Morri. Morri ontem, hoje e morrerei amanhã. Todos os dias uma parte diferente de mim voa, sem me deixar um fio pelo qual eu possa tentar buscá-la de volta. Pois é, está claro que eu realmente não estou mais aqui. Quantas datas do meu falecimento estarão presentes na minha lápide? Quantas das vezes que meu coração parou de bater, minha respiração falhou e meus olhos se fecharam? Meus convidados, todos de preto e enlutados, se perguntam como não viram. Como não viram o brilho se perder? Como não viram a gritaria silenciosa que eu proferia? Eu morro todos os dias e ninguém vê.
Ana Novaes












