Para o viajante que chega agora em nosso blog, informamos que a série “Roteiros que deram certo” é algo que presamos muito. Começamos a fazê-la há alguns anos, a ideia é oferecer uma espécie de bastidor da construção de roteiro que, como o nome diz, deu super certo! Por “certo” compreenda-se que boa parte dele se deu conforme o planejado. E o que fugiu da ambição do planejamento, foi para melhor. Deu tudo certo, enfim. No entanto, o roteiro que deu certo no Rio de Janeiro tem uma imensa peculiaridade: nós moramos no Rio!
O Rio de Janeiro é isso, uma cidade de todos, inclusive daqueles que aqui moram, é lógico. É um privilégio falar dela e, imaginamos, como moradores, com a necessária liberdade para tratar sobre suas qualidades e também sobre seus defeitos. Seremos francos, viajantes.
A primeira coisa que imaginamos como necessária para a construção de um roteiro exitoso para o Estado do Rio de Janeiro envolve, obviamente, o que visitar. Aqui o viajante poderá acessar nossas dicas e roteiro para a cidade, a capital do Estado do Rio de Janeiro. Observe com cuidado, viajante, a cidade é imensa, requererá alguns bons dias para que seu apetite seja saciado. E o que mais? Entendemos que todo visitante, sobretudo se vindo de longe, deve conhecer outras paragens por aqui. Vejamos.
Búzios (Região dos Lagos) – Paraty (Costa Verde) – Petrópolis (Região Serrana)
O traslado para essas diferentes regiões pode ser feito com alguma tranquilidade seja por carro (alugado) seja por transporte público. Aqui o viajante tem acesso ao site da Rodoviária da cidade, de onde partem ônibus para essas e outras regiões do Estado. Caso o viajante opte pelo aluguel de carros, atentar que, para alguns desses destinos, há pedágios, como são os casos da Região Serrana e da Região dos Lagos.
Mas, ora, por que visitar tais regiões? A Região dos Lagos reúne cidades incríveis, como Búzios (a mais conhecida e de fama internacional), mas também se pode visitar as cidades de Arraial do Cabo e Cabo Frio. As praias da região são conhecidas pelo mar cristalino e pelas paisagens inesquecíveis. Há passeios de barco que tornam a visita algo paradisíaco. Paraty, na Região da Costa Verde, não segue caminho diferente. Se pode ter acesso também à praias incríveis, passeios de barco, caminhadas e trilhas e por ai vai. Não esperamos despertar ciúmes entre os amantes de Búzios, mas, em nossa opinião, Paraty nos oferece algo a mais: história. Como cidade colonial, Paraty tem uma trajetória que remonta ao século 17, quando a cidade era uma espécie de entreposto no comércio de minerais de valor que vinham de Minas Gerais e de Goiás e eram levados para Portugal.
Suas ruas de pedra e o seu casario secular dão um charme que torna Paraty algo muito especial. Visita imperdível, não é?
É preciso dizer que ambas as regiões, dos Lagos e Costa Verde, são muitíssimo procuradas durante o verão. Durante a estação mais quente, tem-se que enfrentar engarrafamentos, multidões e, é claro, gente a dar com o pau nas ruas e nas praias. O outono parece-nos um período muito interessante para conhecê-las, tudo fica mais bonito, inclusive – em nossa opinião – o clima, pois mais ameno e agradável.
A Região Serrana do Rio é uma outra coisa. Estamos falando de cidades como Friburgo, Teresópolis, mas sobretudo de Petrópolis. A cidade de Pedro, serviu como residência oficial da família real até o fim do Império, em 1889. A visita ao Museu Imperial é parte fundamental do roteiro de quem sobe a serra. Apesar de bem próxima da capital, cerca de uma hora e meia ou duas horas de carro, por conta da altitude, a cidade está submetida a um outro clima. No verão, certamente mais ameno, mas sujeito às fortes tempestades que praticamente todo ano fazem vítimas fatais e promovem estragos. No inverno, temperaturas mais baixas. Lugar bom para tomar um vinho e encarar um bom restaurante.
O Museu Imperial, em Petrópolis
Vamos aproveitar que o assunto já foi colocado à mesa e falar com mais cuidado sobre o clima. Para tentar afastar avaliações ou perspectivas subjetivas sobre o assunto, vamos dizer o seguinte: no verão se pode enfrentar no Rio temperaturas de 37 e 38 graus facilmente. Nos dias mais duros, a temperatura pode passar dos 40 graus com muita desenvoltura (e assim tem acontecido nos últimos anos!). Se o viajante entende que 40 graus não atrapalha sua visita, vá em frente. Nós entendemos diferente. Para a gente, que mora na cidade, é um período muito ruim para passear e aproveitar o que ela tem a nos oferecer, inclusive suas belezas naturais. Por outro lado, gostamos muito do outono, quando temos dias razoavelmente quentes durante o dia (28-32 graus), mas com noites refrescantes, com temperaturas na faixa de 18-20 graus. Dá um gosto danado andar pelas cidades do Estado do Rio nessas condições. O inverno, é claro, é marcado pelas temperaturas razoavelmente amenas (exceto na Região Serrana, onde o viajante poderá se deparar com temperaturas mais baixas). Outra característica importante do inverno é a seca, ou seja, um regime de pouca chuva, o que é bom para quem quer perambular, não é mesmo?
Vamos falar de transporte público. A capital do Estado tem uma rede bastante desigual na oferta de transporte público. Para quem está instalado na Zona Sul da cidade e pretende explorar suas atrações, poderá contar com uma rede de metrô que será razoavelmente útil. Ela cobre bem a Zona Sul da cidade, o centro e parte das Zonas norte e oeste. Aqui o viajante acessa o mapa da rede de metrô da cidade. Pode se dizer mais ou menos a mesma coisa para a rede de ônibus urbanos. Ele cobre bem a Zona Sul, já as demais regiões da cidade podem apresentar algum tipo de constrangimento na oferta.
O centro da capital conta com uma modesta rede de tram (VLT)
Caso o viajante pretenda fazer uso de transporte público (metrô + ônibus + +BRT + VLT/tram) convém adquirir cartão que permite carregamento de valor e uso em diferentes modais de transporte da capital. Maiores informações aqui.
Outras cidades do Estado são mais carentes de transporte público. A rede de metrô, por exemplo, está restrita à capital. Isso quer dizer que em todas as regiões que mencionamos acima, o viajante poderá contar somente com ônibus urbano e táxi/Uber.
Um outro ponto importante, quase sempre uma imensa preocupação por parte daqueles que chegam ao Rio, é a segurança pública. Esse é um ponto que costuma dispensar muita a atenção daquelas pessoas que decidem visitar a capital. Nossa posição é a seguinte: temos sim problemas crônicos de segurança pública. Sem querer explicá-los, basta dizer que o visitante pode se deparar com o tradicional problema do furto e do roubo, que se pode ver em outras grandes cidades do mundo. Mas a coisa não termina ai. O Rio de Janeiro, sobretudo a capital, é marcado pela ocupação irregular de muitas de suas encostas. É bom que se diga que nessas regiões desenvolveram-se imensos bolsões de pobreza. Regra geral, nessas regiões, também conhecidas como favelas, predominam majoritariamente trabalhadores. Gente honesta que leva a vida sob imensas restrições e dificuldades. Uma pequenina fração de seus habitantes é composta por traficantes e o crime organizado. Estes constituem um imenso mercado que dá conta de drogas ilícitas, roubo de cargas e de veículos particulares e outras ações criminosas. Costumam andar muito bem armados e quando resolvem bagunçar a cidade, sai de baixo!
Entenda: não estamos falando de “bandidos comuns”, mas de grupos paramilitares. Quais as implicações disso para a atividade turística? O viajante precisa saber que nas zonas mais turísticas o policiamento costuma ser ostensivo e a ocorrência de problemas não é muitíssimo alta. O que se recomenda é que o viajante não ostente sua câmera fotográfica ou celular. Documentos pessoais, como carteira de identidade ou, para os estrangeiros, o passaporte, devem estar muito bem guardados. A orientação é que o passaporte, por exemplo, permaneça em local seguro no hotel.
Juntando segurança com transporte, podemos dizer que o metrô é, de longe, o modal menos sujeito à problemas de segurança. Há guardas particulares bem distribuídos nas estações e, até onde sabemos, há baixos registros de problemas nessa área. O mesmo não pode ser dito com relação aos ônibus. Estes, a depender da linha de ônibus, podem apresentar problemas com roubos, infelizmente.
Por fim, gostaríamos de fazer algumas observações de cunho etnográfico. O carioca, figura típica da cidade do Rio de Janeiro, tem suas peculiaridades. Ele costuma puxar assunto fácil, gosta de conversa e, se possível, logo compartilha assuntos que estão na esfera privada com muita facilidade. Não quer dizer que, necessariamente, o viajante esteja fazendo um “amigo” no bar. Significa que arrumou alguém para conversar. Acabou o papo, cada um segue seu caminho sem qualquer constrangimento. A sociabilidade carioca é assim. Há, inclusive, uma frase muito frequentemente associada à figura do carioca: “aparece lá em casa”. “Aparece lá em casa” diz respeito ao encontro casual de dois cariocas na rua. Depois da conversa, o “aparece lá em casa” é a senha para chegarmos ao fim da conversa. A rigor, nenhum deles está convidando o outro para realmente visitar a sua casa.
Cariocas costumam ser muito solícitos. Veem alguém de fora, querem logo ajudar. Mas é preciso atentar para uma outra característica geral desse personagem. Por vezes a vontade de ajudar é maior do que a capacidade de ajuda de fato. Por exemplo, o visitante está perdido, chega um carioca para “ajudar”, você diz que precisa chegar a tal lugar. Ele não faz a menor ideia sobre onde fica o tal lugar, mas se esforça para ajudar sobre algo que ele, na verdade, não conhece. Ao invés de ajudar, é lógico, atrapalha. O viajante vai parar no lugar errado.
Mas vamos falar de questões mais práticas:
Escolher um lugar legal para ficar durante uma viagem é algo que não podemos descuidar, né? Se a escolha não for boa é problema certo! O que é uma escolha boa? Essa pergunta pode ter várias respostas corretas, tudo muito depende da expectativa e dos objetivos de viagem de quem parte por ai. Nós temos o nosso critério: queremos um lugar bem instalado, ou seja, próximo das atrações que gostaríamos de conhecer em nosso destino; ser limpo e seguro e, é claro, ter bom preço. Não nos interessa o luxo, pois não viajamos para ficar no hotel. Nosso interesse está fora dele! O nosso viajante, naturalmente, deve pensar nessas questões. A resposta para esta pergunta poderá incidir na escolha do local onde se instalar. Vamos lá: em primeiro lugar, cabe dizer que boa parte da rede hoteleira da cidade do Rio de Janeiro se encontra na zona sul da cidade, em bairros como Flamengo, Copacabana, Ipanema e outros. Há instalações de diferentes portes, luxos e tarifas, é claro. Se instalado nessa região, o visitante certamente estará mais próximo de uma série de atrações da capital. Outra possibilidade é o centro da cidade. Há também hotéis de grande porte, mas dominam os hotéis menores. Se comparado aos preços praticados na zona sul, o centro certamente reúne uma rede com tarifas mais em conta. Instalado no centro, o viajante estará próximo de algumas atrações importantes da cidade, como o próprio centro histórico da cidade, Santa Tereza, o Porto Maravilha e outras. Adicionalmente, estará bem próximo da rodoviária da cidade.
Nós, ao longo de uma década na estrada, temos já alguma experiência com estadias. Tomamos o cuidado de registrar todas essas experiências e compartilhá-las com nossos amigos viajantes em nosso Canal do YouTube. Os vídeos são parte da playlist “Hotéis”, que reúne comentários e imagens sobre experiências com estadias, boas e frustrantes. Perfeito para quem quer dar uma espiadinha in loco e assim sair do registro frio dos buscadores disponíveis na internet. Acesse aqui.
Montar um roteiro é outro desafio. Não faz sentido sair por ai simplesmente de forma desordenada. Precisamos maximizar o tempo em nosso destino, definir prioridades, fazer escolhas e por ai vai. Aqui compartilhamos nossas dicas sobre como montar seu roteiro. Trata-se de uma série, chamada “Roteiros que deram certo”. Esperamos que ajude ou, no mínimo, inspire o amigo e amiga viajante para conhecer o Rio de Janeiro e outras localidades.
Como é possível viajar tanto?
Mas, vem cá, como é que arrumo dinheiro para fazer isso tudo? Pergunta para lá de desafiante, né? Reunimos nossas dicas, digamos assim, para a administração da vida e possamos manter acesa a chama do deslocamento. Ninguém é preciso ser rico, adiantamos. A depender do estilo do viajante, sim, é possível andar por ai de montão. Para isso, como apontamos no hiperlink a seguir, é preciso que o viajante se organize e saiba explorar as possibilidades que o tal do mercado nos oferece. Explicamos aqui.
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