Ei, você viu quem voltou para mais um ano? Por um momento pensei ter visto 𝑀𝐴𝐷𝐷𝐼𝐸 𝑃𝐻𝐼𝐿𝐿𝐼𝑃𝑆, mas é melhor, é 𝐂𝐎𝐑𝐀 𝐄𝐋𝐈𝐙𝐀𝐁𝐄𝐓𝐇 𝐇𝐀𝐑𝐑𝐎𝐖𝐆𝐀𝐓𝐄! Soube que ele está cursando História da Arte aos 26 anos e é um LEGADO da Saint Benedict Hall. Todas às vezes que encontrei com ela eu podia jurar que ela estava ouvindo LOVE IS A LOSING GAME - AMY WINEHOUSE Isso até combina muito com o quanto ela me lembra de 𝐎𝐂 - 𝐅𝐈𝐕𝐄 𝐎𝐅 𝐂𝐔𝐏𝐒. Eu só acho que algo está diferente esse ano, melhor ficar de olho nela!
𝐏𝐈𝐍𝐓𝐄𝐑𝐄𝐒𝐓 . 𝐏𝐋𝐀𝐘𝐋𝐈𝐒𝐓 . 𝐂𝐎𝐍𝐍𝐄𝐂𝐓𝐈𝐎𝐍𝐒 . 𝐓𝐇𝐄𝐎𝐌𝐄𝐍𝐇𝐐
ⅰ 、 ⠀ ⠀ ⠀ ⠀𝐏𝐄𝐑𝐅𝐈𝐋
Nome: Cora Elizabeth Harrowgate
Nascimento: 14 de fevereiro de 1999 — 26 anos
Signo: ☀ Aquário | 🌙 Câncer | ♀ Leão
Curso: História da Arte
Ano: Último ano da graduação
Status: Legado
Esporte: Lacrosse
inspos: Daisy Jones (Daisy Jones & The Six) ; Rue Bennett (Euphoria) ; Família Usher (The Fall of the House of Usher) ; Família Roy (Succession) ; Marianne (Normal People) ; Cecilia Tallis (Atonement) ; Margot Tenenbaum (The Royal Tenenbaums) ; Amy Dunne (Gone Girl) ; Effy Stonem (Skins) ; Lux Lisbon (The Virgin Suicides)
ⅱ 、 ⠀ ⠀ ⠀ ⠀𝐎𝐂 - 𝐅𝐈𝐕𝐄 𝐎𝐅 𝐂𝐔𝐏𝐒
Você nasceu entre frascos dourados e promessas de alívio, a herdeira de um império que aprendeu a lucrar com a dor. Cresceu acreditando que nada era mais feio do que sofrer — até descobrir que a dor podia ser bonita, se bem apresentada. E você a apresentou com maestria. Amou um homem que lhe falava sobre redenção através do sofrimento, e confundiu culpa com devoção. Quando ele se afastou, você achou que morreria. Então fez o que um Harrowgate faz de melhor: fabricou sua própria anestesia. Mentiras, remédios, manchetes. Sua tragédia foi transmitida em cores vivas, e o mundo a assistiu despencar com fascínio. Diz que quer perdão, mas o que você realmente deseja é ser lembrada. Perdeu tudo o que podia ser derramado, e ainda assim continua tentando beber das mesmas taças quebradas.
ⅲ 、 ⠀ ⠀ ⠀ ⠀𝐏𝐄𝐑𝐒𝐎𝐍𝐀𝐋𝐈𝐃𝐀𝐃𝐄
Cora é o retrato de alguém que aprendeu a confundir atenção com amor e culpa com redenção. Ela é charmosa, espirituosa e culta, mas usa isso como armadura. Sua presença é magnética — as pessoas a notam, mesmo quando ela não quer ser notada — mas, por trás do brilho, existe uma tristeza antiga, elegante e corrosiva. Ela busca conexão, mas teme intimidade. É intensa demais para ser ignorada e frágil demais para ser amada por completo. Cora sobrevive os dias como se estivesse representando um papel que ela mesma escreveu e já esqueceu as falas.
ⅳ 、 ⠀ ⠀ ⠀ ⠀𝐓𝐑𝐈𝐕𝐈𝐀
É incapaz de dormir sem ruído branco.
Odeia quando a chamam de “fragilizada”; prefere “autoconsciente demais para funcionar.”
Perfume de assinatura: Penhaligon’s Bluebell — um clássico britânico que sobreviveu a todas as modas. Floral verde com notas úmidas de campânula, jasmim e lírio-do-vale;
Ao contrário do que se esperaria, Cora não tem pets. Apesar de amar a ideia do amor incondicional dos cachorros, sente pavor da responsabilidade — e, pior ainda, da culpa de ver algo morrer e não ter ninguém a culpar além de si mesma.
Tem uma memória quase enciclopédica para detalhes pessoais, músicas, falas de filmes antigos e citações de livros que ninguém mais lembra. Recorda o que fez, o que não fez e o que imaginou ter feito. Talvez por isso os opioides tenham feito tanto sentido: só drogas pesadas conseguiam abafar a velocidade e a densidade de pensamentos autodestrutivos.
uma vez, a Tatler Magazine, em uma edição especial “Os Herdeiros da Decadência” a colunista Rita Sharma escreveu "De certo modo, entre todos os filhos e netos de Gideon, Cora foi quem mais vestiu a camisa da empresa — um outdoor vivo do império farmacêutico Harrowgate. Bonita como frascos que prometiam alívio, rica e quebrada por dentro." apesar de maldoso, cora riu e guarda o artigo até hoje.
ⅴ 、 ⠀ ⠀ ⠀ ⠀𝐁𝐈𝐎𝐆𝐑𝐀𝐅𝐈𝐀
há algo quase fascinante sobre cora harrowgate antes dela virar o assunto favorito dos tabloides e revistas de fofoca. ela sempre foi essa garota rica, privilegiada, linda, engraçada, divertida com acesso a tudo o que o dinheiro podia comprar e mesmo assim ela não tinha ninguém. não tinha irmãos. sua família cumpria todos os protocolos de uma família britânica perfeita, com tanta civilidade que cada jantar parecia uma festa de estranhos. ela era uma boneca de porcelana dentro de uma caixa, linda, desejável e completamente sozinha.
mesmo assim, ela meio que destoava do padrão da família, a casa parecia viva com ela dentro, havia risadas, música, dança, teatro de fantoches que ela apresentava para os seguranças e babás, ela gostava de ajudar o jardineiro, e fazia biscoitos com o cozinheiro (um chefe que apesar de ficar irritado por ter uma criança em sua cozinha sentia certo prazer em ter uma pequena pupila). ela buscava toda e qualquer pequena chance de interação, desesperada por conexão verdadeira que era descuidada. quando ajudava o jardineiro, tagarelava quando se enfiou entre o jardineiro, a roseira e a tesoura. o braço precisou de pontos e o jardineiro perdeu o emprego. foi a primeira vez que ela sentiu um sentimento que seria seu companheiro pro resto da vida. culpa.
depois disso o internato na suíça se tornou inadiável. o pai mal aparecia em casa, a mãe era distante mas exigia disciplina e cora era um tanto selvagem para o seu gosto refinado. no internato, ela demorou um pouco para se enturmar, mais porque havia herdado não só as milhares de libras mas o orgulho dos harrowgate, gostar de estar ali era como uma traição ao juramento que havia feito quando saiu de casa de que iria odiar o lugar. mas o prédio que mais parecia um palacete medieval, com suas pedras antigas, garotas de uniforme, time de lacrosse, ela tinha finalmente oportunidade de fazer amigos. de ter alguém que a enxergasse. mas muitas meninas viam apenas a garota rica, as conexões, as festas… e para ser sincera, ser invisível era pior do que ser usada então ela aceitou. passou os próximos onze anos com pessoas que se aproximavam por interesse, viajava para Santorini e Mykonos com o iate do pai com mais gente do que o permitido mas sabia, no fundo, que se precisasse de qualquer uma daquelas pessoas nenhuma delas atenderia um telefonema.
Foi quando começou a primeira faculdade.
O professor de literatura russa era um sonho — idealista, falava apaixonadamente sobre os romancistas trágicos, sobre a redenção através da dor, o realismo brutal de um mundo cinza que não era bom nem mau, apenas ambíguo e cheio de nuances.
Os dez anos de diferença entre eles — ou as regras da universidade — não foram o suficiente para impedi-la de terminar entre os lençois do docente. Nem o fato de ele ser casado. Ou de ter filhos.
Ela tinha um estilo de vida que era o total oposto do dele, mas por Rodion — nome que parecia saído das páginas de Dostoiévski — abriria mão de tudo. Ficou sóbria de verdade pela primeira vez em cinco anos. Meses, quase um ano sem remédios, drogas ou festas.
Até o dia em que a mulher dele bateu à sua porta.
Foi como uma âncora, puxando-a de volta à realidade com uma velocidade vertiginosa. A mulher era franzina, de cabelos castanhos e olhos azuis — o tipo intelectual, escondido atrás de olheiras e pele pálida, revelando noites sem dormir.
Ela pediu, na verdade implorou, que Cora deixasse o marido em paz.
Cora percebeu o quão egoísta estava sendo. Gostaria de dizer que, ao ver a mulher em prantos, prometeu nunca mais vê-lo. Mas não prometeu. Mandou-a embora.
Mas as coisas não eram mais as mesmas. Rodion se afastou dela — o que a deixou desesperada. E, desesperada, Cora voltou a frequentar festas e beber, tentando chamar atenção. Quando era ignorada, anestesiava a dor como apenas uma Harrowgate sabia fazer: com drogas pesadas.
Se ao menos tivesse apagado, esquecido de tudo… mas não. Ela aparecia na casa dele de maneira deplorável, mesmo depois de ele terminar o relacionamento de todas as formas possíveis. Mas ele não terminou com ela — terminou com ela. Uma parte dela que havia sido vista pela primeira vez na vida.
Havia um luto por uma felicidade frágil, que existia apenas dentro de um quarto. E Cora faria de tudo para protegê-la, para tê-la de volta.
Expôs mensagens íntimas à esposa, na tentativa de fazê-la deixá-lo. Quando isso não funcionou, acusou o professor de abuso — uma mentira que, ainda assim, parecia verdade. Ela se sentia abusada. Arruinada. A verdade é que, mesmo que ele tivesse voltado para salvar o emprego, teria voltado. Mas aquilo foi a gota d’água. Sem fonte de renda, a família deixou o campus e voltou para o interior, deixando para trás apenas culpa, solidão e desespero.
A mídia, é claro, adorou. Todos adoram gente linda e destruída por dentro. E não havia alguém tão classicamente linda e mais destruída por dentro do que Cora. Ela abandonou a faculdade. Abandonou a si mesma por muito tempo. Até que a família decidiu que cinco anos de autoflagelação eram suficientes — e a mandou para Saint Benedict Hall, um colégio respeitável que já havia abrigado seu pai e sua avó Seraphina.
Mas a onda cinzenta que acompanhava Cora se estendeu até Durham. Não muito tempo depois, o corpo de Owen foi encontrado no lago. Aparentemente, seus dias de azar estavam longe de acabar. Só que, dessa vez, talvez a punição não fosse autoimposta. Talvez fosse o carma, a justiça divina — ou algo pior — prestes a cobrar uma dívida grande demais para ser paga.
















