Você
Tenho muitos amigos
Com os quais posso conversar
Mas sem teu corpo
Para me aquecer
Ainda que a vida
Continue bonita
Falta-me esse pedacinho
Tão querido em mim
Que se chama
Você.
Kzar
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Você
Tenho muitos amigos
Com os quais posso conversar
Mas sem teu corpo
Para me aquecer
Ainda que a vida
Continue bonita
Falta-me esse pedacinho
Tão querido em mim
Que se chama
Você.
Kzar
De tanto viver
Aproveita cada segundo
Cada sonho, cada prece, Cada vitória como se fosse A última
De forma que, No momento de teu fenecer Ao perguntarem Morreu de quê?
Possam teus amigos queridos Sorrindo, responder Morreu de tanto viver!
Kzar
Distância
Eu queria entender o que sinto
Assim poderia resolver minha vida
Mas não consigo
Então fico assim, perto demais da distância
Que insiste em me separar de ti
Por que queres assim, mas não muito.
Desafio do não ao não
Não. A palavra mais ouvida na vida, diz uma pesquisa que li há tanto tempo que já nem lembro quem fez. Mas faz sentido. Tudo é não. Na infância é por proteção. Então, introspectamos. Depois, na adolescência, nos rebelamos. Passamos a recusar a negação. Curiosamente é aí que mais negamos. Negamos os ensinamentos paternos, maternos e de quem mais tiver idade suficiente para chamarmos ou entendermos como velhos. Na adolescência a velhice é bastante relativa. Pois se for um senhor de oitenta que nos escute e apoie, bem, pode ser coroa – ainda se usa essa expressão? – mas não velho. Com o advento da vida adulta, resolvidos os conflitos referentes aos nossos pais, então tomamos um rumo. Certo ou errado? Não sabemos, mas melhor que o sem norte da fase onde a nossa altura nos faz perder o respeito sacro por nossos progenitores. Sim, caso não saibam, Deus está em cima por que, quando pequenos, ao sofrermos, buscamos conforto na mãe e no pai, que são maiores, ou seja, estão em cima. Olhamos para cima para buscarmos socorro. Daí, pois, a revolta adolescente, em parte. Pois nosso amparo agora não é maior que nós. Em altura estamos de igual para igual. Mas, claro, essa é apenas uma pequena parte da História e foge do escopo, então, voltemos.
Se olharmos os dez mandamentos veremos que sete começam com não. E isso tem uma razão. Deus é pai. Pais querem o bem dos seus filhos. Ora, sendo assim, pais preferem que seus filhos aprendam pelo amor, pois se não for assim, a vida lhes ensinará pela dor. E pais não querem que seus filhos sofram.
Contudo, de tanto ouvirmos a palavra não acabamos por tê-la em primeiro lugar em nossas respostas – admiro quem não é assim, pois eu mesmo tenho que me esforçar muito para fazer diferente ainda hoje.
Portanto, proponho-lhes uma experiência. Passar uma semana sem pronunciar a palavra não. Mesmo quando for necessário negar algo, usar outras palavras, argumentos, ainda que seja necessário falar mais, discursar, mas fazer ver ao seu interlocutor que ele deve tomar outro caminho, sem usar a palavra não.
Qual a razão do experimento? Bem, é simples. Como temos, todos, uma aversão à palavra não, quando a ouvimos nos fechamos imediatamente, e isso bloqueia em parte ou de todo nosso entendimento sobre as razões de nosso interlocutor. Verdade? Ficção? Maluquice? Delírio? Invenção? Vamos descobrir?
Se estiver errado, por tudo que aprendi, não fará mal algum. Porém, se estiver certo, já pensaram em quanta discórdia e rancores serão evitados?
Quem se atreve a arriscar? Mas, advirto, é preciso coragem, sabem o motivo? Por que, no meio d argumentação, corremos o risco de descobrir que estávamos errados!
Ninguém é
Ninguém é quem diz ser. Por que você não se apresenta a alguém dizendo: olá sou uma tresloucada, tenho uma unha encrava e dificuldade para dormir. Os nossos defeitos vamos descobrindo aos poucos, nos outros.
O Abraço
Saiu do mercado com duas sacolas. Lentamente percorria os duzentos metros que o separavam de sua casa. A certa altura, cruzou a rua para escapar do sol que insistia em cegá-lo! Achou engraçado aquele pensamento. Não seria cego de qualquer forma? Ninguém poderia esclarecê-lo. Aqueles que concordavam com suas ideias o chamavam de amigo, inteligente. Os que discordavam o rotulavam de idiota, sem capacidade. Ora, que se danem todos, ironizou.
Subitamente ergueu a cabeça e viu a rua deserta. Sempre estava deserta naquele horário. Em seus pensamentos enxergou Deus logo adiante, bem ali na esquina de sua casa. Pois bem, conjecturou, Deus poderia mesmo estar ali à sua espera, porem, não o encontraria quando chegasse lá. Afinal, para estar com Deus primeiro se fazia necessário crer, ter fé. Todavia, fé nunca fora seu forte. De toda forma, não chegaria à esquina, pois sua casa ficava no meio da quadra. Aparentemente, Deus teria de esperar mais um pouco, o que não significa nada para quem sempre existiu e sempre existirá. A eternidade deve ser um tédio, imaginou. Quem sabe não foi por isso que Lúcifer se desgostou e caiu? Talvez tudo o que ele quisesse fosse ser mortal por algum tempo, desobedecer as ordens sagradas, dançar rock, fumar unzinho e virar pó. Bem, camarada, se essa era a intenção, o tiro saiu pela culatra. Não é verdade?
Enquanto andava imaginava-se bem velhinho. A sensação de haver desperdiçado sua vida o assolou. Agora, no auge dos seus quarenta anos, não tinha mais o que fazer a não ser esperar a morte e torcer para que fosse rápida e indolor. Rápida e indolor; riu. Seria esperar demais da ceifadora. Embora as chances estivessem ao seu favor. Vivia fazendo exames e estes insistiam em não apontar nada de clinicamente errado consigo. Mas, se não havia nada, então por que aquela dor no peito? E por que a cada dia, e cada dia mais, ao engolir o alimento que preparava sentia aquelas ferroadas? Nunca saberá a resposta. Caiu morto no portão de casa. Infarto fulminante.
Na esquina, Deus sorria para ele com os braços abertos. Demorou, refletiu, mas enfim, ganhei um abraço!
Promessas De Ano Novo
Estive pensando – esse é meu ofício mais gratificante – sobre as famosas promessas de ano novo. Aquelas que já são feitas em tom de mofa, seguidas de olhares cúmplices e risadinhas desdenhosas antecipando a pouca fé depositada no cumprimento das mesmas, feitas para o ano vindouro.
Ora, então, pus-me a refletir. Mas que espécie de pessoa fui, sou ou quero ser, se não deposito fé, sequer, nos compromissos assumidos para comigo? Se começo o ano me comprometendo com algo que não pretendo cumprir? Como esperar que creiam em mim, se eu mesmo der testemunho de minha falta de honestidade que começa, ou deveria começar sempre, para comigo mesmo?
Promessas são leis que criamos e com as quais nos comprometemos. Evidentemente não há prejuízo em criar uma lei se não houver sansão para quem não a cumprir. Então, quando fizer uma promessa, tenha em mente que a sansão está implícita. Elas estão presentes e a perceberemos em suas consequências.
Tenho me esforçado, desde há muito, para desconstruir em mim tradições que se mostram vícios sociais - não é por que as demais pessoas fazem alguma coisa que eu precise fazer também. Não é uma tarefa fácil. De fato, é um trabalho doloroso desbastar essa pedra bruta para descobrir a escultura que se esconde ali.
Mas não me entrego, enquanto puder aprender, continuarei mudando, refinando, aprimorando meu ser. Espero terminar meus dias, feliz em ser um aprendiz.
E vocês? Cumprem suas promessas? São fiéis às leis que criam para consigo?
Quem Será?
Quem poderá ser
Teu homem
Se teus ideais não comportam
Verdade, fidelidade?
Quem poderá te satisfazer
Se o que te sacia
É não o uno do amor
Mas a multiplicidade?
Sexo, bebidas, drogas
E um desejo de prazer
Inalcançável?
Pois bem, seja feita
A tua vontade
Seja feliz nessa vida
Se puderes
Sem maldade.
Silêncio Da Verdade
Para vencer grita
Para alcançar
Nada o limita
Que bem podemos esperar
Daquele que não se limita?
O que espero
O que esperava de você?
Amor sincero
Tem graça...
Só esperava, de fato
Uma companheira
Resistente
Sem jaça
Mas não foi assim
Foi?
Deixar De Amar
Quando deixar de amar
Me esqueçam
Pois temo que
Sem amor
Minhas poucas virtudes
Pereçam
De uma só vez...
Da Poesia e Do Amor
A poesia é ciente
Silente
E nunca
A exemplo do amor
Impõe ressalvas
Das Nossas Certezas
Se for para ir embora Que seja em grande estilo O que você destino? E karma, o que Pensa disso? Você acredita num ser superior Ou é apenas sua crença? A vida sempre continua Ou se esvai, apenas isso? Quem te criou te ensinou O que o mundo te apresenta? Você tem moral para julgar A vida de outra pessoa? Você sabe o que é moral? E moral de aparências? Sobre isso, o que você pensa? Se crê num ser supremo Qual o nome que lhe dá? E quem lhe dá outro nome Será que não tem lugar? Você tem certeza de tudo Ou desconfia mas cala? Onde está sua certeza Quando a vida te abala? E quando estás a sós Consigo em seus aposentos Tu tens certeza dos teus Mais arraigados conceitos? Aquele amigo que te feriu Será que merece perdão? Ora, e tu nunca erraste? Quem foi que lhe deu o malhete Da dura condenação? Onde está então agora A tua convicção? Se souber responder com firmeza À metade dessas perguntas Você é um cego, fanático Ou um ser de outro mundo Pois até hoje ninguém À luz da Suprema Sabedoria Conseguiu sentenciar ninguém Sem ir junto Em agonia
Da Solidão
Existem muitas formas De solidão Mas a pior de todas É aquela onde sentimos A falta de nós mesmos
O Jogo Da Vida
A vida, Diferente dos jogos De computador Não tem restar Não tem como reiniciar
Quando muito conseguimos Mudar o presente Pois o futuro também é Tal qual um ser alado Inalcançável até que venha A ser outro presente Que o Supremo nos dá A cada dia alcançado
Portanto, crianças Escutem, o que digo agora Inspirado Quando a tentação vier Como amigo para o seu lado Pensem como agiriam Com seus papais ao seu lado
Será que aprovariam? Ou ririam de seu estado? Se a resposta for não Creiam O mal está ao seu lado E cabe a vocês resistirem Pois o bem age calado
Por isso o engano, a mentira Vão longe e tão fácil convencem Pois a falsidade, o engodo Não têm limites A bondade, por sua vez Segue a luz da verdade E só alcança àqueles Que estão firmemente Preparados
Quem são vocês? Lacaios do mal Ou filhos da luz Pela bondade divina Pelos seus pais Orientados...
Pensem nisso...
Sobre Homens
Existem homens
Que nasceram
Para o combate
Fazem a segurança
Do mundo
Dos estados
Das cidades
Outros
Também conheci
Que fazer do crime
Uma arte
Comte diria que
Certamente
Fazem, também
Sua parte
Afinal de que servem
Guerreiros
Se não houver guerra?
Somente com sua
Contraparte
É que podem, os humanos
Voar
Contudo, no caso do amor
As coisas são diferentes
As partes se querem partes
Juntas, porém, irreverentes
No amor, portanto
Não há súditos ou majestades
Reis se apaixonam por plebeias
E mesmo o soldado
O soldado mais bem treinado
Sede aos caprichos desse sentimento
Que já depôs governantes, reinados;
O amor inicia e põe fim em guerras
Destrói o campo, a vida e os recupera
Enfim, o amor é tão forte
Que desarma e amansa feras
Mas que não o deixem encurralado
Pois, nestes casos
Um gatinho manso
Que cabia numa cesta
Torna-se, num repente
Em uma terrível besta
A Beleza Da Diversidade
Existe um mundo Entre os mundos Onde sensibilidade É fraqueza E violência, rudeza É um ato de hombridade
Descobri que entre o abismo Que separa duas sociedades Existe um istmo Uma tênue ligação Aonde quem vem de lá Se farta Dos que, daqui Se expõe, Deixam conhecer Seus corações
Esse mundo é real Mágico Encantado Porém, cruel aos dóceis Onde o educado É desconsiderado E no mais das vezes Apenas alguém A ser explorado
Esse mundo tem nome Por mais que me chamem De infame Que digam que me engano Esse mundo É o ser humano
Eis a beleza e a tristeza da diversidade