apesar de tudo.
Eu sabia dos teus mil e um defeitos, ao contrário do que toda a gente pensava. Eu sabia que eras infantil, convencido, que tinhas sempre a razão e que eras egoísta. Conhecia o teu ego interminável e essa personalidade de quem conseguia tudo o que queria. Sabia também que isso era tudo fachada, que eras um miudo inseguro, cheio de nada.
E eu apaixonei-me por ti. Por esse feitio de merda, que consegue ser ainda pior que o meu. Ainda assim eu via em ti tudo o que eu queria para mim. Imaginei-nos juntos vezes sem conta. A passear por aí, a rir e a discutir como nós faziamos. Imaginei-nos em casa, sem conseguir manter as roupas no corpo, em noites seguidas que passavamos acordados a explorar cada canto do nosso corpo. Imaginei-nos juntos em qualquer situação, com risos, beijos, lágrimas, orgasmos… tudo misturado, tudo junto.
Mas, embora eu criasse mil e um sonhos para nós, eu tinha a certeza que nós nunca dariamos certo, por muito que eu quisesse. Tu que não amas ninguém, eu que te amo mas não confio em ti. Iamos ser desastrosos, iamos sufocar até morrer. Então deixei-te ir.
Fiquei aqui, com a marca dos teus beijos e cicatrizes no corpo e na alma das noites intensas que passámos juntos. Fico aqui sem ti, e tu podes ir perder-te entre milhares de corpos como bem gostas. Sei que tu me vais fazer tremer para sempre, que esse sorriso me vai dar sempre a volta ao estomago e que sempre que me falares eu vou ficar sem ar.
E não interessa o esforço que alguém faça para me levar o coração. Eu posso até ir, mas sei que um pedaço de mim estará sempre contigo e eu nunca vou conseguir ser eu da forma que era contigo.















