O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos.
Hamlet
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O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos.
Hamlet
Porque no fundo eu não sinto mais nada, minha alma tá gelada, e a mente tá tão longe E eu só penso: "Stay Cold! Stay Cold, pra sobreviver ao vazio dessa noite" Olhos tristes de quem nasceu com a maldição, foi a unica opção: dia de retaliação Olhei pro espelho e vi uma guerra interna, Santa Muerte me proteja, porque demônios me cercam ... Às vezes sinto que tudo que eu amo me abandonou e deixou de existir Tudo dissolve, nada resolve, e essa confusão foi eu memo que trouxe E se o destino é implacável, eu vou lutar e aprender a resistir Eu tô Sobrevivendo ao vazio dessa noite Sobrevivendo ao vazio dessa noite...
- O Vazio Dessa Noite, Letodie
Acredito que o verdadeiro bom homem precisa de uma grande tristeza na Terra; dor e sofrimento são sempre inevitáveis para um coração profundo e inteligente.
Fiódor Dostoiévski
Eu sinto tanto, mas não falo "eu sinto tanto". Prefiro entocar nos cantos do que mostrar pra esses putos, Que eu não sou de aço e muito menos de adamantium: Nem santo nem demônio; é só pelo meu que eu luto.
Letodie, Adamantium
Nossa essência é a mesma, jantamos na mesma mesa, só que com jeitos diferentes de justificar os meios. Mas nos adormos as cabeças nas bandejas da igreja, com destreza, para acusar o erro alheio. Negros, brancos, indios, gente; se não tiver plaqueta, vai ser só mais um indigente. Nos deram etiquetas, raiva, ódio e AKs, mas não nos contaram que o mundo é alcatraz.
C0LAPS01, Letodie
Só tive solidão, não lido bem com emoção Quis abraçá-la tão forte que parti seu coração Eu só sou bom em escrever, mas não demonstro No espelho vejo um anjo, mas às vezes eu vejo um monstro
Apenas 23, Letodie
NÃO: Não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna! Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-na! Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram? Não me macem, por amor de Deus! Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! Ó céu azul — o mesmo da minha infância — Eterna verdade vazia e perfeita! Ó macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Lisbon Revisited (1923), Álvaro de Campos