* ⠀𓂃 ৎ୭ ⠀❪ 𝒇𝒶𝒷𝓇𝜄́𝒸𝒾𝑜 𝒄𝑜𝓁𝒶𝓇𝑒𝓈 𝒂𝓎𝓇𝑜𝓈𝒶 ❫ ‧ ⠀ 𝙨𝙤 𝙜𝙤𝙤𝙙𝙣𝙞𝙜𝙝𝙩, 𝙘𝙧𝙪𝙚𝙡 𝙬𝙤𝙧𝙡𝙙, 𝙞'𝙡𝙡 𝙨𝙚𝙚 𝙮𝙤𝙪 𝙞𝙣 𝙩𝙝𝙚 𝙢𝙤𝙧𝙣𝙞𝙣'.
Ei, você viu quem voltou para mais um ano? Por um momento pensei ter visto PEDRO NOVAES, mas é melhor, é FABRÍCIO COLARES AYROSA! Soube que ele está cursando ECONOMIA aos VINTE E CINCO ANOS e é um BOLSISTA da Saint Benedict Hall. Todas as vezes que encontrei com ele, eu podia jurar que estava ouvindo HEAVY DO THE MARÍAS. Isso até combina muito com o quanto ele me lembra de KNIGHT OF CUPS. Eu só acho que algo está diferente esse ano, melhor ficar de olho nele!
𝐂𝐋𝐔𝐁𝐄𝐒 & 𝐄𝐗𝐓𝐑𝐀𝐂𝐔𝐑𝐑𝐈𝐂𝐔𝐋𝐀𝐑𝐄𝐒 : Clube de debates, Clube de Literatura Clássica & Clube de Fotografia Analógica
𝐄𝐒𝐏𝐎𝐑𝐓𝐄 : Futebol (ponta-esquerda)
* ⠀𓂃 ৎ୭ ⠀❪ HEADCANONS :
Para todo pobre lascado brasileiro, sair do país para alcançar seus objetivos profissionais era sinônimo de riqueza. Engraçado como as coisas são quando tudo começa a dar certo na sua vida após desvencilhar-se de quem lhe põe pra baixo, mas, para entender o porquê dessa decisão tão oportuna e firme ter sido tomada, precisamos recomeçar. Bem do começo mesmo.
Os Colares, para ter ideia da gravidade em que estamos retratando essa família, dividiam juntos uma casa sem sequer cogitar irem morar sozinhos. Por que? Bom, ninguém tinha condições de bancar algo tão caro e promissor. Dos sete, cinco eram irmãos, uma era a mãe e a última, a bisavó, e dentre estes Fabrício se enquadrava como o filho do meio, o número cinco - nem o pior, nem o melhor. O esquecido, mas também o indulgente.
Era verídico dizer que o próprio não soube como era dormir na maciez de uma cama até seus quatorze anos, quando, convenientemente, seu irmão mais velho saiu de casa após conseguir um emprego melhor na capital. E, é claro, a mãe não deixou barato ao considerá-lo uma pessoa à parte da família. Se não a beneficiasse, não havia motivos para se agradar com a partida, sequer desejar proximidade. E assim foi feito. Escondido dos familiares, os quatro irmãos recebiam ajuda do mais velho, mas pedia a estes que mantivessem segredo. Ora, se ele que estava bem-sucedido havia sofrido aquela represália a troco de nada, então imagine os outros tapados que não vivessem sob as regras da ditadora!
Fabrício era muito estudioso, apesar de tudo, e sabia como conquistar alguns corações, por mais que nunca tivesse realmente caído de cabeça em nenhuma das relações na qual se inseriu. Fato é que o mesmo jamais soube descrever a sensação de estar apaixonado por alguém, afinal, como poderiam lhe acolher e entender diante da vergonha que era viver da forma que vivia? Ser pobre não era fácil, muito menos bonito, mas Fabrício sabia como agarrar as oportunidades que a vida dava.
Seu mais velho havia lhe prometido: "em seguida, será você, então estude bem!", e foi o que fez por longos anos. Ao contrário dos irmãos, sua vontade era a de se mandar dali o mais rápido possível e manter o mínimo contato que fosse, posto que sua simpatia pela mãe era pouca. O segundo mais velho trabalhava na administração de um mercantil - coisa escrava e que pagava só um pouco a mais que o mínimo do país e no cargo; o caçula simplesmente fazia aprendizado em lojas no centro para tentar engajar em alguma profissão assim que saísse da escola. Então, para Fabrício não existiria uma vida boa e proveitosa que não fosse ridicularizada e lhe fornecesse pouco para que usufruísse menos da metade, já que teria que dividir com a mãe. Era injusto!
Foi por isso que quando a ovelha negra da família o contatou para avisar sobre um programa de bolsa na universidade onde a empresa que ele trabalhava estava ofertando, no exterior, Fabrício viu que era uma oportunidade para agarrar e jamais soltar. Finalmente conseguiria ter um arco de melhora na história patética sobre sua vida... Exceto pelo acidente que deixou o mais velho hospitalizado em estado crítico.
Sendo o único que tinha liberdade para meter as caras e seguir, o do meio fez as malas e, sem avisar, saiu de casa com o dinheiro que "roubou de volta" (já que a mãe pegava metade dos ganhos no trabalho dos filhos) para completar o que já tinha no cofrinho, e comprou uma passagem só de ida para o estado onde o mais velho vivia. Lá, tiveram algumas semanas juntos. Fabrício aproveitou cada segundo com ele, usufruiu de suas dicas e afeto, até ser direcionado para o programa de apadrinhamento da Saint Benedict Hall, na Inglaterra, após inúmeros testes para saber se estava apto a adentrar e iniciar os estudos. Mesmo com o coração apertado, ele se despediu, agradeceu e tratou de cumprir com a responsabilidade de manter viva toda a garra que o irmão teve quando fez o mesmo. Fabrício sabia que não teria outra chance assim.
Então, sabendo o pouco do inglês e estudando dia pós dia para aperfeiçoar, ele viajou. No geral, foi difícil se adaptar já que o sotaque era muito carregado e ele mal conseguia se virar sozinho, já que nunca havia saído de casa antes para se aventurar no desconhecido. Não sabia nem pegar ônibus direito, que dirá avião em outro país! No entanto, a mescla de sentimentos novos lhe dava muito gás para continuar. Era disso que ele gostava: das inexplicáveis sensações que fazia penicar o pescoço com calafrios de prazer. O novo era interessante e desejado há anos; tê-lo agora parecia apenas um sonho se levasse em conta que nunca teve tanto e agora tinha mais que tudo.
Durante alguns meses no início dessa aventura, Fabrício manteve contato fixo com seu irmão mais velho, principalmente, e os outros também, apesar de ser mais contido com estes a fim de fofocas sobre a família. Vendo de fora, qualquer outra pessoa iria rir do que era falado, mas para ele não era nada engraçado se levasse em conta que seus irmãos ainda tinham uma vida regada pela ditadura da genitora, e não era isso que ele desejava à eles. Portanto, dedicava-se inteiramente aos estudos para que conseguisse lhes dar também uma oportunidade, enquanto apreciava a ajuda que o mais velho lhe fornecia.
[ . . . ]
Após poucos anos, o rapaz - já homem - ainda tinha suas dificuldades devido a discrepância de tempo na qual dedicou para o completo nada em um interior do Brasil, enquanto que agora tinha do bom e do melhor. Contudo, como nem todo pobre lascado tem felicidade plena, Fabrício também não teria. Há alguns meses recebeu a nota de falecimento de seu irmão mais velho que teve complicações por causa do acidente de tempo atrás, no qual teve um mau tratamento pelos médicos durante a cirurgia - não foi feita da forma que deveria, apesar de ter apresentado a melhora pelo curto tempo. E assim a vida lhe cobrou. Da pior forma possível...
Infelizmente, ele não pôde comparecer ao funeral e a única coisa que soube foi que os irmãos foram, além da mãe e bisavó também, e este foi enterrado na cidadezinha onde nasceram. Trazido de volta para morar debaixo da terra imunda da qual ele se livrou por anos, felizmente, e, infelizmente, lá estava... Recebendo o exato oposto do que imaginou para sua morte.
E Fabrício? Bem, ele agora precisava entender as questões legais que rodeavam seu apadrinhamento, e atualmente precisa lidar com isso além das responsabilidades impostas dentro da universidade. Ainda tinha um dinheiro guardado do que recebia de seu irmão e do que juntou também ao longo dos anos, mas isso iria embora tão fácil quanto respirar se precisasse pagar integralmente os custos de St. Benedict Hall, o que lhe deixava deveras apreensivo. Sua decisão a partir disso foi precipitada e pouco pensada, para falar a verdade. Era até burra se levasse em conta que jamais se prestaria a isso, mas Fabrício passou a tentar juntar dinheiro ao vender a imagem de seus colegas dentro da instituição. O valor iria variar dependendo da gravidade; se um professor fosse visto tendo um caso com uma aluna, certamente seria caríssimo. Se um colega estivesse vendendo droga, também valeria uma nota. E ali dentre os legados, todo tipo de sujeira era bem-vinda, especialmente se ganhasse com isso.
Não apenas tudo aconteceu e mudou da água para o vinho, mas também a avalanche da morte de um de seus melhores amigos lhe afetou em cheio, como se estivesse segurando um copo cheio que fosse transbordar a qualquer momento... Era demais pedir por apenas um respiro de tranquilidade sem que ele precisasse vestir uma armadura para a própria proteção?
* ⠀𓂃 ৎ୭ ⠀❪ PERSONALITY :
A personalidade moldada do indivíduo de espírito inquieto e alma insurgente, é o retrato da dualidade humana entre o querer e o suportar: viveu entre sombras e muros que o mundo erguia contra si, mas aprendeu a escalar cada um deles com unhas, suor e sangue. St. Benedict foi seu refúgio e seu campo de batalha - o lugar onde as regras tentam domá-lo, mas onde ele mesmo insiste em provar que destino algum é fixo. Em seu peito pulsa um coração impulsivo, movido por sentimentos que transbordam em cada escolha precipitada e cada gesto de coragem desmedida.
Ele não teme arriscar tudo por uma chance, mesmo que o preço venha em dor e arrependimento; para Fabrício, viver é uma sucessão de quedas e ascensões, e cada erro é apenas combustível para seguir adiante, mesmo que doloroso. Carrega a vontade de quem sonha alto demais para caber na própria realidade, e nos ombros o peso de quem sente muito para fingir indiferença. É, ao mesmo tempo, o arquiteto de seu próprio futuro e o sabotador de sua própria paz.















