estão progredindo bem."
A menor deu um passo à frente, apontando para ele. "Interessante é o que você estava fazendo aí parado, nos encarando como um... um predador!"
Joshua pigarreou, claramente lutando para manter a compostura. "Majestade, acredito que a senhorita Liriel está apenas... emocionada com o progresso de hoje."
Seungcheol deu um passo à frente, sua presença quase esmagadora enquanto caminhava em direção a elas. "Emocionada, é? Parece que estou sendo acusado de algo."
Mirian, sempre rápida, se colocou ao lado da irmã, ainda segurando o peso.
"Talvez esteja. Afinal, rei ou não, há maneiras mais... elegantes de observar alguém, além do mais, não tem coisas mais importantes a fazer?."
O sorriso de Seungcheol cresceu quase mostrando suas gengivas, mas seus olhos continuaram fixos na loira, que, apesar do olhar desafiador, sentia o coração acelerar sob aquele olhar.
"Se vocês duas forem tão hábeis no treino quanto são nas palavras afiadas," ele disse suavemente, "então temos muito a esperar."
Mirian deu um pequeno riso irônico.
"Ah, meu rei, cuidado. Podemos acabar roubando muito mais do que sua atenção."
Joshua balançou a cabeça, divertido, e disse: "Majestade, acho que seria sábio deixar as senhoritas continuarem com o treino. Ainda temos muito a fazer."
Seungcheol assentiu, mas não sem antes lançar um último olhar para a loira. Um olhar que dizia muito mais do que suas palavras. E então ele se virou para Mingyu, ao fundo, sua presença pesando no ar.
Liriel apertou os lábios, tentando ignorar o calor que subia pelo pescoço. "Eu odeio esse homem," ela murmurou.
A mais nova deu um sorriso largo.
"Claro que odeia."
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Liriel tentava manter o foco em sua sequência de exercícios. Cada movimento parecia uma eternidade enquanto ela ouvia o som das espadas ao fundo. O clangor metálico ecoava pelo pátio, misturado com os gritos de esforço e concentração que vinham de Seungcheol e Mingyu. Ela mordia o lábio inferior, olhando de soslaio, tentando ignorar a cena. Mas era impossível. O combate era hipnotizante. Os movimentos eram precisos, como uma dança coreografada.
Ambos eram gigantes em presença, a força e a habilidade fluindo em cada golpe e defesa. Mingyu tinha uma postura graciosa, quase felina. Seus passos eram leves, mas poderosos, e a espada em sua mão parecia uma extensão natural de seu corpo. Seus músculos se contraíam a cada movimento, o brilho do esforço destacando sua pele de mel sob a luz mágica do pátio. Seungcheol, no entanto... Ele era um espetáculo por si só.
Cada golpe que desferia era como um trovão, ressoando com uma força que parecia impossível de ser contida. Sua presença era avassaladora, como se o espaço ao redor fosse moldado pela intensidade de seus movimentos. Ela tentou desviar o olhar de novo, mas então aconteceu.
Sem aviso, ambos os homens tiraram as camisas, jogando-as para o lado. Ela ouviu um leve murmúrio de surpresa vindo dos guardas e até mesmo de Mirian, que interrompeu suas perguntas para observar.
Os músculos expostos de Seungcheol eram algo fora de um conto de fantasia. Seu peito amplo, marcado por cicatrizes que contavam histórias de batalhas passadas, era um contraste fascinante com os músculos esculpidos de seus ombros e braços. Cada movimento fazia sua pele reluzir com o esforço, destacando a força bruta que ele carregava.
A loira sentiu o coração acelerar, uma mistura de surpresa e fascínio. Ela sabia que não deveria olhar, mas ele havia feito aquilo com ela antes. Ele a observou descaradamente, então talvez fosse justo.
Só um pouco.
O olhar dela seguiu o movimento de Seungcheol, os músculos do abdômen marcados e perfeitamente definidos enquanto ele girava para defender um golpe de Mingyu. A força em suas pernas era evidente, cada movimento carregando uma autoridade natural.
Ela estava tão absorta na cena que nem percebeu o leve sorriso no rosto da outra jovem, que observava sua irmã com um brilho travesso nos olhos. Então, fez o inevitável.
"Uau, que paisagem, hein?" assobiou alto, a voz carregada de provocação.
O som fez Liriel pular, como se tivesse sido pega em flagrante. Ela virou o rosto bruscamente, corando até a raiz dos cabelos. "Eu não estava... não estava olhando!"
Miri riu alto, colocando as mãos nos quadris.
"Ah, claro que não, irmãzinha."
Joshua, que estava por perto supervisionando os guardas, observou a cena com um olhar curioso, embora não dissesse nada. Mingyu riu do assobio ficando todo corado, mas Seungcheol permaneceu focado no combate, embora um leve sorriso quase imperceptível tenha curvado seus lábios.
Liriel tentou se concentrar em seus exercícios novamente, mas sentia o calor queimando suas bochechas e, pior, sabia que aquele sorriso discreto do rei era por causa dela. Mirian, ainda rindo, voltou a se aproximar dos guardas, trocando comentários provocativos que os faziam rir baixinho. Sua irmã, por outro lado, tentou manter a compostura, mas era quase impossível com o sangue fervendo em suas bochechas.
Ela furtivamente olhou para o fundo do pátio novamente. Seungcheol e Mingyu estavam em pleno combate, os movimentos mais intensos agora, como se a provocação da maldita irmã tivesse alimentado a competitividade entre eles.
O rei, contudo, parecia mover-se com ainda mais propósito. Cada golpe parecia mais calculado, mais forte, como se quisesse provar algo. Seus olhos, vez ou outra, desviavam ligeiramente para Liriel, um olhar rápido e penetrante, mas suficiente para fazer seu coração acelerar novamente.
Mingyu deu um giro impressionante, quase acertando Seungcheol, que desviou com facilidade.
"Você está se distraindo meu amigo" Mingyu provocou, sorrindo enquanto girava a espada em suas mãos.
"De jeito nenhum," respondeu Seungcheol, a voz grave reverberando no pátio. Ele bloqueou outro ataque com força, o som das espadas chocando-se reverberando pelo espaço. "Mas parece que você está."
Liriel mordeu o lábio, tentando manter os olhos no chão enquanto continuava seus agachamentos, mas a curiosidade a venceu de novo. Ela olhou para Joshua, que estava de braços cruzados, observando a batalha com uma expressão de leve aprovação.
"Você acha que eles sempre treinam assim?" ela perguntou, tentando soar casual.
Joshua olhou para ela, um sorriso brincando em seus lábios. "Sempre que estão no mesmo lugar. Não importa quantas vezes se enfrentem, é como se fosse a primeira. Mingyu gosta de desafiar o rei, e o rei... bem, ele gosta de ganhar."
Mirian se intrometeu antes que Liriel pudesse responder. "E você? Não treina, Senhor "Vossa Graça'? Ou prefere só observar?"
Joshua riu suavemente.
"Eu treino o suficiente, senhorita. Mas gosto de deixar que eles resolvam quem é o mais forte. É uma forma de entretenimento... para mim"
A jovem arqueou uma sobrancelha, claramente não convencida, mas antes que pudesse provocar mais, um som alto chamou a atenção de todos. Seungcheol havia desarmado Mingyu com um golpe poderoso, a espada do oponente voando pelo ar antes de cair no chão com um som metálico.
"Rápido demais" Seungcheol disse com um meio sorriso, estendendo a mão para Mingyu, que a aceitou com um sorriso largo.
"Da próxima vez, quem sabe," Mingyu respondeu, esfregando o ombro enquanto pegava a espada caída.
Liriel, sem querer, deixou escapar um suspiro. Foi algo quase imperceptível, mas suficiente para que Mirian a olhasse de lado com um sorriso provocador.
"Está se divertindo aí?" sussurrou, a voz carregada de malícia.
"Eu... estou apenas observando. É impressionante, só isso," respondeu rapidamente, tentando disfarçar o nervosismo. Antes que a morena pudesse responder, Seungcheol passou perto delas, tirando o suor da testa com um pano que um dos escudeiros lhe ofereceu. Ele lançou um olhar casual para mais baixa das irmãs, mas havia algo naquele olhar que parecia... mais intenso.
"Gostando do treinamento, senhoritas?" ele perguntou, a voz grave, mas com um toque quase provocador.
Mirian, como sempre, não perdeu tempo. "Bom, considerando que estamos sendo torturadas, é até interessante. Mas a show ajudou, devo admitir."
Seungcheol sorriu de leve, mas não respondeu diretamente. Ele apenas inclinou a cabeça levemente antes de sair do pátio, deixando um alguém com um coração disparado e sua irmã segurando a risada.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
O trajeto até a sala de banhos foi cheio de risos e provocações. As irmãs, ainda se recuperando do treinamento exaustivo, aproveitavam cada oportunidade para brincar com os guardas que as acompanhavam.
"Então, qual de vocês vai ter a honra de nos acompanhar no banho?" A mais alta perguntou, piscando de forma exagerada para um dos cavaleiros. Dokyeom, claramente embaraçado, coçou a nuca e tentou desviar o olhar. "Senhorita, nós... é claro que não..."
"Ah, que pena," acrescentou, segurando o riso enquanto fingia desapontamento. "Poderíamos aproveitar para discutir estratégias de combate, não acha?"
Os guardas tentaram manter a compostura, mas a brincadeira arrancou sorrisos tímidos deles. O Duque, que caminhava logo atrás, cerrou o maxilar, visivelmente incomodado.
"Creio que podem se banhar sem supervisão masculina, obrigado," ele disse com um tom cortante, lançando um olhar sério para os cavaleiros que imediatamente ficaram mais rígidos.
Liriel notou o tom de ciúme em sua voz e, como sempre, não perdeu a chance de provocar. "Ora, meu caro Duque, está com ciúmes? Achei que fosse um homem seguro de si."
Joshua parou por um momento, virando-se para encará-la. "Ciúmes? Não. Apenas zelo. Afinal, minha responsabilidade é garantir que estejam bem cuidadas, e não... distraídas."
Ela deu uma risadinha, mas Joshua não pareceu achar graça. Quando chegaram à entrada da opulenta sala de banhos, ele fez uma reverência ligeiramente rígida.
"As senhoritas podem aproveitar o banho sem pressa. A água foi preparada com ervas relaxantes para aliviar a tensão muscular do treinamento. Almoçaremos no salão principal, e após isso apresentarei o professor de dança. Espero que estejam descansadas até lá."
"Sim, senhor," Mirian respondeu em tom brincalhão, imitando uma saudação.
Joshua apenas revirou os olhos antes de virar e se afastar pelo corredor, murmurando algo inaudível.
Assim que ele desapareceu de vista, Liriel se inclinou para a caçula (por 3 minutos).
"Ele está morrendo de ciúmes, você viu?"
"Eu não acho que..." começou, mas sua irmã levantou uma sobrancelha cética.
"Ah, por favor,. Você é mesmo péssima em perceber essas coisas. Vamos logo, antes que ele volte e resolva nos carregar até o salão de banho pessoalmente."
Ao entrarem na sala, ambas pararam, impressionadas. O ambiente era deslumbrante. Uma grande piscina termal ocupava o centro, cercada por colunas de mármore branco com detalhes dourados. Lustres de cristal pendiam do teto, e o vapor da água quente criava uma atmosfera quase mágica. Pequenos pratos de frutas frescas e taças de suco estavam dispostos ao lado, enquanto toalhas de linho finíssimo estavam empilhadas em um canto.
"Isso sim é vida" A mais alta comentou, soltando um suspiro enquanto começava a tirar as botas. A mais velha apenas concordou com um aceno, deixando-se levar pelo momento. As duas rapidamente mergulharam na água quente, suspirando de alívio ao sentir o calor relaxante.
"Então, o que acha do Duque Ciumento?" A loira perguntou, lançando um olhar brincalhão para a caçula.
"Eu acho que adoro provocá-lo, só isso," respondeu, fechando os olhos e se recostando.
"Ah, claro."
Mirian apenas balançou a cabeça, tentando não dar importância. "Vamos apenas aproveitar o banho, esquisita. Tenho certeza de que ele já está planejando nos torturar na aula de dança depois do almoço." Ela riu, jogando um pouco de água na irmã antes de mergulhar completamente. Por um breve momento, tudo parecia perfeito—um raro instante de paz em meio ao caos.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
As duas irmãs estavam no centro de um verdadeiro exército de criados, costureiros e cabeleireiros que trabalhavam em ritmo frenético para deixá-las impecáveis. O ar da sala era perfumado com essências florais doces, e o som dos passos apressados e das instruções preenchia o ambiente.
Liriel, soltou um gemido de frustração enquanto uma das criadas ajustava o corpete do vestido. "Por todos os deuses, isso está esmagando meu quadril! Quem foi que inventou essas coisas? Certamente alguém que odiava mulheres."
Mirian, já acostumada às reclamações da irmã, apenas riu enquanto examinava seu reflexo no grande espelho dourado à sua frente. Seu vestido era de um verde esmeralda profundo, com detalhes prateados que cintilavam como pérolas. O corpete realçava sua figura e levantava os seios com um corte ousado, com uma fenda lateral que revelava suas pernas enquanto ela caminhava. Ela parecia selvagem, quase uma ninfa naquilo tudo.
A Loira não conseguiu deixar passar. "De onde você tirou essa pose toda pimposa de dama? Eu não sabia que tínhamos uma princesa escondida na família!"
A mais nova revirou os olhos, mas manteve o sorriso. "Talvez eu apenas saiba me adaptar melhor que você, irmã. Além disso, não é como se tivéssemos escolha. A propósito," ela apontou para o espelho, "o vestido roxo fica lindo em você."
Liriel olhou para si mesma, analisando o tecido púrpura que abraçava seu corpo. O vestido tinha um corte elegante, a saia fluída movia-se como um rio quando ela se movia. "É, bom... não posso negar que me sinto minimamente apresentável. Mas esses saltos altos..." Ela olhou para os sapatos dourados, claramente desconfortáveis, e fez uma careta. "São uma tortura."
"Quer que troquem por algo mais baixo?" perguntou uma das criadas.
"Por favor, pelo amor da minha sanidade," respondeu, aliviada.
Logo, as duas estavam prontas. Seus cabelos estavam elegantemente presos em coques com tranças, adornados com pequenos cristais que brilhavam com a luz. Quando os criados finalmente se afastaram, elas eram a personificação da nobreza, ainda que seus olhares revelassem o espírito selvagem que carregavam. Na porta do salão de baile, Joshua as aguardava. Ele vestia um traje formal preto que realçava sua postura elegante. Quando viu as irmãs, especialmente Mirian, ele ficou momentaneamente sem palavras.
Ela caminhava com uma graça que parecia quase inata, o vestido verde destacando seus olhos e a pele marrom. Joshua sentiu o coração acelerar, mas disfarçou, curvando-se levemente.
"Senhoritas, estão deslumbrantes."
Ela, sempre espirituosa, respondeu: "Ah, então você também sabe fazer elogios? Estou impressionada."
Liriel, por outro lado, apenas sorriu, agradecendo em um tom baixo. Quando Joshua ofereceu o braço para guiá-las, a morena olhou para ele com uma expressão travessa. "Vai nos arrastar até o salão de baile como fez no pátio, ou desta vez seremos tratadas como damas?"
Joshua riu suavemente, inclinando a cabeça. "Prometo que desta vez farei as coisas de forma apropriada. Afinal, não quero ser acusado de tirania novamente."
Com isso, ele começou a guiá-las pelo corredor iluminado por candelabros, onde o som da música suave já podia ser ouvido ao longe.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
O salão de dança era um espetáculo por si só.
Assim que as portas maciças se abriram, uma explosão de luz dourada preencheu os olhos das irmãs. Candelabros grandiosos pendiam do teto abobadado, suas centenas de cristais refletindo as chamas das velas e criando uma dança de brilhos pelas paredes.
O mármore do chão era impecável, um contraste perfeito entre branco e dourado que parecia espelhar todo o ambiente, enquanto colunas elegantes, decoradas com entalhes de flores e videiras, circundavam o espaço.
No fundo do salão, um pianista tocava suavemente, seus dedos deslizando pelas teclas como se fosse uma extensão de sua alma. A melodia era delicada e arrebatadora, envolvendo o espaço em uma aura quase mágica. Mirian sentiu-se transportada, os olhos percorrendo cada detalhe com fascínio genuíno. As janelas altas, com cortinas de veludo azul profundo, permitiam a entrada de uma luz difusa, enquanto espelhos estrategicamente posicionados ampliavam a grandiosidade do lugar.
Ela caminhava lentamente, o som de seus saltos ecoando pelo salão, enquanto absorvia cada detalhe. "É... é como um sonho," murmurou, quase para si mesma, mas Joshua, ao seu lado, ouviu claramente. Ele não conseguiu desviar o olhar dela, maravilhado pela maneira como seus olhos brilhavam, como se ela estivesse vendo algo extraordinário pela primeira vez.
"Fico feliz que esteja encantada," ele disse suavemente, um pequeno sorriso em seus lábios. "Mas temo que sua atenção será roubada agora." Ele fez um gesto com a mão, e de uma porta lateral surgiu uma figura graciosa.
Minghao entrou no salão com passos fluidos, quase como se estivesse dançando mesmo enquanto caminhava. Ele era esguio, seus movimentos refletindo uma leveza que parecia sobrenatural. Vestia um traje preto simples, mas impecavelmente ajustado, com detalhes prateados que destacavam sua elegância natural. Seus traços eram delicados, com olhos amendoados e um sorriso reservado, mas incrivelmente cativante. Ao se aproximar, Minghao fez uma leve reverência, sua postura impecável refletindo sua experiência e finesse como dançarino. "Senhoritas," disse ele, sua voz baixa e suave, carregada com um sotaque levemente exótico que tornava suas palavras ainda mais atraentes.
E Mirian, logo Mirian com os comentários sujos e descarados, sentiu o calor subir para suas bochechas.
O sorriso elegante dele, quase tímido, a desarmou completamente. Ela tropeçou nas palavras, mas conseguiu murmurar: "É um prazer conhecê-lo, senhor..."
"Minghao," ele respondeu, sua expressão ganhando um leve brilho divertido. "Mas acredito que, no salão, apenas 'professor' será suficiente."
Liriel, em busca de revidar as provocações da irmã, deu uma risada leve e murmurou: "Cuidado, Miri. Se continuar corando assim, vai derreter o mármore."
Joshua, que observava a interação, notou a reação da morena e não pôde evitar um resmugar contido. No entanto, ao olhar para Minghao, percebeu que o professor parecia igualmente encantado pela jovem, e se deu o prazer de revirar os olhos internamente.
Minghao se virou elegantemente para as duas. "Hoje, começaremos com os fundamentos. Prometo que, até o final desta lição, vocês estarão tão graciosas quanto o salão que nos rodeia." Ele estendeu a mão para a jovem, que hesitou por um segundo antes de aceitá-la, sentindo o toque leve, porém firme, do dançarino.
O salão parecia vibrar em harmonia com a música, enquanto Minghao a guiava para o centro, onde começariam a primeira aula.
Joshua cruzou os braços, observando de longe, com uma mistura de orgulho e algo que ele não queria admitir como ciúmes.
O dançarino se posicionou atrás de dela, movendo-se como um predador gracioso, mas sem nunca invadir sua bolha de conforto. Ele pousou as mãos suavemente sobre seus ombros, corrigindo a postura arqueada. "Relaxe, senhorita," ele disse, sua voz suave como a seda. "Seu corpo deve se mover como se estivesse flutuando. Agora, incline o queixo levemente para cima. Isso. Perfeito."
A gêmea mais alta sentiu-se estranhamente à vontade com o toque dele, mesmo que o contato fosse mínimo. Quando Minghao assumiu sua mão, segurando-a com delicadeza firme, ele deu um passo atrás, guiando-a para o centro do salão. "Agora, ouça a música. Cada nota dita o momento de seus movimentos. Feche os olhos, se precisar, mas confie em mim."
A hesitação inicial dela foi dissolvida pela paciência dele. Quando Minghao começou a girá-la suavemente, ela sentiu que era uma extensão da melodia que preenchia o salão.
O vestido dela, fluído e feito de um tecido leve, rodopiava ao seu redor como uma nuvem, refletindo a luz dourada que descia dos candelabros. Cada passo era guiado por ele com precisão, seus pés se movendo em sincronia com os dela.
O Duque, parado próximo à entrada, observava a cena com um olhar que misturava admiração e inquietação. Havia algo hipnotizante na maneira como ela se movia pelo salão, como se o espaço tivesse sido criado para ela. Seus cabelos brilhavam à luz do salão, e o sorriso hesitante, mas genuíno, que surgia em seu rosto enquanto ela aprendia os passos parecia roubar todo o oxigênio da sala.
Ele sequer percebeu que estava prendendo a respiração, perdido naquele espetáculo íntimo, até que foi arrancado abruptamente de seu devaneio pela voz calma, mas firme, de Minghao. "Duque Joshua," chamou o professor, sem interromper o movimento da morana, "seria gentil o suficiente para ajudar sua protegida, a senhorita Liriel? Assim posso me concentrar totalmente nos ajustes de Mirian."
Joshua piscou, confuso por um momento, até que percebeu que todos os olhos estavam nele, incluindo o olhar travesso da loira. Ela estava parada a poucos metros dele, com as mãos nos quadris, olhando para ele como se esperasse uma resposta espirituosa.
"Ah... claro," ele disse, um pouco desconcertado, antes de caminhar até ela.
Ele ofereceu a mão com um gesto elegante. "Parece que você ficou com o melhor dançarino disponível"
Liriel riu, aceitando a mão dele. "Veremos isso quando eu tropeçar no seu pé"
Enquanto Joshua começava a guiá-la nos passos básicos, com menos refinamento e mais esforço do que Minghao, a pequena não perdeu a oportunidade de provocar. "Então, duque, isso é parte de suas múltiplas habilidades? Além de torturador de manhã, você é um dançarino talentoso à tarde?"
"Eu prefiro o termo 'instrutor rigoroso'," Joshua respondeu, tentando soar sério, mas a brincadeira em seu tom era evidente. Ele ajustou a postura dela com cuidado, notando quando parecia brincar para se esquivar dos passos mais complicados.
Enquanto isso, Mirian continuava a ser guiada por Minghao, que agora a fazia girar em um movimento mais elaborado. "Você está se saindo melhor do que a maioria dos iniciantes, senhorita," ele elogiou, seu sorriso gentil, mas sincero.
"Você é um professor paciente," respondeu, corando levemente, tentando não tropeçar no deslumbre de seus próprios movimentos refletidos nos espelhos ao redor. No fundo, Joshua olhou para ela mais uma vez, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios,. Havia algo na determinação dela, na forma como ela mergulhava completamente em qualquer situação, que ele não conseguia ignorar. Mesmo enquanto dançava com sua irmã, seus olhos frequentemente voltavam para o centro do salão, onde Mirian girava como uma estrela no meio do universo.
O Duque tentou mais uma vez ajustar a postura de Liriel, mas ela permanecia rígida como se fosse esculpida em pedra. Ele pousou as mãos com cuidado nos ombros dela, tentando suavizar sua postura. "Senhorita, eu juro que você está mais tensa do que um arco antes de disparar uma flecha. Relaxe, por favor."
"Eu estou relaxada," ela rebateu, franzindo o cenho. "Isso aqui é relaxada. Se eu relaxar mais, desmorono em uma pilha de roupas chiques."
Ele suspirou, mantendo a paciência, mas quando tentou mais uma vez guiá-la em um movimento simples, ela tropeçou nos próprios pés e pisou no dele com força. Ele reprimiu um grunhido de dor, mas não perdeu a oportunidade de provocar.
"Ah, desculpe, Vossa Alteza. Será que esses sapatos elegantes que você usa são resistentes o suficiente para mim?" Ela sorriu de canto, um brilho travesso nos olhos.
"Eu já enfrentei bestas de cinco metros de altura e sobrevivi, senhorita," respondeu ele, com um sorriso contido. "Mas tenho que admitir que seus pés são uma ameaça completamente nova."
Enquanto ela gargalhava e tentava — sem sucesso — seguir seus passos, Joshua olhou, quase sem querer, na direção do centro do salão. Lá estava sua musa, sendo guiada com maestria por Minghao, seus movimentos ganhando cada vez mais graça. Seus passos eram delicados, mas firmes, e ela começava a se mover com a fluidez de alguém que fazia aquilo há anos. Havia algo nela que o deixou estático por um momento.
Mirian parecia... diferente, mas como ela mesma, quando se conheceram. Não era apenas a maneira como o vestido realçava sua silhueta ou como os cabelos estavam perfeitamente presos, com algumas mechas emoldurando seu rosto de forma quase angelical. Era o brilho nos olhos dela enquanto girava no salão, os lábios curvados em um sorriso pequeno, mas genuíno. Pela primeira vez desde que ela e a irmã haviam chegado ao castelo, parecia feliz.
E, por um instante, Joshua a viu como ela havia sido antes de tudo. Antes das dificuldades, dos furtos e do cinismo que agora coloriam sua personalidade, antes de tudo. Ela era de novo aquela menina que ele lembrava — curiosa, brilhante, quase etérea.
A imagem era tão poderosa que ele quase esqueceu de onde estava.
"Joshua?" A voz de El o trouxe de volta à realidade. Ela estava parada na frente dele, braços cruzados, o semblante entre irritado e divertido. "Eu sei que sou uma péssima dançarina, mas será que você pode pelo menos fingir prestar atenção? Ou ela realmente é tão fascinante assim?"
Ele piscou, sentindo o calor subir pelo pescoço. "Eu estou prestando atenção," mentiu, tentando recuperar a compostura.
"Claro que está," respondeu ela, revirando os olhos. Ela tentou mais uma vez seguir os passos dele, mas tropeçou de novo, desta vez caindo para frente. Joshua a segurou antes que ela atingisse o chão, mas não pôde evitar uma risada suave.
"Talvez devêssemos começar com algo ainda mais básico," ele sugeriu, ajudando-a a se endireitar. "Como andar em linha reta, por exemplo."
"Engraçadinho," retrucou, mas ela também estava sorrindo. "Vou melhorar, você vai ver. Só preciso de tempo... e talvez de um calçado menos assassino."
Enquanto retomavam os movimentos, o homem arriscou mais um olhar para a morena. Ela continuava dançando, agora em uma série mais complexa de giros e passos.
Seus olhos cruzaram os dele por um momento, e algo passou entre eles — uma espécie de reconhecimento silencioso. Ela desviou o olhar rapidamente, concentrando-se em seu professor. Joshua sentiu o estômago revirar, como se tivesse engolido vidro. Ele não conseguia desviar o olhar, mas agora, em vez de encanto, o que o consumia era uma sensação tão corrosiva quanto ácido. O sorriso dela... aquele sorriso pequeno, quase tímido, que fazia os olhos dela brilharem como estrelas.
Não fora para ele. Não. Fora para Minghao.
Minghao, com seus movimentos graciosos, postura impecável e aquele sorriso reservado que parecia uma maldita obra de arte. E ainda havia os toques — fugazes, mas presentes. Um ajuste sutil na postura dela aqui, um toque leve na cintura ali. Joshua viu quando Minghao pousou a mão na curva das costas dela para guiá-la em um giro, e algo dentro dele se contorceu de forma quase insuportável.
"Joshua?" A voz de Liriel novamente o tirou de seu transe, mas desta vez ele não conseguiu esconder a tensão no maxilar, os olhos ainda fixos no par ao centro do salão.
"Continue," respondeu ele, a voz mais baixa e ríspida do que pretendia.
A loira arqueou uma sobrancelha, claramente intrigada. "Continue o quê? Estou parada aqui há dois minutos esperando você voltar para a realidade. E, honestamente, você está parecendo que vai arrancar a cabeça de alguém."
Ele fechou os olhos por um instante, tentando recuperar a compostura. Mas quando os abriu novamente, o cenário só piorava. Mirian riu de algo que Minghao disse, a cabeça inclinando-se levemente para trás, expondo o delicado arco de seu pescoço. Ela parecia tão à vontade, tão aberta. E Minghao... ele sorria de volta, com aquela serenidade quase irritante.
Joshua sentiu um calor subir pelo corpo, como se estivesse prestes a explodir. Sua máscara de cavaleiro gentil, paciente e equilibrado, estava por um fio.
"Você está bem?" perguntou Liriel, agora com um tom mais sério.
"Estou," mentiu ele, os dedos apertando levemente os ombros dela enquanto tentava retomar o foco no treinamento. Mas era impossível. A cada giro, a cada risada, a cada toque entre os dois, a raiva fervia mais. Ele queria ser o motivo daquele sorriso, da risada, do brilho nos olhos dela.
Liriel soltou um suspiro exagerado. "Se você não me disser o que está acontecendo, vou começar a acreditar que você tem um problema com o meu talento natural para a dança."
Ele finalmente olhou para ela, mas sua expressão era séria, quase sombria. "Nada está acontecendo."
"Claro," disse ela, o tom carregado de sarcasmo. "E eu sou alta."
Joshua voltou o olhar para Mirian, incapaz de se conter. Ele viu quando Minghao a puxou para mais perto, os dois girando em perfeita sincronia, como se fossem peças de um mesmo mecanismo. A cena era tão perfeita que parecia uma pintura, e isso apenas intensificou o ciúme que o consumia. Ele respirou fundo, tentando controlar a explosão de sentimentos. Mas, enquanto observava Minghao murmurar algo no ouvido dela, provocando mais uma risada dela, ele sentiu que sua máscara estava começando a rachar. E, pela primeira vez em muito tempo, Joshua teve medo do que aconteceria se ela desmoronasse completamente. Ele sentiu que não poderia suportar mais um segundo naquele salão. A cada giro dela, a cada risada suave que escapava de seus lábios, parecia que algo dentro dele estava prestes a explodir. A tensão no peito era sufocante, um misto de raiva, frustração e algo que ele não queria nomear. Ele soltou a mais velha das gêmeasnabruptamente, quase sem perceber o gesto, e deu um passo para trás, os ombros rígidos.
"Preciso ir," ele anunciou de repente, a voz cortante.
Liriel o encarou com as sobrancelhas arqueadas, surpresa pela brusquidão. "Ir? "Agora? Você não vai nos deixar sozinhas com ele, vai?"
"Tenho uma reunião marcada," respondeu Joshua rapidamente, o tom afiado, sem sequer olhar para ela. Sem esperar por qualquer protesto ou reação, ele virou nos calcanhares, atravessando o salão como um furacão. Seus passos ecoavam pelo mármore, cada um carregado de uma fúria silenciosa. Ele sentia os olhares sobre ele — de Liriel, talvez até de Mirian e Minghao — mas não se importava. Precisava sair dali.
Quando alcançou as portas duplas, as abriu com um movimento brusco, o impacto reverberando pelo salão quando as portas se chocaram contra as paredes. Ele não se virou, não disse mais uma palavra. Apenas desapareceu pelos corredores, o som de seus passos diminuindo gradualmente.
No salão, o silêncio que se instalou foi desconfortável. El olhou para Minghao com uma expressão confusa, depois para Mirian, que parara de dançar e estava olhando fixamente para as portas por onde Joshua saíra.
"Que diabos foi isso?" a loira perguntou, cruzando os braços.
A mais alta piscou, ainda tentando processar a saída abrupta dele. "Não sei... talvez ele realmente tenha uma reunião?"
Liriel bufou, claramente cética. "Ou talvez ele esteja com algum problema mental que não nos contou."
Minghao limpou a garganta educadamente, um sorriso reservado nos lábios. "Ele pareceu... distraído. Talvez seja algo importante."
Mirian desviou o olhar, uma inquietação crescendo em seu peito. Joshua nunca agira daquela forma antes. Ele sempre fora o retrato da paciência e do controle, até mesmo nos momentos mais caóticos. Então, por que agora, justo agora, parecia tão... descontrolado?
Ela sacudiu a cabeça, tentando afastar os pensamentos. "Vamos continuar," disse, voltando sua atenção para Minghao. "Joshua pode cuidar de seus assuntos. Não é como se ele fosse insubstituível."
Mas, enquanto falava, não pôde evitar que uma sombra de preocupação se instalasse em sua mente. Algo estava errado, e, por mais que quisesse ignorar, o rosto de Joshua, tenso e sombrio, não lhe saía da cabeça.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Os corredores do palácio eram um espetáculo por si só, mas a promessa do "Jardim de Inverno" capturava toda a atenção das gêmeas. Envoltas em casacos de tecido pesado e luxuoso, adornados com peles macias e luvas que aqueciam até a ponta dos dedos, elas caminhavam ao lado de seus guardas. O ar estava carregado com a expectativa do que iriam encontrar.
"Jardim de Inverno?" Mirian perguntou, ajustando o cap de pele enquanto olhava para um dos guardas. "Isso soa meio poético. Estamos indo ver um só punhado de flores congeladas, ou tem mais alguma coisa?"
Hoshi sorriu, tímido. "É um lugar mágico, senhorita. Cada planta foi trazida de partes diferentes do reino, algumas de terras tão distantes que só sobrevivem aqui por causa das baixas temperaturas constantes."
Liriel, sempre curiosa, inclinou a cabeça. "E por que ele se chama 'Jardim de Inverno'? Parece contraditório."
Dokyeom, respondeu com um tom baixo. "Algumas dessas plantas são tão perigosas quanto bonitas. O nome é apropriado. Beleza e morte coexistem ali."
As irmãs trocaram um olhar breve, ambas contendo um sorriso. "Perfeito," Mirian murmurou, irônica. "Um lugar tão assustador quanto o resto desse castelo."
Pouco depois, chegaram a um imenso portão de ferro ornamentado, decorado com esculturas de folhas geladas e flores detalhadas. Quando as portas se abriram com um ranger, uma lufada de ar frio escapou, carregando o perfume sutil de plantas raras. O Jardim de Inverno era uma visão que roubava o fôlego. Árvores cobertas de geada brilhavam como cristais sob a luz suave de lâmpadas encantadas que flutuavam pelo espaço. Arbustos de folhas prateadas refletiam o brilho, enquanto flores de cores impossíveis — azul cobalto, roxo profundo, e até um negro absoluto — floresciam em meio à neve.
Cada passo sobre o chão de pedras cobertas por uma fina camada de gelo emitia um som delicado, quase musical.
"O que é isso?" Liriel sussurrou, tocando uma flor que parecia feita de vidro. Sua transparência capturava a luz e a espalhava como um prisma.
"É uma 'Flamma Glacialis'," respondeu o guarda Seungkwan. "Uma flor rara que brilha mais intensamente quanto mais frio fica."
"Vocês deviam colocar uma placa de 'não toque' aqui," a morena comentou, cruzando os braços. "Parece que tudo isso pode nos matar se não tomarmos cuidado."
Seungkwan riu baixo. "Por isso estamos aqui, senhorita." Conforme exploravam mais o jardim, os guardas explicavam as histórias por trás de algumas das plantas, enquanto as irmãs comentavam sobre a beleza e o perigo à sua volta.
"Admito, é impressionante," Liriel disse, olhando ao redor. "Parece um pedaço de outro mundo."
"Outro mundo?" A gêmea repetiu. "Parece mais um lembrete de que estamos longe de casa."
Liriel virou-se para ela com um sorriso. "Talvez seja melhor assim. Não acha?"
Antes que a irmã pudesse responder, os guardas interromperam com um aviso gentil para que tivessem cuidado com as vinhas de uma planta próxima, que se moviam com o vento, parecendo vivas.
Enquanto caminhavam mais fundo pelo jardim, as irmãs começaram a relaxar, deixando a beleza do lugar suavizar seus pensamentos inquietos. Era como se o frio ali não fosse apenas uma ameaça, mas também uma espécie de conforto gelado que as fazia esquecer, mesmo que por um momento, tudo o que estava acontecendo fora daquele paraíso encantado.
E bem no centro de tudo, um coreto parecia flutuar, cercado por arbustos gelados que brilhavam como diamantes sob a luz etérea das lâmpadas mágicas. Sua estrutura era feita de ferro forjado e ornamentada com intrincados detalhes de folhas e flores, cobertas por uma camada fina de gelo que cintilava.
No centro, uma mesa de cristal reluzente repousava, coberta por uma toalha branca bordada com fios dourados que pareciam capturar a luz. Pratos de porcelana impecávelmente brilhantes estavam dispostos em perfeita simetria, cada um adornado com doces que pareciam saídos de um conto de fadas. Havia tortinhas com frutas translúcidas, macarons de cores vívidas, bolos em miniatura com cobertura espelhada e biscoitos com detalhes tão precisos que mais pareciam joias. No centro, um bule fumegante jazia sobre um suporte mágico, mantendo o chá quente com uma leve aura azulada que dançava ao redor dele.
"Então... teremos uma hora do chá?" Mirian perguntou, com uma sobrancelha arqueada, enquanto analisava a cena.
Antes que um dos guardas pudesse responder, uma voz profunda e firme ecoou atrás delas. "Exatamente."
Ambas as irmãs giraram rapidamente, encontrando o rei emergindo do fundo do ambient. Seu porte era impecável, ainda mais impressionante à luz suave que banhava o local. As roupas de inverno negras que usava destacavam a largura de seus ombros e o corte perfeito de sua figura.
O casaco longo, forrado com pele escura, dava-lhe um ar imponente, enquanto os cabelos levemente compridos estavam jogados para trás, revelando um rosto que parecia talhado por escultores divinos.
Os guardas imediatamente inclinaram-se em uma reverência, mas Seungcheol apenas acenou com uma mão, dispensando formalidades. Com passos firmes, ele aproximou-se da mesa e, com um movimento fluido, puxou uma das cadeiras para Liriel. Seus olhos a encontraram por um breve instante, e o peso de seu olhar era como um raio silencioso.
"Senhorita," ele disse, com um tom cortês, porém carregado de algo mais profundo.
Enquanto a mais velha se acomodava, um dos guardas, puxou a cadeira para Mirian, que, sorrindo, comentou: "Parece que a etiqueta aqui está melhorando. Estou impressionada."
O rei ignorou o comentário sarcástico de sempre e sentou-se em uma das cadeiras restantes, observando o grupo com uma expressão calculada, mas não desprovida de charme. Ele gesticulou para o chá. "Sirvam-se. Este é um dos melhores blends mágicos do reino. Espero que gostem."
El pegou uma xícara, ainda um pouco aturdida pela proximidade do rei. Seus dedos, cobertos por luvas finas, seguravam a delicada porcelana com cautela. Quando ela levou a xícara aos lábios, um aroma floral e levemente apimentado subiu, aquecendo seus sentidos antes mesmo do líquido tocar sua língua.
"Meu Deus, isso é... inacreditável," murmurou, os olhos brilhando com genuína surpresa.
"Não só o chá," acrescentou Mirian, pegando um dos doces e mordendo com um sorriso travesso. "Esses bolos... parecem uma provocação culinária. Vocês querem nos manter aqui pelo estômago?"
"Se funcionar," Seungcheol respondeu com um meio sorriso, o tom baixo e controlado.
Enquanto conversavam, o rei manteve um ar de superioridade tranquila, mas seus olhos vagavam sutilmente até a loira, especialmente quando ela sorria, mesmo que fosse raro. Joshua poderia ter sido mais expressivo em suas emoções, mas Seungcheol... ele se mantinha contido, embora sua intensidade fosse palpável.
Depois de um tempo, a mais nova, sempre mais ousada, inclinou-se levemente sobre a mesa. "Então, majestade, é sempre assim que vocês recepcionam prisioneiras no palácio? Chá, doces e um jardim encantado?"
Seungcheol riu, um som breve, mas genuíno. "Vocês não são prisioneiras. São aliadas. Embora... espero que valorizem esse tratamento. Ele não é comum."
Mirian trocou um olhar com a irmã e sorriu. "Bem, se isso é ser aliada, acho que podemos nos acostumar."
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Liriel mal havia dado a primeira mordida em um dos doces brilhantes quando sentiu aquele olhar. Pesado, fixo, invasivo. Ela tentou ignorar, mas era impossível. Cada movimento seu parecia estar sendo examinado por Seungcheol, como se ela fosse uma peça em um tabuleiro que ele precisava desvendar. Seus dedos congelaram na metade do caminho até a xícara de chá, e ela suspirou, irritada.
"Algum problema, majestade? Ou está tentando descobrir o quanto de doce consigo comer antes de explodir?" alfinetou, arqueando uma sobrancelha enquanto pousava a xícara com um movimento deliberado.
Seungcheol, imperturbável, apoiou o queixo na mão, seu sorriso ligeiramente inclinado, como se estivesse saboreando a provocação. "Nada disso. Só estou tentando entender como você consegue comer com tanta… elegância forçada. Parece um pássaro engolindo grãos pela primeira vez."
A mordida do doce quase desceu atravessada. Mirian, que estava saboreando uma delicada massa fina, engasgou levemente, tentando segurar o riso, enquanto os guardas atrás dela tossiam, claramente tentando disfarçar a diversão.
"Elegância forçada?!",o olhar fulminante. "E o senhor, por acaso, fez um curso avançado em observar pessoas enquanto comem? Ou é só mais um dos seus muitos talentos reais?"
Seungcheol riu, mas o som era baixo e cheio de provocação. "Eu me orgulho de ser multifacetado, senhorita. Talvez pudesse lhe ensinar algumas coisas… como, por exemplo, não esmagar o doce na mão como se estivesse matando uma barata."
A loira olhou para o doce em sua mão e percebeu que, de fato, o havia apertado um pouco mais do que deveria. Sentindo as bochechas corarem levemente, ela imediatamente largou o pedaço no prato e endireitou a postura. "Talvez o problema seja a qualidade do doce. É mais mole do que deveria. Mas, claro, como poderia entender algo sobre isso? Deve estar acostumado com tudo perfeito e sem falhas. Deuses me livrem de viver nesse tédio absoluto."
Seungcheol inclinou-se ligeiramente para a frente, apoiando os cotovelos na mesa e cruzando as mãos. "Tédio absoluto? É engraçado você dizer isso. Mas quem sou eu para julgar? Parece que estou aprendendo a apreciar o entretenimento que você proporciona, Liriel."
Mirian, agora comendo mais um pedaço de massa folhada, riu abertamente.
"Ah, por favor, continuem. Isso é melhor do que qualquer teatro que já vi."
A mais velha lançou um olhar de advertência para a irmã, mas voltou imediatamente sua atenção para Seungcheol, que agora a observava com aquele sorriso ligeiramente presunçoso. Ela sabia que ele estava adorando aquilo.
"Entretenimento, é?" Liriel retrucou, inclinando-se ligeiramente na direção dele. "Bem, fico feliz em proporcionar algum alívio para sua rotina enfadonha de rei. Talvez até me torne sua boba da corte, já que aparentemente essa posição está vaga."
"Ah, não creio que você tenha o perfil para boba da corte," Seungcheol respondeu com a voz baixa, mas firme. "Você tem a língua afiada demais para isso. E, além disso, já é um desafio mantê-la sob controle sem que tenha oficialmente esse cargo."
Os guardas, que haviam tentado manter a postura até então, finalmente soltaram um riso abafado. Um deles limpou a garganta, enquanto Mirian os olhava por cima do ombro com um sorriso travesso.
"Vocês aí atrás," disse, erguendo uma sobrancelha. "Vão tomar partido também ou só estão apreciando o espetáculo?"
"Estamos apenas... à disposição, senhorita," Hoshi respondeu rapidamente, embora seu sorriso fosse evidente. Liriel bufou e pegou a xícara de chá, tentando recuperar a compostura. "Sabe, majestade, acho fascinante como você sempre consegue a última palavra. Deve ser por isso que as pessoas ao seu redor preferem concordar com você do que argumentar. Quem poderia competir com tamanha... diplomacia mascarada?"
Seungcheol ergueu a xícara em um brinde irônico.
"E quem disse que quero competir? A última palavra, afinal, é privilégio de quem tem razão."
Mirian então levantará com um sorriso tão doce quanto diabólico. A gêmea não deu a menor chance de protesto, entrelaçando o braço com Seungkwan e praticamente o arrastando para fora do coreto.
"Sinto que comi muito, preciso de uma caminhada. Continuem o chá sem mim. Logo voltarei. Divirta-se, irmã," disse com uma voz exageradamente inocente, mas o brilho travesso em seus olhos entregava suas intenções.
Liriel apertou os dentes, os dedos agarrando a borda da mesa com força.
Ela a mataria. Aquela pirralha pagaria caro por aquilo.
Seungcheol observou a cena com calma, embora um leve sorriso de canto revelasse que ele entendia perfeitamente o que a mais jovem estava fazendo. Quando ela e Seungkwan desapareceram entre as árvores do jardim, ele voltou sua atenção para a loira, que ainda parecia à beira de explodir.
"Algo de errado, meu amor?" ele perguntou, acomodando-se mais na cadeira, como se estivesse prestes a aproveitar o espetáculo.
"Errado? Não, claro que não," ela respondeu, o sarcasmo gotejando de cada palavra. "Só estou considerando as variadas formas de fazer minha adorável irmã desaparecer sem deixar vestígios."
Seungcheol riu baixinho, aquele som grave e provocador que só a irritava ainda mais. Ele levou a xícara aos lábios, sem pressa.
"Você deveria agradecê-la, sabia? Talvez ela esteja lhe dando uma oportunidade valiosa."
Liriel arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. "Oportunidade? Para quê? Ser torturada com mais uma rodada do seu charme sufocante?"
"Charmoso, eu?" Seungcheol respondeu com um sorriso satisfeito. "Não sabia que pensava isso de mim, senhorita. Talvez esteja começando a me admirar."
Ela bufou, inclinando-se para frente, os olhos verdes faiscando. "Admiração? Só se for pelo fato de você conseguir irritar alguém até mesmo enquanto respira."
Ele repousou a xícara na mesa com um leve tilintar, os olhos nunca deixando os dela. "Interessante, porque eu diria o mesmo sobre você. Uma qualidade rara, devo admitir."
"Não tenho tempo para ser rara, majestade," ela devolveu, recostando-se na cadeira com os braços cruzados, o tom desafiador. "Estou ocupada demais sendo torturada com exercícios impossíveis e, agora, obrigada a aturar sua companhia forçadamente."
Ele inclinou-se levemente, os dedos entrelaçados sobre a mesa, os olhos brilhando com um misto de desafio e diversão.
"Se for tão insuportável assim, por que não tenta escapar? Estou curioso para ver o que aconteceria."
Liriel encarou, estreitando os olhos. "Você é mesmo insuportável. Mas não se preocupe, majestade. Se eu decidir escapar, farei isso de forma tão brilhante que nem perceberá até ser tarde demais."
Seungcheol riu de novo, aquele som grave e carregado de autoconfiança. Ele se recostou na cadeira, examinando-a como seriedade. "Se isso acontecer, amor, prometo que eu mesmo irei atrás de você. E não será para trazê-la de volta… será para ver como você sobrevive a mim."
A jovem sentiu o coração bater mais rápido, mas rapidamente o ignorou, convencendo-se de que era apenas raiva. Ela estava fervendo. A cada palavra que saia da boca de Seungcheol as farpas ricocheteavam como espadas em duelo.
"Você é inacreditável, sabia?" A loira finalmente exclamou.
“Inacreditavelmente impressionante, talvez,” Seungcheol respondeu com um sorriso confiante.
"Não," ela retrucou, cruzando os braços. "Inacreditavelmente irritante. Eu me pergunto como alguém consegue resistir à sua presença sem perder a cabeça."
Ele inclinou a cabeça, os olhos brilhando de provocação. "Pelo visto, você já está à beira de descobrir isso."
Liriel estreitou os olhos, a raiva borbulhando em cada centímetro do seu corpo.
"Sabe o que mais? Eu não preciso disso. Não preciso do seu sarcasmo, da sua arrogância ou de você me perseguindo pelo palácio como se fosse dono do meu destino."
Seungcheol deu um passo à frente, os lábios curvados em um sorriso lento e perigoso. "Eu sou dono do seu destino."
Ela bufou, os olhos faiscando como se quisesse incinerá-lo ali mesmo. Sem pensar, arrancou uma das luvas, jogou-a na mesa e, em um movimento rápido e certo, pegou uma das tortinhas delicadas que estavam no centro.
"Majestade", ela disse, com uma voz gotejando sarcasmo, antes de atirar a torta direto na cara dele.
Liriel impinouo queixo, como se acabasse de vencer uma batalha épica. "Com isso, encerro nossa adorável conversa." Ela girou os calcanhares e saiu batendo os pés.
O silêncio que se seguiu ao ato impulsivo foi quase ensurdecedor. Seungcheol ficou estático por um momento, sua expressão quase incrédula enquanto o creme escorria lentamente por seu rosto.
Os guardas congelaram em seus lugares, os olhos arregalados alternando entre a figura furiosa da dama, que já estava se afastando com passos firmes e cheios de indignação, e o rei, que ainda parecia processar o que havia acabado de acontecer.
“Você acabou de...?” Dokyeom começou a perguntar, mas sua voz morreu quando Seungcheol levantou uma mão, pedindo silêncio. Para a surpresa de todos, um riso grave e poderoso ecoou pelo coreto. Seungcheol inclinou-se para trás na cadeira, limpando parte da torta do rosto com os dedos e lambendo um pouco do creme que escorria até o canto de seus lábios.
"Delicioso," ele comentou, seu tom carregado de humor enquanto limpava o restante com um lenço de linho branco. "Eu deveria agradecer a senhorita Liriel por me mostrar outra utilidade para as sobremesas."
Os guardas, ainda desconcertados, trocaram olhares confusos. "Majestade... nós deveríamos... seguir a senhorita?"
Seungcheol olhou na direção pela qual ela havia partido, um brilho curioso e quase satisfeito dançando em seus olhos. "Não, deixem-na ir. Ela precisa esfriar a cabeça... e, talvez, as mãos também."
Ele então notou a luva dela esquecida sobre a mesa. Pegando-a com cuidado, ele a segurou por um momento, os dedos traçando os delicados bordados. Um aroma suave e inebriante, que ele assumiu ser dela, ainda pairava na luva.
Ele aproximou-a do rosto, inalando profundamente, e um pequeno sorriso curvou seus lábios. "Espírito feroz e coração indomável," ele murmurou para si mesmo, guardando a luva no bolso interno de seu casaco como se fosse um tesouro.
"Não se preocupem," Seungcheol disse, levantando-se e ajustando o casaco. "A senhorita ainda terá que me enfrentar novamente. Só espero que, da próxima vez, ela escolha uma arma mais digna do que uma torta." Com isso, ele deixou o coreto, os passos firmes, enquanto os guardas olhavam um para o outro, ainda chocados, mas certos de que haviam presenciado algo que ficaria marcado para sempre.
Os guardas, mais uma vez sem saber como reagir, ficaram imóveis, esperando alguma ordem.
JENNIE & DOECHII ExtraL (2025), dir. Cole Bennett
nós ouvimos e não julgamos... (?)
essa ft aq...
GUN PLAY GUN PLAY FODASEEEEE QUERO MINHA VEZ MINHA VEZ
PEDRO PASCAL SNL50: The Anniversary Special Red Carpet — February 16, 2025
