Tenho me sentindo sozinha, sabe, como se tivesse sido abandonada no meio do mundo, com pessoas passando ao meu lado, mas ninguém quer saber quem é.
Digo isto porque, primeiramente, sinto falta das palavras, de me transbordar e redobrar nelas e sobre elas, fazendo de quase toda dor e vazio, poesia.
E depois porque tenho tido saudades de coisas que nunca aconteceram. Eu sei, é estranho, afinal, como pode se não passam de um nada que nunca foi?
E medo, medo de que meus sonhos se realizem e que, então, eu tenha que ser feliz e que ser infeliz ou simplesmente não escolher nenhuma das opções seja errado.
Parece absurdo: ter medo de se realizar.
Mas a verdade é que há tanta expectativa sobre o que quer que seja, digo, as pessoas criam expectativas sobre algo que não há - e talvez venham daí as saudades do que nunca foi - que não tem muito pra onde correr.
Não sei se me explico bem, mas parece que, não importa o que ou quem você seja sempre é esperado algo de você que, na maior parte do tempo, é impossível alcançar porque está no outro e não em nós.
Sabe, como quando esperam que eu seja feliz porque tenho isso ou aquilo. Na verdade, ninguém pode esperar que o outro seja feliz, assim, só por ser ou só porque se é, já que só cada um de nós sabe do que está dentro da gente, não é?
O problema é que essas mil pessoas que passam todos os dias por mim fazem se importar, olham como se ligassem, mas na verdade só querem saber da vida e garantir, para si mesmas que, assim como elas, não alcançamos as expectativas que elas criaram - tanto para si quanto para nós.
E aí não tem como não ser sozinho, como não estar só no meio de tanta gente, gente que na maioria das vezes não sabe nem de si e quer saber do outro.
E dói.
Porque na verdade estou, realmente, quase completamente sozinha vagando no meio de tanta gente que já nem sei mais contar.