Survival of the richest, the city’s ours until the fall They’re Monaco and Hamptons bound but we don’t feel like outsiders at all
◥◣ a Wöfflin-Merandus spin-off ◥◣
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Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

Product Placement
hello vonnie
Monterey Bay Aquarium

Discoholic 🪩

Andulka
macklin celebrini has autism
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Love Begins
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Die Darcy-Wöfflin-Tearsheet Vettern:
Rabastan, Veridiana, Tobiah und Raphaela
Family consists on the people who you love the most, who you know that’ll be there when the right time comes. It was always like that with those four —— or at least with Rabas and Kile, ‘cause Diana and Raphaela had never really gotten along really well, but still, the four of them were part of something bigger: a family. A twisted, complicated family, full of psychos and megalomaniacs, but it never mattered, as long as they were kind of together when all hell breaks loose —— which happened more or less once a month, knowing their parents. None of them would trade any of them —— talking about an unbreakable bond, am I not? —— for nothing. Rabastan was the eldest, the Wöfflin’s and Tearsheet’s first born. Soon enough, Veridiana was born: the daughter of Whilhelmina’s best friend with Louis’ father, the filthy rich widower who owned roughfully half of the biggest Switzerland banks, Sebastian Wöfflin, not that his son or his daughter would claim his heritage.
Louis always lived like a soldier, preparing to fight and die everyday, and Julia became the type of CEO who had only eyes to her job and possible affairs —— so different from the girl he raised, naîve and full of romantism. Of course, eventually the youngest Wöfflin twin kind of settled down, had a baby girl —— never got married, though, it simply wasn’t for her anymore ——, who she named Frederika. Then, she sent her away to the depths of New Zealand, the place where she’d move in years later with another guy; an australian, perhaps. They’d never really kept track of Julia’s newest flames. Tobiah didn’t really had to wait that long before he finally came, result of the reunion of Whilhelmina’s older brother, Hamish, with a british socialite, finally giving Rabastan someone to play with —– well, kind of —and, two years later, the little lieutenant —— better than that, actually, the soldier ——, was there to complete the quartet when Whilhelmina gave birth to her on a stormy afternoon.
They were the next generation of those ridiculously wealthy families, and yet, they were flawed. All of them feared one thing more than death, more than life itself and money could never help them with that part, to be honest, but that’s why they’d always have each other —— times like these require that kind of thing. That kind of particular bond that makes everybody shiver in awe. They were brothers and sisters —— sometimes more than that, actually ——, even though only Rabastan and Raphaela shared that particular kind of kinship.
☆ ☆ ☆ Out of character: ☆ ☆ ☆
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❖ flashlight ••• tobarbie
f l a s h b a c k
O sorriso se alargou na boca da Cavendish, tão esplendoroso quanto a luz a que seu nome remetia. Claire. Era possível que - como diziam - ela se assemelhasse ao tal brilho, porém, era inegável também como sua intensidade era acentuada ao lado do amigo. — Se é assim, da próxima vez que tiver um apagão eu estarei mais bem preparada. - ela deu de ombros com divertimento, ainda que houvesse uma parcela de verdade em suas palavras. Com o mesmo encanto, Barbara retribuiu a meia mesura, em seguida depositando um beijo sobre a bochecha do amigo, em sinal de agradecimento. Contudo, logo voltou a ser presa pelas indagações dele. Por quê? Ela não sabia. Não deveria precisar de uma desculpa para se preocupar com ele, correto? Eram amigos, afinal. — Eu sei… - respondeu passando uma mecha para trás da orelha. — Mas eu precisava me certificar. Já que a falta de energia pode causar acidentes. - tentou se justificar, sem muito sucesso. Acomodando-se nos braços dele, satisfeita por ele ter sido capaz de segura-la, Barbie era envolta por uma tranquilidade familiar. Com a cabeça deitada sobre o ombro dele, cada músculo de seu corpo era relaxado a medida que Tobiah se encaminhava até o quarto. As mãos dele contra sua pele desnuda recordaram Aurora da festa e das sensações naquela ocasião despertadas, assim como o beijo trocado - o qual ela fingiu não recordar a fim de evitar um clima constrangedor entre eles. — Você pode até tentar, mas duvido que vá conseguir. Seja por pena ou porque estarei tão agarrada a você que sua única opção seria se jogar no chão também. Algo que, creio eu, não esteja em cogitação. - sussurrou próximo ao seu ouvido, soltando um riso abafado. Mais alguns metros e o caminho chegou ao fim, parecendo demasiado curto ao ver da cantora. Um suspiro baixo denunciou seu desagrado ao ser colocada no chão, ainda que fosse necessário para que o Tearsheet abrisse a porta. Eles teriam que treinar melhor aquela manobra, a morena pensou com um sorriso, o que não seria nenhum problema visto que muito apreciava ser carregada por alguém, poupando-lhe o trabalho de andar e ainda permitindo uma posição confortável. O clique da porta anunciou a passagem livre pelo cômodo, levando-a a invadir sem hesitar, o olhar curioso varrendo cada canto. Não chegava a ser impressionante - e como poderia se os dormitórios eram padronizados? -, no entanto, ela era capaz de distinguir traços da personalidade de Tobiah nos detalhes. A começar pelo fato de que estava tudo revirado, uma bela bagunça de roupas, pôsteres de bandas de rock, livros e lençóis. — Esse lugar tem seu selo de qualidade. - brincou, rindo baixinho, os braços mais uma vez ao redor do próprio corpo. A passos lentos, ela se aproximou da cama, empurrando algumas das coisas que cobriam a superfície acolchoada e então se enfiou no meio do emaranhado de edredons, tão encolhida quanto podia. De acordo com a química, uma menor superfície de contato diminuiria seu frio; já a biologia afirmava que manter as extremidades aquecidas era a forma mais efetiva, porém, naquele momento, nada parecia funcionar para Barbie. — Estou com frio. - concordou por fim, os lábios arroxeados provando seu ponto.
“Como com lanternas? Vamos torcer para que não haja outro. A não ser que seja um motivo para você dormir na minha cama. Apesar de que isso você pode fazer quando bem entender”. Barbara já devia estar acostumada com o jeito do garoto, e os flertes constantes, afinal, desde que Tobiah a conhecera esse tipo de provocação era a ela direcionada sem pudores. Mesmo sabendo que a garota era mais tímida nesse aspecto (muito diferente de quado estava nos palcos) ele insistia em dizer-lhe tais coisas, sabendo que a faria corar. O beijo no rosto era um ato corriqueiro da parte da outra, mas que sempre o deixava um tanto desconcertado. Era incapaz de não lembrar-se daqueles mesmos lábios sobre os seus e das sensações que isso causara nele. Não queria dar tanta importância ao ato, mas seus pensamentos acabavam se encaminhando, inevitavelmente, para a cena e para o que Barbie despertava em si, até que ele fosse incapaz de ignorar, e sentisse dores de cabeça ao imaginar as consequências de uma possível paixão pela companheira de banda. Seria estranho, e ridículo na visão dos outros, em especial pelo tempo que estavam a conviver juntos. “Estou inteiro”, disse, dando uma volta para que ela avaliasse sua integridade física. Quando parou de girar, disse: “e vejo que você também está”. Avaliou-a cuidadosamente, de cima a baixo, não percebendo que lhe direcionava um olhar que poderia ser descrito como lascivo. Talvez em virtude da imprevisibilidade do apagão, Barbara tivesse saído para fora do quarto vestindo nada mais que uma camisola fina, e ele não fez questão de desviar os olhos apenas para fingir-se de puritano, quando a Cavendish sabia que ele não era. “Está me subestimando”, alertou, erguendo uma sobrancelha. As possibilidades levantadas pela garota o deixaram apenas mais ansioso para que chegasse aos aposentos, o que aconteceu rapidamente, dadas as suas passadas largas. Podia dizer que tinha intimidade com várias garotas, para fazer exatamente aquele tipo de coisa e até mais. No entanto, parecia que com Barbara havia um nível diferente de intimidade, não estritamente sexual. Os sussurros no ouvido e o calor da boca da outra fizeram com que desejasse fazer o mesmo com ela, talvez quando estivessem enfim abraçados na cama; queria despertar nela sensações semelhantes às provocadas no dia da festa, quando tinha o ventre da Cavendish livre para si, para fazer o que bem entendesse. Agora, era como se tivesse de se conter antes de tocá-la, o que quase lhe doía fisicamente. “Vou considerar como um elogio”, disse, travesso, percebendo que ela se referia à bagunça no local. “Bem-vinda à suíte principal”, falou, estendendo o braço, como se a introduzisse, embora Barbara já tivesse entrado. “Nem preciso dizer para que se sinta em casa. A cama –––– aquela ali” apontou na direção daquela que ficava mais próxima à janela “ –––– é toda sua”. E pareceu não demorar para que ela se sentisse à vontade, uma vez que se embrenhou em seus edredons, como se já conhecesse a cama. Tobiah mordeu o lábio inferior antes de se deitar ao lado dela, com a camiseta de mangas curtas e a calça de moletom que vestia. Era o seu pijama habitual, embora ele preferisse não estar vestindo nada naquele momento. Sabia, contudo, que não era assim que as coisas deveriam proceder com a morena, visto que se assustava com facilidade. Ergueu a coberta rapidamente, de modo a não resfriar Barbie ainda mais, e tão logo deitou ao seu lado, puxou-a para perto, sentindo a pele da garota gelada nos pontos em que se tocavam. “Vou tentar aquecê-la, se não se importar”. Por mais que parecesse estar pedindo permissão, as mãos dele a prendiam junto a si, e Kile sabia que rapidamente ambos ficariam suficientemente aquecidos com a proximidade. A pele da garota era tão macia quanto ele se lembrava, e o Tearsheet sentia a necessidade cada vez mais latente de ter o corpo dela mais colado ao seu, algo que estava impedido de fazer por conta das roupas. “O frio passaria mais rápido se estivéssemos sem roupas, sabe...”, apelou para a física, com um sorriso no rosto que evidenciava tratar-se de uma brincadeira, mas bem poderia ser uma verdade.
❝ ängstlich. — with you.
f l a s h b a c k
Ela ainda surpreendera-se com a capacidade altruísta do rapaz de abster-se dos sentimentos odiosos que parecia nutrir de volta por ela para naquele momento fazer a única coisa que ela parecia necessitar: auxílio. A carícia estranha, a forma como ele não repelira o toque. Fora uma das primeiras vezes que se sentira tentada a acreditar no que Barbara dizia. De fato, existia alguém por quem valia lutar ali dentro. De alguma forma, até lhe fora familiar o toque e o aroma do rapaz, embora lhe falhasse a memória quando buscava uma situação onde tivera a oportunidade de capturar o perfume do rapaz. Cedendo ao seu pedido, a garota fora lentamente dirigindo-se ao dormitório junto a ele. “Obrigada, okay? Sei que nunca pedi isso a você e que temos nossas desavenças, mas…. Hoje você finalmente não foi idiota comigo.” A última frase saíra mais como uma brincadeira, e uma versão sua mais relaxada permitiu que os cantos de seus lábios se curvassem num singelo sorriso. Parecia até difícil de acreditar que com tantos anos desde que tinham se conhecido, desde que ela tinha entrado no internato, para ser mais exato, que tinham sido incapazes de por um momento parar e cessar os acintes. Simplesmente ter um momento onde ela se esquecia dos pontos que o faziam odiar e vice-versa. Achava até irônico que um de seus maiores medos tivesse provocado isso, mas filósofos gostavam de citar que a natureza das pessoas eram melhor reveladas em situações de estresse. Aquela era sua reação para situações de estresse: indefesa, vulnerável ao seu inferno particular. Precisava desesperadamente de ajuda para lidar com seus medos e negava até a morte a necessidade. Orgulhara-se toda sua vida de ser auto-suficiente, sem a necessidade de seu pai, de um homem, para ascender na vida. Entrara na escola com uma dita desnecessária bolsa, e uma das poucas coisas que costumava aceitar de seu pai era o dinheiro necessário para manter seus poucos luxos. “Não sei se Barbara vai voltar, ela muito provavelmente vai procurar alguém com quem dormir. Eu deveria fazer o mesmo, não vou conseguir dormir sozinha.” Murmurara, sem se permitir soltar a mão do rapaz. Mesmo quando ele se sentara, mantivera-se sentada na ponta da cama, não muito distante, apenas para ter a certeza de que ele não iria embora. E no entanto, ainda se vira impossibilitada de segurar uma risada baixa com o deboche. Pela primeira vez, não se ofendera com as palavras do rapaz, ou vira uma necessidade de abespinhá-lo. “Não pode deixar escapar um comentário desses, pode? Só hoje eu deixo. A parte dos comentários, não fazer o que quer comigo. Permitir uma coisa dessas seria perigoso, você é um pervertido. Brincadeira…. Em parte… Hm, Tobiah, se não quiser ficar aqui eu entendo, certo? Eu só precisaria que me tirasse daqui. Não gosto de ficar sozinha no escuro.”
Não hesitava em agredir aqueles que lhe agrediam, fosse com palavras rudes, ou até mesmo com a violência bruta. Depois de anos sendo agredido pelo pai sem poder esboçar resposta aos xingamentos e lesões, ele era incapaz de ceder frente a qualquer um. Sempre sentira-se idiota pelo fato de não poder revidar contra Hamish; via-se como um inútil quando se tratava do pai, mas qualquer insurgência seria punida gravemente pelo homem, Kile tinha consciência disso. Quando foi transferido para o internato, ele soube que deveria ser grato por ficar longe de seu algoz. No entanto, isso fazia com que se sentisse apenas mais covarde. Fugira, era isso que pensava. Não ficara para encará-lo, até porque ele não desejava sua presença em casa. Em Dankworth, queria ser uma pessoa diferente –––– forte ––––, razão pela qual adotou determinado comportamento em relação àqueles que lhe maltratavam minimamente, e até àqueles que considerava inferiores. Por mais que detestasse a figura, era, hoje, uma cópia perfeita do pai –––– inconscientemente reproduzindo suas condutas. “Estou tentando te ajudar e é me chamando de idiota que você agradece?”, percebeu o sorriso da garota, mas talvez tenha ignorado por conta de ter ficado ofendido com a afirmação. Ela não era exatamente simpática com ele também, e era esse o motivo dos desentendimentos constantes. Tentou amenizar o tom, esperando que a outra se retratasse, agora que já estavam no interior do quarto. O clima ficaria insustentável se voltassem a se agredir mutuamente, e ele não estava com ânimos de continuar a brigar, não quando ela mostrava um lado diferente para ele. “Vou considerar que não foi essa a sua intenção”, referiu, amuado. Sabia que não era assim que ela tratava Rabastan, ou Will. Parecia ser uma exclusividade dele, como se a morena o considerasse o ser mais babaca do planeta. Talvez fosse, mas não queria ouvir da boca dela. “Alguém com quem dormir?”, não pode evitar de fazer a pergunta, se referindo à Cavendish, buscando maiores esclarecimentos. Não lhe dizia respeito, mas ele estava curioso, pra não dizer incomodado. Era egoísta por estar ali com Merope, sem a mínima vontade de sair, e ao mesmo tempo esperar que Barbara estivesse dormindo em sua cama; sozinha, de preferência. “Sou, mas isso não é segredo para ninguém”. Apertou a mão da morena, sentindo-se bobo por estar ali, a vê-la na cama, e não fazer nada. Normalmente não se continha quando se tratava de garotas bonitas, mas ela não era apenas isso. Ele sabia o que Merope podia oferecer, e evitava pensar a respeito para que não enlouquecesse. “Não precisa dormir sozinha. Estou aqui, não estou?”, já havia retomado o tom cordial, frente à mostra de fragilidade da outra. Se estava falando justo a ele que não queria dormir sozinha, era por que realmente não queria ficar ali sem ninguém. “Quer dizer... Não vai chamar seu namoradinho?”, o Tearsheet não fazia questão de esconder o escárnio na voz, e precisava fazer a pergunta, mais por curiosidade do que por estar preocupado com o que o O’hare iria pensar daquela cena. Ele não se importava, realmente, com a opinião de Benjamin. Se Merope quisesse sua presença ali, ele permaneceria. Talvez até se não quisesse... “Já aviso de antemão, no entanto, que não suporto dormir em poltronas” –––– o sorriso malicioso retornou ao rosto do rapaz, já prevendo a reação da Moriarty.
f l a s h b a c k
Comida enlatada não é tão ruim e nem as velas, mas admito que os banhos gelados me dão arrepios só de pensar. Eu nunca mais tive tanto frio, me sinto na Suécia novamente. E sinto muito, juro que se eu soubesse lavar uniformes à mão te ajudaria com isso, mas realmente não sei. Se precisa, no entanto, tenho algumas roupas ótimas para te emprestar. Os vestidos belíssimos e etc etc.
“Você pelo menos pode sair daqui, diferente do restante de nós”, lembrou, sabendo que Sapphire deveria fazer isso com frequência. Quem ficaria preso por vontade própria naquele internato? Se estava ali, era por insistência dos pais, que esperavam que ele tivesse uma carreira tão brilhante quanto a do pai –––– se é que envolver-se em atos ilícitos poderia ser considerado sinônimo de sucesso. “Suécia? Agora está explicado o sotaque sexy”. O sorriso malicioso surgiu em seu rosto, o que acontecia com frequência na presença da mulher. Não que tencionasse se envolver com ela de formas carnais, mas era jovem e bonita demais para que fosse levada a sério como uma das professoras mais velhas que faziam parte de Dankworth. “Não esperava que soubesse, Sapph, é só olhar para as suas mãos. O que é inadmissível, já que toda mulher deveria saber fazer qualquer serviço doméstico”, riu para disfarçar, ainda que fosse exatamente essa a opinião do Tearsheet. Era impossível esconder de todo o seu lado mais machista. “Vestidos belíssimos que ficam melhores em você... Ou no chão do meu quarto, depois que você tirá-los”, provocou, apenas para não perder o costume. Mantinham uma relação mais ou menos amistosa, o que possibilitava aquele tipo de insinuação, sem que fosse considerado assédio.
f l a s h b a c k
Não sei, talvez eu ter parado de ir aos shows. Falando nisso, desculpa, eu ainda amo vocês mas… É complicado. Eu valorizo sim, ué! Para de Bullying, Kile, é feio. Muito feio. Menino mal. A minha vida teria o mesmo sentido de sempre, eu só conheço vocês pelo Will, logo, ele é o sentido. Mentira, imagina se o Colin escuta isso. Hm, nah, matar de prazer? Que nojo, você é tipo meu irmão. Já tentamos isso uma vez, not gonna happen again, bro. Ainda sinto repulsa daquele beijo trocado por uma aposta. Suborno nunca matou ninguém, senhor justinho. Nesse caso, eu só quero minhas roupas limpas. Se bem que, é, eu tenho roupa suficiente para usar todos esses dias e qualquer coisa roubo de alguém. Eles tem uma mente pequena, duh. Errr… Não. Primeiramente, eu teria que estar solteira, o que, tecnicamente, não acontece. Bom, não para você. Em segundo lugar, se queria me ver assim antes, só precisava passar no meu dormitório. Eu durmo assim, bae. Achei que Will já tinha te contado… Frescura? Não é frescura! Você não sabe o que se esconde no escuro, cuidado. Ah, você vai de qualquer maneira, Kile, deixa de ser chato.
“Complicado por quê? Seu namorado não deixa?”, esnobou, não tendo certeza se era esse o caso. Ele não conhecia o garoto, apenas de vista, já que Oceana não havia o apresentado oficialmente. “Valoriza nada. E não estou fazendo bullying. Alguma vez fiz isso em minha vida?”, perguntou inocentemente, o cenho franzido com a acusação. Se fosse completamente sincero, chegaria à conclusão de que fazia isso o tempo todo com aqueles que considerava inferiores; no caso de Oceana, no entanto, não fazia mais que provocações bobas. “Podia deixar menos evidente sua paixonite por Will... Ao menos enquanto namora o tal garoto”, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios dito isso. Não entendia garotas, e não fazia questão de entendê-las; não iria perguntar a Ana o porquê de ela estar com Colin se gostava de Will, até porque sentimentos não era um tópico que ele apreciasse discutir, nem mesmo com amigos próximos. “Repulsa? Que exagero. Foi ótimo, e você sabe disso. Nenhum beijo dado por mim poderia ser considerado repulsivo. Assim você me ofende, Ana”, fingiu uma careta de desgosto, não se importando realmente com aquele fato. Sabia ao que a garota se referia, mas não podia dizer que também havia sido como beijar a irmã; e sua fama de pegador, ficaria como? “Nada de senhor justinho. Você que é a errada demais, transgressora, etc. Roubar? Que feio. Espero que não queria roubar as minhas também, eu saberia e teria que mandar te prender”. Não era uma pessoa exatamente correta. Na verdade, estava acostumado com todo o tipo de corrupção, tendo em vista a forma como o pai conseguira a fortuna da família. Jamais mencionaria esse fato, contudo, embora Sophia o conhecesse por pertencer ao mesmo círculo social. “O que estar namorando impede? Vocês são tão exageradas quando se trata desses compromissos ridículos”, disse, lembrando-se de Merope, e do quanto era contrária a trair seu namoradinho. “Vou passar uma hora dessas. Obrigado pelo convite. Se eu for pego por algum monitor a culpa é sua e dessas pernas”, avisou, em tom de brincadeira. “Will é um cara sortudo. Diferente de mim. Vou? Irei só pra que pare de me chamar de chato, quando claramente não sou. Devo ser a pessoa mais legal que você conhece”.
f l a s h b a c k
A menção do episódio “celular” poderia ter anuviado o humor de Ben, mas a continuação da fala fez com que seu sorriso ganhasse contornos genuínos. Kile estava certo, pó de mico seria a menor de suas preocupações, mas não era nenhuma ideia macabra – de verdade – que o divertia naquele instante, a não ser a lembrança fresca de confeccionar um boneco de voodoo bastante parecido com o rapaz a sua frente. “ — Não estava esperando tanta sensatez sair de seus lábios, é desconcertante.” comentou, os olhos semicerrados por apenas um segundo para demonstrar seu assombro. A expressão, no entanto, foi-se tão rápido quanto veio, dando lugar a seu semblante habitual: relaxado. “ — Mas, estava me referindo a todos aqueles inocentes atingidos por sua falta de tato, brutalidade e mau humor, se quer saber.” Benedict poderia e iria acabar com a pose rude tão irritante de Tobiah, mas não naquele momento, ainda não. Contentaria-se ao irritar o garoto, mesmo que isso não lhe demandasse muito esforço. “ — O que você chama de doente, outros chamam de rebeldia, mas do tipo divertida e que todos querem compartilhar, não a sua, emburrada, a premissa de um futuro cheio de contusões. Contudo, mesmo que me doa, admito que está certo, ninguém me ama.” concordou, mas o brilho em seus olhos e o sorriso que se espalhou desde os cantos de seus lábios, não condiziam com suas palavras. Ao menos, não antes de adicionar: “ — Eles me adoram, como se eu fosse um rockstar. Não que você vá entender.”
Se fosse qualquer outra pessoa, Tobiah já estaria suficientemente irritado para partir pra cima dela, agindo de forma irracional ao usar da violência. Era a sua resposta natural para esse tipo de veneno; ele não sabia perder tempo discutindo com alguém quando era muito mais fácil agredir fisicamente. Ademais, não tinha o intelecto necessário para rebater tais ofensas, de modo a atingir o outro. Benedict era muito mais perspicaz, e ele tinha consciência disso. Sabia, também, que a única forma de fazer com que o moreno calasse a boca era se o vencesse na força, já que, indiscutivelmente, era superior nesse quesito. Mas se continha, limitando-se a cerrar os punhos, como fazia com frequência na presença do Moriarty. Se quisesse realmente preservar seu orgulho, ele teria que se obrigar a deixar Ben falar o que bem quisesse sem esboçar reações. Temia que, caso viesse a efetivamente agredi-lo,todos ficariam sabendo acerca do pequeno episódio entre os dois no ano anterior, e isso seria infinitamente pior que qualquer coisa que ele viesse a lhe dizer no presente. “Não é exatamente difícil surpreendê-lo”, retrucou com um sorriso forçado, nunca encarando-o de frente. Kile acreditava que se desse a mínima atenção possível ao Moriarty, ele talvez desistisse e fosse embora quando se cansasse. “Você é algum tipo de emissário? Não sabia que estava os defendendo”, utilizou do mesmo tom despreocupado com o garoto, não discordando de suas afirmações. Ele, de fato, era propositalmente duro com quem queria. “Rebeldia? Na minha terra isso tem outro nome, mas, ainda bem que sabe que não compartilhamos da mesma rebeldia. Seria, no mínimo, constrangedor. Pra mim.”, nesse ponto, ele deu uma olhada de esguelha para o Moriarty, apenas para conferir sua reação, na esperança de que ele se abalasse minimamente. Riu abertamente quando Ben disse sua última frase; tinha de admitir que às vezes o garoto era capaz de arrancar-lhe boas risadas pelas besteiras que falava. “Claro que não entendo. Esqueci que era você o baterista mais famoso do Condado”. Exagerava propositalmente, revirando os olhos, como se não se importasse minimamente com as investidas do outro.
❖ flashlight ••• tobarbie
As insinuações de Tobiah começaram a deixar a morena encabulada, tingindo sua pele clara com um tom avermelhado que, de acordo com ela, lembrava o de morangos. Ou assim gostava de pensar, com o intuito de minimizar o constrangimento por estar corada, como se o fato de se assemelhar a uma fruta tão suculenta pudesse aliviar o impacto. Não exatamente fazia sentido, porém, quem disse que deveria? Só precisava funcionar e, de certa forma, o fazia, já que o pensamento comumente arrancava um ligeiro curvar de lábios capaz de tirar parte de sua tensão. Não que tenha ocorrido assim naquela situação em especial. — Não exatamente. Digo, eu o avistei e… - ela fez uma pausa, não sabia bem o que respondê-lo. Afinal, o que realmente desejava quando apressou o passo para encontrá-lo? Nada mais do que apenas estar ao seu lado. Barbie passou uma mecha para trás da orelha, desviando o olhar por um breve segundo. — Eu só queria ver se estava tudo bem. - completou, ainda que não fosse toda a verdade. Escuta-lo questionar sua proposta a deixou receosa, como se a ideia pudesse soar ridícula demais para sequer ser considerada. Porém, o motivo de tal reação soar tão tenebrosa, não cruzava a mente da garota. O lábio inferior aprisionado entre os dentes foi apertado com mais força, sinal de sua ansiedade crescente. Por fim, a tão ansiada resposta positiva a levou a relaxar os ombros, o ar escapando de sua boca através de um suspiro aliviado. A fração de segundos seguinte foi usada para que sua expressão voltasse a se iluminar, um sorriso tão vívido que poderia acender toda a instituição, caso aquele não fosse exclusivamente do Tearsheet. Sem hesitar, ela deu um pequeno impulso com os pés e se jogou na direção do outro, agarrando-se ao seu corpo e esperando que, apesar de pego de surpresa, ele conseguisse segurá-la. Em seu íntimo, Barbara sabia que ele o faria e sua confiança não era provinda somente de seus músculos e grande porte. — Prometo que o farei! Você nem notará que estou ali. - brincou, depositando um beijo em sua bochecha.
Mesmo com a baixa luminosidade, Kile podia ver Barbara corando, algo que ele achava adorável e sexy ao mesmo tempo, e uma reação que se orgulhava por ser capaz de provocar. Mas qualquer pensamento nesse sentido foi deixado de lado quando ela mencionou que havia ido atrás dele, como se tencionasse, desde sempre, ir para o seu dormitório, e não para o dos meninos que havia referido. “Bom, era só ter chamado. As portas de minha suíte sempre estarão abertas pra você, meu amor”, fez uma meia mesura, sentindo-se seguro para fazer aquele tipo de convite. Ele tinha de se conter muito mais quando se tratava de Barbara, uma vez que a garota, afora o perfil de vocalista charmosa, era bem recatada para os padrões das garotas de sua idade; para os padrões das garotas com que Kile estava acostumado a sair. “Ah, claro. Por que não estaria?”, estranhou, achando graça da preocupação dela, sem mencionar que ele próprio havia se preocupado daquela forma instantes antes, quando passou em seu quarto. “Quer dizer, não é como se eu tivesse medo do escuro”, riu um pouco, percebendo o nervosismo da outra, e tentando deixar a situação mais confortável. Assim como ele, talvez Barbie tivesse dificuldades de dizer o que realmente queria. Contudo, quando a Cavendish sorriu, Tobiah soube que as coisas estavam bem. Se surpreendeu quando ela pulou em seu colo, mas riu logo em seguida, enquanto a segurava firmemente, como se não notasse diferença de peso algum sobre seus braços. Quem visse a cena de fora –––– se é que alguém se atentava para aquele tipo de coisa com tudo o que acontecia ao entorno –––– acharia, no mínimo, estranho, mas Kile apressou o passo, antes que monitores chatos viessem ao seu encontro. “Se eu notar que está, te jogo para fora da cama, entendido?”, brincou, já se encaminhando para o dormitório. Não pode deixar de reparar que as coxas da garota estavam parcialmente desnudas; a fina camisola que vestia havia subido com o movimento, e nenhum dos dois fizera questão de ajustar. No escuro corredor, Tobiah já não era capaz de vê-las, embora a imagem não abandonasse sua mente. “Parece fria”, observou, enquanto abriu a porta do quarto. Hector teria de passar a noite pra fora, ele constatou, passando a chave na abertura tão logo Barbara a atravessou. Ele venceria a aposta naquela noite, e com estilo.
❝ ängstlich. — with you.
Se você perguntasse a Merope, ela provavelmente responderia sem hesitar que uma das pessoas que mais odiava no mundo era Kile. Era um tanto quanto infantil, mas se via impossibilitada de tomar gestos mais maduros quando o rapaz era simplesmente daquela forma. Tratava-a como uma espécie de objeto, fazia escárnio de seus problemas e ridicularizava seu namorado. Tinha a capacidade de lembrar-te seu pai com os gestos machistas e ainda de a provocar ciúmes por envolver-se tanto com sua melhor amiga, Barbara. Odiava quando ela trocava tardes com filmes por tardes com o rapaz, e de certa forma, poderia até ter uma inveja inconsciente pela capacidade da morena de arrancar a melhor parte dele e conseguir exaltar a um ponto onde existia uma verdadeira amizade. A cacofonia do escuro, no entanto, fazia com que a leitura das coisas mudasse completamente. Ela não se importava se ali estava o garoto que mais de uma vez tentara lhe provar que era um objeto do qual poderia usufruir se assim desejado; estava desesperada de mais para fazê-lo. Os braços que tinham ido ao corpo dele no momento do impacto se negaram a liberar o corpo, o abraçando perto para que a respiração, aos poucos, estabilizasse como a dele. Tentava concentrar-se no som que os batimentos cardíacos do rapaz, levemente acelerados faziam, a batida constante entrando fundo em seu cérebro e sendo articulada como uma forma de fazer com que respirasse. Finalmente voltara respirar novamente, puxando o ar como se nunca fosse o suficiente para os seus pulmões, o aperto da expansão de sua caixa torácica sendo doloroso. E no entanto, mesmo sabendo que muito provavelmente abraçava a pessoa que em sua concepção seria a última que a desejaria daquela forma, ela não fez menção nenhuma de se afastar. Estava desesperada, não existiria forma alguma de mascarar que o medo do escuro a perseguira ao ponto de ter um surto psicótico, entretanto, não o via como o alguém que iria a julgar. Não naquele momento. Não se dentro de toda aquela pose, de toda aquela grosseria existisse o homem de quem sua amiga gostava de falar. ———- Por favor, não me solte. ———- pediu, num gesto involuntário. Sentia-se mais vulnerável que nunca por se expor daquela forma, permitir que o garoto enxergasse a sua parte que não era protegida pelas aulas de kickboxing ou desprovida da grosseria habitual. Era o desconfortável canto indefeso que se manifestava, e pedia da melhor forma para que o garoto não a abandonasse, não a deixasse a mercê de seus fantasmas. Era o calor do corpo dele que a separava de uma provável alucinação que sua mente projetaria em meio de todo aquele breu somado aos incessantes gritos. Não era uma fobia incomum, mas Merope tinha certeza de que era um dos poucos casos com extremo pânico.
Ele jamais imaginou que se veria naquela situação com a morena em questão, mais por conta da personalidade dela, do que da dele. Não eram amigos, tampouco se toleravam, ainda que tivessem amigos em comum. Vez ou outra ele lembrava-se que quando mais jovens não nutriam esse desprezo mútuo um pelo outro, o que só teve início com os episódios de rejeição. O Tearsheet era orgulhoso demais para admitir que o que o incomodava nela era justamente o fato de Merope fingir, durante tanto tempo, que jamais tivera algo com ele. Kile não queria, de forma alguma, que ela manifestasse sentimentos, que o tratasse como Benjamin, nem nada semelhante, só queria que ela parasse de fingir –––– porque só podia ser essa a explicação para ignorá-lo depois do primeiro beijo dos dois, alguns anos antes. Se a morena o tratasse com maior respeito, ele também cederia. Não concordava com os ideais dela, mas poderia tentar entender, com um pouco de esforço. No entanto, se continuasse a bater de frente com ele, se vendo sempre como a dona da razão, jamais haveria conversa entre ambos. Deixando de lado todos os pensamentos negativos a respeito da Moriarty, Tobiah a trouxe para mais perto, retribuindo o abraço enquanto massageava seus cabelos encaracolados. Sentia-se um tanto desconfortável por se tratar de Merope, desconfiando que a garota poderia surtar a qualquer momento –––– o moreno não confiava no temperamento dela. “Não vou fazer isso”, permitiu-se sussurrar, passando a acariciar o braço da outra, na tentativa de ele próprio se acalmar. Podia não estar nervoso com a escuridão ou a bagunça do lado de fora, mas Merope o deixava nervoso por si só. Estando ela no estado em que se encontrava, só fazia com que se sentisse mais ansioso. Sabia que deveria sair dali, voltar para o próprio dormitório e tentar dormir, mas ao constatar que a morena se acalmava aos poucos e não manifestava a mínima intenção de soltá-lo, sentiu-se incapaz de fazê-lo. Nem mesmo os comentários maldosos lhe vieram à mente quando ela pediu que não a soltasse, como os que fazia comumente em sua presença. Ele não era tão babaca ao ponto de não perceber a seriedade da situação, e a confiança que ela lhe depositava. “Foi só um blackout, acho que estão todos bem. Mas é melhor você não sair lá pra fora”, instruiu, levando-a de volta para o interior do quarto, que parecia tomado pela escuridão –––– o que explicava o pânico da garota. “Eu... Posso ficar aqui por um tempinho, até alguém aparecer pra dormir com você”; não ousaria oferecer passar a noite ali. A garota sequer aceitaria, e ele não queria levar mais um ‘não’. Sentou-se em uma das poltronas do quarto, que podia ser vista por meio da luz de algumas lanternas que vinha do lado de fora da janela. “Prometo não fazer nada que você não queira”, o sorriso de deboche habitual voltou a suas feições, embora não com tanta intensidade.
“ — Você está louco, querido” a voz dramática de Benedict interrompeu a conversa próxima. Não pôde ignorar o apelo das palavras do baterista, nem gostaria de fazê-lo. “ — Tem certeza de que quer deixar suas roupas nas mãos de qualquer um apto a comprar um pouco de pó de mico e fazê-lo pagar por algo que tenha atribuído a culpa a você? Como a quebra de um pertence pessoal, por exemplo" com um suspiro, complementou: “ — Infelizmente, sempre somos menos amados do que pensamos.”
Ele era capaz de reconhecer facilmente a voz do Moriarty, sempre temperada com uma pitada –––– talvez mais que uma pitada –––– de seu característico humor ácido. “Está se referindo a você mesmo? É claro que não deixaria que tocasse em minhas roupas, Moriarty. Sabe-se lá o que você poderia fazer. Lidar com pó de mico seria a menor de minhas preocupações”. Não se arrependia de ter quebrado o celular do garoto, não depois da clara ameaça que ele representara a si. Kile sabia como se proteger, e usava de todos os meios, inclusive, ou principalmente, da violência, para tanto. “Fale por si mesmo. Mas, está certo, ninguém seria louco de amar um doente como você” –––– por vezes o Tearsheet acabava por ser estupidamente rude com Benedict, mas a verdade é que não sabia agir de forma natural perto dele.
Vai acabar com nossa amizade longa e duradoura de bastidores por roupas? Nossa, Kile, vou te matar. De um modo cruel. E ainda vou chamar seus amigos para me ajudar, ridículo você. Mas deixo você escolher uma morte legal. Tem que ser doloroso, viu? Suborno é bom e digno, tá? Faz as pessoas lavarem as roupas por você! Eles quem? Os funcionários? Que horror, não. Eu sei que sou linda, mas tem umas etapas até poder me ver assim. É, sobre isso. Problemas técnicos. Medo do escuro. Vem comigo pegar uma roupa? Por favorzinho!
E que melhor motivo do que roupas? Tsc, você não valoriza nada mesmo. Não teria coragem de me matar. Que sentido teria sua vida, então? Hmmmmm... A única morte legal que me vem à mente é você me matando de... prazer? Não seria tão doloroso, mas aposto que seria bem legal, para ambos. Suborno bom e digno só na sua cabeça maquiavélica. Não, eles, pessoas do campus. Linda e humilde, pelo que vejo. Que etapas? Vai me dizer que é daquelas que precisa de jantar à luz de velas, flores e cartões antes de ficar nua? Nossa, quanta frescura. Tudo bem, vou aceitar a sua desculpa de “medo do escuro” e tentar fingir que você não queria sair seminua por aí. Até vou, dependendo da recompensa.
❖ flashlight ••• tobarbie
Por mais que não quisesse admitir, o apagão fora capaz de assustar a Cavendish - provavelmente como fizera com a maior parte dos demais alunos. Não chegava a ser desesperador como o sentimento trazido com seus piores pesadelos, no entanto, estava longe de ser agradável. Era uma inquietude que parecia crescer a medida em que o ar gélido castigava mais a sua pele. Com os braços ao redor do próprio corpo e os lábios ligeiramente arroxeados, Barbie tinha plena convicção de que apenas o casaco por cima da camisola de seda não era apto a protegê-la do frio. Seu queixo batia em ritmo constante enquanto o diretor falava, o som terminando por sobrepor-se à voz dele em alguns momentos, mas nada que afetasse seu entendimento da mensagem geral: em suma, a Era do Gelo aparentemente estava de volta. Com isso em mente, Barbara apenas seguia o fluxo que a guiava de volta ao dormitório, a cada passo a ideia de repousar contra a cama fria deixando-a mais incomodada. Foi nesse instante que notou, um pouco mais a frente, uma figura familiar. Ela sequer ponderou o que faria quando o alcançasse, só tinha a certeza de que precisava fazê-lo. Quando estavam próximos o suficiente para que Tobiah também a avistasse, o som da sua voz pareceu tranquilizá-la um pouco. Afinal, era um ponto de familiaridade quando tudo parecia confuso. — Eu…sei. - respondeu, mexendo no próprio cabelo. — Ah, não! Claro que não. Quer dizer… - ela mordeu o lábio inferior, a ideia de súbito a satisfazendo. Seria apenas por uma noite, visando um sono tranquilo, que mal poderia ter naquilo? — A não ser que você não me deixe dormir com você… Ai eu terei que procurar o Will ou o Benje, talvez. - completou, com certo receio.
Ele havia estado a procura dela tão logo o caos se instalara, mas acabou por encontrar Merope em seu lugar, esquecendo-se, momentaneamente, das responsabilidades que tinha para com a morena. Não que ela exigisse qualquer coisa dele; era Tobiah que permitia que um instinto protetor florescesse quando se tratava da Cavendish, sem, contudo, ser capaz de enxergá-la como uma irmão mais nova, como fazia Will. Não tinha certeza sobre a forma como a via, se fosse completamente sincero consigo mesmo. Tinha consciência de que gostava dos momentos em que estavam juntos, e a aposta não estava sendo nenhum sacrifício para ele, mas não queria dizer com todas as letras que se importava com Barbara. Temia o que pudesse vir atrelado a isso, e era imaturo demais para lidar com sentimentos. Não queria falar de sentimentos. Ponto. Só queria aproveitar o que a adolescência tinha a lhe oferecer. Se fosse qualquer outra garota, ao primeiro sinal de alerta ele já teria se afastado, mas era incapaz de fazer isso com Barbie que, além de tudo, era uma de suas melhores amigas. “Sabe? Então devo supor que é proposital”, quase pareceria que estava a repreendendo, não fosse o sorriso constante no rosto ––– algo que não se via com frequência quando estava a falar com os demais alunos da instituição, os quais, em geral, o Tearsheet não suportava. Ao reparar na hesitação da garota, Kile teve certeza de que estava certo, o que o deixou um pouco surpreso. Nunca vira Barbie como o tipo de garota que passeava entre os quartos masculinos, e não podia dizer que isso não o incomodava. Seus preceitos machistas faziam com que imediatamente a associasse ao tipo de mulher que deveria ser desprezada, mas bastava observá-la atentamente para que a imagem de inocência voltasse à sua mente. “Dormir comigo?”, perguntou despreocupadamente. Não queria parecer ansioso demais com a proposta, nem se decepcionar para o caso de ela estar brincando. “Só se ocupar o mínimo de espaço possível na cama. Você sabe, eu sou bem grande”.
Não vou lavar as minhas coisas, imagina as suas, Kile. Mas, olha, eu tenho algumas roupas lindas. E um vestidinho que ficaria maravilhoso em você. Certo, brincadeirinha, a gente pode subornar um funcionário para lavar. Aposto que não iam nos querer andando por aí pelados.
Não vai lavar?! Nossa, acabou a amizade. Pensei que gostasse mais de mim, Ana. Estou decepcionado. Tenho certeza que qualquer coisa ficaria maravilhosa em mim, mas dispenso suas roupas. Suborno combina mais com você, não comigo, mas deixo que suborne por mim. Ah, eles iam querer que você andasse, sim, embora não pareça muito correto. Se bem que você já está praticamente nua...? Por que está vestindo apenas uma blusa nesse frio?
Ha-ha, não mesmo, colega, e eu achava que aqui o pessoal não passava por aperto. Já sei, tive uma ideia, vamos fazer uma greve e andar tudo nu.
Não foi a melhor das suas ideias, mas vá em frente! Acho que ninguém se importaria.
Não tem cara de acampamento, mas é melhor uma fogueira do que ficar aqui congelando. Aliás, realmente eu estou no lugar errado, meu lugar neste momento, seria numa sauna ou num spa com aquecedor.
E o meu seria em Las Vegas, aproveitando a vida e tudo de bom que o dinheiro pode comprar, mas estou aqui, nesse fim de mundo, me preparando para tomar banho gelado e comer enlatados. O mundo não é justo, mesmo.
❖ flashlight ••• tobarbie
Era praticamente impossível ouvir a voz do diretor em meio às demais e, de qualquer, forma, não era como se ele ligasse para as instruções do Sr. Ackermann. Só estava ali para saber o motivo do apagão, e descobrir por quanto tempo permaneceriam naquela situação. As notícias não eram nada animadoras, e pelo que só podia ser a milésima vez no ano Tobiah lamentou por estar preso àquela internato. Não fosse a insistência da mãe, poderia estar numa das escolas bacanas dos Estados Unidos, onde realmente havia futuro para um músico como ele. Ao mesmo tempo, ele sabia que não seria a mesma coisa longe da Dysfunctional Rebellion. Havia certa sintonia entre o grupo após tanto tempo tocando juntos, algo que era difícil de construir do zero, para o caso de ele tentar formar uma nova banda. Na confusão de corpos, Kile sequer se preocupou sobre onde estariam seus amigos; era impossível tentar encontrá-los em meio ao turbilhão. Só conseguia pensar que as regras estariam, no mínimo, mais elásticas por aquela semana, e tinha de arranjar formas de se entreter, visto que não poderiam ensaiar direito sem os aparelhos conectados a caixas de som. Já se encaminhava de volta para o próprio dormitório, quando viu Barbara seguindo na mesma direção ––– a que, por sinal, era a contrária do seu próprio quarto. “Acho que não está enxergando direito com a falta de luz... Seus aposentos ficam para o outro lado”, indicou com a mão. “A não ser que você esteja procurando o quarto de algum garoto” ––– o sorriso que apareceu em seu rosto era sacana, como se ele estivesse a apontar os erros da outra, na tentativa de disfarçar o quanto a possibilidade o incomodava.
Comida enlatada, banho gelado, velas... Não podia ser melhor. Alguém interessado em lavar meu uniforme à mão, como sugerido pelo Sr. Ackerman?