Sobre detalhes tão pequenos de Jobim… Ou a tácita semelhança entre o Maestro Soberano e o Mestre Jedi
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Sobre detalhes tão pequenos de Jobim… Ou a tácita semelhança entre o Maestro Soberano e o Mestre Jedi
Tom(e)
(“…a beleza que não e só minha,
que também passa sozinha…”)
*
“Parte Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar”…
No piano líquido
Síntese,
em que cabe só a essência da essência
A Beleza-ressaca
é devolvida
com ímpetos
de Re-criação
Destemida,
infante
incontinente
chocando-se
contra as impossíveis [pedras]
E torna a nascer ali
Tal qual fora
(outrora) concebida
Rebento
em arrebentação
Despida d’outras,
despida de (e para) quaisquer
Possibilidade fuga. Torturada,
Arremessada
(livre)
do cárcere silêncio.
Douda esquiva, murmurando:
_Siga!
Rasgando a vaidade
do instante
- Seja!
Irrefreável,
desalinhada.
Vento nos cabelos do Agora
Intacta de Forma
e Ser
A Beleza lânguida,
ilusão nua
Salta,
Delgada,
Insinuante como
um
Nunca!
Virgem,
renunciada
– em dor -
sangra sua essência
em pane,
Acometida de
rompimento
Assim,
Cicatriz do ego
Esplêndida
coroa
de pó
Total crispado:
Expulsando
arredio
à evidência vencedora
Enxurrada
de
É
caindo,
devastadora,
sobre pingos
flébeis do que
Foi
É!
Cimo tocado
(…)
Fratura exposta de cirros
E já não é tua!
E na ânsia do contínuo…
Hipnotizados por novamente ,
Frame de Tudo
– dis-
si-
pa-
da.
E um – nunca - silêncio,
frêmito
inquieta.
[Larissa Gouveia]
_ Ahh! A beleza que resiste!
Naquela derradeira nota
– pianissimo!
Aguda,
morrendo
docemente
afiada.
Sangrando
no ponto mais macio do teclado
– é Deus ressuscitando no (último) detalhe!
E um — nunca — silêncio,
fatal
vibra
partindo
as frágeis mãos de cristal
…
[Coda]
Sobre um piano,
SIlente,
cabe todo aquele seu
minucioso caos:
Sant’Antonio e Maracugina,
as mesmas flores amarelas
— o vento acorda no voal da cortina!
Todo ele lá, até no apagar da velha
chama do charuto do Villa...
Nunca mais, nem ele,
volta o mesmo pra sua nota Sol!
“(...)Quem ousará dizer que ele é só alma?...”[Drummond]
Do meu canal do Youtube - quentinho, direto pra cá. ELIS & TOM - ERROS(Bloopers) de Gravação de Águas de Março BEM RARO
ÁUDIO!! EXCLUSIVIDADE saborosíssima aqui no meu Batcanal! rs Lá, por volta de 0:57 eles começam as interrupções e ajustes da gravação... "Luluza, Luluza eu vou ficar famoso(...)", "é sexo ilusion", "Escuta, eu quero aquele cara cortando pau lá do outro lado do rio: _Ou João, tu não vem almoçar, não?"... Nem me perguntem como e onde, nem eu mesma sei de que baú tirei essa preciosidade. Mas taí todo o off - com direito a erros, piadinhas/tiradas saborosas e hasta sutis embates entre Tom e Elis - no definitivo registro de 'Águas de Março' para o antológico disco que Elis e Tom gravaram juntos, em 1974.' * O dueto que Caymmi considerava o melhor do mundo! Só pra vocês verem; ou melhor, ouvirem que... Nem juntando dois artistas geniais, uma obra prima nasce de prima. Ou, em suma, que a inspiração não existe mes-mo sem muita transpiração - sob e sobre ela. Ahh! E de lambuja, ainda constatarem que universo extraordinário era a mente de Tom: Um misto de dadaísmo carioca, com surrealismo Abapouru rsss - gênio antes, durante e depois do gravando.
FOTO Tom e Chico - entre o à vontade partilhado e o absorto em si mesmos, remotos um d’outro... Pelos bares da vida! Imagine-se aí quantas prosas filosóficas, sacanas, bem humoradas. Quantos copos, quanta inspiração bebida diretamente da fonte humana. VÍDEO Tom e Chico, tensos e semi felizes, proseiam reticentes com Nelson Mota. Nos bastidores do Festival de 1968. Aquele mesmo, que deixou a marca das injustíssimas vaias para a vitoriosa Sabiá, da dupla, no animoso clima da tensão política dos então anos de chumbo. Felizmente, a dupla compositora, a amizade e a beleza de Sabiá venceram retumbante-mente a circunstância infeliz. https://www.youtube.com/watch?v=RYML1d0xyb4
Chico um dia disse numa entrevista, quando questionado sobre suas referencias na Arte, do quanto Tom fora sua referencia na Música; mensurando o imensurável, ele resumiu :”Tudo o que eu fiz na minha vida foi para o Tom”....[Chico Buarque]
“Como fiz enganos De me encontrar Como fiz estradas De me perder“....
25 de janeiro - Aniversário do nosso Maestro Soberano
25 de janeiro - Aniversário do nosso Maestro Soberano - "sua vida é(foi) uma linda canção de amor…"
”Madrugada fria de estranho sonho. Acordou João, (*Antonio, João…ele fora tantos e único) o cachorro latia João abriu a porta O sonho existia"… * Há 87 anos atrás o Brasil ficava mais Brasileiro(!) porque ele vinha a Vida. Vinha para alegrar milhares de vidas com sua Música essencial e transformadora. Vinha para partilhar, semear e reinventar a beleza - que não era só dele; mas que nele encontrou a condição perfeita de se estabelecer vitoriosa aos ouvidos, olhos e almas súplices.
Surgia um 'homem iluminado'; ’pois, é’, e para re-significar as expressões vagas de ser brasileiro. Para amar nossa terra com a naturalidade, de um sabiá, que sabe-se parte de algo seu do modo mais legitimo e inteiriço.
O Brasil! Ah! Este ele carregou consigo já resguardado no (sobre)nome.Mas a força de sua supina arte fez que para além, o Brasil ostentasse orgulhoso pelo mundo á fora seu nome - Jobim - como nosso codinome tradutor. Bandeira do que melhor somos e fizemos!
Viva ao eterno, amado Soberano da música brasilis. Hoje esta pátria que você amou - com a verdade e intensidade que nos doou suas canções redentoras - saúda-te amado Antonio (nosso tom, nosso Tom!).
Tom Jobim - Saudade do Brasil http://www.youtube.com/watch?v=dchDSS5pXXQ "meu maestro soberano foi Antônio Brasileiro" http://www.youtube.com/watch?v=tJsOz67yq98
"até o apagar da velha chama"!
"Quiet chords from my guitar,/ Floating on the silence that surronds us..." E na embalagem de cimento, ao fundo, estava escrito 'Paraiso'(!). E a obra mais transformadora, a reforma mais definitiva do mundo em sua volta, acontecia era pelas suas próprias mãos - mãos de um quase arquiteto!
O projeto de abrigar, este não havia sido despejado. As mãos signos, agora eram um próprio abrigo: De imprevisíveis coisas maiores que espaços projetados; de imensas coisas mais minuciosas, do que particularidades de uma vasta intimidade cotidiana.
Ora, eram refúgios! De almas, tantas! As almas sabidas, estas inquilinas de si, gritantes não repousavam - inquietas para visitarem o mundo exterior, em forma de sons. As outras nem cogitadas, sem marquises sequer para pouso; silenciosas devotas, seguiam-no, desabrigadas de si rumando para alugarem por um tempo: rancho nas nuvens - às nossas. Dez fios tênues – cirros - podiam conter todas as avenidas sinuosas das almas mais engarrafadas. Certo que, do atrito pênsil na boca amordaçada do papel em branco, as mãos cantantes agora arranhavam a garganta dos céus. (in 'Cirros' - Larissa Gouveia.Dedicado a Antonio Carlos Jobim)
Maestro Soberano (& o Índio de Casaca): Tom Jobim [& Heitor Villa Lobos] - Antonio Brasileiro em: Agarrado/nutrindo-se das raízes. Não pode existir foto mais autoexplicativa Villa foi a maior referencia estética/musical da vida e obra de Tom. O Soberano costumava referir-se a ele - vide a carta que escrevera para Edu Lobo - como seu "Pai" musical. Um foi o maior na seara de nossa musica erudita, o outro na musica popular.Ambos, um só corpo brasileiro, gigante inconteste - belo e impávido - despertando nosso ser brasilis.
"Sim sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que transporto instintivamente para tudo que escrevo". [Villa Lobos] *** "Digo que minha música vem da natureza, agora mais do que nunca. Amo as árvores, as pedras, os passarinhos. “ (...)"Minha obra é toda um canto de amor ao Brasil, minha terra, povo, flora e fauna. À vista da minha janela ou da janela do avião." (...) “...Música é o canto do passarinho melhorado, computadorizado, arranjado.” [Tom Jobim] PS: Com a minha brasilidade, sempre à flor da pele, ainda choro ao ler meu maestro falar de sua emoção ao ouvir pela primeira vez esta obra sublime que são os 'Choros', do Villa. Chorei feito criança, eu também, quando compreendi pela primeira vez - completamente integrada - a dimensão da essencia brasileira, sanguínea e elevada desta obra do Villa Lobos. Villa - com sua arte belíssima, selvagem e desbravadora - inventou o Brasil. Tom - com sua docilidade, senso meticuloso de beleza e amor - reinventou as medidas de ser brasileiro.
"é a vida, é o sol (...) Caingá (...) é o Matita Pereira" (...) É a promessa de vida no teu coração." (Tom Jobim in 'Águas de Março') "Como a vida é senha de outra vida nova que envelhece antes de romper o novo. Como a vida é outra sempre outra, outra não a que é vivida. Como a vida é vida ainda quando morte esculpida em vida. (...) Como a vida é bela sendo uma pantera de garra quebrada. Como a vida é louca estúpida, mouca e no entanto chama a torrar-se em chama. Como a vida chora de saber que é vida e nunca nunca nunca leva a sério o homem, esse lobisomem. Como a vida ri a cada manhã de seu próprio absurdo." (Carlos Drummond de Andrade in 'Parolagem da Vida')
Tom fazendo as vezes de garoto propaganda da Clarice; lançamento do primeiro livro dela.
Tom brinca com a filha caçula, Maria Luiza.
Tom sendo tietado pela atriz Tonia Carrero. 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Tom, "bendito entre as mulheres"!
Hoje no nosso dia porque não lembrá-lo? Mas ao lado das criaturas que tanto amou e venerou; que amou essencialmente e nos detalhes mais peculiares. Detalhes, que eram vistos com aquela sua percepção apaixonada e aguda da beleza.
Nosso Maestro fez da figura feminina um fomento para nutrir e guiar sua busca por harmonia - a inspiradora vitamina de sua arte sensibilizada. Sua vida pessoal foi pautada peremptoriamente por grandes signos femininos. Costumava brincar, aludindo a mui prematura ausência paterna, que era o verdadeiro “filho da mãe”. Teve em sua irmã Helena a melhor e maior amiga que se possa imaginar ter. Com suas duas companheiras (Thereza e Ana, respectivamente) experimentou um amor pleno e vitorioso. Teve 2 filhas (Elizabeth e mais tarde, já em plena maturidade, sua caçula Maria Luiza).
E durante a vida toda teve, em seus olhos inquietos, musas inomináveis - as quais ele resguardou, doce e elegantemente, no secreto de sua intensidade apreciadora em outros nomes ou cor de olhos(vide Lígia); em pseudônimos, que resumiam dentro de si seu amor e devoção por nós todas - todas nós suas homenageadas, indistintamente da sua paixão pessoal.
PLAYLIST Tom Jobim - Dia Internacional das Mulheres: http://www.youtube.com/watch?v=or-EYc8iMYA&list=PLeWN5jdsiMoD7bBjaAqbKjeGXhUJxTtZr
25 de janeiro - Aniversário do nosso Maestro Soberano - "sua vida é(foi) uma linda canção de amor..." "Madrugada fria de estranho sonho Acordou João, (*Antonio,João...ele fora tantos e único) o cachorro latia João abriu a porta O sonho existia"... * Há 86 anos atrás o Brasil ficava mais Brasileiro(!) porque ele vinha para a vida. Vinha para alegrar milhares de vidas com sua Música essencial e transformadora.Vinha para partilhar,semear e reinventar a beleza - que não era só dele;mas que nele encontrou a condição perfeita de se estabelecer vitoriosa aos ouvidos,olhos e almas súplices. Surgia,'pois é', e para resignificar as expressões vagas de ser brasileiro.Para amar nossa terra com a naturalidade de um sabiá que sabe-se parte de algo seu do modo mais legitimo e interiço. O Brasil! Ah e este ele carregou consigo já resguardado no (sobre)nome.Mas a força de sua supina arte fez que para além, o Brasil ostentasse orgulhoso pelo mundo á fora seu nome - Jobim - como nosso codinome tradutor.Bandeira do que melhor somos e fizemos! Viva ao eterno,amado Soberano da música brasilis. Hoje esta pátria que você amou - com a verdade e intensidade que nos doou suas canções redentoras - saúda-te amado Antonio (nosso tom,nosso Tom!). Se todos fossem iguais a você - Agostinho dos Santos http://www.youtube.com/watch?v=tdAaziT46tY Se todos fossem iguais a você - Maysa http://www.youtube.com/watch?v=a1JjXC_Zugc Se todos fossem iguais a você - Tom e Vinicius http://www.youtube.com/watch?v=XswzObX0kk4
Uma imagem/uma foto vale (QUASE TANTO quanto) mil sons. Pixinguinha visita Tom, meados da década de 70. A Tradição e o Modernizador do cancioneiro brasileiro N.T: Abaixo da foto, uma caricatura dos dois doces e brasileiríssimos gênios. Ao fundo dos caricaturados, nota-se (tocante) dedicatoria (verdadeira) escrita por Tom para Pixinguinha:"Ao meu Pixinguinha/Amor da minha vida/Gênio querido e humano.Com um abraço do Tom." Tom fez o seu próprio (pulcro) registro para 'Carinhoso'; numa faixa que integrara o album Tide, em 1970. Tom considerava Carinhoso uma das 10 musicas brasileiras mais lindas de todos os tempos. Em 1970 pediram que o 'Maestro' relacionasse o que considerava as dez melhores músicas brasileiras. Modesto,ele não incluiu nenhuma composição sua. Entre as dez musicas relacionadas por si, ele colocou Carinhoso em primeiro lugar. Ouvir Carinhoso,com Tom;versão do Tide: http://www.youtube.com/watch?v=lnzsKQ_2bx4 Ouvir Carinhoso com Tom em (raro) Especial da (extinta) Rede Manchete; dirigido por Nelson Pereira dos Santos. (Momento mítico. Registro solo ao piano feito em sua própria casa. Eu diria que, é quase sacro de tão lindo e tocante. No seu piano líquido, que em tudo se cabia e onde cabia o mundo em sutil toque cursor - notas sabiamente eleitas; notas escorridas, fluidas com amor natural e filtradas pela razão de um esteta incomparável. Tom lograra a forma mais completa da beleza. Traduzia, pois, com perfeição e numa vitoria sobre-humana, tudo que era seu nato, ou que ele tomava pra si embevecido. Tudo tão simples, executado com mui poucas notas; sem espetáculos vaidosos, sem vícios da virtude. Na mais absoluta convicção de quem conhece o corpo que toca; elegendo o que lhe parecia mais sensível ao contato, embevecido mas em toques precisos. Perfeitamente integrado a finíssima tez sonora, rumo ao ápice certo) : http://www.youtube.com/watch?v=fkpwly5OG1o
'A LUZ DO TOM' Trailer(em HD) de 'A Luz do Tom', um filme de Nelson Pereira dos Santos 8 de Fevereiro nos melhores cinemas. Produção: REGINA FILMES Baseado no livro de Helena Jobim: Antônio Carlos Jobim – Um Homem Iluminado Roteiro de Miúcha Buarque de Holanda e Nelson Pereira dos Santos
*
O extraordinário universo musical de Antonio Carlos Jobim não cabe em apenas um filme. Foi com esse pensamento e com aguçada sensibilidade que o diretor Nelson Pereira dos Santos realizou dois filmes sobre Tom Jobim, considerado, um dos maiores expoentes de todos os tempos da música brasileira.
O primeiro, “A Música Segundo Antonio Carlos Jobim”, estreou em janeiro de 2012 com sucesso absoluto de público e crítica. O filme abriu no 49o. New York Film Festival em Nova Iorque em 2011 e, além de participar de outros festivais, teve sessão de gala no último Festival de Cinema de Cannes e foi premiado pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro como um dos melhores filmes lançados no Rio de Janeiro em 2012.
Agora, um ano depois, chega aos cinemas brasileiros, em 08 de fevereiro, o segundo, “A Luz do Tom”, onde Tom Jobim tem a vida narrada através de vozes femininas, as favoritas do compositor. O filme completa o retrato do maestro, com depoimentos inéditos, intercalados com as músicas, de três mulheres importantes na vida de Tom Jobim – da irmã Helena Jobim, e duas mulheres com quem foi casado, Tereza Hermanny e Ana Lontra Jobim. A partir da memória delas o filme constrói um outro Antonio Carlos Jobim, tendo como ponto de partida o livro de memórias “Um homem Iluminado”, da irmã do maestro.
Se em “A Música Segundo Tom Jobim” Nelson Pereira dos Santos escolheu o caminho sensorial da imagem e do som para mostrar o trabalho do músico, sem palavras, agora, surge o Tom mais íntimo, familiar. Desta vez são elas, as vozes das três mulheres que percorrem – como num diálogo com ele, entremeado de sua música – a obra do “maestro soberano”.
“Desde o começo, foram projetados os dois filmes: um, sobre a música que ele criou, com vários intérpretes. O outro, sobre a memória das três mulheres: Thereza Jobim, a primeira esposa; de Ana Lontra Jobim, segunda esposa; e de Helena Jobim, irmã de Tom. Helena está numa praia de Florianópolis lembrando Ipanema dos anos 1930; Thereza na serra, rodeada por um jardim enorme cercado de mata atlântica, lembrando Tom e a natureza; e Ana no Jardim Botânico, que Tom dizia ser a extensão do quintal de sua casa”, antecipa Nelson. REPOSTADO DAQUI: http://amantesdavida.com.br/a-luz-do-tom/ Página oficial no FACEBOOK: https://www.facebook.com/ALuzDoTom Website: http://www.aluzdotom.com.br
“Porque Hoje é sábado”....
Tom Jobim(lindo, pleno!) em Festa – Anos 60. Captura (deliciosa) do Pedro Moraes(primogênito do Vininha).
O Pedro, excelente fotógrafo e diretor de fotografia, registrou alguns dos momentos mais emblemáticos/e deliciosos da musica brasilis - principalmente e justamente, através do vasto e rico círculo de convivência do seu pai, o Poetinha. Esta foto, aliás, faz parte da exposição 'Os Amigos do meu Pai' que, está até o dia 21 de dezembro na Galeria Murilo Castro.
Uma boa foto – diz-nos o senso comum - deve congelar, perenizar com precisão um momento bonito/marcante/delicioso/contundente/emocionante etc e etc. As fotos geniais, para além – eu acresço - conseguem trazer à tona caracteres vívidos, ou até mesmo os mais inquietos, da personalidade do fotografado - num só frame congelado. Pois então, reparem e digam senão está aí nesta única imagem: O Tom da paixão inveterada pelas femmes. O aquariano Jobim, da elegância natural e gestos ponderados; mas, antes e sempre, gestos legítimos e instintivos. O moço de beleza simples e devastadora. E o homem da picardia(tão nossa, tão latina), mescladas à sua timidez essencial (tão dele)... Ah! E (mais definitivamente ainda!) o/aquele Brasileiro completamente embevecido pelo seu Brasil "lindo e trigueiro" :D.
"Amor, escuta um segredo Tua pele é lisa, lisa Minha palma que a analisa Não tem medo: fica nua. Fica de tal modo nua Que eu, ante tanto abandono Transforme o desejo em sono E não seja apenas teu." (Vinicius de Mores)
"Eu sei e você sabe/ que a distância não existe"... Há 18 anos atrás ele concluía seu [pulcro] pouso aqui pertinho da gente...O som das suas asas continua ressoando por esta imensidão de Brasil,esta pátria que foi ainda mais bonita traduzida no canto [e no voô] dele.
Saudade sempre, sempre... * Minha saudade, esta é insólita, de uma vida que não vivi; mesmo que fora espionando longe – pajem alhures - aquelas ações queridas de simpatia irresistível. Às favas todas as vagas hipóteses míticas – arquitetadas distantes: Ele era nós, e sua música – próxima do onírico - acontecia aqui sob as bênçãos da realidade!Sob nosso olhar e ouvir cúmplices. Nós, tênues dançarinos, inseguros sobre os saltos de nossas angústias, dançamos arriscando todo cotidiano pesado sobre os picos dos seus céus (projetados em cada canção). Quando ele partiu, tinha eu então só míseros anos infantis, remotos dele... E posto a comoção pública, nem assim posso concluir que tenha ali já compreendido a data. Talvez me lembre de alguns lances, pouco aptos á serem materializados. (... ) Só falo dele no presente. Transcendente, imune mesmo aos códigos de fim e começo. O pianista de invulgares mãos com pouca abertura, que se foi antes de eu compreende-lo habitante de mim, restituiu-me vida - quando já, ele próprio, não poderia conte-la em suas imensas mãos exíguas. (Larissa Gouveia) * "Dorme menino dorme O dia se acabou A noite já chegou
E a vida é assim mesmo É preciso descansar
E tudo começa de novo Dorme porque amanhã é outro dia E existe o mar,a flor e o amor e se você estiver cansado não verá a flor se abrir,o mar e o amor chegar Dorme que eu velo ainda por de tudo (Dorme) Até amanhã chegar
O mundo é assim mesmo..." (Tom Jobim & Roberto Mazoier)
*
Eu Não Existo Sem Você, de Tom e Vinicius, por Elizeth Cardoso(acompanhada por João Gilberto ao violão):
https://soundcloud.com/#ruy-barbosa-1/07-eu-nao-existo-sem-voce
R.I.P Oscar Niemeyer
Niemeyer e Tom, se irmanaram na busca incessante e cúmplice: Pela beleza. A força da forma, a estrutura burilada ad infinitum... Ditavam, confidenciavam-nos a grandeza de suas ideias e visões do mundo, mas usando elementos milime-tricamente sutis - sutis e inconfundíveis.
A mesma simplicidade(principalmente, no sentido que toca à acessibilidade e comunhão com os apreciadores). A eficiência e emissão direta da beleza falam, peremptoriamente, respectivamente em seus traços e em suas notas. A rendição sensibilizada, debruçados apaixonadamente em suas linguagens artistícas - tentando “consertar” o mundo. Os mesmos gostos pela harmonia-essencial e a desobediência ao senso comum - ambas, eram tônicas em suas criações.
Foram renovadores e ícones dum Brasil moderno - um que despontava, em forte movimento ascendente, para um infinito de caminhos. Caminhos abertos, sendo pavimentados sobre às veredas do cerrado duma cáustica Brasília - o traço sinuoso, destoando da terra seca; a amplitude lavada do Céu de Brasilia dialogando com as provocadoras curvas. Caminhos pisados, pousando nas nuvens vaporosas das etéreas notas musicais - Tom construindo rancho nas nuvens. Bossas-novistas,“isso é(lhes era) muito natural”!
O arquiteto desafiou às formas sólidas e levou a sinuosidade feminina para o concreto - o intangível tocado, como num próprio corpo desejável. O músico depositou, nas inesperadas curvas de suas canções, a beleza invisível do mundo concreto - suas musas apenas platônicas, se faziam tocadas e possíveis. Ambos fugiram(transcenderam!) e abrigaram à realidade: Em iguais e saudáveis proporções. Ambos, foram identidade brasileira se impondo pelo mundo à fora. O Brasil nas mãos destes dois criadores, foi sempre o Brasil da beleza - aquela gritante devassada, patente flagrada. E um Brasil novo, desconhecido, ansiado - o das esperançosas alentadas, o que ainda irá ser!
Só posso [tentar] resumir a perda de Niemeyer no título da música de Tom: ’Saudade do Brasil’. Igualmente, só posso traduzir o mítico da obra arquitetônica do poeta do concreto num outro tema de Tom, intitulado Arquitetura de Morar. Toda a sinuosidade deste tema diz, com fartura de beleza, da impressão que a obra do Oscar nos causará eternamente.
* *A obra de Tom e de Niemeyer, não se encontrou apenas nesse caráter subjetivo, poético: No ensejo da feitura da capital Brasilia, Tom fora convidado por JK pra criar a sinfonia que inauguraria a nova capital brasileira. Na vastidão do cerrado sendo reinventado, na promessa de um Brasil moderno e prenhe de oportunidades, os dois gênios tiveram feliz ocasião de interagirem. [Tom que, aliás, estudou Arquitetura antes de ser definitivamente capturado pela Música]. Antes ainda, a obra dos dois já havia se cruzado no ensejo da peça de teatro 'Orfeu da Conceição' - que possuía musica de Tom e cenários projetados por Oscar.
*
Oscar Niemeyer, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e sua mulher Lila Bôscoli nos bastidores da estréia de Orfeu da Conceição. Captura de José Medeiros,1956
Arquitetura de Morar, por Tom e orquestra com orquestração e regência de Claus Ogerman: Ouvir - http://www.myspace.com/music/player?sid=55549440&ac=now