A morte
Me vejo no reflexo do espelho, minha mão toca a superfície gelada do vidro e vejo com clareza do outro lado a mão e a face da morte.
A morte chega quando decido aceitar minhas decisões, é necessário abraçar a solidão. Não tenho força para fazer diferente, e não vou me forçar a fazê-lo, cansei das frases iniciadas em “tenho que”, não farei nada, não mudarei nada. Bancarei um único desejo; o de não bancar nada!
Decido aceitar minha existência como ela é, se tenho que matar a esperança assim o farei. A morte da expectativa e a aceitação nua e crua daquilo que se está constituído, é por lá que caminharei até que as ruínas me consumam e eu possa erguer um templo…
Pegarei minha escada e a levarei até o fundo do poço, ficarei lá até o dia do juizo final. Deitarei no fundo do poço, olharei para a escuridão, e permanecerei lá, não sei por quanto tempo, e francamente não me importo. Tudo que existe é o poço e eu.
- Laura.











