juwcn:
a naturalidade dos movimentos deixava transparecer que aquela não era uma situação atípica; na realidade, não era nem um pouco raro para juwon encerrar suas noites daquela maneira – especialmente as que sucediam algum encontro com a matriarca jang – de modo que já não via dificuldade alguma em realizar o percurso entre a residência da família e o apartamento da namorada a mantendo segura até mesmo quando @jangswmin não parecia ter condições de se manter em pé sem seu auxílio. o protocolo era simples: adentrar o prédio pelo acesso destinado aos funcionários a fim de evitar o encontro com outros condôminos, livrar-se de qualquer possível dano à limpeza da casa causado pela mais nova, preparar um banho para a mesma, certificando-se de ficar junto dela durante esse, e, o mais importante, assegurar-se que somin estivesse confortável. seus braços não abandonaram o entorno do corpo alheio por nem mesmo um instante após ter a ajudado a descer de seu carro, seus passos eram lentos e propunham um ritmo que poderia ser acompanhado pela outra enquanto uma de suas mãos carregava os pertences de ambos “ chegamos em casa, okay?” sua voz saiu baixa, mansa e foi carregada por uma gentileza nem um pouco comum para o seong “falei que eu não ‘tava me sentindo muito bem, então, não precisa se preocupar, ninguém notou nada” não resistiu ao impulso de tentar a tranquilizar e garantir que seu estado não havia sido reparado por nenhum dos convidados do evento sediado pelos jang, no entanto, ambos sabiam que aquela não era a verdade. a relação da mais nova com sua mãe era mais complexa e infeliz do que qualquer um conseguia descrever, de modo que cabia a ele a tarefa de tentar amenizar os impactos que os encontros com a mulher causavam em somin “vamos tirar essa roupa, mhm? deixa eu só largar isso aqui…” deixou os objetos que carregava sobre um dos móveis no hall de entrada do apartamento e ergueu o corpo da menor em seus braços a fim de facilitar o trajeto até o cômodo desejado “vou pegar uma roupa limpa pra você, mas, vamos só tomar um banho antes, okay? quer que eu encha a banheira ou prefere um chuveiro mais rápido?”
uma das coisas que somin mais prezava era o controle. era por isso que não abria mão de administrar cada pequena parte de sua própria vida, mesmo sabendo que seria muito mais fácil se contratasse pessoas para que tivesse um auxílio. porém, em sua ânsia de garantir que tudo saísse exatamente como ela queria, sobrecarregar-se sozinha ainda era uma opção mais segura para manter-se no controle. era um dos principais motivos pelos quais a mãe a amedrontava tanto: nari tirava dela qualquer chance de controle, principalmente sobre si mesma. para aguentar qualquer mínima interação com a matriarca, quanto menos estivesse presente, melhor para si. era por isso que aqueles eram os únicos momentos nos quais acabava esquecendo-se do limite na ingestão de seus ilícitos e exagerava. ainda sobre controle, aqueles momentos só eram menos pesarosos porque sabia que tinha a ele. juwon assumiria a frente e o controle da situação, exatamente como acontecia naquela noite. o trajeto da casa dos pais até o próprio apartamento sempre era um borrão de luzes e imagens desconexas para a mente afetada da jang, que permitia-se ser guiada e cambaleava ao lado do namorado até a segurança da própria casa. e era só ali, em seu espaço pessoal, com a coisa mais pessoal que tinha em sua vida, que era o próprio juwon, que somin sentia que podia voltar a respirar. sua mente era o próprio inferno no momento, de forma que os pensamentos conturbados só silenciavam quando a voz dele soava e, ainda assim, ela precisava de um esforço extra para concentrar-se nas palavras. alguns assentires foram as únicas respostas da loira para as primeiras colocações do rapaz, ainda estando presa no pequena transe que entrava desde o primeiro confronto com a mãe e até a ingestão da última pílula. a cabeça só se silenciou quando sentiu o corpo sendo pegue pelos braços alheios, e, mesmo em meio ao próprio caos interno, finalmente ela se sentia em casa. “chuveiro.” resmungou ao passar os braços em volta dos ombros alheios, a voz soando baixa e rouca pelo desuso das últimas horas. sentia o breve balançar do corpo enquanto rumavam ao quarto, e alocou a cabeça na curva do pescoço dele, inspirando seu perfume ao que, aos poucos, parecia retomar a plena consciência. e tão logo quanto o fazia, sentindo o torpor deixar o corpo para abrigar sentimentos demais para que ela conseguisse lidar, só notou que os olhos marejavam quando o enxergar ficou embaçado pelas lágrimas. “não me solte.” aumentou o aperto contra ele, pressionando o rosto contra sua pele e encolhendo os pés, como uma criança com medo de ser colocada no chão e ser obrigada a andar com as próprias pernas. “não quero que você se afaste. por favor.” e mesmo que pudesse guardar vários sentidos subjetivos ali, no momento, as palavras eram tão literais quanto podiam ser. não queria que ele fosse um único centímetro para longe, não queria deixar de sentir um único centímetro do corpo dele, pois os braços de juwon eram tudo o que ela conhecia de um lugar seguro para existir. mesmo com os olhos fechados, o choro aos poucos aumentava de frequência, de forma que aos poucos o corpo começava a estremecer levemente a cada balbuciar que se dava em meio a suas palavras. “toda vez que ela olha para mim eu sei que ela me odeia mais, amor. toda vez. o que tem de errado comigo para ela me odiar tanto?!”











