Quero estar aqui mesmo, comigo mesma e mais ninguém. Subir as montanhas de lá, e de cá, conversando com as árvores e os ventos, ao mesmo tempo em que desfruto desse silêncio que é a sabedoria. Ao mesmo tempo em que percebo o quão grandioso é essa relação e o poder que eu tenho. Poder de ser única e integrante de um todo parte da natureza. É isso que mais admiro em Werther, tão pleno nos vales fugindo de mais uma obrigação tosca. Isso não precisa ser importante toda hora, é necessário fugir pra longe de si e suas limitações, relacionamentos sociais e afins. Deixe que o vejam como estranho, egoísta, frio, narcisista. Aí então, se encontrar longe da multidão, percebendo o quão completo és e nada nem ninguém preenche essa parte, é um processo individual e interno, com direito a crises e proveitos. Acredito que não convém interromper esses ciclos maravilhosos, até porque é preciso primeiramente perceber que eles existem, os gatilhos externos de uma sociedade tóxica vão tentar banalizar e abafar, tornar o instinto uma banalidade, mero luxo de quem não se ocupa com o trabalho escravo. Eu medito em cima da montanha mais alta e assustadora, completamente segura porque busco esse equilíbrio nas alturas nos limites. Agora ainda tento olhar o céu azul, cinza e rosa e todas as fases da minha lua, os ciclos e me reconhecer cíclica. Olhar para dentro com cuidado e afeto, permito me conhecer e reconhecer a essência.