Como Dobrar uma Esposa Teimosa
Conteúdo para maiores, um pouco de fofura, qifrey x leitora casados.
Resumo: Após esquecer o próprio aniversário de casamento devido a uma investigação exaustiva sobre os Chéus de Asa, o brilhante e charmoso mago Qifrey se vê diante do maior castigo de sua vida: uma greve de silêncio e de intimidade por parte de sua amada esposa. Determinada a dar uma lição no marido esquecido, ela impõe regras rígidas de convivência. No entanto, ela subestimou a persistência, a inteligência e o magnetismo inegável de Qifrey. Ao longo de uma semana inteira, o bruxo utiliza todo o seu repertório de charme, provocações veladas e feitiços cotidianos para desarmar as defesas da esposa — agindo de forma sutil sob os narizes curiosos de suas quatro aprendizes (Coco, Tetia, Richeh e Agott) e de forma avassaladora quando as portas do quarto se fecham. Uma batalha de vontades onde a resistência dela é testada ao limite pelo homem mais atraente do ateliê.
O ateliê de Qifrey costumava ser um refúgio de paz, interrompido apenas pelo som suave de penas deslizando sobre pergaminhos, o tilintar de frascos de tinta mágica e as risadas ocasionais das quatro jovens aprendizes. No entanto, naquela manhã de terça-feira, o ar parecia denso, carregado com uma eletricidade estática que não vinha de nenhum círculo de invocação de tempestades. Venha de onde viesse, o centro daquela massa de alta pressão atmosférica tinha um nome, e era o seu.
Você bateu o bule de chá de porcelana sobre a mesa de madeira com um impacto seco, milimetricamente calculado para não quebrar a louça, mas forte o suficiente para fazer as quatro meninas piscarem e se encolherem levemente em suas cadeiras.
— O chá está pronto. Sirvam-se — você disse, sua voz um tom mais baixa e controlada do que o normal. Um tom que Qifrey, sentado na cabeceira da mesa, reconheceu instantaneamente como o sinal definitivo de perigo iminente.
— Obrigado, querida — Qifrey sorriu, aquele sorriso clássico dele, suave, com os olhos semi-cerrados e uma mecha de cabelo loiro-platinado caindo perfeitamente sobre o cenho. Mas, por trás daquela fachada de serenidade que costumava acalmar até os altos magistrados do Grande Auditório, havia um vislumbre genuíno de puro pânico.
Ele sabia o que tinha feito. Ou melhor, sabia o que *não* tinha feito.
Na noite anterior, enquanto os ponteiros do relógio ultrapassavam a meia-noite, Qifrey estava trancado em seu escritório, cercado por tomos antigos, anotações decodificadas e poeira de feitiços proibidos. Ele estava tão imerso na tentativa de rastrear os passos dos Chapéus com Aba que a noção de tempo simplesmente evaporou de sua mente brilhante. Ele não viu as horas passarem. Ele não viu a vela que você acendeu na sala de jantar se apagar lentamente. E, acima de tudo, ele esqueceu que aquela data marcava exatamente três anos desde que vocês dois haviam trocado juras diante das leis dos bruxos.
Você havia passado a noite em claro, esperando pelo marido que prometera voltar cedo para um jantar a dois. Quando ele finalmente entrou no quarto, às três da madrugada, com os dedos manchados de tinta prata e os olhos vermelhos de cansaço, a única coisa que encontrou foi uma esposa de costas, coberta até os ombros, exalando uma fúria silenciosa que nenhum feitiço de proteção seria capaz de barrar.
— Hum, mestre? — Coco quebrou o silêncio da mesa, olhando timidamente de você para Qifrey, segurando sua xícara com as duas mãos. — Está tudo bem? O senhor parece... um pouco pálido hoje. E a senhora também parece... cansada?
— Está tudo perfeitamente bem, Coco — você respondeu, forçando um sorriso doce e acolhedor para a menina de cabelos castanhos, o contraste com o olhar gélido que direcionou a Qifrey logo em seguida sendo quase cômico. — O seu mestre apenas passou a noite inteira focado em suas... *prioridades*. Coisas muito mais importantes do que meras promessas cotidianas.
Agott, sempre perspicaz, ergueu os olhos do seu prato, estreitando-os ao perceber a tensão palpável. Richeh continuou comendo seu pedaço de bolo com a habitual apatia, embora suas orelhas estivessem atentas, e Tetia olhava de um lado para o outro, sentindo o drama no ar.
— Minha querida — Qifrey começou, sua voz uma carícia aveludada que costumava derreter qualquer resolução sua. Ele estendeu a mão sobre a mesa, os dedos longos e elegantes buscando os seus. — Eu imploro pelo seu perdão. O tempo me escapou de forma imperdoável. Eu fui um tolo, um completo e absoluto ignorante, e não há justificativa que limpe meu erro. Por favor, deixe-me compensar você hoje à noite.
Você recolheu a mão antes que ele pudesse tocá-la, cruzando os braços com firmeza. O olhar que deu a ele faria um dragão de gelo recuar.
— Compensar? — você soltou um riso nasal, curto e sem humor. — Não há nada para compensar, Qifrey. Você está livre para passar as suas noites exatamente como quiser. No escritório, na biblioteca, ou quem sabe no sofá da sala. Porque, a partir de hoje, o nosso quarto é território estritamente restrito.
Qifrey piscou, a compostura vacilando por uma fração de segundo.
— Restrito?
— Exatamente. Considere isso um tratado de paz temporário, onde as fronteiras estão fechadas — você se inclinou um pouco para a frente, diminuindo o tom para que as meninas não ouvissem os detalhes mais íntimos, embora a mensagem principal estivesse clara. — Sem toques. Sem beijos. E, definitivamente, sem sexo. Estamos em greve por tempo indeterminado. Até que eu sinta que você realmente entende o peso de ter uma esposa e não apenas um adorno que espera em casa.
O bruxo engoliu em seco. Para qualquer outro homem, aquela seria uma ameaça terrível. Para Qifrey, um homem intensamente apaixonado e habituado aos privilégios de ter você em seus braços todas as noites, aquilo era o equivalente a uma sentença de morte por inanição. Ele olhou para você, a boca ligeiramente aberta, antes de recompor as feições em uma expressão de determinação silenciosa.
Ele era Qifrey, o bruxo de manto heróico. Um homem que decifrava enigmas milenares e dobrava as leis da física com a ponta de uma pena. Se a sua amada esposa achava que poderia mantê-lo à distância apenas com força de vontade, ela havia esquecido o quão estrategista e implacável ele podia ser quando realmente queria algo. E ele queria você. Desesperadamente.
— Uma greve, então? — ele murmurou, um brilho perigoso e divertido surgindo em seu único olho visível. — Muito bem. Vamos ver quanto tempo a sua resistência dura contra a minha contracorrente.
— Pode tentar o que quiser, meu caro — você se levantou da mesa, recolhendo seu próprio prato. — Minha guarda está mais alta do que as muralhas do Grande Auditório.
...
A tarde no ateliê transcorria em seu ritmo normal de estudos. As meninas estavam reunidas na grande mesa central da oficina, desenhando runas e testando pequenos feitiços de luz e vento sob a supervisão de Qifrey. Você entrou na sala carregando uma bandeja com lanches e uma nova jarra de suco fresco. Seu plano era simples: manter-se distante, profissional e fria.
O problema era que Qifrey jogava sujo desde o primeiro minuto.
Assim que você colocou a bandeja sobre o balcão lateral, ele se afastou do grupo de aprendizes. Ele não caminhou até você; ele praticamente deslizou, cada passo calculado com aquela elegância natural que sempre a fazia perder o fôlego secretamente. Ele havia tirado o manto pesado de bruxo, vestindo apenas a túnica branca e blusa escura de manga que moldava perfeitamente seus músculos fortes e levemente esculpidos pelo trabalho físico de desenhar círculos mágicos.
— Obrigado pelo lanche, meu amor — ele disse, alto o suficiente para que as meninas ouvissem apenas a cortesia mútua de um casal. No entanto, ao se aproximar para pegar um d
os copos, ele colou o corpo ao seu por trás.
Não foi um esbarrão forte. Foi uma pressão sutil, o calor do peito dele pressionando as suas costas através do tecido fino do seu vestido. Você enrijeceu imediatamente, as mãos segurando as bordas da bandeja de metal.
— Qifrey... — você advertiu em um sussurro tenso. — As meninas estão logo ali.
— Eu sei — ele murmurou de volta, inclinando a cabeça. A boca dele estava a milímetros do seu ouvido, o hálito quente com aroma de hortelã roçando a sua pele sensível do pescoço, fazendo os pelos dos seus braços se arrepiarem instantaneamente. — Mas as regras diziam apenas "sem toques". Eu não estou tocando você com as mãos. Estou apenas... ocupando o mesmo espaço físico.
— Isso é trapaça — você sibilou, tentando se afastar para o lado, mas ele antecipou o movimento, apoiando as duas mãos no balcão, uma de cada lado do seu corpo, efetivamente encurralando você contra a madeira. Para quem olhasse de longe, parecia apenas que ele estava se inclinando para escolher um doce, mas a realidade era que você estava presa sob o magnetismo dele.
— Na magia e no amor, as regras são feitas para serem interpretadas, querida — Qifrey sussurrou, a voz caindo para um registro grave, rouco e absurdamente sensual que fez o seu ventre contrair com uma força assustadora. — Você está maravilhosa com esse vestido. O corte dele realça a curva dos seus quadris de uma forma que está me distraindo o dia todo. Como espera que eu ensine as crianças se você anda por aí parecendo uma tentação divina?
Você engoliu em seco, sentindo o rosto queimar de vergonha e desejo. O maldito sabia exatamente onde tocar — ou melhor, como não tocar, mas ainda assim fazer você implorar por isso. O cheiro dele, uma mistura de pergaminho antigo, tinta e o perfume cítrico que ele usava após o banho, estava invadindo seus sentidos, nublando seu julgamento.
— Mestre Qifrey? — a voz de Coco ecoou do outro lado da sala. — O círculo de vento da Tetia está começando a girar ao contrário!
Qifrey não se moveu imediatamente. Ele manteve os olhos fixos nos seus, um sorriso ladino e vitorioso desenhando-se em seus lábios ao notar a rapidez da sua respiração e a forma como seus mamilos haviam endurecido contra o tecido do vestido sob o efeito das palavras dele.
— Já estou indo, Coco! — ele chamou de volta, sem desviar o olhar de você. Ele se inclinou mais um milímetro, os lábios quase roçando o lóbulo da sua orelha. — Isso é apenas o primeiro dia, minha vida. Eu dou quarenta e oito horas para você vir me implorar para voltar para a nossa cama.
Ele se afastou com uma facilidade irritante, deixando você ali, com as pernas bambas e o coração martelando no peito como um tambor de guerra. Você respirou fundo, agarrando a bandeja vazia para esconder o leve tremor em suas mãos.
Não se renda, você repetiu para si mesma. Ele errou. Ele tem que aprender. Você é mais forte do que a beleza covarde daquele homem.
...
A primeira noite da greve provou ser um teste de resistência para ambos. Você se deitou na imensa cama de casal, que de repente parecia vasta e fria demais sem o corpo robusto de Qifrey ao seu lado. Costumava ser um ritual: ele deitava, puxava você para o peito dele, passava os braços longos ao redor da sua cintura e aninhava o rosto no seu cabelo até que ambos adormecessem.
Agora, havia apenas o silêncio. E o conhecimento de que ele estava dormindo no sofá da sala de estar.
No meio da noite, no entanto, o quarto começou a esfriar drasticamente. Uma frente fria repentina vinda das montanhas do norte atingiu o ateliê, e mesmo os cobertores grossos não pareciam suficientes para aquecer seus pés. Você se encolheu, tremendo levemente, recusando-se a ir até a sala para buscar mais mantas e correr o risco de ver o marido e fraquejar.
De repente, a porta do quarto se abriu com um ranger quase inaudível. Você fechou os olhos rapidamente, fingindo uma respiração pesada de sono profundo.
Passos leves e descalços se aproximaram da cama. Você sentiu a presença dele antes mesmo de qualquer contato. Qifrey parou ao lado do seu colchão. Por longos momentos, ele apenas ficou ali, observando você no escuro. Você podia sentir o olhar dele focado em seu rosto, tenro, mas cheio de uma saudade palpável.
O lençol que cobria seus ombros foi levemente puxado. Você quase saltou da cama, achando que ele quebraria a promessa, mas Qifrey não subiu na cama. Em vez disso, você ouviu o som suave de uma caneta riscando algo no ar — ou melhor, na madeira da cabeceira da cama. Um feitiço de desenho rápido.
Segundos depois, uma onda de calor suave, reconfortante e constante começou a irradiar da cabeceira, envolvendo todo o seu corpo como um abraço invisível. Era um feitiço térmico menor, perfeitamente calibrado para manter a temperatura do ambiente agradável sem queimar os lençóis.
Você sentiu um aperto no coração. Mesmo bravo, mesmo sob o castigo da greve, ele ainda se importava o suficiente para vir garantir que você não passaria frio.
— Durma bem, meu amor — a voz dele foi um sussurro quase inaudível na escuridão, seguida pelo som dele se afastando. Mas, antes de cruzar a porta, ele murmurou algo que fez seu estômago dar voltas: — Mas saiba que eu preferia mil vezes ser o seu aquecedor pessoal hoje. Esse sofá é terrivelmente pequeno para as minhas pernas... e meus braços estão vazios demais sem você.
Você enterrou o rosto no travesseiro, soltando um gemido abafado de frustração. O homem era um demônio disfarçado de santo. Como era possível manter a raiva viva quando ele agia de forma tão irritantemente perfeita e atenciosa, mesmo quando estava na corda bamba?
...
No terceiro dia, a tensão no ateliê havia atingido um ponto em que até o sisudo e pragmático Olruggio, o olho vigia do ateliê e melhor amigo de Qifrey que finalmente deu uma pausa e saiu do quarto onde passou dias trabalhando em um aparato mágico, notou que algo estava seriamente errado.
— O que há com vocês dois? — Olruggio perguntou, cruzando os braços enquanto observava você limpar o balcão da cozinha com uma energia desnecessariamente agressiva, enquanto Qifrey, no canto da sala, tomava seu café com um olhar de pura luxúria contida direcionado às suas costas. — O ar aqui dentro está tão pesado que eu sinto que se riscar um fósforo, este lugar explode.
— Pergunte ao seu amigo, Olruggio — você respondeu, sem olhar para trás. — Ele parece ter problemas crônicos de memória e uma incapacidade notória de respeitar limites territoriais.
Olruggio olhou para Qifrey, que apenas deu um suspiro dramático e tomou mais um gole de seu café.
— Mulheres e suas punições severas... — Qifrey lamentou, a voz tingida com uma falsa melancolia. — Eu cometi um deslize, admito. Mas a sentença que recebi viola os direitos fundamentais de um marido necessitado. Estou vivendo como um eremita no meu próprio lar.
— Você merece sofrer um pouco para aprender, Qifrey — Olruggio resmungou, embora houvesse um leve sorriso de canto em seus lábios. — Mas resolvam isso logo. As meninas estão começando a achar que o ateliê está assombrado por um espírito de rancor.
Na hora do almoço, o jogo de Qifrey subiu de nível.
A mesa estava cheia. Você sentou-se em frente a ele, ladeada por Agott e Richeh. Coco e Tetia conversavam animadamente sobre um novo tipo de tinta que mudava de cor com a luz do sol. Qifrey liderava a conversa com sua habitual paciência professoral, mas, por baixo da mesa longa de madeira, as coisas eram bem diferentes.
Você sentiu algo tocar a ponta do seu pé. No início, pensou ter sido um esbarrão acidental de Richeh, mas então o toque subiu.
Era o pé descalço de Qifrey. Ele havia tirado o sapato por baixo da mesa e, com uma audácia que fez seu sangue congelar, começou a subir os dedos longos e quentes pela sua panturrilha, por baixo do tecido do seu longo vestido.
Você deu um sobressalto na cadeira, deixando o garfo cair sobre o prato com um ruído estridente.
— Tudo bem, nome? — Coco perguntou, olhando para você com os olhos redondos e inocentes.
— Sim! — você respondeu rápido demais, sua voz um oitava acima do normal. — Eu... apenas senti uma fisgada na perna. Cãibra. Nada de mais.
— Oh, cãibras são terríveis — Tetia comentou, solidária. — O mestre sempre diz que alongamento ajuda!
— É verdade — Qifrey interveio, sua expressão a própria imagem da inocência e da preocupação pastoral. Ele olhou diretamente para você, fixando o olho azul em suas pupilas dilatadas, enquanto o pé dele continuava a subir, subindo além do seu joelho, pressionando suavemente a parte interna da sua coxa. — Cãibras são causadas por tensão acumulada, querida. O corpo precisa de... liberação. Se você quiser, eu posso fazer uma massagem mais tarde. Tenho mãos muito habilidosas para aliviar pontos de pressão.
O calor que subiu pelo seu corpo foi avassalador. Os dedos do pé dele estavam perigosamente perto da sua intimidade, movendo-se com uma lentidão torturante que a forçava a apertar as coxas para prendê-lo ou para conter o tremor que ameaçava tomar conta de você. Você cravou as unhas na própria coxa por cima do tecido, tentando manter a face neutra enquanto o mundo parecia girar.
O contraste entre a voz calma de Qifrey explicando a Agott a teoria dos círculos de água e a forma como o pé dele estava acariciando a sua pele mais sensível por baixo da mesa era uma tortura psicológica requintada. O homem era um gênio militar disfarçado de educador. Ele sabia que você não podia gritar ou reagir sem expor a intimidade do casal para as quatro crianças ali presentes.
Você estendeu a mão por baixo da mesa, tateando até encontrar o tornozelo dele. Com toda a força que conseguiu reunir, você cravou as unhas na pele dele e empurrou o pé dele para longe, lançando-lhe um olhar de promessa de morte violenta.
Qifrey apenas arqueou uma sobrancelha, um sorriso ladino brincando nos cantos de sua boca antes de voltar a comer seu guisado como se nada tivesse acontecido.
Quatro dias, você pensou, o coração batendo na garganta. Eu só preciso aguentar mais quatro dias.
...
Na sexta-feira à tarde, o ateliê estava silencioso. As meninas haviam saído para a cidade com Olruggio para comprar suprimentos de pergaminho e tintas especiais, deixando você e Qifrey sozinhos na imensa casa pela primeira vez em dias.
Você achou que seria a oportunidade perfeita para relaxar, mas no momento em que entrou na biblioteca do segundo andar para organizar alguns livros que as aprendizes haviam deixado espalhados, percebeu que havia entrado direto em uma armadilha.
Qifrey estava lá. Ele estava de pé junto a uma das estantes mais altas, segurando um livro pesado. Ao ouvir seus passos, ele não se virou imediatamente, permitindo que você visse as linhas perfeitas de suas costas e a forma como a luz do sol poente entrava pelos vitrais da janela, banhando-o em um tom dourado que o fazia parecer uma divindade mítica.
Você deu meia-volta para sair, mas a voz dele a deteve.
— Vai fugir de mim até quando, [Seu Nome]?
Você parou, respirando fundo antes de se virar para enfrentá-lo.
— Não estou fugindo, Qifrey. Estou apenas dando a você o espaço que você tanto parece valorizar, considerando que prefere passar as noites com seus livros a cumprir seus compromissos comigo.
Qifrey fechou o livro com um estrondo surdo e o colocou de volta na prateleira. Quando ele se virou, a expressão brincalhona dos últimos dias havia sumido. Em seu lugar, havia uma intensidade crua, um desejo faminto que fez seu estômago despencar em um abismo de expectativa.
Ele caminhou em sua direção. Cada passo era deliberado, predatório. Você recuou involuntariamente até que suas costas encontraram a madeira dura de outra estante de livros. Qifrey não parou até que o corpo dele estivesse a centímetros do seu. Ele ergueu os braços, apoiando as palmas das mãos na estante, prendendo você mais uma vez, mas desta vez não havia crianças a poucos metros para salvá-la.
— Eu já pedi desculpas de joelhos — ele disse, a voz baixa, áspera, carregada de uma frustração vibrante que ecoou dentro de você. — Eu admito meu erro. Eu fui um marido terrível ao esquecer o nosso dia. Mas essa distância... esse castigo... está me enlouquecendo. E eu sei, eu posso ver nos seus olhos, que está enlouquecendo você também.
— Eu estou perfeitamente bem — você mentiu, a voz falhando miseravelmente no final da frase.
— Está? — ele deu um passo à frente, colando o peito ao seu. O calor dele era como uma fornalha. O volume da masculinidade dele, já rígida pela proximidade, pressionou contra o seu ventre através das roupas, fazendo você soltar um pequeno suspiro sôfrego. — Então por que seu coração está batendo como se fosse saltar do peito? Por que você está tremendo, querida?
— Qifrey, a greve... — você tentou protestar, mas a mão dele subiu pela sua cintura, os dedos longos se espalhando pelas suas costelas, apertando o tecido do seu vestido com uma possessividade que fez suas defesas desmoronarem como castelos de cartas na tempestade.
— Esqueça a greve — ele sussurrou, inclinando-se. Os lábios dele escovaram a linha da sua mandíbula, descendo pelo seu pescoço, encontrando aquele ponto exato perto da sua clavícula que ele sabia que a fazia perder a razão. Ele sugou levemente a pele ali, arrancando de você um gemido agudo que ecoou pela biblioteca silenciosa. — Eu sinto falta de você. Sinto falta do seu gosto, do seu cheiro, da forma como você se aperta contra mim quando chega ao ápice. Eu estou morrendo de fome de você há quatro dias, [Seu Nome].
As mãos de Qifrey desceram para as suas coxas, erguendo o tecido do seu vestido com uma agilidade espantosa. Os dedos dele, quentes e ligeiramente ásperos pelo uso da caneta, tocaram a pele nua da sua perna, subindo com firmeza até encontrarem a borda da sua calcinha, que já estava irremediavelmente úmida pelo desejo acumulado de uma semana inteira de provocações.
Você agarrou os ombros dele, os dedos cravando-se no tecido da túnica dele enquanto sua cabeça caía para trás contra os livros. O toque dele era um feitiço mais poderoso do que qualquer um já escrito nas páginas ao redor de vocês.
— Qifrey... por favor... — você implorou, sem saber se estava pedindo para ele parar ou para ele continuar de uma vez.
— Diga que me perdoa — ele murmurou contra os seus lábios, a boca dele a milímetros da sua, o hálito quente misturando-se ao seu. A ponta do dedo indicador dele acariciou a sua intimidade por cima do tecido fino de renda, fazendo seu corpo dar um espasmo de puro prazer. — Diga que a greve acabou e eu farei você esquecer o próprio nome nesta tarde.
Você olhou para ele. Para os olhos azuis cheios de uma paixão devoradora, para o rosto desenhado com uma beleza que parecia injusta para um mero mortal, para o homem que, apesar de todos os seus segredos e fardos como bruxo de manto heróico, a amava com uma intensidade que por si só era uma força da natureza.
A resistência havia durado muito. Mas contra Qifrey determinado, o mundo inteiro estaria perdido.
— Eu te odeio — você sussurrou, as lágrimas de frustração e desejo misturando-se em seus olhos. — Eu odeio o quanto você é bom nisso.
Qifrey sorriu, o olhar brilhando com um triunfo absoluto e radiante.
— Eu sei, meu amor — ele disse, antes de selar os lábios dele aos seus em um beijo profundo, faminto e avassalador que apagou qualquer resquício de pensamento racional da sua mente.
...
Quando o beijo finalmente terminou, vocês dois estavam arfando, os lábios vermelhos e inchados. Qifrey não perdeu tempo. Com um movimento rápido e seguro, ele envolveu suas coxas com as mãos e ergueu você do chão, prendendo suas pernas ao redor da cintura dele. Você se agarrou ao pescoço dele para não cair, soltando uma exclamação de surpresa quando ele a pressionou firmemente contra a estante de livros.
— Aqui não — você implorou em um sussurro arrastado, embora seu corpo estivesse clamando pelo oposto. — As meninas... elas podem voltar a qualquer momento.
— Elas não vão voltar pelas próximas duas horas. Eu pedi a Olruggio para levá-las até a confeitaria do centro para testar um "feitiço de conservação de doces" inventado recentemente — Qifrey deu um sorriso ladino, os olhos brilhando com a astúcia de um verdadeiro mestre estrategista. — Eu planejei cada detalhe desta tarde, querida. Eu sabia exatamente quando sua resistência quebraria.
— Você é um manipulador terrível — você murmurou, mas já estava puxando a túnica dele para fora da calça, ansiosa pelo contato da sua pele com a dele.
— Sou apenas um homem desesperado pelo amor da sua esposa — ele retrucou, a voz falhando levemente quando suas mãos encontraram o peito nu dele, arranhando levemente a pele firme.
Com uma precisão cirúrgica, Qifrey afastou a sua calcinha para o lado. Você arqueou as costas, soltando um gemido sôfrego quando sentiu a ponta da masculinidade dele, quente, latejante e imensa, pressionar contra a sua entrada. Ele não esperou. Com um impulso firme dos quadris, ele se enterrou completamente dentro de você de uma só vez.
O impacto do preenchimento foi tão intenso que sua visão chegou a turvar por um segundo. Você cravou as unhas nas costas dele, enterrando o rosto no ombro do marido enquanto o primeiro surto de prazer puro e concentrado corria pela sua espinha. Qifrey soltou um rosnado baixo, um som puramente animal que você raramente ouvia do bruxo sempre tão polido e controlado.
— Deus, [Seu Nome]... você está tão apertada... tão quente — ele arfou, começando a se mover.
Os movimentos dele eram ritmados, profundos e deliberadamente lentos no início, cada estocada calculada para fazer você se contorcer contra a madeira da estante. Os livros ao redor de vocês tremiam levemente a cada impacto dos quadris dele contra os seus. Qifrey segurava sua cintura com as duas mãos, os dedos deixando marcas avermelhadas na sua pele, ancorando você ao ritmo implacável dele.
— Qifrey... mais rápido... por favor — você implorou, jogando a cabeça para trás, os cabelos espalhando-se pelas prateleiras de poções antigas.
Ele atendeu ao seu pedido. O ritmo dele tornou-se mais rápido, mais forte, transformando-se em uma urgência selvagem que eliminava qualquer vestígio da distância que vocês mantiveram nos últimos dias. A biblioteca, antes um local de estudo solene, transformou-se no cenário de uma entrega absoluta. O som dos corpos de vocês colidindo, dos seus gemidos ecoando pelo teto alto e da respiração pesada de Qifrey preenchia o espaço como a mais bela melodia mágica.
A cada estocada, ele lembrava você do porquê de ser impossível resistir a ele. Ele conhecia cada ângulo do seu corpo, cada ponto que a levava ao delírio. Ele inclinava o corpo para beijar seus lábios, depois seu pescoço, depois seus seios por cima do decote desalinhado do vestido, mantendo você em um estado de estimulação contínua e avassaladora.
O prazer foi se acumulando rapidamente, uma onda gigante que ameaçava quebrar. Você sentiu os músculos da sua intimidade começarem a se contrair ao redor dele em espasmos involuntários.
— Qifrey, eu vou... eu não consigo segurar — você choramingou, apertando as pernas ainda mais ao redor da cintura dele.
— Vá, meu amor. Venha para mim — ele sussurrou, a voz rouca de puro desejo, acelerando os movimentos ao máximo, desferindo estocadas profundas e cavadas que atingiam o centro do seu prazer.
Com um último grito abafado contra os lábios dele, o seu mundo explodiu. As paredes da biblioteca pareceram desaparecer quando uma onda de espasmos intensos e deliciosos tomou conta de todo o seu corpo, fazendo você tremer da cabeça aos pés. Qifrey deu mais três estocadas fortes, os olhos revirando de prazer ao sentir as paredes internas da sua esposa espremendo-o com força total. Com um gemido prolongado, ele se impulsionou uma última vez, descarregando-se profundamente dentro de você, enchendo-a com o calor do sêmen dele.
Vocês permaneceram ali por longos minutos, colados um ao outro, o único som sendo o das respirações descompassadas que aos poucos voltavam ao normal. Qifrey manteve você erguida, com a cabeça descansando no ombro dele, os braços dele ao seu redor como se você fosse o tesouro mais valioso de todo o mundo mágico.
Lentamente, ele deslizou para fora de você, arrancando um pequeno suspiro de lamentação dos seus lábios, e colocou seus pés de volta no chão com todo o cuidado, embora suas pernas estivessem tão trêmulas que ele teve que manter uma mão firme na sua cintura para você não cair.
Ele sorriu, limpando o suor da sua testa com carinho, arrumando o seu vestido desalinhado com uma delicadeza que contrastava totalmente com a selvageria de minutos antes.
— Então... — ele começou, um brilho divertido voltando ao seu olho azul. — Posso assumir que as fronteiras estão abertas novamente e que meu exílio no sofá foi revogado?
Você olhou para ele, fingindo uma severidade que seu corpo totalmente relaxado e satisfeito não conseguia sustentar.
— Você está perdoado, Qifrey. Mas se você esquecer o nosso aniversário de casamento no ano que vem... eu juro por todas as leis do Grande Auditório que eu desenho um círculo de banimento definitivo na porta daquele quarto.
Qifrey riu, uma risada calorosa e genuína que fez seu coração derreter por completo. Ele se inclinou, dando-lhe um beijo suave e casto nos lábios.
— Eu prometo, minha vida. Eu desenharei um lembrete permanente na minha própria mesa de trabalho se for preciso. Nada é mais importante para mim do que você.
E dali em diante, o ateliê voltou ao seu ritmo normal. Mas as quatro aprendizes notaram, com grande alívio, que o mestre Qifrey já não parecia pálido, e que a senhora do ateliê andava pelos corredores com um sorriso radiante e passos muito mais leves.











